Interligados#1 - Capítulo 4

Aden passou os sete dias seguintes entrando e saindo de consciência. Por várias vezes querendo desisti, simplesmente acabar com tudo e flutuar para longe da massa escaldante de dor que era seu corpo. Mas não fez isso. Ele lutou. Lutou mais do que havia lutado por algo, um pensamento o guiando: a paz que vem com Mary Ann.

Algumas vezes, até mesmo teve alucinação e pensou ter visto ela se inclinar sobre ele, aquele longo cabelo escuro fazendo cócega em seu peito. Ou talvez a habilidade de Elijah estivesse expandindo e ele teve outra visão de não-morte, pegando vislumbres do futuro. Só que, diferente da vida real, a pele dela estava pálida ao invés de beijada pelo sol e tão quente quanto uma chama viva. Havia mais, os olhos dela eram de um azul brilhante ao invés de avelã.

Havia algumas explicações para as diferenças. Ou suas visões nunca tinham sido de Mary Ann e ele ainda não havia encontrando verdadeiramente sua morena, ou, doente como estava, simplesmente tinha recebido os detalhes errados dessa vez.

Ambas as explicações eram inteiramente possíveis. Ele percebeu que embora tivesse visto sua morena na escuridão de sua mente muitas vezes para contar, nunca realmente teve conhecimento sobre as características faciais dela.

O rosto que ele viu esta semana, bem, ele não poderia esquecer.

“Durma,” ela disse, passando os dedos gentilmente sobre sua testa e deixando um rastro de fogo em sua trilha. “Quando você se curar, teremos muito que discutir.”

“Tipo?” ele conseguiu dizer, apesar de sua garganta seca.

“Tipo, como você chamou meu povo. Tipo, como eu ainda sinto o zumbido de você. Tipo como esse zumbido parou por um pequeno tempo. Tipo, por que você nos quer aqui. Tipo, devemos ou não permitir que você viva. Entretanto, conversaremos quando o seu sangue cheirar menos como os mortos-vivos.”

Foi uma conversa que ele nem mesmo poderia começar a explicar.

Diferente de seus encontros com Mary Ann, ele não queria correr dessa visão, não queria abraçá-la como se ela fosse uma irmã. Também não tinha experimentado aquela dolorosa rajada de vento. Queria entrelaçar suas mãos no cabelo dela, trazê-la para perto, tão perto, e beber o cheiro dela. Madressilva e rosa. Queria beijá-la do jeito que eles se beijaram nas visões.

No entanto, eventualmente a febre passou, e as alucinações terminaram. Seus suores passaram e seus músculos pararam de tremar, deixando-o fraco e faminto.

Finalmente, Aden pesadamente levantou de sua cama, sua única roupa uma cueca samba-canção que suou e secou na pele. Ele tinha escondido o pior de sua dor, mantendo seus gemidos contidos dentro de sua cabeça. Qualquer coisa para evitar hospitais e médicos, picando, cutucando e fazendo perguntas. Deus, as perguntas.

Ele tinha sido dispensado das sessões de tutoria e das tarefas no celeiro durante toda a semana.

Porém, Dan manteve atenção nele, entrando e saindo do quarto, expressão concentrada, ainda um pouco suspeito. Se eles tiveram uma conversa aberta sobre o que estava acontecendo, Aden não lembrava. Só o que ele se lembrava era de Dan perguntando se ele sabia alguma coisa sobre a profanação do cemitério. Aparentemente vários noticiários divulgaram a história tal como ele temia. Ele teve a presença em mente de dizer não.

Ele pegou o sanduíche de manteiga de amendoim que Dan tinha deixado pra ele durante sua última visita nesta manhã e devorou em três mordidas. Estômago acalmando, se apressou em tomar uma ducha e mudando para jeans e uma simples camisa cinza. Dan estava levando ele e Shannon para fazer compras. Isso, também, ele lembrava. Isso era uma coisa que o grande cara nunca tinha feito antes e só havia uma razão que Aden poderia pensar para esta viagem: Dan estava permitindo que eles se inscrevessem na Crossroads High.

Seu alívio foi palpável. Eram tantas coisas que poderiam dar errado. Sra. Killerman poderia ter mudado de idéia e optado por não segui a recomendação de Dan. Dan poderia dizer que a “decisão” de deixar Aden solto em um sistema escolar público foi um momento de insanidade e cancelar a papelada.

Uma mão bateu na moldura da porta aberta, o forte som o sacudiu, e logo Shannon espreitou para dentro. Seus olhos verdes eram desprovidos de emoção. “Ho-hora de i-ir.” Sem esperar a resposta de Aden, deu a volta e se afastou. Descendo até o hall, e fechou a porta principal.

Uma por uma, as almas foram despertando, se alongando e suspirando. Ótimo.

OO qquuee eessttáá aaccoonntteecceennddoo?? Eve perguntou adormecida.

“Compras para a escola,” ele murmurou quando saiu do seu quarto. “Então nos falamos mais tarde. Ok?”

Ozzie e Seth estavam em pé diante da porta do dormitório deles, braços cruzados sobre o peito. Todos tinham um companheiro de quarto menos Aden. Ninguém queria dividir quartos com o esquizo, e isso estava tudo bem pra ele.

“Falando com você mesmo de novo?” Seth disse com uma risada. “Por quê? Não é como se você fosse tão estimulante.”

Aden levantou o queixo e tentou passar por eles.

Ozzie agarrou seu braço, sacudindo-o para parar. “Onde você pensa que vai, Louco? Você tem se escondido de mim ultimamente, e nós temos algumas coisas pra discutir.”

Aden centrou sua atenção no garoto, com um forte impulso de atacar. Ele não gostava de ser ameaçado desse jeito. Por muitas vezes em muitas instituições, ele tinha segurado no chão e espancado.

VVooccêê nnããoo ppooddee ssee ddaarr aaoo lluuxxoo ddee ssaaiirr nnoo ssooccoo ccoomm OOzzzziiee, Eve disse.

Se Ozzie continuar a forçá-lo desse jeito, Aden não poderá evitar. Sua paciência estava esgotando. Ele poderia atacar. E não lutaria justo. Mesmo agora, suas adagas estavam pressionadas contra os tornozelos, esperando.

“Vamos lá,” ele grunhiu.

Ozzie piscou em surpresa, mas manteve seu aperto. “É melhor você está falando com um de seus amigos invisíveis, aberração, ou eu juro por Deus que vou cortá-lo como fita enquanto você dorme.”

Seth soltou um sorriso.

Aden cerrou a mandíbula.

EEssttoouu ffaallaannddoo sséérriioo,, AAddeenn.. NNããoo eennttrree eemm uummaa lluuttaa ccoomm eellee, Eve disse com uma respiração trêmula.

CCoonnttiinnuuee ppoorr eessssee ccaammiinnhhoo ee vvooccêê nnããoo vvaaii ppooddeerr iirr aaoo sseeuu pprriimmeeiirroo ddiiaa nnaa eessccoollaa, Elijah alertou. EE ssee vvooccêê nnããoo ffoorr aaoo sseeuu pprriimmeeiirroo ddiiaa,, nnããoo vveerráá aa ggaarroottaa.

Ele se livrou de Ozzie e se afastou sem dizer uma palavra.

“Olha o bebezinho correr,” Ozzie chamou.

Suas bochechas estavam quentes, mas ele não voltou. É melhor deixá-los pensar mal dele do que provar o quanto estão errados. Porque, estava provado, alguém sairia machucado e não seria ele. E como Elijah o lembrou, Mary Ann e a escola pública apareciam no horizonte. Ele teria que ser um bom robozinho, não fazer onda, e evitar problemas como se isso fosse um cemitério.

Do lado de fora, o brilho do sol deixou seus olhos molhados. Ele piscou, procurando pela caminhonete de Dan. Seu olhar escapando para a linha de árvores ao lado da casa principal. Fixando, e seu queixo caiu. Lá, nas sombras, estava à morena. Sua morena. Aquela de suas visões.

Só que ela não era Mary Ann. Percebeu agora além de qualquer dúvida.

Essa garota era mais alta, com um rosto que pertencia as revistas. Aqueles grandes olhos azuis eram emoldurados por longos cílios negros. Ela tinha um nariz pequeno e lábios com forma de coração que eram de um vermelho-sangue. Sua pele era pálida como a neve. Seu cabelo era longo, indo até a cintura e ligeiramente ondulado. Aquelas ondulações eram tão pretas que pareciam ser tingidas de azul, e envolviam seus ombros a cada brisa.

Isso era uma visão? Ele se perguntou de repente. Ou ela realmente estava ali?

Um garoto estava atrás dela, alto e ameaçador, sua pele bronzeada, seu corpo ela uma central de poder sobre músculos.

Ambos usavam preto: o garoto uma camisa e uma calça, a garota uma túnica de algum tipo. Cobria um ombro como uma toga enquanto deixava o outro descoberto, estava amarrado no meio por um elo de prata e o resto fluía em sua dança até os tornozelos.

Ambos estavam olhando para ele. O garoto de forma ameaçadora, a garota com curiosidade.

Sem saber o que fazer, ele acenou.

Nenhuma reação.

“Aden,” Dan chamou. “Pra quem você está acenando? Vamos logo.”

“Mas...” ele virou, dando a entender que pedia por mais alguns minutos. Ele tinha que saber se os dois eram reais. Mas Dan estava sinalizando pra ele da camionete, demonstrando impaciência pelo calor, olhando para o sol. Shannon já estava dentro. Aden encarou a linha das árvores ao longe mais uma vez, mas o casal já tinha ido embora. “Vocês os viram?” ele sussurrou.

QQuueemm?? Eve perguntou. AA bbrruuxxaa ee oo HHee--MMaann ffuurriioossoo??

Então eles eram reais. Ele quase gritou de emoção. Ela estava aqui. Finalmente ela estava aqui. Quem era ela? Qual era o seu nome? O que a trouxe aqui? Como ela o encontrou? Por que ela o encontrou?

Quando ele a veria de novo?

Elijah suspirou. SSaabbee aa sseennssaaççããoo rruuiimm qquuee eeuu ttiivvee qquuaannddoo vvooccêê sseegguuiiuu aaqquueellaa ggaarroottaa nnaa sseemmaannaa ppaassssaaddaa?? BBeemm,, tteennhhoo uumm pprreesssseennttiimmeennttoo ppiioorr ssoobbrree eesssseess ddooiiss.. MMaass ssiimm,, eeuu sseeii oonnddee vvooccêê eessttáá iinnddoo ccoomm iissssoo.. EEllaa éé aaqquueellaa ddaass vviissõõeess..

TTeemmooss ttiiddoo vviissõõeess ddeellaa?? OOnnddee eeuu eessttaavvaa?? PPoorr qquuee mmaallddiiççããoo.. ÉÉ ooffiicciiaall, Caleb disse. EEuu ssoouu qquueennttee.

Aden revirou os olhos.

“Aden,” Dan chamou. “Estou me afogando em meu próprio suor. Eu disse vamos lá.”

Não havia sinal deles nas árvores. Nenhum vestígio daquele vestido preto ou uma simples mecha de cabelos soprando ao vento. Onde eles foram? Por que eles foram?

“Aden! Última chance antes que eu vá sem você.”

Embora quisesse ficar, forço-se a marchar para a camionete, contentando-se com o conhecimento de que ela iria voltar. Um dia, eles iriam se beijar. Afinal, Elijah já havia previsto sua chegada, e isso se tornou realidade. O beijo se tornaria também. Os lábios de Aden levantaram em um sorriso.

“O quê?” Dan perguntou a ele.

“Só excitado,” ele disse, e isso era verdade.

“Com as compras? Como uma ga-garota,” Shannon murmurou.

Ele não se importava. Nada iria arruinar seu bom humor hoje.

Eles fizeram a viagem de vinte e cinco minutos até Tri City em silêncio. Aden usou cada segundo para tentar juntar o que tinha acontecido. Desde que a garota, sua garota, e o garoto de fato eram reais, realmente estavam aqui, o que significava que a garota veio até ele quando ele estava doente. Ela cuidou dele. Queria falar com ele, fazê-lo responder algumas perguntas.

Ela queria saber como ele... O que ela disse? Convocou seu povo? Seu cenho franziu. Que povo? Ele não convocou ninguém.

E sobre o garoto? Eles seriam irmãos? Os dois não tinham nada parecidos, mas isso não significava nada. Eles eram apenas amigos? Ou estavam juntos, juntos? Suas mãos se fecharam em punhos. Ok. Algo poderia arruinar seu bom humor.

QQuueerriiddoo,, eeuu sseennttiirr oo qquuããoo ffoorrtteemmeennttee sseeuu ccéérreebbrroo eessttáá ttrraabbaallhhaannddoo, Eve disse. VVooccêê eessttáá nnooss ddaannddoo ddoorr ddee ccaabbeeççaa.

“Eu...” ele mal se deteve para pedir desculpas em voz alta.

Quando Dan reduziu parando em frente ao shopping local, apertou suas mãos no volante. “Vocês têm uma hora garotos. Comprem algumas roupas, alguns materiais escolares, mas não deixem o prédio. Eu estou confiando em vocês. Se não estiverem me esperando quando eu voltar com sacolas em suas mãos, vocês estão fora do rancho. É o fim. Sem desculpas. Entendido?”

Aden não encontrou seu olhar. Ele não foi capaz de fazer isso desde a noite no pasto quando soube sobre a Sra. Killerman.

“Entendido?”

“Si-sim,” Shannon murmurou quando Aden disse, “Sim.”

Dan estendeu a cada um deles uma nota de cinqüenta dólares. “É tudo o que tenho. Espero que vocês possam fazê-lo render.”

“Obri-obrigado.” Shannon escapuliu.

“Aden,” Dan disse, parando Aden quando ele tentou fazer o mesmo. “Só pra você saber, você não vai para aula na Segunda.”

Seus olhos ficaram abertos. “O quê? Por quê?”

“Não se preocupe. Você vai para a escola, mas tem que fazer os testes de posicionamento antes que possa realmente ir para a aula. Você terá os resultados dentro de uma hora – computadores são uma coisa maravilhosa – então vamos saber se você ainda se qualifica. Shannon fez o dele na semana passada, mas você estava muito doente. Eu acho que passará, portanto as compras de hoje são pra você já ficar preparado para Terça.”

Ele confirmou, aliviado por ainda ter a chance de se inscrever na escola pública, menos mal que isso já não era um acordo feito como ele achava. Quando pisou na calçada e fechou a porta atrás dele, olhou em volta. O lugar estava lotado, mas não havia nenhum sinal de Shannon.

PPooddeerriiaa ttêê--lloo mmaattaaddoo eessppeerraarr ppoorr vvooccêê?? Caleb se queixou.

Enquanto fazia compras, seus amigos diziam com que roupa ficaria bem para ele, ele viu o escória algumas vezes. Shannon vasculhou as prateleiras e fingiu não notá-lo.

“Como eu queria passar mais tempo com você,” murmurou.

“Tempo com quem?” alguém perguntou.

Ele levantou o olhar e viu que uma senhora estava parada ao lado dele. Ela tinha o cabelo vermelho muito brilhante que estava com fixador de forma que parecia ser uma colméia. Usava um vestido de manga curta que era muito grande. Seu rosto, braços e pernas pareciam... Brilhar, como se tivesse banhada de purpurina. Estranho.

Isso, no entanto, ele poderia lidar. Mas foi uma corrente de eletricidade parecendo sair dela, fazendo com que os finos de cabelos de seu corpo arrepiassem, o que o assustou. Como ela estava fazendo isso?

“Ninguém,” ele disse, se afastando para aumentar a distância entre eles. Ele não confiava em estranhos. Mesmo estranhos que pareciam tão bem intencionados quanto esta.

“Ah, bacana. Alguma coisa está incomodando você, e eu adoraria ouvir o que é. Eu não tenho falado com ninguém por anos. Sinceramente, neste momento eu acho que ouviria uma discussão sobre os hábitos de acasalamento das formigas.”

Ela estava falando sério? “Senhora, você está me assustando.”

NNããoo hháá nnaaddaa ddee eerrrraaddoo ccoomm aa hhoonneessttiiddaaddee, Caleb disse com uma risada.

Um casal que estava passando olhou para ele como se ele fosse louco. Ok, talvez houvesse alguma errada com a honestidade.

“Me desculpe por assustá-lo,” a velha mulher disse, e então ela continuou com sua tagarelice sem sentido. Não sobre formigas, mas sobre seu filho, a esposa dele, os filhos, e como ela não conseguiu dizer adeus a eles antes que se afastassem dela. “Talvez você possa, eu não sei, dizer adeus a eles por mim.”

“Eu nem mesmo os conheço.”

“Você não está escutando? Eu estou falando deles pra você!” e ela continuou a falar de novo.

Depois de um tempo, Aden fez o seu melhor para ignorá-la.

VVooccêê vvaaii pprreecciissaarr ddee ccaaddeerrnnooss,, ffiicchháárriiooss,, llááppiiss ee ppaassttaass, Julian disse quando o valor total das roupas dava trinta e cinco dólares e oitenta e três centavos. Com imposto. Eve mantinha a conta do dinheiro. Ninguém era melhor com os números.

“Como você sabe do que eu preciso?” ele perguntou a Julian, olhando ao redor para ter certeza de que ninguém prestava atenção nele. A velha senhora não fez uma pausa em sua tagarelice.

UUmmaa mmeemmóórriiaa,, eeuu aacchhoo.

Freqüentemente suspeitava que as almas vivessem antes de serem emparelhadas a ele. Tantas vezes, se lembravam de coisas que aconteceram a eles, coisas que não poderiam ter acontecido enquanto estavam dentro do corpo de Aden.

Aden deixou a seção masculina com quatro camisas e uma calça, e se dirigiu para os suprimentos. Claro que a mulher continuava atrás dele. Ainda falando. Ele gostaria de ter um novo par de tênis, mas suas botas devem servir. De qualquer modo, é mais fácil para esconder armas.

Depois de reunir tudo e pagar, restando do dia uns tímidos seis centavos dos cinqüenta dólares que recebeu, carregou suas sacolas pra fora para esperar. Felizmente, a mulher não o seguiu nesse momento.

Tinha vinte minutos de antecedência. O sol estava alto, brilhando, e o suor em breve vai está escorrendo sobre ele. Encostou-se contra um lado do prédio, uma metade sortuda de seu corpo encontrou a sombra. Shannon se juntou a ele alguns minutos depois, inexpressivo como sempre, apenas uma sacola em sua mão.

Aden queria perguntar-lhe o que ele tinha comprado, mas sabia que não teria resposta.

“Como você conseguiu comprar tanto?” Shannon perguntou sem olhar para ele.

A pergunta o surpreendeu tanto que ele não conseguiu encontrar sua voz.

RReessppoonnddaa aaoo ggaarroottoo, Eve incitou.

“Eu, um, consegui alguns itens baratos.”

Shannon confirmou firmemente sem dizer mais nada.

EEssttoouu ttããoo oorrgguullhhoossaa ddee vvooccêê.. VVooccêê jjáá eessttáá ffaazzeennddoo aammiiggooss. Se ela tivesse mãos, Eve estaria batendo palmas.

Aden não tinha coração para corrigi-la.

***

Domingo à noite, Aden ficou acordado até de manhã, nervoso, excitado, esperando sua misteriosa garota retornar. Ela nunca retornou. Com duas horas até o momento de ir para a escola, ele se levantou e tomou banho, escovou os dentes, então vestiu suas roupas novas. Não conseguia parar de sorrir – até se olhar no espelho.

Em algum momento nos últimos dias, provavelmente enquanto ele estava fora colocando suas tarefas em dia, alguém entrou em seu quarto e escreveu em sua camisa antes de dobrá-las e colocá-las de volta na sacola como ele tinha deixado. As palavras OI, MEU NOME É LOUCO olhou de volta pra ele.

As mãos de Aden se envolveram em punhos, enrugando o pano. Aquele estúpido Ozzie! E ele não tinha dúvidas de que Ozzie era o culpado, se não o único a fazer isso então o único que ordenou que fizesse.

OOhh,, AAddeenn.. EEuu ssiinnttoo mmuuiittoo, Eve disse.

VVooccêê pprreecciissaa ccaassttiiggáá--lloo, Caleb disse. TTaallvveezz ddeessppeerrttáá--lloo ccoomm uummaa iinnttrroodduuççããoo ddee sseeuuss ppuunnhhooss.

EEssssee éé oo úúnniiccoo mmooddoo ddee rreessoollvveerr iissssoo, Julian concordou. SSee vvooccêê qquuiisseerr ppeerrddeerr sseeuu tteessttee ee ssuuaa pprriimmeeiirraa ee pprroovvaavveellmmeennttee úúnniiccaa cchhaannccee ddee iirr ppaarraa aa eessccoollaa ppúúbblliiccaa.

EE ssuuaa cchhaannccee ddee vveerr aa ggaarroottaa, Elijah adicionou, porque ele sabia que a menção de Mary Ann tinha acalmado Aden da última vez.

Aden inspirava e expirava. Uma busca rápida pelas camisas provando que elas estavam igualmente arruinadas. Ele apertou a mandíbula. “Não importa,” disse. Ele só queria acreditar nisso.

Os garotos da High Crossroads irão pensar que isso é uma piada, Elijah disse a ele. Talvez isso até mesmo se torne um novo estilo.

Se seu amigo dizia a verdade ou não, ele não se importava. Ou melhor, não iria deixar se importar. Hoje era muito importante. O melhor dos dias, ele seria testado miseravelmente, seu teste de concentração. Precisava de cada pensamento de sua mente focado somente no sucesso.

Ainda vestindo a camisa com a ofensa, ele ficou do lado de fora do celeiro na varanda. Seus olhos estreitando enquanto varria a linha das árvores. Não havia sinal da morena ou do amigo dela. Isso era bom, disse a si mesmo. Tampouco, precisava das distrações que eles representavam. Só se perguntava por que eles não se aproximaram dele de novo, se eles quisessem fazê-lo mal, e se a garota – qual era o nome dela? – gostou de estar com ele tanto quanto ele gostou de estar com ela.

Se ela apenas parasse as vozes como Mary Ann fazia, ela seria perfeita.

Ele deve ter ficado ali, perdido em pensamentos que não podia permitir-se, por sua hora restante, porque a próxima coisa que sabia, era Dan passando com a camionete com dois sacos de almoço na mão.

A porta atrás de Aden rangeu ao abrir, e ele se virou, espiando Shannon. Shannon olhou sua camisa e deu um olhar de culpa para o chão. Suponho que isso significa que ele estava envolvido. Aden corou de raiva novamente e se dirigiu para a camionete, encontrando Dan na porta.

Dan notou sua camisa e franziu o cenho. “O que está acontecendo?”

“Nada.” Um músculo assinalou em sua mandíbula. “Está tudo bem. Eu estou bem.”

Houve uma pausa pesada. “Você tem certeza?”

Ele confirmou.

Dan suspirou, destrancando a porta. Aden deslizou pra dentro, passando para o meio. Pelo tempo que Dan reivindicou o banco do motorista e Shannon o banco do passageiro, ele se sentiu completamente cercado. Graças a Deus eram apenas oito minutos e trinta e três segundo de viagem – não que estivesse contando ou qualquer coisa. Quando eles estacionaram em frente à escola, Dan os encarou.

“Aqui está o almoço de vocês,” ele disse. “Manteiga de amendoim e geléia. Isso terá de servir por hoje. Amanhã, Meg irá empacotar algo melhor. Agora escutem. Estraguem, e vocês estarão fora.”

Ótimo. Eles estavam a ponto de ter a mesma lição de moral que tiveram no shopping.

“Eu não estou brincando,” Dan continuou. “Se vocês fugirem de uma aula, entrarem em uma briga, inferno, se um de seus professores achar que vocês estão olhando atravessado pra eles, irei tirá-los da escola tão rápido que vai fazer a cabeça de vocês girar. Entendido?”

“Sim,” eles disseram em harmonia.

“Bom. Shannon, você tem seu horário e pode se encaminhar para sua primeira aula. Aden, vá para o escritório do diretor. A escola termina as três e é só trinta minutos de caminhada até em casa. Eu darei a vocês quarenta e cinco no caso de ficarem presos por um professor ou alguma coisa, mas se não estiverem em casa nesse horário...”

“Vocês estarão fora,” Aden terminou por ele.

Shannon se afastou da camionete e quando Aden tentou fazer o mesmo, Dan agarrou seu braço. Déjà vu total. Só que Dan não lhe deu outra lição de moral como deu na loja. Ele meramente sorriu. “Boa sorte, Aden. Não me decepcione lá.”

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