Interligados#1 - Capítulo 6

“Vocês me ajudaram.” Aden saiu do edifício da escola para esperar do lado de fora por Shannon – sabendo que o escória poderia ou não querer caminhar de volta pra casa com ele, mas estava disposto a correr o risco. Bem como ele estava se sentindo, poderia ter esperado até mesmo o Diabo. Talvez até mesmo pudesse vê Mary Ann na multidão.

A última turma do dia ainda não tinha saído, então por agora ele estava sozinho. Apertou-se contra o tijolo vermelho da parte lateral da estrutura, estava parcialmente oculto nas sombras.

“Por quê?” ele perguntou.

VVooccêê qquueerriiaa vviirr aa eessssaa eessccoollaa, Eve disse, ee qquueerreemmooss qquuee vvooccêê sseejjaa ffeelliizz.. CCllaarroo qquuee nnóóss aajjuuddaammooss.

“Mas vocês odeiam a Mary Ann.”

EEuu nnããoo, ela disse. CCoommoo vvooccêê,, qquueerroo ppaassssaarr mmaaiiss tteemmppoo ccoomm eellaa.. EEllaa éé uumm mmiissttéérriioo qquuee eessttoouu ddeetteerrmmiinnaaddaa aa rreessoollvveerr.

BBeemm,, eeuu aa ooddeeiioo, disse Caleb. EEssssaa ggaarroottaa eessqquuiissiittaa mmee jjooggaa ddeennttrroo ddaaqquueellee bbuurraaccoo nneeggrroo eennvvoollvviiddoo eemm aarraammee ffaarrppaaddoo.. MMaass vvooccêê ggoossttaa ddeellaa,, ee eeuu aammoo vvooccêê. Essa última frase foi falada em um resmungo.

“Amo vocês também pessoal.”

Ele tinha pensado que eles teriam brigado com ele a cada passo no caminho, gritando enquanto tentava resolver os testes, distraindo ele. Ao invés disso, eles tinham feito algo que nunca fizeram antes: ficaram quietos por um período prolongado de tempo. Ele leu sem interrupções, resolveu equações sem suportar comentários sobre como estava fazendo errado, e sinalizavam sem aviso prévio sobre quem se aproximava, porque estava aparentemente falando consigo mesmo.

Ele mais do que passou. Ele se destacou.

Estava sorrindo quando uma garota passou por ele, o olhar dela quase fez um buraco em sua testa. Ela tinha a mesma pele brilhante que a mulher do Shopping Center tinha, e Aden encontrou-se preparando para se afastar só no caso dela querer conversar. E depois falar um pouco mais. Felizmente, ela continuou caminhando.

EE qquueemm ssaabbee, Elijah disse em um suspiro. TTaallvveezz MMaarryy AAnnnn ppoossssaa nnooss aajjuuddaarr aa ssaaiirr ddaaqquuii ee eennccoonnttrraarr nnoossssooss ccoorrppooss.

Que diferença! Apenas na semana passada Elijah tinha experimentado aquele “mau pressentimento”. Aden queria perguntar o que o fez mudar de idéia, mas não perguntou, também sentia medo da influência que a resposta poderia ter em seus companheiros outra vez.

A campainha soou.

EEssttoouu oorrgguullhhoossoo ddee vvooccêê,, mmeeuu jjoovveemm, disse Julian. VVooccêê éé ooffiicciiaallmmeennttee uumm eessttuuddaannttee aaggoorraa.. CCoommoo ssee sseennttee??

Atrás dele, ecos de passos. Mesmo daqui, ele podia ouvir batidas de armários e murmúrio de vozes.

“Sinto-me ótimo. Mas uh, talvez pudéssemos tentar a coisa silenciosa mais vezes,” Aden sugeriu.

Todos os quatro riram com se ele tivesse dito uma piada sobre Caleb ficando quente.

Ele caminhou para luz do sol, observando a porta principal. Garotos correndo apressados.

Julian foi o primeiro a se acalmar. VVooccêê aaoo mmeennooss,, ppooddee ssee mmoovveerr qquuaannddoo eessttáá cchhaatteeaaddoo.. EEssttaammooss pprreessooss.. FFaallaarr éé aa úúnniiccaa ccooiissaa qquuee ppooddeemmooss ffaazzeerr.. NNoossssaa úúnniiccaa ddiissttrraaççããoo.

“O-Oi,” disse uma voz familiar por atrás dele.

Aden virou-se, não gostava de ter alguém nas suas costas. Shannon estava de pé ali, espreitando o estacionamento ao invés de Aden. De onde ele saiu e como Aden o tinha perdido? Então ele espiou outros garotos que saiam de outras portas e se deu conta que existia mais de uma saída.

“Oi,” ele respondeu. Sem vontade. Não tinha jeito de vigiar todas as portas para esperar Mary Ann.

“Ou-ouça,” Shannon disse. Havia um brilho duro em seus olhos. Primeiro dia difícil? “Eu seu que nó-nós não gostamos um do outro e vo-você não tem nenhuma razão pra confiar em mi-mim, mas nós só te-temos um ao outro aq-aqui. E, bem, se você proteger mi-minhas costas, e pro-protegerei as suas.”

Seus olhos se abriram em choque.

“Então, trégua?”

Sério? Ele não sabia se uma trégua significaria que eles também olhariam um pelo outro no rancho, mas não se importava. “Trégua,” disse. Honestamente, este dia poderia ficar melhor?

“Shannon, você esqueceu seu programa de estudos.”

Aden reconheceu a melodiosa voz feminina, mas isso fez com que surgisse uma onda de agulhadas, com um forte vento cortando sua pele, os gemidos – e então o silêncio – que lhe dizia exatamente quem se aproximava. Mary Ann. O dia poderia ficar muito melhor, isso pareceu.

Seu olhar rapidamente a encontrou. Os braços dela estavam estendidos, um pedaço de papel preso entre seus dedos.

Shannon virou-se. Os ombros dele imediatamente se encolheram, como se ele quisesse se esconder dentro dele mesmo.

O coração de Aden começou a golpear contra suas costelas. Finalmente. Ele estava com ela novamente.

O sol brilhava por trás dela, moldando-a em ouro. Ela tropeçou sobre seus próprios pés quando o viu, sua pele filtrou de cor. Felizmente, ela não se chocou com o chão, só diminuiu o passo e abaixou seu braço.

“Aden?”

“Olá, Mary Ann.” O impulso de abraçá-la retornando. Então o impulso de correr. Caleb poderia dizer que ela era o céu e o inferno envolvido em um mesmo pacote bonito. Uma amiga e uma inimiga. Tanto um caçador quanto uma presa.

Cautelosa, ela parou em frente a ele. “Eu não esperava vê-lo novamente.”

Ela preferia isso dessa maneira? Seu tom neutro não dava direção. “A partir de hoje, eu sou um estudante daqui.”

“Que maravilha – seus olhos,” ela disse, piscando pra ele. “Eles são azuis. Mas eu pensei que eles eram pretos. Ou melhor, muitas cores e então preto. Nenhuma cor sólida.”

Então. Ela tinha notado o modo que eles mudam a cada vez que uma das almas falava. Ele fundiu seus cílios, bloqueando a cor do campo de visão dela. “Eles mudam com o que eu estiver usando,” ele mentiu. Uma mentira que usava freqüentemente.

“Oh,” disse, mas não soou convencida.

Como pôde ter confundido ela com sua morena? Ele se perguntou. Mesmo momentaneamente? Sim, elas duas têm cabelos pretos e, sim, ambas são bonitas, mas de perto, ele pôde ver que Mary Ann era mais plana e angular; a Garota das Visões era mais curvilínea. Mary Ann inclusive tinha algumas sardas no nariz, enquanto a Garota das Visões não tinha nenhuma.

“E-eu deveria i-ir,” Shannon disse a ele, agindo como se Mary Ann não estivesse presente.

Mary Ann abraçou o papel que ela segurava contra o peito. Seu olhar lançando-se entre eles. “Vocês dois se conhecem?”

Ele e Shannon confirmaram.

“Ooh.” Medo faiscou de seus olhos, e ela recuou um passo.

Ela estava com medo dele? Por quê? Ela não pareceu assustada com ele na cafeteria.

“Você vive com... Dan Reeves?” ela perguntou.

Ah. Agora ele entendeu. Ela sabia sobre o rancho, temia os garotos que vivam lá... E o que eles fizeram para serem enviados pra lá. Ele não queria mentir pra ela – de novo – essa garota que ele queria muito ser amigo, mas também não queria confirmar seus medos. Então ele ignorou a pergunta. “Meu primeiro dia oficial aqui é amanhã. Talvez nós tenhamos algumas aulas juntos.” Esperançosamente.

“Ve-vejo você em ca-casa, Aden,” Shannon disse, claramente cansado de esperar. Ele arrancou o papel das mãos de Mary Ann.

Ela ofegou enquanto Aden dizia tchau a ele. “Vejo você, Shannon.”

Shannon caminhou sem dizer outra palavra.

Aden e Mary Ann ficaram em pé em silêncio por alguns segundos, garotos correndo em volta deles, roçando seus ombros, ansiosos para chegarem ao ônibus ou suas caronas.

“Ele é tímido,” Aden disse para justificar o escória.

“Eu notei.” Mary Ann enquadrou seus ombros e suas lindas feições e olhou com determinação. “Olhe, eu me senti mal pela semana passada sobre o modo como tratei você no Holy Grounds. Eu queria pedir desculpas mais uma vez.”

“Você não tem que pedir desculpas pra mim,” ele assegurou a ela. Ela devia estar ansiosa por deixá-lo naquele dia, mas ela não o havia chamado de louco ou o fez sentir como um. Em seu mundo, era, como, um tratamento Real.

“Eu preciso,” ela insistiu. “Eu fui rude. Eu teria ligado, mas não tinha seu número.”

“Sério, não se preocupe. Eu ligaria pra você eventualmente.” Ele fitou seus pés, percebendo o que estava fazendo, e obrigou-se a continuar. “Eu só, bem, estava doente. Eu passei seis dias de cama.”

Simpatia suavizou o ângulo de sua boca. “Eu sinto muito.”

“Obrigado.” Ele sorriu para ela. Essa era a conversa mais longa que já teve com alguém. Bem, sem a interrupção de seus companheiros ou perdendo o raciocínio do que dizia. Nunca queria que isso tivesse fim. “Talvez possamos nos encontrar amanhã e você poderia me mostrar os arredores.”

Mary Ann enganchou uma mecha de cabelo atrás da orelha, as bochechas repentinamente cobrindo-se de vermelho. “Eu, uh, bem...”

Ele a tinha pressionado muito cedo? Ele a deixou desconfortável de novo? De repente, odiou não ser capaz de falar com Eve. Precisava de um conselho. Precisava saber o melhor jeito para fazer amizade com uma garota, a coisa certa a dizer.

No final, optou pela verdade. “Eu não estou tentando ganhar pontos com você ou nada disso, eu juro. Além do mais, você é a única pessoa que eu conheço nesta escola e eu realmente poderia precisar de uma amiga.”

“Uma amiga.” Ela mordeu o lábio inferior.

“Só uma amiga.” Ele disse. E disse isso de verdade. A Garota da Visão era a única que ele estava procurando para um namoro.

Continuou mordendo os lábios quando ela trocava um pé pelo outro. “Eu tenho que te dizer uma coisa, mas estou com medo de ferir seus sentimentos. E você pode não querer ser meu amigo quando souber.”

Isso soava mal. Muito mal. Seu estômago se retorceu em milhares de nós. “Diga-me de qualquer jeito. Por favor.” Ele poderia agüentar. O que quer que fosse. Talvez.

“Eu me sinto... Estranha quando estou com você.” A cor retornou as suas bochechas. “Deus, soa ainda pior em voz alta.”

Ele se perguntou... Era possível? Ela sentia a rajada de vento e os enjôos também? “Estranha como?”

“Eu não sei. Como seu eu estivesse sendo golpeada por uma estranha rajada de vento e minha pele fica arrepiada, e eu sei que é uma coisa horrível de se dizer, e eu sinto muito. Realmente sinto. Mas então quando essa sensação finalmente passa, primeiro tenho esse estranho desejo de abraçá-lo como se você fosse meu irmão ou algo assim e então...”

“Correr,” ele terminou por ela. Era possível. Eles tinham a mesma reação um pelo outro.

Seus olhos se abriram. “Sim.”

“Me sinto do mesmo jeito.”

“Você sente?” ela perguntou, alívio e confusão dando lugar ao insulto. Sua boca curvada em uma careta engraçadinha.

Ele assentiu, incapaz de deter seu sorriso.

“O que você acha que isso significa?”

Ambos atraídos e repelidos, ele pensou. Como os imãs que ele jogava quando ela criança. Um lado possuía o pólo positivo. Um lado possuía o pólo negativo. Quando os dois lados diferentes eram pressionados juntos, se atraíam. Quando os dois lados iguais eram pressionados juntos, criavam uma pressão, repelindo um ao outro. Eles eram como imãs?

E se era assim, isso significava que ela era como ele? Ou seu oposto?

Ele a estudou mais intensamente. Ela sabia alguma coisa sobre o sobrenatural? Se ela não sabia, e ele começasse a balbuciar sobre levantar os mortos e almas aprisionadas, ela poderia chamá-lo de louco. Ele arruinaria suas chances com ela.

“Eu tenho que ir pra casa,” ele disse, optando por escapar. Felizmente, poderia descobrir isso amanhã. “Estou em toque de recolher, mas eu adoraria falar com você amanhã e...”

“Mary Ann,” um garoto chamou repentinamente. Pegadas pesadas, então um braço estava envolvendo a cintura dela. O dono daquele braço grande e tão sólido quanto uma rocha. “Com quem você está falando, baby?”

Ela fechou os olhos por um momento e soltou um suspiro. “Tucker, este é Aden. Um dos novos estudantes e meu... amigo. Aden, este é Tucker. Meu namorado.”

Amigo. Ela chamou Aden de amigo. Ele não pôde evitar sorrir. “Prazer em conhecê-lo, Tucker.”

O olhar de aço prateado de Tucker desviou-se para a camisa de Aden e para as palavras insultantes que estavam escritas nela. Ele sorriu abertamente. “Fofo.”

Aden perdeu seu sorriso. Ele esteve passando pelo colégio o dia todo – fazendo testes, tréguas e amigos – tinha se esquecido sobre a camisa. “Obrigado.”

“Por que você não se apressa e se junta ao seu amigo ga-gago.” Isso era uma ordem, não uma sugestão. “Mary Ann e eu temos coisas a discutir.”

Mensagem recebida. Ele e Tucker não seriam amigos. Estava tudo bem pra ele. A única pessoa que ele se importava exatamente agora era Mary Ann. Bem, e a Garota das Visões, mas ela não estava aqui. Onde ela estava? O que estava fazendo?

“Vejo você por ai, Mary Ann,” ele disse.

Ela sorriu, e isso foi quente e verdadeiro. “Encontrarei você aqui amanhã e te mostrarei as redondezas.”

Um músculo tencionou abaixo do olho de Tucker. “Tenho certeza que ele está ocupado. Não é verdade, Louco?”

Aden sabia que suas próximas palavras iriam definir o tipo de relação cheia de ódio que ele e Tucker teriam. Se ele concordasse, Tucker iria se sentir superior, assumir que Aden estava devidamente intimidado e o ameaçaria por sua fraqueza. Se ele não concordasse, Tucker o veria como um competidor pela atenção de Mary Ann e atacaria a cada chance que tivesse.

Ele não podia ter outro inimigo, mas levantou o queixo, recusando-se a recuar. “Eu não estou nenhum pouco ocupado. Verei você pela manhã, Mary Ann.” Ele assentiu para ambos e se afastou como se não importasse.

***

Mary Ann acompanhou Tucker até o campo de futebol pra o treino, calma, mas firme explicando que chamar as pessoas de nomes como “Louco” e “Gago” era a razão de desenvolver complexos e porque eles mais tarde precisariam de terapia.

“Você deveria me agradecer pelo seu futuro negócio, já que você quer ser uma psiquiatra,” ele disse, rodeando-a.

Ela estava tão chocada pela resposta dele, que ficou com a boca aberta. Ele nunca falou com ela tão sarcasticamente.

Ele revirou os olhos. “Bem, estou esperando.”

“Esperando o quê?”

“Primeiro, para me agradecer por eu ter mencionado aquilo. Depois você precisa me dizer que não verá mais aquele cara de novo. Eu não gosto dele e eu não gosto do jeito que ele estava olhando pra você. E se ele fizer isso de novo, eu vou tirar os dentes dele da boca.”

A ameaça que irradiava dele era como picadas de agulhas em sua pele. Ela realmente encontrou-se dando um passo pra trás. O que havia de errado com ele? Por que ele estava agindo assim? “Você ficará longe dele, Tucker, está me ouvindo? Eu não quero você machucando ele. E só pra você saber, eu serei amiga de quem eu quiser. E se não gosta disso, você pode... Nós podemos...”

“Você não está rompendo comigo,” ele grunhiu, cruzando seus braços sobre o peito. “Eu não irei permitir isso.”

Isso não havia passado por sua cabeça, mas ela de repente encontrou-se contemplando a idéia. O Tucker parado na frente dela não era o Tucker que ela conhecia. Este Tucker não estava fazendo ela se sentir bonita ou especial; este Tucker, com o cenho franzido e suas ameaças, estava assustando ela.

Este era o Tucker que de algum jeito ajudou a lançar uma cobra em Shannon – no qual ela ainda precisava perguntá-lo sobre isso. Este era alguém que tinha rido do medo de outra pessoa. Este era um Tucker que ela não gostava.

“Você não pode me deter se é o que eu decidir,” ela disse.

Para sua surpresa, a expressão dele imediatamente suavizou. “Você está certa. Desculpe-me. Eu não deveria ter feito chacota daquele jeito. Eu só quero que você esteja a salvo. Você pode me culpar por isso?” Oh, tão gentil, ele estendeu a mão e traçou um dedo ao longo da bochecha dela.

Ela se moveu para longe do seu toque. “Olha, eu...” ela começou, mas um dos jogadores de futebol o chamou para pedir sua ajuda.

Obviamente a tensão ainda circulando por ela, Tucker beijou a bochecha que acabou de acariciar. “Nós falaremos amanhã, tudo bem?” ele não esperou pela resposta dela se afastando correndo.

Tropeçando, ela virou-se e se dirigiu até o estacionamento. O que ela estava fazendo com aquele garoto? O jeito que ele tratou Shannon e depois Aden, e, em seguida, insensivelmente desculpou-se por seu comportamento... O modo que ele esperou que ela agradecesse a ele... Ela apertou seus dentes. Sim, ele se desculpou. Mas ele quis dizer isso?

O mustang de Penny dobrou a esquina justamente quando Mary Ann a avistou. Lá se vai sua carona. Ela podia ligar para seu pai e esperar que ele viesse buscá-la. Ela podia andar até em casa sozinha – e talvez ser um pedaço de isca saborosa para o lobo – ou ela podia perseguir Aden.

“Aden,” ela chamou enquanto corria adiante. Não podia vê-lo, mas sabia que ele não poderia ter ido muito longe.

O lustroso lobo preto, mais alto do que ela se lembrava, maior do que ela se lembrava, saltou diante dela no momento que ela passou a linha das árvores que bloqueavam a escola. Ela gritou, a mão flutuando sobre seu coração.

Ele deu um irritante rosnado, seus olhos verdes brilhando. Sossegue.. EEuu nnããoo vvoouu mmaacchhuuccaarr vvooccêê.

A palavra ainda pairava no ar, não dita, mas palpável.

Embora a voz viesse de sua frente, ela olhou em volta, esperando ver alguém atrás. Mas não, ela e o lobo estavam sozinhos. “Quem disse isso?” As palavras saiam trêmulas.

CCoommoo aaccoonntteeccee ddee eeuu sseerr oo úúnniiccoo ppoorr aaqquuii,, aacchhoo qquuee vvooccêê eessttáá sseegguurraa eemm aassssuummiirr qquuee ffuuii eeuu.

Desta vez, as palavras vieram de trás dela. Mais uma vez, ele encarou o lobo. Ninguém estava atrás dela. “Isso não tem graça,” ela disse, um pouco mais de significado em suas palavras agora. Seu olhar viajando à esquerda, à direita. Respiração entrecortada entrando e saindo de sua garganta. Quente. Muito quente, queimando. “Quem está aí?”

AAmmoo sseerr iiggnnoorraaddoo,, rreeaallmmeennttee aammoo.. OOllhhee,, eeuu ssoouu ggrraannddee,, ssoouu pprreettoo.. EEssttoouu bbeemm eemm ffrreennttee aa vvooccêê.

Ela escaneou a brilhante folhagem esmeralda em volta dela. Não existia nenhum sinal de vida. “Eu te disse. Isso não é engraçado.”

VVooccêê eessttáá ggaassttaannddoo tteemmppoo pprrooccuurraannddoo ppoorr mmaaiiss aallgguuéémm,, ggaarroottiinnhhaa.

Novamente sua atenção caiu sobre o lobo e ela sorriu sem humor. “Você não pode está falando comigo. Você simplesmente não pode. Você é um... Você é... Você não é humano.”

IInntteelliiggeennttee ddee vvooccêê rreeppaarraarr.. VVooccêê eessttáá cceerrttaa ssoobbrree aa oouuttrraa ccooiissaa ttaammbbéémm.. EEuu nnããoo eessttoouu ffaallaannddoo.. EEmm vvoozz aallttaa.

Não, ele não estava. Sua voz rouca estava ecoando em sua mente, percebeu, confusa. “Isso é ridículo. Impossível.”

UUmm ddiiaa vvooccêê iirráá ssoorrrriirr ddoo qquuee aaccaabboouu ddee ddiizzeerr,, ppoorrqquuee bbaabbyy,, eessttoouu aa ppoonnttoo ddee aabbrriirr sseeuuss oollhhooss ppaarraa uumm mmuunnddoo nnoovvoo.. LLoobbiissoommeennss ssããoo ssóó oo iinníícciioo.

“Cala a boca!” Mary Ann esfregou as têmporas. Mais do que ridículo, isso era insano. Totalmente insano. Ou melhor, ela estava louca. Isso tinha que ser uma alucinação. Nada mais explicava isso. Um lobo – ou melhor, um lobisomem – que tinha acompanhado ela até a escola e claramente esperou por ela. Um lobisomem que estava falando diretamente dentro de sua mente.

O que seu pai diria?

Ela acha que sabia a resposta. Que ela estava trabalhando demais, sem descansar o suficiente, nunca se divertindo, e essa foi à forma da sua mente tirar férias. Na verdade, ele tentou avisá-la esta manhã.

E se, agora que ela estava caindo da beirada, ela precisasse de medicação? O pensamento a assustou, e ela sorriu sem humor. Não queria esse tipo de colapso em seus arquivos médicos; mais provável, isso poderia persegui-la pelo resto de sua vida, arruinando suas chances de aterrissar no estágio que queria. Quem iria confiar nela para lidar com seus problemas quando ela nem poderia lidar com os seus próprios?

Tchauzinho plano de quinze anos.

Mas talvez, só talvez, isso fosse real, ela falou para si mesmo, parte dela se apegando a essa esperança. Só existia um jeito de descobrir.

Mary Ann avançou adiante e parou antes que ela topasse com o nariz da criatura. “Existe diferença entre um lobo e um lobisomem?” ela balbuciou para quebrar o silêncio. Faça isso. Só faça isso. Engolindo em seco, ela ergueu o braço.

CCllaarroo qquuee eexxiissttee.. UUmm éé mmeerraammeennttee uumm aanniimmaall,, oo oouuttrroo éé ccaappaazz ddee sseerr uumm hhuummaannoo.. AAggoorraa,, oo qquuee vvooccêê eessttáá ffaazzeennddoo??

Embora esperasse que ele falasse dessa vez, ainda se surpreendeu e se afastou com um grito. Se estivesse errada, Se ele fosse mais do que uma alucinação, poderia mordê-la. Mutilá-la, matá-la. Não fique com medo agora.

“Você já não sabe o que estou fazendo? Não pode ler minha mente? Quero dizer, você pode falar dentro dela.” Uma invenção de sua imaginação poderia ser capaz de ler sua mente, certo?

NNããoo,, eeuu nnããoo ppoossssoo lleerr ppeennssaammeennttooss.. MMaass eeuu ppoossssoo vveerr aauurraass,, aass ccoorreess eemm vvoollttaa ddee vvooccêê.. EEssssaass ccoorreess qquuee mmee ddiizzeemm oo qquuee vvooccêê eessttáá sseennttiinnddoo,, ttoorrnnaannddoo ffáácciill aaddiivviinnhhaarr oo qquuee vvooccêê eessttáá ppeennssaannddoo.. MMaass aaggoorraa mmeessmmoo ssuuaass ccoorreess ssããoo ttããoo mmiissttuurraaddaass qquuee eeuu nnããoo ppoossssoo vveerr nnaaddaa.

“Bem, eu planejo tocar você. Só se você ficar parado, por favor.” Ótimo, agora estava dando ordens, esperando que ele entendesse. Poderia ser uma piada? Alguém estava filmando isso, com a intenção de rir sobre sua ingenuidade mais tarde? Certamente não. Não tinha jeito de alguém falsificar projetando a voz dentro de sua cabeça. “Se você me morder, Eu irei... Eu irei...”

Ele realmente revirou os olhos. VVooccêê iirráá oo qquuêê?? MMee mmoorrddeerr ddee vvoollttaa?? CCoomm eesssseess ddeenntteess ffrraaccooss??

Não existia uma resposta que pudesse intimidar uma besta tão irreverente, então ela ficou em silêncio. E ele permaneceu no local, nem mesmo piscando enquanto ela se aproximava de novo, seu dedo indicador pronto para tocá-lo. Ela estava trêmula e hesitante. Finalmente, pele encontrou pêlo. Pêlo sedoso, suave.

“Você é real,” ela disse engasgada. Isso não era alucinação. Ele era real, e ele estava estranhamente falando dentro de sua mente, lendo sua aura. Como isso era possível? Inclusive mais inacreditavelmente, ele declarou que era um lobisomem, capaz de mudar para a forma humana. Que era... Que era... Querido Deus.

Um gemido escapou dele. CCooccee aattrrááss ddaa mmiinnhhaa oorreellhhaa.

Ainda muito confusa para processar que estava acontecendo, ela automaticamente pressionou mais fundo, forte, massageando ele.

Ele soltou outro gemido, trazendo-a de volta a seus sentindo.

Olá. Alguém em casa? Ela pensou. Estava sendo agradável prolongar o contato.

Seu braço caiu do lado, de repente muito pesado para suportá-lo. “Você é real,” ela disse de novo. O que significa que eu não estou louca. Ela poderia ter pulado de alegria, mas não pôde forçar seu corpo a mover. Estava falando com um lobisomem, em pessoa, coisa, o mundo comum que ela acordou não era mais o mundo em que habitava. Isso não era exatamente razão para celebração.

Por um momento, ele não respondeu. Só fechou os olhos, parecendo desfrutar o ligeiro efeito do toque dela. Em seguida, bateu as pálpebras abertas, o verde forte e brilhante, e ele sacudiu a cabeça pra ela. VVaammooss aaooss nneeggóócciiooss,, ppooddeemmooss?? OO qquuee vvooccêê ssaabbee ddoo ggaarroottoo??

Ele. Era. Real. “Garoto? Que garoto? Eu não sei por que você está me seguindo, mas você deve parar. Você pegou a garota errada.” Havia outros ali, observando-a? Eles sempre estiveram aqui, capazes de se comunicar, e ela só não sabia disso? Desordenadamente ela olhou para esquerda e pra direita, pânico crescendo. Quando não viu ninguém, nada, recuou até ficar pressionada contra uma casca irregular de um tronco de árvore. “Sério, você pode ir agora.”

ÉÉ aa úúllttiimmaa vveezz qquuee ppeeddiirreeii ggeennttiillmmeennttee,, ggaarroottiinnhhaa,, ee ddeeppooiiss ccoommeeççaarreeii aa eexxiiggiirr.. VVooccêê nnããoo qquueerr qquuee iissssoo aaccoonntteeççaa,, MMaarryy AAnnnn.. CCoonnffiiee eemm mmiimm.

Primeiro, ele sabia seu nome. O conhecimento a fez estremecer. Segundo, as próprias palavras eram uma ameaça. Mas o modo que ele as disse, tão natural, deu a elas uma verdade que todas as verdades do mundo não poderiam proporcionar. Se ela não respondesse, ele a forçaria. Com garras, com dentes. O que fosse necessário.

Ele caminhou até ela, calmo e seguro, fechando a distância entre eles. OO qquuee vvooccêê ssaabbee ddoo ggaarroottoo??

Ele se aproximou e levantou-se, colocando as patas da frente perto de sua têmpora, encaixotando-a.

O sangue corria de sua cabeça e acumulava em suas pernas, fazendo sua cabeça ficar tonta e todos os seus membros pesados. “Que garoto?” ela controlou para não engasgar.

EEuu aaccrreeddiittoo qquuee oo nnoommee ddeellee sseejjaa AAddeenn.

Isso era sobre Aden? “Por que você quer saber sobre ele?”

Ele ignorou a pergunta. VVooccêê ffaalloouu ccoomm eellee.. SSoobbrree oo qquuêê vvooccêê ffaalloouu??

“Nada pessoal, eu juro. Tudo o que eu sei é que ele é um novo estudante da escola. Você não vai machucá-lo, vai?”

De novo, ele a ignorou. EE ssoobbrree oo oouuttrroo ggaarroottoo?? AAqquueellee qquuee vvooccêê aaccoommppaannhhoouu aattéé oo eessttááddiioo.

“Aquele é Tucker. Eu estou namorando ele. Algo assim. Talvez. Isso pode acabar. Eu acho. Você está planejando machucá-lo?”

De repente o lobo rosnou, outros daqueles baixos e ameaçadores ruídos que dançava sobre as terminações nervosas dela tão delicado quanto um flutuar de asas e ainda assim conseguiu cortá-la e deixá-la descoberta. Então ouviu por que de repente ele estava tão pronto para matar. Passos batiam contra a grama, esmagando contra as folhas e caroços. Enrijeceu-se e virou-se, pronto para encarar a ameaça.

Aden de repente saiu das árvores, suor brilhando em seu rosto e fazendo com que a camisa, que Tucker o tinha insultado grudar em seu peito.

“Mary Ann,” ele engasgou. “Qual é o problema?” então ele olhou o lobo e parou, pronto para defender e proteger. “Mova-se ao redor da árvore. Lentamente.” O olhar nunca deixando seu inimigo, ele se inclinou e tirou duas adagas de suas botas.

O queixo dela caiu. Ele carregava adagas?

O lobo recuou em suas pernas, preparando-se para atacar.

“Não, Por favor, não,” ela gritou. “Não lutem.” Nenhuma vez, em toda a sua vida, nunca se imaginou no meio de algo como isso.

“Vá para casa, Mary Ann,” Aden exigiu. Ele agachou-se, determinado. “Agora.”

DDiiggaa aa eellee ppaarraa nnooss ddeeiixxaarr, o lobo grunhiu a ela sem tirar o foco de Aden. Por que ele não diz a Aden ele mesmo? Ele não poderia falar com duas pessoas ao mesmo tempo? Ou ele não quer que Aden saiba que ele podia? E por que ela estava fazendo-se todas essas perguntas? Uma batalha estava prestes a acontecer!

“A-Aden,” ela começou, tentando mover-se entre eles. O lobo deu a volta, bloqueando sua passagem. “Não lute com ele,” ela não podia ajudar, mas implorar, de repente insegura de com quem ela estava falando. Tudo o que sabia era que haveria um banho de sangue se um deles não recuasse. “Por favor, não lute com ele. Eu estou bem. Nós estamos todos bem. Vamos só tomar caminhos separados. Ok? Por favor.”

Nem o garoto – lobo, seja o que for – escutou ela. Eles davam voltas entre si, atentos, ofegando violentamente.

“Pare com isso, Eve,” Aden rangeu entre os dentes, sua voz áspera como uma explosão em meio ao silêncio. “Eu preciso de silêncio.”

Eve?

Então Aden congelou, piscou como se estivesse confuso. Ele olhou de relance para Mary Ann para certificar-se de que ela estava ali, e franziu o cenho. “Eu posso ouvi-los.”

Ela também, piscou em confusão. “Quem?”

JJáá cchheeggaa!! O lobo rugiu. DDiiggaa.. AA.. EEllee.. PPaarraa iirr.

“Ele quer que você vá,” ela disse a Aden com um tremor em sua respiração. “Por favor, vá. Ficarei bem, eu juro.”

“Você pode falar com ele?” Felizmente, ele não soou horrorizado. Não deu a ela um olhar como se fosse louca.

“Eu...”

NNããoo ddiiggaa oouuttrraa ppaallaavvrraa aa eellee oouu rraassggaarreeii ssuuaa ggaarrggaannttaa.. EEnntteennddeeuu??

Ela pressionou os lábios, um pequeno sussurro escapando. Nunca tinha se sentido tão incapaz ou assustada. Não tinha idéia do que fazer.

“Ele está ameaçando você?” Aden perguntou, suave, mas intenso. Sem esperar sua resposta, ele levantou suas facas, as pontas de prata brilhando ameaçadoras na luz do sol. “Venha aqui, grandão, e veremos se você gosta de jogar com alguém do seu tamanho.”

ÉÉ uumm pprraazzeerr.

“Não!” ela gritou quando o lobo saltou pra frente. Aden encontrando-se com ele no ar. Só que, eles não colidiram. Aden desapareceu. Realmente desapareceu. Estava lá em um momento, sumiu no próximo.

O lobo caiu no chão, tendo espasmos, gemendo. As duas facas aterrissadas inutilmente ao lado dele. Mary Ann correu para o lado dele, sem ter certeza do que aconteceu ou como reagir. Talvez ele estivesse em choque. Não havia sangue, então ele não foi cortado.

Com um braço trêmulo, ela se aproximou e encostou a palma contra seu focinho. Por que você esta tocando nele? Gritou seu senso comum. Corra! Ela ficou ali, sua preocupação era maior que seu sentido de sobrevivência. “Você está bem?”

Seus olhos piscaram abrindo-se, não mais verdes, mas uma mescla de todas as cores que os olhos de Aden algumas vezes possuíam. Ele sacudiu seus pés, estavelmente, oscilando. Lentamente se afastando dela.

Quando ele passou a linha das árvores, virou-se e correu.

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