Interligados#1 - Capítulo 5
O dia começou como qualquer outro para Mary Ann. Ela se arrastou para fora da cama, tomou banho, se meteu na roupa que escolheu na noite anterior, e secou o cabelo enquanto via o que precisava para levar ou quais testes marcados para estudar. Esta semana o exame mais importante era o de química, um de seus temas mais difíceis. O único problema era que os pensamentos
Penny tinha admitido que deu a ele o número de Mary Ann. Então, por que ele não ligou? Uma semana inteira tinha passado. Parte dela esperava a ligação e pulava cada vez que seu telefone tocava. Ele parecia tão entusiasmado para falar com ela. A outra parte dela, entretanto, esperava que ele não ligasse. Ele era deslumbrante, mas depois dessa primeira atração inicial, só tinha se sentido confusa e amigável com ele – até quando não estava experimentando o estranho impulso de correr.
Ela nem sequer queria ser amiga dele? Estar próxima dele era como ser golpeada no peito; seu corpo só queria escapar. Sua mente, no entanto... Lamentava sua perda. Lamentava, como se ele fosse alguém querido por ela.
Vapor começou a surgir de seu couro cabeludo, e ela desligou rapidamente o secador. Tinha que parar de pensar nesse garoto. Ele já estava ferrando com sua mente, tornando-se papa - provando que ela tinha razão ao namorar o Tucker e ficar com ele nesses últimos meses. Tucker sempre a fazia sentir bonita, aumentando sua auto-estima, mas não a consumia. Ele dava o espaço que ela precisava.
Com um suspiro, ela desceu as escadas. Seu pai tinha o café pronto: waffles de noz-pecã com melado de mirtilo. Ela comeu dois enquanto seu pai lia o jornal e bebia seu café. Sua rotina usual.
“Quer uma carona pra escola?” ele perguntou. Dobrou seu jornal e colocou de lado, olhando para ela com expectativa.
Ele sempre sabia quando ela terminava de comer sem que lhe dissesse nada.
“Não. Caminhar aumenta a quantidade de oxigênio em meu cérebro, o que vai ajudar enquanto tomo nota mentalmente sobre a síntese de iodo.” Na qual também era a razão pela qual ela não pegava carona com Tucker, embora ele também, sempre oferecia. Ele gostava de conversar e isso a teria distraído. Penny estava perpetuamente atrasada, quando ela não aparecia também.
Os lábios de seu pai se curvaram em um sorriso, e ele balançou a cabeça. “Sempre estudando.”
Quando ele sorri assim, todo o seu rosto se ilumina e ela podia ver porque as suas amigas gostavam dele. Em aparência, ele era seu oposto. Ele tinha o cabelo loiro e olhos azuis, era robusto onde ela era magra. A única coisa que tinham em comum era sua juventude (ou assim ele gostava de dizer). Ele só tinha trinta e cinco, o que era jovem para um pai. (outra vez, palavras saídas de sua boca.) ele se casou com sua mãe logo depois de terminar a escola e a tiveram depois.
Talvez por isso que se casaram. Por causa dela. Embora não foi por isso que ficaram juntos. Oh, eles discutiam muito, mas eles claramente se amavam. A maneira que olhavam um para o outro, com expressão suave, era a prova disso. Mas algumas vezes, por causa das coisas que verbalmente jogavam um contra o outro, Mary Ann suspeitava que seu pai tivesse traído sua mãe e sua mãe nunca tinha superado isso.
“Você queria que eu fosse ela não é?” Sua mãe gostava de gritar pra ele.
Ele sempre negava isso.
Por muitos anos, Mary Ann tinha se ressentido com ele por essa possibilidade. Sua doce mãe não trabalhava, ficava em casa para cuidar de Mary Ann, da casa e de todas as tarefas do cotidiano. Mas quando ela morreu, seu total desânimo convenceu Mary Ann de sua inocência. Além do mais, ele tem estado sozinho por vários anos. Nunca teve um único encontro. Nem sequer foi visto com outra mulher.
“Você me lembra mais sua mãe a cada dia,” ele disse, sua mente obviamente tomando o mesmo caminho que a mente dela tomou. Os olhos dele brilhando com as memórias, em sua boca um suave sorriso. “Não só na aparência. Ela amava Química também.”
“Você está brincando? Ela odiava Matemática, e Química é cheia de pequenas equações que a teria levado a loucura.” O único dever de casa que sua mãe foi capaz de ajudá-la era em Inglês e Arte. “Além do mais, quem disse que eu amo Química? Eu faço porque é necessário.”
No entanto, Mary Ann sabia o que ele estava fazendo. Mentindo para fazê-la se sentir mais perto de sua mãe, como se a morte não os tivessem separados. Ela se inclinou e beijou a testa dele. “Não se preocupe, Pai. Eu nunca me esquecerei dela.”
“Eu sei,” ele disse suavemente. “Fico feliz. Ela foi uma mulher incrível que transformou essa casa em um lar.”
Logo depois de seu pai abrir o próprio consultório, eles tiveram dinheiro para comprar esta propriedade de dois andares. Sua mãe ficou extasiada. Ela e a irmã, Anne, xará de Mary Ann que morreu antes de Mary Ann nascer, cresceram pobres e ela teve seu primeiro gosto pela riqueza. Sua mãe transformou as paredes em um completo branco para cores convidativas, e tinha pendurado fotos deles três. Tinha enchido o ar uma vez, sufocando com a essência de seu doce perfume e tinha aquecido o chão frio com almofadas multicoloridas de pelúcia.
Seu pai limpou a garganta, trazendo-os de volta de suas recordações. “Eu tenho que trabalhar até tarde hoje à noite. Você vai ficar bem?”
“Absolutamente. Eu planejo terminar de ler aquele artigo sobre DDA (Distúrbios do Déficit de Atenção) e DOC (Distúrbio Obsessivo-Compulsivo). É muito interessante. Quero dizer, você sabia que 34% das crianças com...”
“Querido Deus, eu criei um monstro.” Ele se aproximou e despenteou o cabelo dela. “Eu não posso acreditar que estou dizendo isso, querida, mas você precisa sair mais. Viver um pouco. Vários dos meus pacientes vêm me ver por essa mesma razão, sem perceber que o stress que eles colocaram em si mesmos começou a esgotá-los, que o tempo livre para se curar é merecido tanto quanto para uma risada. Honestamente, inclusive eu, vou tirar férias. Você tem dezesseis. Você deveria está lendo livros sobre garotos mágicos e gossip girl.”
Ela franziu as sobrancelhas. Ela leu o artigo para impressionar ele, e agora ele não queria ouvir sobre isso? Agora ele queria enterrá-la em ficção? “Estou expandindo minha mente, Pai?”
“E eu estou orgulhoso de você por isso, mas ainda penso que você precisa de algum tempo livre. Tempo dedicado para se divertir. O que há com Tucker? Vocês garotos poderiam ir jantar. E antes de você dizer alguma coisa, eu sei que ameacei castrá-lo na primeira vez que vocês saíram, mas eu tenho me acostumado com a idéia de você ter um namorado. Não que passe muito tempo com ele de qualquer modo.”
“Na maioria das noites, nos falamos por telefone,” ela protestou. “Mas ele tem treino de futebol ou um jogo toda a noite durante a semana, e eu tenho dever de casa. E nos finais de semana, como você sabe, eu praticamente vivo na Watering Pot.”
“Oh, bem, isso não ajuda para esta noite. E quanto a... Penny? Ela poderia vir e vocês poderiam assistir a um filme.”
Ele realmente estava preocupado com sua vida social se estava sugerindo que ela saísse com Penny. O que pedia pela questão do por que. Ele se sentia culpado por ela passar tanto tempo sozinha? Não deveria. Ela desfrutava de sua própria companhia. Não existia a pressão de ser algo que ela não era mais: animada, despreocupada. “Tudo o que posso prometer é encontrá-la na escola e perguntar quais são os planos dela,” disse a ele, porque sabia que era isso que ele queria ouvi. O mais provável, é que ela passe a noite com sua cabeça enterrada no livro de Química.
“O que significa que você não vai realmente convidá-la.”
Ela dá de ombros, permanecendo calada.
Suspirando, ele verificou seu relógio. “É melhor você ir andando. Um atraso irá arruinar seu recorde perfeito.”
Clássico Dr. Gray. Quando não conseguia os resultados que queria, se livrava dela então poderia elaborar suas estratégias e retomar o argumento mais tarde com um novo plano de ataque.
Mary Ann se levantou. “Amo você, Pai. Espero continuar vencendo no segundo round quando você chegar
Ele deu risada. “Eu não mereço você, sabia?”
“Eu sei,” ela falou sobre seus ombros, e pôde ouvi-lo com uma risada renovada enquanto a porta se fechava atrás dela.
Quando ela saiu de casa, imediatamente notou um grande, realmente grande – enormemente grande – cachorro preto... Lobo?... Deitado de barriga na sombra, só a alguns metros de distância dela. Nenhum jeito de perdê-lo; era como um carro estacionado em seu jardim. O sangue dela instantaneamente resfriou.
No momento que ele a viu, dobrou-se sobre seus pés, com seus lábios afastando de seus dentes, revelando longas, presas brancas. Um grunhido retumbou de sua garganta, baixo e ameaçador.
“Pa-Pai,” ela tentou gritar, mas o repentino caroço na garganta silenciou o som de sua voz. Oh, Deus, oh, Deus, oh, Deus.
Um passo, dois, ela se afastava, seu corpo inteiro tremendo. Sangue correndo através de seu ouvido, terror gritando em sua mente. Aqueles olhos verdes eram frios, duros... Famintos? Ela virou-se, pretendendo correr de volta para dentro de casa. A besta saltou na sua frente e bloqueou a porta.
Oh, Deus. O que ela poderia fazer? O que diabos ela deveria fazer? Outra vez, ela se encontrou afastando-se. Dessa vez, ele seguiu, mantendo a mesma, tão-pequena distância entre eles.
Ela avançou mais um passo para trás, e o calcanhar de seu tênis bateu em alguma coisa. Pra baixo, ela caiu, aterrissando sua bunda com um doloroso golpe. O que foi... Sua mochila, percebeu. Agora proporcionava um confortável descanso para seus joelhos. Quando ela tinha deixado cair? Importava? Pensou com uma risada selvagem. Eu sou tão boa quanto morta.
Não tinha jeito de que ela corresse do lobo agora. Não que ela tivesse realmente alguma chance. E ele era um lobo, provavelmente um selvagem. Ele era simplesmente muito grande para ser um cachorro. Ela engoliu um gemido. Teria sido bom conduzi-lo para uma perseguição, melhor do que entregar-se como um tudo-o-que-você-puder-comer
Sua única esperança era que alguém estivesse do lado de fora, assistindo o confronto – alguém que tanto correria pra ajudar ou ligar pra 911. Uma rápida olhada pra sua esquerda mostrando que o Mustang GT de Penny estava estacionado na calçada dos Parkses, mas não havia sinal de vida do lado de fora ou mesmo dentro de casa. Uma rápida olhada para sua direita mostrou que seu outro vizinho já tinha saído para o trabalho. Oh. Deus.
O lobo estava sobre ela um segundo depois, suas patas dianteiras empurrando seus ombros para o chão. No entanto ela não podia gritar, sua voz foi embora, roubada.
Não fique só aí. Faça algo! Ela se elevou, apertando sua boca com uma mão e tentando se levantar com a outra. Ele meramente sacudiu o focinho de seu aperto e então golpeou seu outro braço para longe. Ela nunca tinha se sentido tão impotente. Pelo menos ele não estava babando.
Lentamente ele se inclinou. Ela se estremeceu, pressionando-se mais fundo no chão o quanto podia, um som finalmente escapou dela: um gemido. Ao invés de tirar seu rosto para longe como ela havia presumido, ele cheirou seu pescoço. Seu nariz era frio, seco, seu fôlego quente ao exalar. Ele cheirava a sabão e pinheiro.
O quê. Diabos?
O que devo fazer? O que devo fazer?
Outra fungada, esta demorada, e então ele estava se afastando dela. Quando ela ficou livre de seu peso, gradualmente se levantou, com cuidado de não fazer movimentos bruscos. Seus olhos presos, um verde sem emoção contra um avelã com medo.
“Bo-Bom cachorrinho” ela se controlou para dizer.
Ele rosnou.
Ela pressionou seus lábios. Sem conversa então.
Ele indicou para a direita com seu focinho. Um dar o fora daqui gesticulado? Quando ela permaneceu no local, o animal fez isso de novo. Engolindo em seco, Mary Ann pesadamente moveu seus pés, arrastando sua mochila com ela. Suas pernas ainda tremiam e ela quase tropeçou sobre seus próprios pés quando se afastou. Enquanto ela recuava, abriu o zíper de sua mochila e procurou dentro por seu celular.
O lobo sacudiu a cabeça.
Ela ficou parada. Uma batida do coração, duas. Você pode fazer. Só precisa pressionar 911. Agora que já recuperou sua voz, o sentido comum estava voltando. De nenhuma maneira ela gritaria por seu pai e ele viria correndo para o resgate. Ele desprezava armas e estaria indefeso contra uma criatura tão grande.
Mova-se! Mary Ann recuou em movimento, finalmente prendendo-se ao telefone. O lobo rosnou quando ela pressionou o primeiro botão. Novamente, ela ficou parada. Ele aquietou. Seu sangue cristalizou em suas veias, uma ducha fria que só aumentou seu tremor. Até mesmo os fortes raios solares da manhã se recusaram a aquecê-la.
Outro botão.
Outro rosnado. Desta vez, o lobo andou em sua direção, dobrando as patas da frente, colocando-se em posição perfeita para atacar.
Ele não poderia saber o que ela estava fazendo. Ele não poderia saber o que aconteceria se ela pressionasse esse botão final. Não importa quanta inteligência parecia brilhar naqueles olhos.
Seus músculos tensos enquanto ela pressionava com seu polegar. Em um piscar de olhos, o lobo se lançou para ela, prendendo o celular entre os dentes. Mary Ann ofegou, momentaneamente paralisada pelo medo, alívio e incerteza. Aqueles dentes... Eles estiveram tão próximos de ter rasgado a palma de sua mão, mas nem mesmo a arranhou.
Forçando-se a agir, ela se moveu ao redor, sabendo que era melhor do que dar as costas para a criatura durante algum tempo. Ele estava esperando na base do pé de ameixa favorito de seu pai, o plástico negro ainda preso entre seus lábios, sentado tão tranquilamente como se estivesse em um piquenique. Mais uma vez, ele acenou para o lado.
Lentamente perdendo o medo, Mary Ann tropeçou naquela direção. Mesmo pensado que o lobo não a machucaria e não parecia querer fazer-lhe nenhum mal, ela arqueou ao redor dele, mantendo a maior distância entre eles quanto podia.
Ela recuou também, mantendo-o no campo de visão.
Um suspiro cansado escapou dele. Um suspiro? E então ele foi galopando para frente, diante dela, mantendo um ritmo constante, o roçar de suas unhas contra o chão soando em seus ouvidos. De vez em quando, ele olhava para trás para assegurar-se de que ela o seguia.
Não sabendo o que fazer, ela o seguiu.
De alguma maneira ele conhecia o caminho para a escola. Embora existissem três maneiras de chegar até lá a partir de sua casa, ele tomou a rota que ela preferia. Ele tinha a seguido antes? Poderia cheirar onde ela tinha estado?
Eram meus waffles salpicados que entregou? Ela se perguntou. Isso não podia ser real.
Inteligente como ele claramente era, o lobo se mantinha nas sombras, fora da vista do tráfico. Mary Ann de repente queria saber mais sobre animais. Mas não sabia. Seus pais não gostavam deles – ou o cocô e xixi e perda de pêlos deles – então ela realmente nunca esteve com eles. Talvez essa aversão inclusive a contagiou. Penny teve um chihuahua chamado Dobi, mas Mary Ann evitava aquele latido, rosnado como uma pequena máquina de merda, como se sua vida dependesse disso.
Finalmente Crossroads High ficou a vista e ela deu um suspiro de alívio. Ele estava no novo edifício, grande e vermelho, contornando em um semicírculo. Carros serpenteavam pelo estacionamento, “Vai Jaguares” escrito nos pára-brisas. Os garotos corriam de um lado para o outro do lado de fora, deleitando-se na neblina de verão que logo seria substituído por uma queda de gelo frio. Exceto... Algo de seu alívio se apagou. O lobo os atacaria?
A camionete de Tucker passou acelerada por ela, e, em seguida, seus pneus gritaram quando ele forçou a parar. Graças a Deus! O lobo deixou seu celular e se afastou. Quando ele estava o suficientemente longe para o bem-estar de sua mente, ela correu e pegou o celular. Seu olhar permanecia travado nele, enquanto ela recuava, arremessando a porta de passageiro de Tucker e jogando-se para dentro. O lobo desapareceu entre o verde das árvores e grossos arbustos que rodeiam a escola.
Aquela última olhada que ele disparou nela havia sido combinada com decepção. Inclusive raiva. Ela engoliu
“Isso é novo,” disse Tucker, sua voz profunda tirando sua atenção.
Ele estava desgrenhado, cabelo loiro escuro e olhos cinza, coloração que poderia ser maçante em qualquer um. Em Tucker, com seu rosto de menino, ondulações e corpo atlético, era de parar o coração.
Nunca havia entendido porque ele a escolheu para chamá-la pra sair, muito menos por que queria continuar namorando ela, já que eles tão poucas vezes passavam tempo juntos fora da escola. Todas as líderes de torcida o adoravam, especialmente a líder delas, Christy Hayes, a adorada beleza que era responsável pelos sonhos úmidos em todo o estado. Mas Tucker não queria nada com ela, estava sempre a dispensando para ficar com Mary Ann. No qual, ela odiava admitir, tanto por seu amor próprio como pelos elogios de Tucker.
Você é tão bonita, ele gostava de dizer. Tenho muita sorte de estar com você.
Ela sorria durante várias horas.
Tucker caiu na risada, tirando ela de seus pensamentos. “Agora isso é o que estou acostumado.”
“O que você quer dizer?” quanto mais tempo eles ficavam sentados ali, mais seu tremor desaparecia.
“Você me ignorando, Está perdida em seus pensamentos.”
“Oh, desculpa.” Ela fazia muito isso? Não tinha percebido. Teria que fazer um esforço maior para manter-se concentrada. Então, afinal de contas, do quê eles estavam falando? Oh, sim. “O que há de novo?” Ela perguntou.
A camionete continuou facilmente. “Você está pálida como um fantasma e ansiosa por uma carona. Por quê?”
Diria a ele sobre o lobo ou não? Não, ela decidiu, sem nenhuma deliberação. Não precisa ser um gênio para saber que ele riria dela e tiraria sarro. Um lobo tinha a escoltado até a escola? Por favor. Quem iria acreditar nisso? Não é algo que ela realmente acreditasse.
“Só, uh, nervosa sobre o meu exame de Química amanhã.” Menti não é algo que ela geralmente fazia e a culpa rapidamente começou a corroê-la.
Ele estremeceu. “Química é um saco. Eu ainda não entendo porque você se registrou no estudo avançado com o Sr. Klein. O cara faz um olhar divertido para a maçaneta.” Antes que pudesse responder, ele adicionou, “A propósito, você parece bem hoje.”
Vê? Quem mais ocorreria pensar em dizer algo assim pra ela? Ela sorriu. “Obrigada.”
“Não há de quê, mas eu não diria isso se não fosse verdade.” Tucker estacionou.
E é por isso que eu estou com ele, ela pensou, o sorriso crescendo cada vez mais.
Eles saíram, e de imediato ela procurou ao lado da escola, olhando para as árvores. Nenhum sinal de seu lobo. Isso não diminuiu a súbita sensação de estar sendo observada, sem demora, ela perdeu seu sorriso. Observação para si mesma: pesquisar sobre lobos. Talvez o medo deixe o gosto da presa melhor e isto era uma espécie de coisa nova, aterrorizar a estúpida e depois matá-la tecnicamente. Se for assim, não existe melhor presa que Mary Ann.
“Vamos.” Tucker a abraçou pela cintura e a levou adiante. Ele não parecia si dar conta de que ela estava tremendo.
Ali, descansando sobre a grade de bicicletas, estava o grupo de Tucker. Equipe. Tanto faz. Mary Ann os conhecia claro, mas ela raramente saia com eles. Eles não a aprovavam, algo que eles deixavam claro ao ignorá-la cada vez que se aproximava. Todos eles jogavam futebol, embora ela não pudesse lembrar suas posições para salvar sua vida.
Os garotos batiam suas mãos umas nas outras em sinal de saudação. E sim, fingiam que ela não estava ali. Tucker nunca pareceu si dar conta da falta de respeito e ela nunca disse nada. Ela não estava certa de como ele reagiria – se ele ficaria do seu lado ou do lado de seus amigos – e simplesmente não valia à pena perder tempo em se preocupar com isso.
“Você ouviu?” Shane Weston, o brincalhão da escola, sorriu e pulou sobre seus pés, quase queimando com a necessidade de compartilhar.
Nate Dowling esfregou suas mãos. “É nosso dia de sorte.”
“Deixe-me dizer, Dow,” Shane grunhiu.
Nate manteve sua mão pra cima, com suas palmas para fora, levantando um semblante de impaciência.
O sorriso de Shane voltou. “Carne fresca,” disse. “Duas testemunhas Michelle e Shonna, viram o Diretor White dando-lhes as boas-vindas.”
Hun? Mary Ann olhou para Tucker.
Ele sorriu para si mesmo enquanto ele e Shane assentiam um para o outro em compreensão.
“Garotos novos,” processou Nate. “dois deles.”
Enquanto eles riam sobre as formas em que poderiam iniciar apropriadamente os recém chegados, pobres garotos, Mary Ann vagou para sua primeira aula. O Sr. Klien deu um sermão de todas as coisas que estariam no exame, mas pela primeira vez nesse ano, ela estava tendo problemas forçando-se a se concentrar. Ela capturou vários sussurros de conversas em sua expedição através dos corredores.
Os garotos novos eram secundaristas, como ela, e os dois eram homens. Um era alto com cabelos escuros e olhos negros, mas ninguém falou com ele. Ele foi mantido no escritório de orientação. Era... Poderia ser... Aden? Aqueles olhos...
O outro era negro, deslumbrante, com os olhos verdes – como seu lobo? – e um comportamento rígido, mas tranqüilo.
Espera. Ela acabou de comparar os olhos de um humano com os olhos de um lobo? Pensar nisso a fez sorrir.
“Srta. Gray?” o professor disse com reprovação.
Todos na sala viraram-se para olhá-la.
Calor inundou suas bochechas. “Desculpe Sr. Klien. Pode continuar.”
Isso provocou várias gargalhadas nos estudantes e um olhar furioso de quem comandava a aula.
Ao longo do dia, ela buscava por rostos novos. Não foi até depois do almoço que encontrou um. Shannon Ross estava em sua aula de história; ela o viu em frente à porta. Ele era tão bonito quanto todos haviam dito, alto com olhos de luz verde – sim, justamente como o lobo – e justamente calado.
Mary Ann havia vivido em Crossroads por muito tempo agora, mas poder simpatizar com alguém novo, não conhecendo ninguém. Ele elegeu uma mesa na parte de trás e ela se deslizou naquela próxima a ele. Não faria mal adverti-lo sobre Tucker e sua equipe também.
“Oi,” ela disse. Os garotos estavam cochichando o dia todo sobre ele. Atualmente, a história favorita era que ele é um dos problemáticos que vivia no rancho D e M que pertence a Dan Revees. Oh, e ele matou seus pais. Há esta hora amanhã, ele teria matado uma irmã e um irmão também, ela tinha certeza.
Mary Ann tinha visto Dan pela cidade e ouviu as histórias sobre ele. Supostamente, seus pais tinham morrido jovens e ele vivia com seus avós. Ele era selvagem e constantemente tinha problemas com a lei, também tinha sido um mágico no campo de futebol e se preparava para ser um profissional. Embora, apenas há uns anos, ele machucou a espinha e teve que abandonar, no qual decidiu abrir uma casa para garotos com problemas como ele uma vez tinha sido. Porém, a maioria nas pessoas em Crossroads ainda o adorava – mesmo eles desaprovando quem ele permite viver com ele.
Shannon deu a ela um olhar nervoso. “Oi.”
“Eu sou Mary Ann Gray, se você precisar de qualquer coisa, eu...”
“Eu... Eu... Eu não preciso de nada,” ele se apressou. Uma clara rejeição.
“Oh, Ok.” Uau isso ofendeu. “Só... Talvez fique longe dos jogadores de futebol. Eles gostam de torturar os garotos novos. É a maneira deles de dar boas-vindas, suponho.” Suas bochechas estavam quentes pela segunda vez no dia enquanto ela reclamava seu acento de direito. O resto da classe entrou justo quando a campainha soou.
Antes que Sr. Thompson discutisse a idade do imperialismo, ele levou Shannon para frente da classe e falou a todos um pouco sobre ele, um exercício que ele gaguejou até o fim, os garotos riram o tempo todo. Mary Ann se perdeu em sua própria carga de humilhação. Não admirava que ele a afastou. Ele não gostava de conversar com pessoas. Era embaraçoso pra ele.
Ela sorriu para ele quando ele voltou pra seu assento, mas ele não viu. Mantinha seus olhos fixos no concreto pintado com em seus pés.
Também compartilharam a aula seguinte. Ciências da computação. Eles se sentaram próximos um do outro, mas ela não tentou falar com ele. Não de novo, não agora. Ele provavelmente a rejeitaria de novo.
Tucker estava na classe também. Ele se sentava próximo a Mary Ann até a semana passada, quando a Srta. Goodwin o moveu por conversar.
“Ei, Tuck,” Shane sussurrou através da sala.
Tuker virou-se. O mesmo fez Mary Ann e alguns outros na sala. No entanto, Shannon não. Como ele tinha feito em outras aulas, manteve sua cabeça abaixada.
Shane apontou para Shannon com uma inclinada de queixo. “Faça alguma coisa,” ele balbuciou.
Mary Ann agarrou a borda de sua mesa. “Não,” ela disse. “Por favor.”
“Srta. Gray.” A professora a advertiu. “Isso é o suficiente de você.”
“Desculpe,” ela controlou para respirar. Ela levou quase todo o mês sem problemas, então levou duas chamadas de atenção em um dia.
Tucker balbuciou, “Não se preocupe” e levantou sua mão, desviando a atenção dela.
A Srta. Goodwin suspirou. “Sim, senhor Harbor.”
“Posso ir ao banheiro?”
“Não sei, pode?”
Ele grunhiu. “Posso?”
“Está bem, mas não demore ou ficará na detenção amanhã.”
“Sim, senhora.” Tucker ficou de pé. Caminhou pela sala e empurrou a porta, e os ombros de Mary Ann se curvaram
Só que Tucker nunca se afastou da porta.
Ele olhou com pequena atenção, levantando a janela de Shane. Shane passou sua mão pra fora e Tucker assentiu.
Shane ficou de pé, e ele repentinamente estava agarrando uma rastejante, silva cobra. Fina, com escamas amarelas e verdes e um brilhante vermelho na cabeça. Uma aglomeração de medo se uniu na garganta de Mary Ann, cortando seu fôlego. Querido Deus. De onde isso saiu? Como isso apareceu no ar?
Shane olhou a Srta. Goodwin para se certificar de que ela não prestava atenção. Ela não estava prestando, tão perdida ensinando as gêmeas Brittany e Brianna Buchannan como criar uma senha para suas páginas. Sorrindo abertamente, ele lançou a cobra para Shannon. Aterrissando em seus ombros, e em seguida caindo sobre suas coxas com um assobio.
Shannon olhou pra baixo. Ele sacudiu seu pé e gritou, batendo seu corpo com as mãos frenéticas. A cobra caiu no chão e rastejou para a parede, desaparecendo além do assoalho.
Todos olharam para ele e sorriram.
“Como se atreve a interromper minha aula, jovenzinho!”
“Ma-mas a-a co-cobra.”
A Srta. Goodwin pousou suas mãos em seus acolchoados quadris. “Do quê você está falando? Não há cobras. Você pode ser novo, mas há uma coisa que precisa saber. Não vou tolerar mentiras.”
Ofegando, Shannon varreu seus olhos através do chão. Mary Ann seguiu seu olhar. Não tinha nenhum buraco, nenhum modo de que a cobra pudesse escapar, mesmo assim ela tinha sumido. Ela voltou sua atenção para Tucker, que ainda estava na porta. Ele e Shane estavam sorrindo um para o outro, radiantes pelo trabalho bem feito.
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