Interligados#1 - Capítulo 7
EEuu vvii aa ggaarroottaa.. EEuu vvii aa ggaarroottaa.
EEuu ttaammbbéémm.
VVooccêê aa rreeccoonnhheecceeuu?? EEuu sseeii qquuee eeuu jjáá aa vvii aanntteess.
DDeessccuullppee,, EEvvee,, mmaass eeuu nnããoo.
Aden queria gritar. Existia muito barulho em sua cabeça, tanto que ele mal podia processar. O deslizamento do vento contra as árvores, os silvos agudos dos pássaros por perto. O zumbido de gafanhotos, o coaxar dos sapos.
Grunhindo, ele forçou o grande corpo do lobo a entrar
CCoommoo vvooccêê ffeezz iissssoo?? O lobo grunhiu, UUnniinnddoo ssuuaa vvoozz aaoo pprrootteessttoo ddaass ddeemmaaiiss.. SSaaiiaa ddaa mmiinnhhaa ccaabbeeççaa!! SSaaiiaa ddoo mmeeuu ccoorrppoo!!
A criatura sabia que ele estava ali. Podia senti-lo. Isso nunca tinha acontecido com ele também. Pensava que a mente mais primitiva do animal era incapaz de processar o idioma humano. Ou a maior parte, pelo menos.
EEuu nnããoo ssoouu uumm aanniimmaall,, mmaallddiittoo.
OO qquuee vvooccêê éé?? Ele pensou.
LLoobboo.. HHoommeemm.. LLoobbiissoommeemm.. AAggoorraa ssaaiiaa ddee mmiimm!!
Um metamorfo?
Aden não sabia que tais coisas existiam. Não de verdade. Considerando o que ele mesmo podia fazer, provavelmente deveria saber. Ele se perguntava o que mais existia ali fora. Lendas falavam de vampiros, dragões, monstros e todo o tipo de outras criaturas.
FFoorraa!! AAggoorraa!!
Mesmo com esses furiosos grunhidos, a corrida demonstrou ser estimulante. Fortalecedora. Ar bailando através de seu pêlo, acariciando todo o caminho até a raiz do cabelo. Seu olhar seguia a distância como se fosse insignificante, capturando cada detalhe, sem perder nada. As cores eram mais vivas, e grãos de poeira... Uau. Eles eram como flocos de neve, brilhando ao seu redor.
EEuu ccoorrttaarreeii ssuuaa ggaarrggaannttaa ppoorr iissssoo.
Apesar disso ele seguiu movendo-se, o ar quente saindo e entrando por seu nariz. Seus pulmões expandindo, retendo mais oxigênio do que estava acostumado. Isso o animou para uma corrida mais rápida, as unhas arranhando o solo. Os aromas mais fortes, quase insuportáveis. Pinho e sujeira, um animal morto a alguns metros de distância. Um cervo, de algum modo ele sabia. Ouvia o zumbido das moscas ao redor do corpo.
EEuu mmee bbaannhhaarreeii eemm sseeuu ssaanngguuee,, hhuummaannoo.. IIssssoo nnããoo éé uummaa aammeeaaççaa,, mmaass uummaa pprroommeessssaa.
Outra vez as ameaças do lobo – promessas – mescladas com a conversa de seus companheiros. Caleb se desculpando por flutuar dentro do corpo dele, Eve perguntando sobre Mary Ann, preocupada com ela, e Julian e Elijah lhe pediam que tivesse cuidado. Por que Mary Ann não os tinha enviado para aquele buraco negro desta vez? Aden tinha se aproximado dela, e mesmo assim, os escutava. E isso tinha conhecimento graças a Elijah – o poder que a alma tinha estava cada vez maior, como ele suspeitava – que se falhasse em deter o lobo, a criatura poderia persegui-la através desta grande floresta um dia, correndo atrás dela enquanto ela chorava.
Mary Ann...
O que ela pensaria dele agora? Ela sabia que ele era diferente, que podia fazer coisas que os outros não podiam. Não podia negar isso depois do que tinha acontecido. Talvez ela entendesse. Afinal de contas, ela tinha falado com o lobo. Talvez, como Aden, ela sabia de coisas que outros não sabiam. Isso também explicaria como foi – às vezes – capaz de acalmar as vozes.
AAss vviissõõeess eessttããoo mmuuddaannddoo.. EEllee vvaaii aattaaccaarr nnoo mmoommeennttoo qquuee vvooccêê ssaaiirr ddoo ccoorrppoo ddeellee, Elijah estava dizendo. VVaaii mmaattaarr vvooccêê.
Sim, Aden sabia disso. Ele também sabia que estaria fraco para se defender. Só havia uma coisa que ele podia fazer para ficar a salvo. Já tinha feito antes, quando entrou no corpo de um garoto que o atacava. Ele odiava fazer isso, mas não tinha outra saída.
Quando o rancho estava à vista, finalmente desacelerou, depois parou na linha das árvores.
VVooccêê nnããoo ppooddee ffiiccaarr aaqquuii pprraa sseemmpprree. O lobo grunhiu, e Aden não pôde conter o som que emergia. Pode? Pode! Muito mais, e eles poderiam estar espumando pela boca.
Aden observou ao redor da área, mas não viu nada que pudesse ajudar a fazer o que precisava ser feito.
Havia outra saída, ele pensou com uma idéia. Sentou-se sobre suas patas traseiras e estendeu uma pata. Contemplou-se assim. Os músculos estavam contraídos, os pêlos reluzindo como diamantes negros.
NNããoo, disse Eve, percebendo o que estava a ponto de acontecer. NNããoo ffaaççaa iissssoo.
TTeennhhoo qquuee ffaazzeerr, Aden pensou. Seu estômago revirando com náuseas. Não havia tempo para proteger-se contra a dor que estava a ponto de auto-infligir. Nunca estaria suficientemente preparado. Ele simplesmente mostrou os caninos do lobo, com outro rangido malvado, e se lançou contra a perna. Aqueles caninos afiados se fundiram e passaram o músculo até chegar ao osso.
Havia um grito dentro de sua cabeça, um grunhido, vários gemidos. Todos sentiram a mordida, a dor agonizante espalhando-se como um fogo selvagem, afetando cada órgão que era tocado.
OO qquuee vvooccêê eessttáá ffaazzeennddoo?? O logo gritou. PPaarree.. PPaarree!!
Mantendo aquela pressão cortante, a mandíbula firme, ele arqueou para trás. Calor, um líquido de sabor metálico derramou de sua boca, garganta e molhou seu pêlo. Ele engasgou.
Mais gritos, mais gemidos.
Aden ofegava enquanto o corpo do lobo caia na grama. A dor era imobilizadora, exatamente como ele pretendia. Agora quando o abandonasse, não poderia segui-lo ou atacá-lo.
Levou cada pedaço de sua força mental para que pudesse sair do corpo do animal, uma mão insubstancial solidificando-se, e tentando agarrar a raiz mais próxima. A pressão, embora fraca, o sustentou e foi capaz de puxar-se pra fora.
Aden ficou ali por um momento, parado, tentando recuperar o fôlego. Mova-se. Mova-se! Seu corpo humano se recusava a obedecer. Ele não estava dentro daquela forma mutilada, mas sua mente – ou seus companheiros – não importava. Todos sabiam o que ele tinha feito e podiam sentir os efeitos colaterais. Seus músculos estavam colados aos ossos, deixando-o imóvel.
O pratear alinhando-se: adrenalina começou a fluir através dele. Tentando combater a dor, dando-lhe forças. Finalmente foi capaz de rolar sobre seu corpo. O lobo, ele viu, estava exatamente como o tinha deixado, a perna estendida, cobrindo a ferida de sangue, sua boca.
“Desculpe,” Aden disse, e era a verdade. “Não podia permitir que você me atacasse.”
Os olhos verdes se fixaram nele, cheios de dor e fúria.
Aden arrastou pesadamente seus pés, cambaleou quando um enjôo passou através dele: “Tenho que me apresentar ao dono da casa e depois voltarei com curativos.”
Um baixo uivo prometendo retribuição se ele retornasse. Não importava. Ele voltaria. Tropeçou em seu caminho no celeiro e pulou para a janela do seu quarto. Fraco como estava, com pouco tempo que tinha, não podia lidar com os escórias. Todas as janelas estavam conectadas a um sistema de segurança, mas só eram ligados durante a noite. Além do mais, Aden já tinha cortado e re-conectado o do seu quarto para que o alarme nunca acionasse (mas parecia funcionar só no caso de Dan querer checar.)
Ele tinha seu próprio banheiro e encheu um copo de água, então jogou em seu rosto. Felizmente, não havia sangue em sua camisa, só manchas de sujeira e grama. Seu rosto estava completamente ausente de cor, seu cabelo despenteado e cheio de galhos.
Ele pegou alguns esparadrapos e um tubo de creme de antibióticos, colocou em uma mochila e atirou pela janela. Ele a seguiu, arrancando os galhos do cabelo. Depois de esconder a mochila debaixo de pedras, fez o caminho para a casa principal.
Dan estava sentado na varanda. Sophia dormia a seus pés. A janela atrás dele estava aberta e através dela podia escutar o som de potes e panelas batendo ao fundo. Meg, a Sra. Reeves, estava cozinhando. Uma torta de pêssego, a julgar pelo cheiro. Em Aden deu água na boca. O sanduíche de manteiga de amendoim desta manhã era uma agradável recordação agora.
CCoommoo DDaann ppooddeerriiaa ttrraaiirr eessssaa mmuullhheerr?? Eve perguntou em tom de desgosto. EEllaa éé uumm tteessoouurroo.
AA qquueemm iimmppoorrttaa?? Caleb exclamou. NNóóss tteemmooss ccooiissaass aa ffaazzeerr.
Eve respondeu. AA mmiimm iimmppoorrttaa.. EEnnggaannaarr éé eerrrraaddoo.
Quão mal isso pareceria se viu gritasse, “Silêncio!” Aden se perguntou.
No momento que Dan viu Aden, verificou seu relógio e assentiu com satisfação. “Justo a tempo.”
“Estive te procurando,” Aden disse, tentando não ofegar de cansaço. “Queria lhe dizer como eu fui.”
“Eu sei como você foi. Ligaram da escola.”
O quê? Queixaram-se de algo?
“Disseram que você passou nas provas,” Dan terminou.
Graças a Deus. Ele assentiu, sabendo que deveria estar sorrindo, mas incapaz de fazer isso. Ele se sentiu como se estivesse em pé no centro do palco, um holofote direcionado a ele, destacando os sinais da corrida com – como – o lobo. Ou melhor, lobisomem. Era raro pensar assim, metamorfo versus animal.
“Estou orgulhoso de você, Aden. Espero que você saiba disso.”
Durante sua vida, ele tinha decepcionado pessoas, as confundido, envergonhado e chateado elas. O elogio de Dan foi... Agradável. “Obrigado.” Como Dan podia ser tão admirável e, no entanto, como Eve seguia queixando-se, tão mentiroso?
“Você viu Shannon? Ele ainda não voltou.”
Não voltou? Onde ele estava? Ele tinha saído antes de Aden. “Não sei. Desculpe. Nós deixamos a escola separados.”
Dan olhou outra vez seu relógio.
“Acho que irei fazer minhas tarefas agora,” Aden disse, mesmo ele não pretendendo começar até que cuidasse do lobo. Recuou só um passo antes que Dan o parasse.
“Não tão rápido. Também me foi dito que você ficou depois da escola para falar com uma garota.”
Aden engoliu
“Você a tratou bem?”
Isso era tudo com que o homem estava preocupado? Seus ombros caíram em alívio.
“Sim.”
Dan inclinou sua cabeça para o lado. “Hoje você não está muito conversador, está?”
“Estou cansado, isso é tudo. Os nervos me mantiveram acordado durante a noite toda.”
“Posso entender isso. Então vá. Faça suas tarefas e recolha-se cedo. Eu enviarei o jantar ao seu quarto.”
“Obrigado,” se encontrou dizendo novamente. Apressou-se para voltar ao celeiro, mas não entrou. Agarrou a bolsa que atirou pela janela e foi até a floresta, ficando nas sombras para que ninguém visse o que ele estava fazendo.
O lobisomem já tinha ido.
O único sinal de que ele havia estado ali era a mancha de sangue, ainda úmida e brilhando na luz do sol. Enquanto ele não via o animal, ele viu Shannon, cortado e sangrando caminhando até Dan.
Com o estômago mais uma vez agitado, Aden o seguiu e os espiou a distância.
“Eles estavam es-esperando por mim. Um grupo deles. El-Eles pularam em mim.”
“Quem eram eles?” Dan perguntou, sua raiva evidente. “Você deu uma boa olhada neles?”
“Nã-Não.”
Aden franziu o cenho. Shannon tinha olhos verdes; o lobo tinha olhos verdes. Shannon estava ferido; o lobo tinha sido ferido. Shannon estava aqui agora; o lobo tinha ido. Ele realmente foi pego ou era uma mentira para cobrir algo mais? Uma habilidade que a maioria das pessoas não entenderia? No entanto, Shannon não estava mancando, e aquela perna não teria tempo de curar. Teria?
Mais tarde, no estábulo enquanto estavam tirando estrume de cavalo, ele tentou perguntar a Shannon sobre o que aconteceu, gentilmente tentando desviar a conversa para Mary Ann e lobos para avaliar a reação do garoto. Tudo o que recebeu foi silêncio.
***
Aden jogou-se e virou-se por horas, resignado a outra noite de insônia. Sua mente estava simplesmente muito ligada. As almas estavam dormindo, finalmente, então seus pensamentos eram seus – mas não eram pensamentos bem-vindos. Tudo o que podia ouvir era o suspiro de choque de Mary Ann quando ele entrou no corpo do lobisomem. Tudo o que podia ver era o lobisomem, sangrando... Morrendo? Ou era Shannon o lobisomem, como ele suspeitava? Ele tinha corrido para dentro do bosque depois da escola, se transformou e correu de volta até Mary Ann antes que Aden pudesse alcançá-lo?
Se Shannon era o lobo, Shannon agora queria matá-lo. Havia prometido matá-lo, na verdade. Ele teria que vigiá-lo, estudá-lo e esperar. Se pudesse. Mas agora Mary Ann podia ter dito a alguém o que tinha visto. O mais provável é que ninguém acreditaria, mas com seu passado... a acusação o arruinaria.
Ele poderia fugir, supunha. Viver por sua própria conta. Já tinha feito isso antes, aos treze anos. Viver nas ruas tinha sido difícil. Ele não tinha teto, nenhuma comida, água ou dinheiro. Tentou roubar uma carteira de um cara e, sem experiência, tinha sido preso e levado de volta para o reformatório.
Ele estava pronto agora, disse a si mesmo. Mais velho. Ele podia sobreviver. Pela primeira vez na sua vida, pensou, tinha algo para onde olhar, algo que esperar. Escola, amigos... paz. Fugir destruiria até mesmo as chances de tanta felicidade.
Ele suspirou, fechou seus olhos.
“Acorde.”
A palavra foi sussurrada através de sua mente, sensual embora exigente. Suas pálpebras se abriram. A garota da floresta se aproximou dele, o cabelo escuro caindo como uma cortina sobre seus ombros. Ela não estava ali até um momento antes, mas era uma visão bem-vinda e bonita.
Era uma repetição de uma visão? Porque ele tinha visto isso antes. Ela, parada diante dele. Logo ela sairia e ele a seguiria.
Ele inalou profundamente, respirando seu cheiro de madressilva e essência de rosas. Não, não era uma visão. Isso era real.
Ele sorriu lentamente e tentou reconhecer o resto dos detalhes dessa cena
Ele não podia esperar para começar. “Onde você esteve? O que...”
“Shh. Não queremos acordar os outros.”
Ele apertou seus lábios, mas não pôde deter as rápidas batidas de seu coração. A mesma túnica negra a envolvia, revelando um braço pálido e delgado. Um anel grande de opala brilhava em seu dedo indicador esquerdo. Nas visões, ela sempre tinha o cuidado de não deixar que esse anel o tocasse.
“Estou contente de você estar aqui,” ele sussurrou.
Ela estreitou os olhos, mas ele ainda podia ver o brilho cristalino neles. Ela não te conhece da maneira que você a conhece, ele se lembrou. Ele tinha que ter cuidado com seus elogios.
“Venha.” Ela lhe fez um sinal com o dedo e caminhou – não, flutuou – até a janela. Então, sem mover outra piscada, ela deu a impressão de desaparecer. Uma brisa o roçou.
Ele estava de pé um segundo depois, seu corpo obrigado a obedecer a um nível que ele não entendia. E que não esperava. Ele caminhava em suas visões, sim, mas não percebeu que não era ele que estava no controle. Seus pés se moveram por sua própria vontade, colocando-se em frente à janela aberta. Ela podia possuir outros corpos? Ele não a sentiu dentro dele, mas... Talvez.
Nem sequer quando atravessou, seus pés descalços pressionados contra a grama umedecida, foi capaz de recuperar o controle. No entanto, ele não entrou
Ele escaneou a área, finalmente a vendo a uns poucos metros, na linha das árvores. Ela não o tinha possuído, então. Mas o que ela estava fazendo com ele?
“Venha.” Outra vez, ela fez um sinal com um dedo. Outra vez, ela deu a impressão de desaparecer – mas não sem antes examiná-lo da cabeça aos pés.
Ele lutou contra a vergonha. A única peça de roupa que estava usando era uma cueca boxer. Pelo menos era completamente preta ao invés de vermelha e branca coberta com corações do Dia dos Namorados.
O que ela estava pensando dele?
Uma parte dele se sentia como se já a conhecesse, e uma parte já estava confortável com ela, já estava metade apaixonado por ela. Depois de tudo, essa parte dele sabia o sabor dos lábios dela, tinha ouvido a maneira que ela sussurrava seu nome e sentia o jeito que ela se derretia em seus braços.
Mas a parte racional de seu cérebro estava um pouco receosa. A última vez que ela verdadeiramente tinha falado com ele, queria saber coisas que ele não tinha respostas. A última vez que a tinha visto, ela estava com outro garoto.
A noite estava fria, o céu pintado com nuvens. Os grilos cantavam, e à distância um cachorro latia. Os dois se calaram, deixando só o silêncio. Silêncio total, espesso e obscuro.
Até que seus companheiros começaram a despertar, bocejando em sua mente.
DDoo llaaddoo ddee ffoorraa?? Julian perguntou sonolento.
“Sim,” ele sussurrou.
UUgghh.. NNããoo eessttaammooss ffuuggiinnddoo oouuttrraa vveezz,, eessttaammooss?? Caleb perguntou.
“Não.”
Eve suspiro
NNããoo qquueerr nnooss ddiizzeerr oo qquuee eessttáá aaccoonntteecceennddoo,, eennttããoo?? Elijah perguntou.
“Estamos vivendo uma visão.” Finalmente, ele chegou a uma clareira, folhagem o rodeava, ocultando-o de olhares curiosos. Mas onde estava a Garota da Visão? Outra vez, não havia nenhum sinal dela.
“Pare,” ela disse. Sua voz vindo de trás e ele se virou. E lá estava ela, a sua bela, a sua... Assassina? Ela sustentava uma adaga em cada mão. Suas adagas. Aquelas que ele tinha deixado cair mais cedo quando entrou no corpo do lobo.
Ele franziu o cenho.
Um raio de luz da lua cruzou as nuvens e a envolveu, iluminando as grossas listras azuis de seus cabelos – não uma ilusão causada pela luz do sol como ele tinha pensando na última vez que tinha visto – bem como as adagas. Com certeza ela não lhe daria uma apunhalada. Ela parecia muito inocente em meio a essa confusão de sombras e ouro, e tão delicada e inofensiva.
“Onde está o garoto?” perguntou. Agora existia alguém que não se importaria
Ela permaneceu no lugar, cabeça inclinando para o lado. “Se tivesse vindo esta noite, ele teria matado você.”
Ponto para Aden por já ter deduzido isso. “Por quê?”
“Está com ciúmes de você. Além do mais, eu não deveria estar aqui e se ele soubesse onde eu estava indo, teria me parado. Tive que vir sozinha.”
Mil perguntas pareciam passar por sua cabeça ao mesmo tempo. Alguém estava com ciúmes? De Aden? Por quê? Por que ela não deveria está ali? No final, usou a pergunta que parecia ter mais chances de ser respondida. “Como me trouxe aqui? Você falou e me forçou a obedecer.”
Ela deu de ombros delicadamente. “Um pequeno dom meu, você poderia dizer. Estas são suas, acredito.” Com passos medianos, ela se aproximou. Quando o alcançou, parou e estendeu as adagas.
Aden estava orgulhoso de si mesmo. Não tinha se estremecido ou se colocado em posição de ataque.
QQuueemm éé eellaa?? Eve perguntou.
TTeennhhoo oouuttrroo mmaauu pprreesssseennttiimmeennttoo,, AAddeenn. Elijah soava em pânico de repente. AAcchhoo qquuee vvooccêê ddeevveerriiaa iirr.
“Silêncio,” murmurou ele.
“Não me diga o que fazer” a garota rosnou. Quanto mais ela falava, mas ele detectava um sotaque. Não era Inglês, mas próximo.
“Não estava falando com você.”
A confusão passou por suas adoráveis feições. Ela olhou ao redor da floresta. “Então com quem? Estamos sozinhos.”
“Comigo mesmo.” De uma forma indireta.
“Eu percebo” ela disse, mas estava claro que não percebia, “Aqui, pegue-as.” Ela colocou as armas em suas mãos antes que ele pudesse pegá-las... Tocá-la. “Estou certa que vai precisar delas nos próximos dias.”
Não, ela nunca pretendeu feri-lo. Ele olhou para baixo, para o metal afiado, circulando os dedos ao redor do cabo. “Você não tem medo que eu possa usá-las em você?”
Uma risada escapou dela, o som como sinos tocando. “Isso não importaria se você fizesse, elas não podem me ferir.”
Oh, Sério? “Lamento ser eu quem tenha que lhe dizer isso, mas ninguém resiste ao corte de uma faca.”
“Eu sim. Não posso ser cortada.” Confiança absoluta irradiava dela.
Ele deixou cair seus braços para o lado “Quem é você?” O Que é você? Ele engasgou na segunda pergunta antes que ela saísse, não queria ofendê-la. De novo.
Além do mais, a pergunta realmente não importava, pensou. Ele estava contente por ela estar aqui, o que quer que ela fosse.
“Meu nome é Victoria.”
Victoria, ele rolou o nome em sua mente. Suave, adorável. Como ela. “Eu sou Aden.”
“Eu sei.” Ela disse, Seu tom era duro agora.
“Como?”
De novo, usando aqueles lentos, passos medianos, ela o rodeou. “Venho seguindo você por dias.”
Dias? De jeito nenhum. Ele só a tinha visto uma vez. Você não era sempre a pessoa mais observadora, ele se recordou disso. “Por quê?”
De novo diante dele, mais próxima que antes, quase que respirando contra ele, ela disse. “Você sabe por quê.” A respiração dela era uma rajada de calor contra sua pele como uma fogueira em um dia de inverno.
Ele gostou disso. Muito. Mas teria dado qualquer coisa por um verdadeiro contato. “Eu não sei.”
O olhar dela se encontrou com o seu, tão forte quanto seu tom tinha sido. “Você nos chamou.”
Por telefone? “Não poderia. Eu nem sequer tenho seu número.”
“Está tentando me provocar?”
“Não. Eu honestamente não chamei você.”
Ela deixou sair um suspiro de frustração. “Há uma semana, você de alguma forma envolveu meu povo com energia. Uma energia que era tão forte, isso nos deixou contorcendo de dor por horas. Energia que nos pegou e nos atirou contra você como se nós estivéssemos amarados com corda.”
“Não entendo. Energia? Enviada por mim?” Há uma semana, a única coisa que ele tinha feito foi matar alguns cadáveres e conhecer Mary Ann.
Com este pensamento, seus olhos se ampliaram. A primeira vez que tinha visto Mary Ann, tudo tinha deixado de existir antes do mundo parecer explodir em uma rajada de vento. Poderia ter sido isso o que Victoria queria dizer? E o que isso significava para ele e Mary Ann se fosse assim?
“Quem é seu povo? Onde você vive?”
“Nasci na Romênia” ela disse, ignorando a primeira pergunta. “Wallachia.”
Suas sobrancelhas franziram enquanto considerava as palavras dela. Um tutor uma vez o tinha forçado a fazer um resumo sobre a Romênia. Ele sabia que Wallachia estava ao Norte do Danúbio e ao Sul dos Cárpatos e que Wallachia não era como a cidade se chamava agora. Também sabia que não havia forma do vento que Mary Ann e ele haviam gerado pudesse alcançar tão longa distância. Certo?
“Você estava lá quando a energia te acertou?”
“Sim. Nos movemos muito, mas nós havíamos acabado de retornar para Romênia. Então, que jogo você joga conosco, Aden Stone? Por que nos queria aqui?”
Conosco? Não, ele só a queria. “Se fui eu quem enviou aquela energia, não foi intencional” ele disse.
Ela levantou a mão e levou os dedos justo abaixo da orelha dele. Ele fechou seus olhos por um momento, saboreando. Finalmente. Contato. A pele dela estava em chamas, estática, como se estivesse incendiando. Ela baixou suas unhas, gentilmente, muito gentilmente, parando na base de seu pescoço, onde o pulso batia.
“Intencional ou não,” ela disse. “Meu pai ficou irritado. E acredite, sua raiva é uma coisa terrível. Do tipo dos pesadelos. Ele queria você morto.”
Aden estava muito confuso pelas ações dela para prestar atenção em suas palavras. “É por isso me trouxe aqui? para me matar?” Então por que ela lhe deu as facas? “Você entenderá se não me render e pegá-las, tenho certeza.”
A dureza de seu tom deve tê-la abalado porque ela recuou até que não estivesse mais em fácil acesso. Eu devia manter minha boca fechada, pensou ele. O que precisava fazer para fazê-la retornar?
“Eu disse que meu pai queria você morto,” admitiu suavemente, com o olhar caindo ao chão. “Ele não quer mais. Eu o convenci de esperar, de estudar você. Afinal de contas, nós ainda sentimos a vibração do seu poder.”
Uma parte de seu discurso o intrigou mais que qualquer outra. “Por quê?”
Ela não pretendia fazer-se de desentendida. Ele queria saber por que ela se preocupava em ajudá-lo, um garoto que ela não sabia nada. “Você... me fascina.” Suas bochechas tornaram-se rosa. “Foi uma estupidez o que eu disse. Finja que eu disse outra coisa.”
“Não posso.” Ele disse. Tampouco queria. “Você também me fascina. Tenho pensado em você desde o primeiro momento em que te vi.” Ele não lhe disse que tinha sido à meses atrás, em uma visão. Não lhe disse que às vezes ela tinha sido a única coisa em sua vida que valia a pena. “E quando me visitou enquanto eu estava doente... não tente negar isso,” acrescentou ele quando ela abriu a boca. “Você cuidou de mim, sei que você cuidou. Venho querendo passar algum tempo com você desde então.”
Ela balançava a cabeça enquanto ele falava, com mechas do cabelo cobrindo seu rosto. “Não podemos nos gostar. Não podemos ser amigos.”
“Isso é bom, porque não quero ser seu amigo. Quero ser mais.” As palavras saíram dele, sem poder detê-las. O que ele sentia por essa garota era diferente de qualquer coisa que já sentiu por alguém. Era mais intenso, consumidor.
Talvez ele devesse ter mantido essa informação para si mesmo, como tinha dito a si mesmo antes, pelo menos por um pouco mais. Mas devido às visões de Elijah, seus dias estavam contados.
“Você não diria isso se soubesse...” Os olhos dela estreitam sobre ele. “Tem alguma idéia do que eu sou, Aden? Do que meu pai é?”
“Não.” E isso não importava. Ele tinha quatro almas presas em sua cabeça. Como se pudesse ter algum problema com a herança de mais alguém, o que quer que isso fosse.
Antes que ele pudesse piscar, Victoria estava mais uma vez em seu rosto, empurrando-o até que bateu em uma árvore e perdeu a respiração. Ele a queria perto, mas não assim. Não com raiva.
Os lábios dela se abriram, revelando afiados dentes brancos. “Você estaria correndo aterrorizado se soubesse.”
Aquelas presas... “Mas... você não pode ser. Você estava na luz do sol. Eu vi você.”
“Quanto mais velhos somos, mas a luz do sol nos afeta, os jovens como eu podem ficar por horas, sem alterações.” Ali no final, sua voz se elevou. “Você entende agora? Nós usamos o seu povo como comida. Nossa comida móvel. Nossa torneira de sangue. E se nos agrada essa comida o suficiente, nós bebemos de novo e de novo até que esse humano se converte em nosso escravo de sangue. Mas eles nunca se tornam nossos amigos. Importar-se com eles é inútil, nós viveremos enquanto eles murcham e morrem.”
Ele se perguntava o que mais havia lá fora, e agora ele sabia. “Não pode ser.... Quero dizer... Uma vampira.”
De repente, em sua mente, uma das visões de Elijah abriu e ele viu a cabeça de Victoria contra seu ombro, os dentes dela em seu pescoço. Ele viu suas pernas dobrarem e seu corpo sem vida cair ao chão. Ele a viu recuar, com a boca manchada de vermelho, e o horror em seus olhos.
Ele queria negar o que estava vendo, mas não podia. Ele suspeitava que a habilidade de Elijah estivesse crescendo e isto era a prova. Victoria estava aqui, real e diante dele. Ela o levou até a floresta, tinha tocado seu pescoço.
Um dia Victoria o morderia. Beberia dele. Isso não o mataria – a faca de alguém faria isso – mas o deixaria indefeso.
Ele poderia evitar que isso acontecesse? Ele queria parar isso? Ter Victoria em sua vida se tornou, de alguma forma, quase tão importante quanto respirar.
As visões caíram, e Aden piscou. Seus sentidos voltando à normalidade. Ele ainda estava na floresta, mas Victoria não estava em nenhum lugar visível. Com um suspiro, ele começou seu caminho de volta pra casa, já sabendo que não dormiria essa noite.
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