Interligados#1 - Capítulo 9
Por causa do toque de recolher de Aden, Mary Ann não teve a chance de falar com ele depois da escola.
Então, na manhã seguinte, ela esperou por ele na porta principal, mas Tucker chegou primeiro. Com muito medo de deixar os garotos interagirem, ela pediu a Tucker para acompanhá-la até a aula. Ele, pelo menos, parecia ter voltado a seu estado normal, sociável e admirável. Mesmo assim. Ela ainda não sabia o que fazer com ele, talvez porque sua mente tinha muitas outras coisas para se preocupar. Como Aden e o lobo.
Ela tentou falar com Aden, em cada uma das aulas de compartilharam, mas os professores os separaram, observando ele de perto, como se eles esperassem que ele fosse uma má influência. E entre as aulas, havia muitos garotos nos corredores para conseguir dizer algo de importante.
Durante o almoço, Aden não estava em lugar nenhum para ser encontrado. Aonde ele foi, não sabia, mas sua ausência era provavelmente o melhor. Como sempre, ela se sentou com Tucker e seu grupo, assim como Penny e as garotas. Não saberia como eles teriam reagido se ela estivesse com Aden.
Lamentavelmente a semana foi passando da mesma forma: Tucker se reunia com ela pela manhã, os professores se certificavam de que Aden mantivesse distância dos outros, e ele desaparecia na hora do almoço. Eles nunca mais tiveram a chance de conversar. Mary Ann não podia deixar de se perguntar se Aden estava aliviado de não ter que dizer mais nada a ela sobre seus segredos.
Todo dia depois de sua última aula, dava outro suspiro. Não queria vê-lo. Seu lobo – o lobo que tinha prometido matar Aden – sempre esperava por ela. Na verdade, ele a acompanhava até a escola. O alívio que tinha sentido no primeiro momento quando o viu novamente, por saber que ele estava bem, ainda a preenchia cada vez que o via.
Pelo bem de todos, ela cuidou de manter Aden e o lobo separados. Mas isso estava custado pedaços de sua sanidade. Ela tinha que falar com Aden logo. O que ele estava fazendo em suas aulas? Estava se adaptando? Tinha feito amigos? Aonde ia almoçar?
Que outras habilidades tinha?
Essa era a pergunta que mais a atormentava.
Logo, antes ou depois da escola, teria que espantar o lobo para que ela e Aden pudessem ter um momento de privacidade. Não que ela queira espantá-lo. Estava mais curiosa sobre ele. Ela continuou esperando que ele revelasse sua forma humana – hoje é o dia, pensava toda manhã, seguido por um momento agora toda tarde – e dizer a ela o que estava acontecendo. Mas o lobo mantinha o silêncio desde o primeiro dia.
Ela suspirou. Hoje o sol estava alto e quente, as sombras proporcionadas pelas árvores só refrescavam um pouco. A qualquer momento, seu novo amigo apareceria...
Ele pulou diante dela.
... Apareceu.
Desta vez, ela não piscou, não tropeçou, muito acostumada com sua presença. Ele manteve o ritmo ao lado dela, suas garras raspando contra a pedra de vez
Era espantoso pensar que uma vez tinha sido ameaçada por ele. Agora, se sentia segura, como se nada de mal pudesse acontecer com ela. Como se ele pudesse protegê-la com a sua vida. Bobagem dela, sabia. Mas depois de uma semana, não existia mais nada dela mesma de antes. Seu rígido horário de estudos foi esquecido, e pela primeira vez não trabalhou todas as horas possíveis durante o fim de semana. Passava cada minuto livre pensando sobre Aden e o lobo.
“Eu ainda não decidi o que fazer com Tucker,” disse, sabendo que o lobo não lhe responderia, mas precisava falar com alguém. “Ele é meu namorado e eu gosto dele, na maioria das vezes, mas... Eu não sei. Estar com ele simplesmente não parece mais certo.
Pelo menos ele está deixando Aden e Shannon em paz, então acho que não deveria me queixar muito.”
O lobo grunhiu.
Por beneficio de Tucker ou por ela? “Eu queria saber o seu nome. Eu odeio pensar em você como ‘o lobo’ ”.
Silêncio.
“Tudo bem. Vou chamá-lo de Lobinho e você pode lidar com isso quer goste ou não.”
Silêncio.
“Porque não me mostra sua forma humana? Você sabe que eu quero ver, então é simplesmente grosseria se manter escondido de mim.
Mais uma vez, silêncio.
“Você é alguém que eu conheço? Você tem cicatrizes horríveis?”
Seu pêlo negro brilhava como ébano polido enquanto ele olhava para ela. Seus olhos eram de um verde pálido como nunca se viu.
“Você não poder mudar? Está preso nesta forma?”
Ele balançou a cabeça. O que significava, ela presumiu, que não estava preso.
Ela sorriu. “Milagre dos milagres, nós estamos nos comunicando! Vê como isso é fácil? Eu faço uma pergunta e você responde.”
O lobo revirou os olhos.
“Então por que você não me mostra?”
Silêncio.
Isso não estava chegando a lugar nenhum. “Vamos tentar outra coisa.” Ela desviou de um ramo caído. “Você vai a minha escola?”
Uma sacudida. Então, um aceno.
Ela franziu o cenho. O que era isso? “Você pode falar dentro da minha cabeça para responder. Eu não me importo.”
Uma sacudida.
“Porque não?”
Silêncio.
Frustrada, tentou um pouco de psicologia reversa. “Tudo bem. Não me diga. Alegro-me que você não esteja falando em minha cabeça. Provavelmente não pode mais fazer isso.”
CCllaarroo qquuee ppoossssoo!! HHuummaannaa bboobbaa, ele murmurou.
Sucesso, até mesmo com os animais. Ela mal pôde esconder seu sorriso. Claramente estava na direção certa. “Então porque não faz?”
Outra rodada de silêncio reinou.
“Vira-Lata sarnento!” Ela resmungou.
Seus lábios se esticaram para mostrar os dentes, mas sua expressão foi mais divertida do que irritada.
“Vamos tentar de novo. Você planeja machucar Aden?”
Em vez de ignorá-la como tinha feito nas outras vezes que ela fazia uma pergunta, ele deu a ela um definitivo, confirmativo aceno.
Uma coisa que ela sabia, não queria uma briga a ponto de erupção entre eles dois. Não se sabe quem ganharia. No entanto alguém sairia machucado. Isso ela sabia. “Se Aden tão tivesse possuído o seu corpo, você teria feito ele
Mais uma vez, silêncio.
“Aden é realmente um cara formidável, sabe.”
Isso valeu a ela outro grunhido.
Eles romperam através da floresta e do muro de tijolos que rodeia sua vizinhança quando apareceu à vista. “Se você machucá-lo, eu não serei mais capaz de passar o tempo com você. Não que provavelmente se importe, mas eu estou começando a gostar de você. Um pouco. Quero dizer, você é tolerável. Teimoso, mas tolerável. E você sabe coisas sobre o mundo que eu tenho que descobrir. Tenho tantas perguntas.” Perguntas que ele já poderia ter respondido, de um tiro.
Ao invés de circular o muro, Mary Ann subiu para o lado mais próximo da floresta. O lobo preferia essa rota, tinha aprendido que esse era o primeiro caminho para a casa quando ele a empurrou com seu focinho até que ela cumpriu. Desta maneira, ele poderia permanecer nas sombras ao invés de ficar ao ar livre onde qualquer motorista pudesse ver.
“Se continuarmos assim, eu vou desenvolver bíceps descomunais,” ela murmurou quando finalmente chegou ao topo. “Isso não é muito bom para uma garota, então não acho que vou te agradecer.”
O lobo simplesmente dobrou as pernas para trás e saltou, um borrão de movimento. Um segundo depois, apareceu ao lado dela.
Resignada, ela olhou para o chão. Havia uma cama de flores e duas fileiras de palhas, nas quais ela acidentalmente rolou em mais de uma vez. “Aqui vai.” Ela caiu, aterrissando pesadamente e tropeçando para frente.
No momento em que ela se endireitou, o lobo estava ao lado dela, sua marcha fácil.
“Não é justo”, ela se queixou, retornando o caminho. Como eles estavam em uma área povoada, as pessoas dirigindo para casa depois do trabalho, ele se manteve próximo das casas, parte de seu corpo oculta nos arbustos. Grande como ele era, ela estava surpresa que alguém ainda não tinha ligado para a carrocinha vir e caçá-lo. Uma semana atrás, teria feito isso.
Mary Ann viu sua casa de dois andares a distância. Assemelhava-se a uma antiga estação de três – todas as casas desta vizinhança eram assim. Os telhados tinham pontos altos nas laterais, mas também partes planas. As casas eram longas ao invés de altas, de tijolos vermelhos e janelas fechadas à persiana. Ela diminuiu o passo. No entanto, muito cedo eles chegaram ao seu jardim da frente.
Esta era a parte de seu dia que tinha começado a detestar: seus últimos minutos com o lobo antes que ele fosse para Deus sabe onde, para não ser visto até amanhã. Sim, seu silêncio a irritava. E sim, ele a distanciava de Aden. Mas não diminuía a emoção de estar com ele.
Quando ela serpenteava ao redor da longa árvore, ela deslizou até parar, seus olhos abrindo-se. “Tucker?”
Tucker desceu do balanço da varanda e ficou de pé. Ele colocou as mãos nos bolsos, os ombros um pouco encolhidos. Linhas de tensão começavam a aparecer em sua boca. “Ei, Mary Ann.”
“O que você está fazendo aqui?” ele deveria está no treino.
“Eu só queria...”
O lobo apareceu ao lado dela, seu grande corpo rígido.
Tucker o viu e se apressou em recuar até que bateu na porta. “O que diabos é essa coisa?”
“Ele é meu...” por um momento, sua mente ficou em branco e não podia pensar em uma só resposta. Então, de certa forma uma resposta racional apareceu. “Ele é meu animal de estimação.”
Pelo menos o lobo não grunhiu para ela ao alegar que lhe pertencia. Sua atenção se manteve totalmente centrada em Tucker.
“Você odeia animais,” Tucker gritou.
“O que você está fazendo aqui?” repeti. Um, dois, três, ela bateu os pés ao subir as escadas. O lobo a seguia de perto. Ele estaria pensando em protegê-la, como tinha imaginado antes?
“Eu queria falar com você.” Quando Tucker falou, seu olhar viajou dela para o lobo, e do lobo para ela. “É particular.”
“Ok, fale.”
“Vamos entrar.”
“Não. Aqui está bem.” A última vez que ficaram sozinhos em sua casa, tudo o que ele queria fazer era agarrá-la.
Ele lançou outro olhar para o lobo, engoliu saliva. “Tudo bem. Bem, você tem estado tão distante ultimamente, sabia? E eu não gosto disso. Quero que volte a ser como éramos. Quando você sorria pra mim cada vez que me via e respondia as minhas ligações toda à noite.”
Ela sentiu uma pontada de culpa. Estava evitando suas ligações.
“Eu acho que sei do que se trata,” ele disse. “Penny, certo?”. O último tom foi de zombaria.
Espera. O quê? “Eu não entendi. Penny?”
Algo do desdém foi drenado dele, e seus ombros afundaram. “Eu sabia que você era muito esperta para acreditar nela.”
“Acreditar nela sobre o quê?” Sério. Ela ficava mais confusa a cada segundo.
“Ela me disse que falou pra você,” ele disse, e balançou a cabeça, como se não entendesse o sentido dessa conversa. “Não importa. Isso não importa, certo? Você e eu, isso é tudo o que importa.”
Você e eu. Seu estômago revirou.
“Vamos sair esta noite. Conversar. Por favor” acrescentou suplicante.
Estômago. Revirando. Outra vez. “Olha Tucker. Não era minha intenção ferir seus sentimentos ao ignorar suas ligações, você precisa acreditar nisso, mas minha vida está uma desordem neste momento. Talvez devêssemos, não sei, dar um tempo ou algo assim.” Sim, um tempo. Que perfeito. Que lhe desse tempo para entender algumas coisas.
“Não. Nós não precisamos de um tempo.” Ele sacudiu violentamente a cabeça, seus olhos suplicantes olhavam para ela. “Eu não posso perder você.”
Seu objetivo de vida era resolver problemas, não causá-los, por isso a expressão torturada dele lhe provocou vontade de pedir desculpas ao invés de continuar. No entanto. Ela seguiu adiante. “Por quê? O que você pode ver em mim? Eu não sou tão bonita ou popular quanto Christy Hayes, que cortaria a perna para namorar você. Eu odeio futebol e não sei nada a respeito disso. Eu prefiro ler os livros da escola ao invés de passar um tempo com você.”
“Escute.” Ele se aproximou dela, os braços estendidos sobre os ombros dela. “Nada disso é importante...”
O lobo grunhiu baixo em sua garganta.
Tucker calou, engoliu de novo. “Você é bonita e inteligente, e me sinto melhor quando estou com você. Eu não sei de que outra maneira descrever isso. E não sei como fazer. Tudo o que sei é que você me faz sentir normal, pela primeira vez na minha vida.”
Normal? Tucker nem sempre se sentia normal? Isso a surpreendeu, e provou apenas o pouco que sabia sobre ele. Ele sempre parecia ser muito bem posicionado, o cara mais confiante que já conheceu. Bem, além do lobo, mas ele não contava.
“Essa não é uma razão para ficarmos juntos, Tucker.” Ela disse as palavras por sua própria vontade e balançou a cabeça. Estava rompendo com ele agora, ao invés de limitar-se a pedir um tempo separados?
Sim, ela pensou. Sim, estava fazendo isso. Eles realmente não significavam algo um para o outro. Ela estava sendo uma namorada terrível. Ausente, distraída, e menos que apaixonada. Eles só se beijavam. Muitas vezes ele tentava ir mais longe, ela sempre o parava. Ela pensava que era porque não estava pronta, mas agora, olhando para trás, percebeu que não estava preparada com ele. Ele não era certo para ela. Eles eram muito diferentes.
Como você pode ter mais em comum com um lobo? Ela deixou aquele pensamento de lado. Não estava pensando sobre o lobo ao longo dessa linha de raciocínio, qualquer que fosse. Estava?
“Se você não quer sair comigo, pelo menos, seja minha amiga.” ele disse, uma pontada de desespero nas palavras. “Por favor. Como eu disse, não posso perdê-la. E eu juro pra você agora que não sou o pai do bebê de Penny. Não a deixe convencê-la do contrário. Me prometa.”
Mary Ann riu. “Penny não está grávida.” Um bebê era algo que sua amiga teria mencionado.
A menos que... A menos que o pai realmente fosse o namorado de Mary Ann.
Seu estômago revirou novamente e seu foco intensificou
Ele afastou o olhar de culpa, e logo confirmou bruscamente. “Ela dormiu com a metade do time de futebol. Certamente você sabe disso. Poderia ser de qualquer um.”
A seriedade de seu tom de voz resolvido era como um peso dentro dela. Ela pensou na última vez que falou com Penny. Isso tinha sido em frente à escola, a mais de uma semana. Desde então, andava muito distraída. Mas lembrou que os olhos de Penny estavam vermelhos, como se tivesse chorado. Como se ela tivesse dito ao pai de seu bebê que estava grávida e ele tinha negado toda a responsabilidade.
Antes disso, no café, Penny mencionou que Tucker poderia enganar Mary Ann, se ela não dormisse com ele logo. Que ele já poderia ter feito. Havia algo nos olhos de Penny, uma emoção, Mary Ann não tinha entendido na hora. Culpa.
“Ela está... você...”
“Eu não sou o pai, eu juro! Eu não estou pronto para ter filhos.”
Suas palavras penetraram como se fosse uma aceitação. Penny estava realmente grávida. E Tucker tinha dormido com ela. Ele não tinha dito: “Não tem jeito de que eu possa ser o pai, porque nunca a toquei.” Apenas que ele não era o pai porque não queria ser.
Um pouco enjoada, ela cobriu a boca com a mão. O fato de que Tucker a tinha enganado, envergonhado-a, seus sentimentos, sim. Todo mundo menos ela sabia? Tinham rido dela pelas costas? Mas o que mais doía, o que cortava como uma faca, o que totalmente a destruía, era a traição de Penny. Penny, a quem ela amava. Penny, a quem ela confiava.
“Há quanto tempo?” ela perguntou em voz baixa. Não podia ter sido há muito tempo, porque ela e Tucker, só estavam namorando há poucos meses. “Quantas vezes vocês estiveram juntos? Quando vocês estiveram juntos?” ela não conseguia parar as perguntas que a consumiam.
O lobo deu uma cutucada na perna dela com o focinho, e sua mão de forma automática procurou o calor da pele dele. Havia conforto na ação, conforto de simplesmente acariciá-lo.
Tucker se moveu incomodado. “Como eu disse, nada disso é importante.”
“Diga-me! Ou eu juro que nunca seremos amigos.” Eles não seriam de todo o jeito, mas não tinha porque ele saber disso neste momento.
Ela pensava que ele estava pálido antes, mas ele se tornou uma tira branca, as linhas azuis em sua testa eram visíveis. “Só uma vez, eu juro. Não muito depois que nós começamos a namorar. Eu vim, mas você não estava em casa, então eu passe na casa dela para perguntar onde você estava, já que você não estava respondendo minhas ligações. Se você apenas tivesse respondido minhas ligações...” ele sacudiu a cabeça, tirando a si mesmo de seu “arrependimento”. “Nós começamos a conversar e as coisas simplesmente aconteceram. Isso não significou nada, tem que acreditar em mim, Mar.”
Não significou nada pra ele. Oh, bem, o que fez tudo melhor e negava o que ele e Penny fizeram. Ela queria sacudi-lo. Que eles a tinham destroçado, a deixou ferida. Claro que isso significava algo.
“Você precisa ir embora,” ela sibilou com o nó na garganta.
“Nós podemos resolver isso.” Com a expressão mais uma vez suplicante, ele se aproximou dela. “Eu sei que podemos. Você só tem que...”
O lobo grunhiu enquanto ela gritou: “Vá!”
Um músculo da mandíbula de Tucker se contraiu. Durante um tempo, ele não fez mais que olhá-la. Por último, o lobo se cansou de esperar e marchou com dentes afiados.
Tucker gritou como um garotinho e rolou em um amplo círculo ao redor do animal antes de seguir para sua camionete. No qual estava estacionada na vaga de Penny, ela percebeu. Eles se falaram antes que ele viesse aqui? Fizeram sexo, e depois riram do puritanismo de Mary Ann?
O lobo cutucou sua perna outra vez.
“Você também tem que ir,” ela disse em voz baixa. Sim, antes queria que ele ficasse, mas agora não achou que pudesse suportar companhia nesse momento.
Sua mão tremia enquanto abria a porta principal. As dobradiças chiaram ao abrir. O lobo disparou ao passar por ela. Ele nunca tinha feito isso antes, nem em qualquer outro momento, ela deveria dar boas-vindas a ele.
“Lobo” ela chamou através de seus dentes apertados. “Agora não é o momento para isso.”
Ele passeou por toda a casa, cheirando a mobília. SSee vvooccêê ppeennssaa qquuee ppooddee ffoorrççaarr dduuzzeennttooss qquuiillooss ddee aanniimmaall aa ssaaiirr,, eessttáá ccoonnvviiddaaddaa.
“Falando comigo outra vez? Que sorte a minha.” Ela jogou as mãos pra cima. “Bem. Faça o que quiser. Não se surpreenda se meu pai expulsar você quando te ver.” Uma mentira, mas ele não sabia disso. “E não urine na almofada.” O último foi rude, mas os últimos cinco minutos de sua vida estavam cheios de seu filtro de boa garota.
Ela golpeou ao subir as escadas, entrando em seu quarto, e deixou cair a mochila no chão. Normalmente a colocaria no armário, no qual com orgulho tinha seu espaço pessoal limpo. Neste momento, não se preocupava com sua rotina. As lágrimas queimando seus olhos, ela se ajeitou sobre a cama e rolou de lado. Agarrou a almofada contra o peito. O choque estava se desgastando, substituído por uma doença queimando em suas veias.
Ela poderia ter ligado para Penny, gritado ferozmente, chorado, mas não fez isso. Não era como queria lidar com isso. Na verdade, não sabia como queria lidar com isso. Exceto talvez voltar no tempo, passar correndo por Tucker para que ele não lhe dissesse o que havia acontecido e ela podia continuar, sem se dar conta e ser feliz.
No entanto, estava sendo verdadeiramente feliz?
O lobo de repente pulou na cama, o colchão saltou, e se acomodou ao lado dela, suave e oh, tão quente. A respiração dele caminhado sobre a curva de seu pescoço. OOllhhee pprraa mmiimm.
“Vá embora.”
OOllhhee pprraa mmiimm.
“Você não pode fazer nada do que peço? Nada mesmo?”
PPoorr ffaavvoorr.
Era a primeira vez que ele lhe pedia alguma coisa de forma agradável.
Ausente, ela virou de costas, e depois do outro lado, e acariciou o pescoço dele. Uma de suas lágrimas derramadas sobre ele, e lutou para trazê-las de volta. Não tinha razão para adicionar “chorando como um bebê” a sua lista de embaraço do dia.
LLaammeennttoo qquuee vvooccêê eesstteejjaa mmaaggooaaddaa,, mmaass nnããoo ppoossssoo ddiizzeerr qquuee llaammeennttoo ppoorr eellee eessttáá ffoorraa ddee ssuuaa vviiddaa.. VVooccêê eerraa mmuuiittoo bbooaa pprraa eellee.
“Ele, eu vou superar.” A sua voz trêmula, as vibrações a afetavam. O tremor se estendeu até sua mandíbula.
ÉÉ eessssaa ggaarroottaa eennttããoo.. PPeennnnyy.. EEllaa éé ssuuaa aammiiggaa??
“Era. Era minha amiga. Minha melhor amiga.” Oh, Deus. Tantos anos de amor e confiança, agora arruinados.
PPoorr qquuee nnããoo éé mmaaiiss?? AAss ppeessssooaass ccoommeetteemm eerrrrooss,, MMaarryy AAnnnn.
Essa foi a segunda vez que ele disse o seu nome. Ela gostava da forma com ele dizia isso. Puxando o A. “Eu sei que cometem erros. Estou estudando para ser psicóloga, sabe. Sou muito consciente de que alguns impulsos são difíceis de ignorar para os outros. Sou consciente de que o medo das conseqüências nos leva a guardar nossos segredos. Mas são nossas ações quando confrontadas com a tentação que define quem somos. É nosso valor em admitir o que fizemos de errado que nos fazem perdoáveis. Ela dormiu com meu namorado, e depois fingiu que isso nunca aconteceu.”
EE vvooccêê éé ppeerrffeeiittaa?? NNuunnccaa ttoommoouu uummaa ddeecciissããoo eerrrraaddaa?? NNuunnccaa tteennttoouu eessccoonnddeerr ssuuaass aaççõõeess ddee sseeuu ppaaii??
Ela se enrijeceu contra ele. “Não, isso não é o que estou dizendo. Mas nunca menti para Penny ou peguei algo dela.”
O lobo suspirou. EE oo qquuee eellaa ppeeggoouu?? UUmm ppeeddaaççoo ddee lliixxoo,, éé iissssoo.. VVooccêê ddeevveerriiaa aaggrraaddeeccêê--llaa ee ddeeppooiiss ddáá ooss ppêêssaammeess,, ppoorrqquuee eellaa éé qquueemm eessttáá pprreessaa ccoomm eellee aaggoorraa..
“O que não torna isso certo.”
EEuu sseeii.. VVooccêê eessttáá mmaaggooaaddaa ee sseeuu sseennttiimmeennttoo ddee ttrraaiiççããoo éé jjuussttiiffiiccaaddoo.. MMaass oo ggaarroottoo eerraa rreeaallmmeennttee sseeuu pprraa ccoommeeççaarr?? TTooddoo oo tteemmppoo qquuee eeuu eessttiivvee oobbsseerrvvaannddoo vvooccêê,, oo mmaanntteevvee aa ddiissttâânncciiaa.. VVooccêê eerraa ffeelliizz lloonnggee ddeellee.
Talvez ele tivesse razão, mas isso não alivia a dor do que tinham feito. “Penny deveria ter me dito.”
VVooccêê ddeeuu aa eellaa aa ooppoorrttuunniiddaaddee ddee ccoonnffeessssaarr?? NNeennhhuummaa vveezz aa vvii pprrooccuurráá--llaa.. EE qquuaannddoo eellaa ssee aapprrooxxiimmoouu ddee vvooccêê,, vvooccêê aa aaffaassttoouu,, ccoomm oouuttrraass ccooiissaass eemm ssuuaa mmeennttee.
Mary Ann fechou seu punho contra o colchão. “Você é tão irritante! Soa como meu pai e eu...”
EEuu nnããoo ssoouu sseeuu ppaaii, ele grunhiu, plantando suas patas dianteiras sobre os ombros dela, e empurrando-a para trás. Aqueles olhos verdes olhando de cima para ela.
Ela não o empurrou de volta, não queria. Os ombros dele eram tão amplos que a envolvia, quase como uma cortina que a protegia de todo o mundo de dor. Perigoso, como era evidente que ele era, como uma sensação de assombro.
“Como vou saber?” Ela atirou para ele. “Você não se mostra. Poderia ser qualquer um.”
Houve uma pausa pesada. NNããoo ppoossssoo mmoossttrraarr aa vvooccêê. Ele soou tão torturado quanto Aden parecia quando fez sua confissão naquele dia na floresta. SSee eeuu mmuuddaassssee aaggoorraa,, eessttaarriiaa ppeellaaddoo.
“Oh.” O lobo, pelado em forma humana. Ela nunca queria ver Tucker desse modo, mas o lobo... Ele seria alto e musculoso? Magro? Lindo?
Isso importava? Que teria um garoto pelado em sua cama? Um garoto pelado que a fascinava? Um garoto pelado que ajudou a aliviar seu tormento mais do que havia pensado, percebeu, que a dor agora era só um latido surdo em seu peito. É hora de mudar de assunto ou ele simplesmente poderei satisfazer a sua curiosidade.
“Por que você não falou comigo durante toda a semana?”
QQuuaannttoo mmaaiiss ffaalloo ccoomm vvooccêê,, mmaaiiss qquueerroo ffaallaarr.. EE eeuu ppeennssoo eemm vvooccêê oo ssuuffiicciieennttee ccoommoo eessttáá.
“Oh.” disse de novo, sentiu um calafrio de emoção percorrê-la. O lobo na verdade pensava nela. Sim, mas quais eram seus pensamentos? Ela se perguntou, cheia de emoção.
“Mary Ann” seu pai chamou de repente. A porta principal se fechou com um click que ressoou por toda a casa. “Estou em casa.”
Uma exclamação de surpresa escapou dela. O que ele está fazendo aqui tão cedo?
“Mary Ann?”
“Uh, oi, Pai,” ela disse, escondendo a forma de sua voz trêmula. Por muito que ele odiava os animais, é provável que ligue para carrocinha a sua primeira visão do lobo.
“Esconda-se” ela sussurrou, retorcendo-se por baixo dele. Frenética, levantou-se. O colchão saltou sob seus pés. Ela saiu correndo do quarto descendo as escadas, onde olhou para baixo.
Seu pai tinha a cabeça enterrada na pilha de cartas.
“Por que você não está no trabalho?” Ótimo. Agora ela parecia sem fôlego.
“Meu último paciente do dia ligou e cancelou. Estava pensando em nós sairmos para jantar.”
“Não! Não,” ela repetiu com mais calma. “Eu, uh, estou estudando.” Por favor, só se retire para seu escritório. Oh, por favor, por favor, por favor.
Seu olhar levantou, olhou para ela, e franziu o cenho. “Você estuda muito, querida, e eu não quero que você olhe para trás nestes anos de adolescência, desejando que tivesse mais emoção. Nós falamos sobre isso. Então ponha um vestido, alguma coisa extravagante e vamos para a cidade.” Ele jogou os envelopes sobre a mesa de canto de madeira ao lado dele e se dirigiu para as escadas. “Vou tomar banho e poderemos sair e iremos nos fartar em uma hora. Talvez inclusive possamos ver um filme.”
De todos os dias que queria passar com ela. Ela agora não poderia sair disso, não sem ferir os sentimentos dele. “Ok, claro.” Não, não, não. “Sim, isso vai ser divertido.”
A testa dele se intensificou e ele parou, com as mãos apoiada no corrimão. “Você está bem? Parece nervosa.”
“Eu estou bem. Só irei me preparar.” Sem outra palavra, ela se apressou para voltar ao quarto e fechou a porta, pressionando-se contra ela e tentando respirar. “Você tem que...”
O lobo não estava em nenhum lugar à vista.
“Lobo?”
Não havia resposta.
Com o cenho franzido, ela correu pelo quarto, procurando por ele. Ele não estava no armário ou no banheiro e era muito grande para caber embaixo da cama. A janela estava aberta – ela estava fechada antes – as cortinas voando pela brisa. Ela correu para lá e olhou pra fora. E lá estava ele, sentado em seu gramado e olhando para ela.
Ele assentiu brevemente quando a viu, então se virou e voltou para a floresta.
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