Interligados#1 - Capítulo 3

Aden observou enquanto Mary Ann caminhava para longe dele.

“Aqui está o número dela. Se você ainda quiser, aqui está, considerando a grosseria dela,” a garota chamada Penny disse, deslizando um pedaço de papel na frente de Aden. “O segundo número é o meu. No caso de você decidir querer alguém um pouco mais disponível.” Então ela também se levantou e caminhou se afastou dele.

“Obrigado,” ele chamou. Rindo quando colocou o papel no seu bolso. Entretanto, o sorriso não durou muito. Ele não sabia muito sobre garotas, mas sabia que ele deixou Mary Ann Gray desconfortável. Sabia que ela não queria nada com ele.

Ela sentiu o quão diferente ele era? Ele esperava que não, porque isso tornaria impossível convencê-la de passar algum tempo com ele. E ele tinha de passar mais tempo com ela. Falar com ela, conhecê-la. Ela realmente era responsável for seu novo sentimento de paz.

Isso era estranho também. Quanto mais ele estivesse em sua presença, mais ele tinha que lutar com o impulso de correr afastando-se dela. O que absolutamente não fazia sentido. De perto, ela era ainda mais bonita do que ele pensava, bochechas brilhantes, olhos uma mistura de verde com marrom. Ela era esperta, muito capaz de manter sua posição diante de sua amiga. Qualquer outro cara teria gostado de sair com ela, ainda mais quando eles começaram a conversar, primeiro havia experimentado uma onda de afeição, como se ele devesse bagunçar seu cabelo e provocá-la sobre namorados. (como se precisasse de mais uma prova que ele era estranho.) E segundo, que estúpido desejo de fugir para salva sua vida.

Ele não conseguia pensar em nenhuma razão boa o bastante para fugir dela. No momento que ele a localizou no café, as vozes tinham gritado outra vez – ele odiava isso – então ficou quieto outra vez, e ele amava isso.

Como ela fez isso? Ela nem sequer sabe o que fez? Ela não parecia ter consciência, seu bonito rosto inocentemente inconsciente.

Ainda não tinha decidido se ela era a garota das suas visões ou não. Certamente parecia com ela, mas a idéia de beijá-la... Ele fez uma careta.

Só parecia errado. Muito errado. Talvez, com sorte, depois que ele a conhecesse, isso poderia mudar.

Ele se posicionou, encaminhando-se pra casa, tendo o cuidado ficar primeiro na calçada do cemitério, e então na estrada principal. Duas vezes tropeçando sobre o lixo, tropeçando pra frente, e cada ferimento em seu corpo latejava.

UUgghh,, vvaammooss eessttaarr mmaacchhuuccaaddooss hhoojjee aa nnooiittee, Caleb disse.

Sim. Além da dor das contusões existentes, em poucas horas, o veneno começaria a derrubá-lo, o mastigaria e o cuspiria fora.

VVooccêê rreeaallmmeennttee eessttáá ccoommeeççaannddoo aa mmee iirrrriittaarr,, AAdd, Elijah disse repentinamente. EEuu nnããoo ggoossttoo ddaa ccoorrrreennttee ddee aarr oouu oo qquuee qquueerr qquuee sseejjaa iissssoo qquuee nnooss aattiirraa nnaaqquueellee bbuurraaccoo nneeggrroo.

“Me fale sobre isso. Quero dizer, o buraco negro.”

EEssccuurroo,, vvaazziioo,, ssiilleenncciioossoo.. EE aappeennaass ddoo qquuee mmee rreeccoorrddoo,, eeuu ggoossttaarriiaa ddee ssaabbeerr ccoommoo vvooccêê eessttáá ffaazzeennddoo iissssoo.

AA ggaarroottaa.. PPeegguueeii uumm vviisslluummbbrree ddeellaa, Eve disse.

Julian bravejou. UUmmaa ggaarroottaa?? UUmmaa eessttúúppiiddaa ggaarroottaa nnooss eennvviiaa pprraa lloonnggee?? CCoommoo??

“Ela é aquela com quem tenho sonhado, Elijah?” Duh. Ele deveria ter perguntado antes.

EEuu nnããoo sseeii.. NNããoo aa vvii.

Oh.

BBeemm,, eeuu nnããoo aa vvii,, ee eessttoouu cceerrttaa ddee qquuee aa ccoonnhheeççoo.. TTeemm aallgguummaa ccooiissaa ffaammiilliiaarr nneellaa. Eve pausou, claramente pensando nas coisas. Ela deu um suspiro de frustração. EEuu ssiimmpplleessmmeennttee nnããoo sseeii oo qquuee éé eexxaattaammeennttee ffaammiilliiaarr.

Os outros nunca viram as imagens que Elijah projetava em sua cabeça. Só Aden via. Então Eve não poderia tê-la visto nas visões. “Só estamos aqui há poucas semanas e não deixamos o rancho até hoje. Não encontramos ninguém além do Dan e dos outros escórias.” Escórias, como ele chama os outros adolescentes “rebeldes” do D e M.

EEuu jjuurroo.. EEuu aa ccoonnhheeççoo.. DDee aallgguummaa ffoorrmmaa.. EE eellaa ppooddeerriiaa tteerr vviivviiddoo eemm aallgguummaa ddaass cciiddaaddeess ppaarraa oonnddee ffoommooss eennvviiaaddooss.

“Você tem razão...” percebendo que ele podia ser pego falando consigo mesmo, Aden procurou ao redor, tendo certeza que ninguém estava dentro de uma distância audível. Ele teria pensado em sua resposta, mas havia um fluxo constante de ruídos em sua cabeça que as almas tinham dificuldade em distinguir suas palavras de todo o resto.

Ele estava do lado de fora, o sol finalmente começava a desaparecer, o rancho no horizonte. Era uma extensa estrutura de madeira vermelho escuro rodeado de moinhos, uma plataforma de petróleo e uma iminente cerca de ferro fundido. As vacas e os cavalos pastavam ao seu redor. Grilos cantavam. Um cão latia. Este não era o tipo de lugar que imaginou viver, e ele estava estão tão longe de ser um vaqueiro quanto uma pessoa pode estar, mas achava que gostava de espaços abertos mais do que edifícios fechados da cidade.

E no fundo ficava o celeiro, bem como um barracão onde ele e os outros escórias dormiam. Geralmente eles podiam ser encontrados do lado de fora com o tutor deles, Sr. Sicamore, ou embalando feno, cortando e despejando estrume em um carrinho de mão para fertilizantes. As tarefas foram criadas para ajudá-los a “aprender a importância do trabalho duro e responsabilidade.” Só lhes ensinou a odiar o trabalho, se você perguntasse a Aden.

Felizmente hoje era o dia de folga de todos. À medida que ele passava pelo portão, não havia ninguém por ali.

“Você tem razão ela poderia ter morado em uma cidade diferente ao mesmo tempo em que eu, embora as probabilidades sejam muito ruins. Ainda assim, eu prometo a você, nunca a vi, a vi realmente, até hoje.” Aden disse, retomando sua conversa de onde tinha parado. Se ele e Mary Ann haviam se cruzado antes, teria experimentado aquele doce silêncio. Que não é uma coisa que ele teria esquecido.

Caleb riu, embora houvesse um lado afiado em sua diversão. VVooccêê mmaannttéémm ssuuaa ccaabbeeççaa aabbaaiixxaaddaa ee sseeuuss oollhhooss aauusseenntteess eemm ttooddoo lluuggaarr qquuee vvaaii.. VVooccêê ppooddeerriiaa tteerr eennccoonnttrraaddoo ssuuaa mmããee ee nnããoo ssaabbeerriiaa ddiissssoo.

Verdade. “Mas eu estive sendo arrastado de uma instituição mental para outra, e até mesmo no reformatório, onde garotas não são permitidas. Esta é a primeira vez que eu realmente estive em público, não importando em que cidade eu estivesse. Onde eu poderia tê-la encontrado?”

O suspiro entrecortado de Eve deriva através de sua cabeça. EEuu nnããoo sseeii.

EEuu aaiinnddaa aacchhoo qquuee vvooccêê ddeevveerriiaa ffiiccaarr lloonnggee ddeellaa, Elijah disse solenemente.

“Por quê?” o vidente já tinha adivinhado a morte de Mary Ann e agora esperava salvá-lo do sofrimento da perda? Aden travou uma onda de terror. Quando Elijah dizia a ele quando e como uma pessoa iria morrer, aquela pessoa morria, exatamente como Elijah havia dito. Sem exceções. “Por quê?” ele engrossou a voz de novo.

SSiimmpplleessmmeennttee...... PPoorrqquuee......

“Por quê?” ele insistiu, a pergunta mais dura do que pretendia. Ele precisava de uma boa razão ou ele a perseguiria na primeira oportunidade. Qualquer coisa por outra prova daquele silêncio.

BBeemm,, ppeessssooaallmmeennttee nnããoo ggoossttoo ddee ccoommoo mmee ssiinnttoo iimmppootteennttee qquuaannddoo vvooccêê eessttáá ppeerrttoo ddeellaa, Julian disse.

“Elijah?” Aden insistiu.

EEuu ssóó nnããoo ggoossttoo ddeellaa, o vidente se queixou. TTuuddoo bbeemm?? FFeelliizz aaggoorraa??

Sem morte iminente então. Graças a Deus.

Aden tropeçou em um dos cães de Dan, Sophia, uma Border collie preto e branco, enroscada em torno de seus tornozelos, latindo por atenção. Ele acariciou sua cabeça e ela continuou a dançar ao redor dele. Enquanto ele estava ali, uma idéia lhe passou pela cabeça. Não falou disso, não ainda. Mas disse, “Bem, eu gosto dela, e quero – preciso passar mais tempo com ela.”

EEnnttããoo vvaaii tteerr qquuee eennccoonnttrraarr uumm jjeeiittoo ddee nnooss lliibbeerrttaarr, Elijah disse. MMaaiiss tteemmppoo nnaaqquueellee bbuurraaccoo nneeggrroo ee vvoouu eennlloouuqquueecceerr.

“Como?” eles tinham tentado milhares de formas diferentes. Exorcismo, feitiços, orações. Nada adiantou. E com a sua própria morte se aproximando, ele estava ficando desesperado. Não só pela paz que isso daria a ele pelos últimos anos – Meses? Semanas? – de sua vida, mas porque não queria que seus únicos amigos morressem com ele. Queria que eles tivessem suas próprias vidas. Vidas que eles sempre ansiaram.

DDiiggaammooss qquuee eennccoonnttrraammooss uumm mmooddoo. Eve pausou. NNóóss eennttããoo pprreecciissaammooss ddee ccoorrppooss,, ccoorrppooss vviivvooss,, oouu tteemmoo qquuee vvaammooss sseerr ttããoo sseemm ssuubbssttaanncciiaass ccoommoo ooss ffaannttaassmmaass..

VVeerrddaaddee.. MMaass ccoorrppooss nnããoo ssããoo ccooiissaass qquuee ppooddeemmooss ppeeddiirr oonnlliinnee, Julian disse.

AAddeenn eennccoonnttrraarráá uumm jjeeiittoo. Caleb respondeu confiante.

Impossível, Aden queria dizer, mas não disse. Nenhuma razão para destruir a esperança deles. Quando se aproximou da casa principal, murmurou, “Terminamos essa conversa depois,” uniu seus lábios. Todas as luzes estavam desligadas, sem pés arrastando e panelas ecoando. Silêncio. Sem dizer quem se escondia aonde.

Ele bateu na porta da frente. Esperou um momento. Bateu de novo. Esperou ainda mais. Ninguém apareceu. Seus ombros afundaram em decepção. Realmente queria falar com Dan e colocar suas idéias ainda não ditas em ação.

Suspirado, ele fez a viajem para o celeiro. Sophia latiu e finalmente saiu correndo. Dentro, a cálida brisa fresca morreu, engrossando o ar com a poeira. Ele iria tomar uma ducha, se trocar, talvez pegar alguma coisa para comer, então voltar para a casa. Se Dan não voltasse até então, teria que esperar até a próxima semana para falar com ele. Não tinha esquecido que o veneno mesmo agora, estava nadando através de suas veias estaria começando a espancá-lo nas próximas horas, ao ponto em que ele não seria nada bom para ninguém.

Esta era só a calma antes da tempestade.

Havia murmúrios de vozes ao fundo, e Aden tentou ir na ponta dos pés para seu quarto. Mas um piso rangeu, e um segundo depois, uma voz familiar chamou, “Ei, esquizo. Vem aqui.”

Ele parou, olhando para as fissuras das vigas de madeira que sustentam o teto e ficou se perguntando se deveria escapar. Ele e Ozzie nunca tinham chegado tão longe. Talvez porque cada palavra que saia da boca do cara fosse um insulto. Mas ainda assim. Mais uma briga, verbal ou de qualquer jeito, e ele seria expulso. Ele já foi advertido.

“Ei, esquizo. Não me faça ir atrás de você.”

Um círculo de risadas.

Então as ovelhas de Ozzie estavam ali também.

DDeeiixxaa pprraa lláá.. EEuu nnããoo ppoossssoo lliiddaarr ccoomm oouuttrraa bbrriiggaa hhoojjee, Julian disse.

AAffaassttee--ssee ee eelleess ppeennssaarraamm qquuee vvooccêê éé ffrraaccoo. O pronunciamento veio de Elijah, portanto tem uma grande chance de ser verdade. EEnnttããoo vvooccêê nnuunnccaa tteerriiaa uumm mmoommeennttoo ddee ppaazz.

EErrrraaddoo.. VVáá ppaarraa fflloorreessttaa ee vvooccêê ppooddee tteerr ppaazz aaggoorraa mmeessmmoo, Caleb disse. AAlléémm ddoo mmaaiiss,, vvooccêê nnããoo ppooddee lluuttaarr ccoomm eelleess nnaa ssuuaa ccoonnddiiççããoo.

AAppeennaass aaccaabbee ccoomm iissssoo. A determinação de Eve fez sua voz áspera. DDoo ccoonnttrráárriioo nnooss pprreeooccuuppaarreemmooss eemm sseerrmmooss eemmbboossccaaddooss ttooddaass aass nnooiitteess.. EE ddooeennttee ccoommoo vvooccêê vvaaii eessttaarr,, nnããoo pprreecciissaa ddiissssoo eemm ssuuaa mmeennttee.

Apertando os dentes, seguiu para seu quarto, jogou sua mochila e então cruzou o corredor até o quarto de Ozzie.

VVooccêê sseemmpprree eessccuuttaa aa EEvvee, Julian resmungou.

PPoorrqquuee eellee éé iinntteelliiggeennttee, Eve disse.

PPoorrqquuee eellee éé uumm aaddoolleesscceennttee ee vvooccêê éé ddoo sseexxoo ffeemmiinniinnoo, Caleb murmurou.

VVooccêê nnuunnccaa ssee qquueeiixxoouu ssoobbrree mmeeuu sseexxoo ffeemmiinniinnoo aanntteess.

Quando Aden apareceu na porta, um sorridente Ozzie olhou pra ele de cima a baixo. O sorriso tornando-se uma careta. “O que você anda fazendo? Dando uns amassos com o aspirador de pó já que ninguém está desesperado o bastante pra realmente tocar em você? Ou talvez você e aqueles seus amigos invisíveis se pegaram. Era um cara ou uma garota dessa vez?”

O resto dos escórias sorriram.

“Era uma garota,” Aden disse. “Ela acabou de deixar você, então estava desesperada o bastante.

“Queimado,” os outros escórias riram.

Ozzie ficou calado. Seus olhos estreitados.

Ozzie vive aqui há um pouco mais de um ano, o que é muito mais do que qualquer um. Pelo que Aden entendeu, ele foi preso por drogas e roubos em mais de uma ocasião e seus pais finalmente tinham desistido dele.

“Vou dá o fora daqui,” Aden disse.

“Fique exatamente ai.” Ozzie levantou um meio cigarro de maconha. Seu cabelo loiro estava espetado, como se ele tivesse enrolado as mãos neles por muito tempo. “Você vai dar um trago. Você precisa de ajuda com sua loucura.”

Mais risadas.

“Não obrigado.” Ele não precisava de “usuário drogas” adicionado a sua já – longa ficha.

“Eu não estou te perguntando,” Ozzie rosnou. “Fume. Agora.”

“Não. Obrigado.” Aden estudou o quarto. Era uma imagem exata do seu. Paredes brancas comuns, um beliche com edredom de tom café em cima e em baixo, um armário e uma mesa. Nada mais. Sem papéis de parede colados ou fotografias emolduradas. Para ajudá-los a esquecer do passado e se concentrar no futuro, Dan gosta de dizer sobre a falta de adereços. Aden suspeitava que fosse porque os escórias chegavam e saiam muito rápido.

“Vamos lá, ho-homem. Só fa-faça isso.” Shannon, negro e mais alto de todos, descansava entre as almofadas que estavam espalhadas no chão. Seus olhos verdes estavam avermelhados, um deles inchado. De uma recente briga? Provavelmente. Geralmente, ele gaguejaria, os escórias ririam dele, e ele atacaria. Porque ele ainda escolhe andar com eles, Aden não sabia. “Vo-você pode esquecer o lo-louco que você é.”

Seth, Terry e Brian assentiram em acordo. Os três poderiam passar por irmãos. Cada um tinha cabelo preto, olhos escuros e rostos juvenis semelhantes. No entanto, seus estilos individuais se distinguem. Seth tinha grossas listras em seu cabelo e uma cobra tatuada no interior de seu pulso. Terry usava o cabelo comprido e despenteado e vestia roupas folgadas. Brian era todo tranqüilo e civilizado.

Dizer não outra vez era difícil. Especialmente quando isso ajudaria a aliviar a dor que ele sabia que estava vindo. Mas ele disse. Se ficasse chapado, esqueceria mais do que quem ele era; poderia esquecer de falar com Dan. E ele tinha que falar com Dan. Se Dan concordasse com o plano de Aden, Aden poderia ver muito mais Mary Ann.

Com esse tipo de incentivo, abriria mão de qualquer coisa, de tudo.

“Como quiser, homem.” As bochechas de Ozzie esvaziaram quando ele inalou, e a fumaça flutuou em volta do seu rosto. “Eu sabia que você era patético.”

Nenhuma reação. “Onde está Ryder?” O sexto membro do bando deles.

“Dan encontrou uma trouxa no quarto dele – vazia, claro, ou ele já estaria fora – e o levou para a cidade pra fazer teste de drogas,” Seth disse. “Eles ficarão fora por horas. Por isso a festa.”

“Festas são como bolinhos,” Terry disse com um sorriso.

Uh, o quê?

“Não, festas são como urinando em um copo,” Brian disse e todos caíram na gargalhadas como se fosse a piada mais engraçada que já ouviram.

Ele tinha sido assim estúpido as poucas vezes que ficou chapado? Aden se perguntou.

De repente uma batida soou na porta da frente, seguido por rangidos de dobradiças.

“Estamos de volta,” Ryder chamou nervosamente. Ele deveria saber o que eles estavam fazendo.

“Fora por horas, huh?” Aden disse.

Ozzie amaldiçoou e se mexeu para esconder o cigarro de maconha, jogando dentro de um recipiente de metal. Ele fechou a tampa para conter a fumaça.

Seth pegou uma lata de aromatizante e jogou spray em volta. Terry jogou as almofadas de volta na cama. Brian se mexeu ao redor, procurando um jeito de sair. E Shannon permaneceu em seu lugar, descansando a cabeça nas mãos levantadas. Então Ryder caminhou para dentro do quarto, cabelo vermelho nas pontas, seus lábios torcidos em uma careta.

Dan estava bem atrás dele. Parou na entrada ao lado de Aden, polegares enganchados em seu cinto, boné de baseball na cabeça. Desaprovação nublou profundamente suas feições bronzeadas quando ele cheirou o ar.

“Estou tentando salvar a vida de vocês, garotos. Vocês sabem disso, não sabem?”

Alguns dos escórias abaixaram o olhar para o pé em vergonha. Ozzie apenas riu. Ninguém falou.

“Terminem de limpar e então eu quero que vocês façam algo de útil. De fato, cada um de vozes pegará um livro da caixa que eu dei a vocês na semana passada e leram pelo menos cinco capítulos. Vocês irão me dizer o que leram amanhã de manhã no café.”

Gemidos irromperam.

“Nada disso agora.” Dan estudou cada um de seus rostos, um por um. Quando ele encontrou Aden, picou de surpresa, como se não tivesse percebido que Aden estava ali. “Vamos dar uma volta,” ele disse. Não esperou pela resposta de Aden, mas marchou para fora do celeiro, a porta batendo atrás dele.

“Conte a ele onde é meu esconderijo,” Ozzie grunhiu para ele, “e eu irei cortar sua língua.”

“Tente,” Aden disse, e girou em seus calcanhares.

VVooccêê ttiinnhhaa qquuee ddeessaaffiiáá--lloo?? Eve perguntou, claramente frustrada.

“Sim.” Ele não reagia bem a ameaças.

Do lado de fora, o ar limpo o envolveu outra vez, ele respirou profundamente. O sol desapareceu mais um pouco, lançando uma nuvem sombria ao redor dele. Isso fazia um contraste perfeito em seu humor repentinamente brilhante. Pela primeira vez e quem sabe pra sempre, Aden estava esperançoso de que sua vida poderia mudar para melhor.

Dan estava a alguns passos à frente, caminhando em direção ao pasto norte, e Aden correu para alcançá-lo. Embora Aden seja um pouco maior que 1.82 m, Dan elevava-se sobre ele.

Algumas vezes na semana passada, quando Aden pensava que ninguém dentro de sua cabeça prestava atenção, ele fingia que Dan era seu pai. Eles certamente aparentavam como se pudessem ser parentes. Ambos tinham cabelos claros. (quando Aden não os tingia pra parar com as piadas de loiros), lábios quase cheios demais para um garoto e queixo quadrangular. Quando ele se deu conta do que estava fazendo, pensando, se forçou a parar. Surpreendentemente, parar o deixou deprimido.

Como seu verdadeiro pai parecia? Aden não tinha nenhuma foto. Não tinham sequer memória dele. A única coisa que sabia sobre o homem era que ele tinha dado Aden. O que significa que ele também considerou Aden uma aberração. Pelo menos Dan não o tratava como uma criança mentalmente instável que precisava de confinamento.

“Vamos direto ao coração do problema, de acordo?” Dan disse quando Aden se aproximou dele. Ele tirou o boné para ter uma melhor visão da terra. “O que você esteve fazendo hoje?”

Aden engoliu em seco. Ele esperava essa pergunta, até mesmo planejou sua resposta. Mas a única palavra que forçou a sair de sua boca foi, “Nada.” Odiava mentir para Dan, mas isso não podia ser evitado. Quem acreditaria que ele estava lutando com cadáveres?

“Nada, huh?” Dan levantou uma sobrancelha em descrença. “Nada é a razão de seu rosto está sujo de lama e seu pescoço com marcas de mordidas? Nada é a razão de você ter sumido o dia todo? Você sabe que tem que me manter informado.”

“Eu deixei um bilhete pra você, eu estava explorando a cidade.” Aí está. Verdade. Ele estava explorando. Não era sua culpa esbarrar com mortos-vivos. “Eu não fiz nada ilegal ou machuquei alguém.” De novo, verdade. Não existia lei contra matar pessoas que já estavam mortas, e você não podia ferir um cadáver. “Você tem minha palavra.”

Dan pegou um palito de dente do bolso de sua camisa e colocou entre os dentes. “Explorando no seu dia de folga está tudo bem, até mesmo incentivo, se primeiro você ganhar minha permissão. Você não ganhou. Eu teria te dado meu celular, assim poderia entrar em contato com você se necessário. Mas você não me deu oportunidade. Largou um bilhete no meu balcão da cozinha e se mandou. Eu poderia ligar para o seu assistente social e fazer você ser pego por isso.”

Seu assistente social, Sra. Killerman, era a razão de Aden estar aqui. Ela era diabolicamente velha, provavelmente trinta e tantos como Dan, e surpreendeu Aden com, bem, frieza. Ela foi designada para ele quando ele estava se consumindo na última instituição. Ele tinha um tutor, claro, mas na era capaz de deixar a área.

Ele reclamou. Quando Killerman lhe falou sobre o D e M e colocou um pedido para sua admissão, ficou chocado. E quando finalmente surgiu uma vaga, ficou muito feliz. Pensar que agora podia perder este lugar que antes temia. Sem Dan sequer ver o cemitério dizimado...

“Aden. Você está me ouvindo?” Dan perguntou. “Eu disse que eu podia ligar para o seu assistente social por causa disso.”

“Eu sei.” Ele espiou Dan, cujas feições estavam escondidas na sombra. “Você vai?”

Silêncio. Silêncio mortal.

Em seguida Dan estendeu a mão e despenteou o seu cabelo. “Não dessa vez. Mas nem sempre sou generoso, está me entendendo? Eu acredito em você, Aden. Eu quero coisas boas pra você. Mas você tem que obedecer minhas regras.”

O gesto foi inesperado, as palavras maravilhosamente surpreendentes. Eu acredito em você. Algo queimava em seus olhos. Aden recusou a acreditar que eram lágrimas, mesmo quando seu queixo começou a tremer. Podia existir uma garota dentro de sua cabeça, mas ele não era um fraco.

“Você ainda está tomando seus medicamentos?” Dan perguntou a ele.

“Sim. Claro.” Uma mentira. Verdade, meias-verdades ou mesmo omissões não iriam funcionar desta vez. Para Dan, admitir que ele jogava suas pílulas no vaso sanitário poderia ser pior do que escapar para a cidade. Além do mais, ele não precisa de pílulas. Elas o deixam fraco, cansado, sua mente confusa. No qual estava começando a sentir de todo o modo, percebeu, balançando quando uma onda de tontura o atingiu. Estúpido veneno de cadáver. Ainda assim, com a tontura chegando veio um sentido de urgência. “Na verdade eu estava procurando você quando voltei. Eu... Eu...” Faça. Apenas diga. Coloque pra fora. “Eu quero ir pra escola pública. Crossroads High.” Ai está. Feito. Não poderia retirar as palavras.

A testa de Dan franziu. “Escola pública? Por quê?”

Só havia uma explicação que soasse aceitável. “Eu nunca estive próximo do normal, no meio de garotos da minha própria idade, e eu acho que isso seria bom pra mim. Eu poderia observá-los, interagir com eles, aprender com eles. Por favor. Eu não perdi nenhuma seção de terapia desde que cheguei aqui. Duas vezes por semana. Dra. Quine acha que eu estou indo bem.” Dra. Quine era a última a tentar consertá-lo. Aden realmente gostava dela; ela parecia se importar com ele de verdade.

“Eu sei. Ela me mantém informado.”

Razão pela qual Aden vigiava tão bem suas palavras quando estava próximo a bem-intencionada doutora. Outra onda de tonturas o atingiu, e ele esfregou as têmporas. “Se você só ligar para a Sra. Killerman, ela pode assinar os papéis necessários e eu posso ir para a aula na próxima semana. Eu só terei perdido o primeiro mês, e estarei começando minha nova, vida normal. Uma vida que você disse que queria pra mim.”

Dan nem sequer tirou um momento para pensar sobre isso. “Bom em teoria, mas... Não importa o que você diga a Dr. Quine, você ainda tem conversado com você mesmo. Não tente negar, porque eu ouvi você está manhã. Você olha fixamente para o nada por horas, desaparece, e mesmo que eu acabe de encontrar você com os outros garotos, você estava tenso e irritado, então sei que você não fez amizade com eles. Me desculpe, garoto, mas minha resposta é não.”

“Mas...”

“Não! Esse é meu veredicto final. Com o tempo, talvez.”

“Eu não fiz amizade porque ninguém aqui está interessado.”

“Talvez você não esteja se esforçando o suficiente.”

As mãos de Aden estavam apertadas do seu lado, uma nevoa vermelha nublando sua visão. Ele não sabia se era por causa do veneno ou de sua raiva. Talvez ele não esteja se esforçando o suficiente, mas porque deveria se importar? Ele não queria fazer amizade com Ozzie e suas ovelhas.

“Eu sei que você está aborrecido, mas isso é o melhor. Se você machucar um dos estudantes, seria preso, sem mais chances. E como eu disse, eu não quero isso pra você. Você é um bom garoto e tem muito potencial. Vamos dar a oportunidade de alcançar esse potencial e brilhar. Ok?”

Algo da raiva de Aden desapareceu. Como não poderia, com um rosto de bondade de Dan? No entanto, sua determinação só fortaleceu. Ele tinha que freqüentar essa escola, tinha que passar mais tempo com Mary Ann. Sim, ele poderia ‘acidentalmente’ encontrar-se com ela na cidade, mas até quando? Com que freqüência? Escola era uma sessão de cinco dias por semana, sete horas por dia. Lá, ele teria uma melhor oportunidade de aprender sobre ela, sobre como ela, bem, temporariamente consertava ele.

E, durante aquelas benditas sete horas, ele teria paz. Por isso, faria qualquer coisa. Inclusive... Engoliu em seco, não gostando aonde os pensamentos terminavam.

“Você tem certeza?” ele perguntou, dando a Dan uma última chance.

“Muita.”

“Ok, então.” Aden escaneou o pasto, então olhou de relance para trás dele, para medir o quão bem as escórias poderiam vê-lo do celeiro se eles estivessem assistindo da janela. Uma visão direta. Isso era um infortuno, mas não podia ser evitado. Com sorte, se eles estivessem assistindo, poderiam assumir que a droga que acabaram de fumar estava causando alucinações.

Você realmente vai fazer isso? Ele se perguntou. Um Milhão de coisas poderia dar errado. Pessoas poderiam descobri a extensão de suas habilidades, decidindo testá-lo, trancá-lo para sempre. Um tremor deslizou por sua espinha, e ele nervosamente lambeu os lábios. Sim. Sim, ele faria. Não tinha outro jeito, o resultado era muito importante.

EEuu sseeii oo qquuee vvooccêê eessttáá ppllaanneejjaannddoo AAddeenn ee iissssoo nnããoo éé uummaa bbooaa iiddééiiaa. Se Caleb possuísse um corpo próprio, ele estaria pressionando os ombros de Aden e sacudindo. NNaa vveerrddaaddee,, éé uummaa ppééssssiimmaa iiddééiiaa.. EEuu nnããoo pprreecciissoo sseerr uumm vviiddeennttee ppaarraa ssaabbeerr ddiissssoo.

Da última vez que fez algo como isso, passou uma semana na cama, frio, tremores, medo de cada ruído, cada toque contra sua pele era muito para suportar. E com a toxina mesmo agora viajando através dele, as conseqüências poderiam ser mil vezes pior.

AAddeenn, Eve começou, uma lição de moral claramente iminente.

“Desculpe, Dan,” Aden disse... Justo antes de passar para dentro do corpo de Dan.

Ele gritou da dor agonizante pela transformação de massa sólida para neblina irrelevante, na qual se tornou a causa do grito de Dan. Eles caíram de joelhos, tontos. Cores estavam borradas juntas, o verde da grama com o marrom das vacas, o vermelho brilhante do trator com o amarelo do trigo. Ele estava ofegando, suando, seu estômago ameaçando em revolta.

Respiração profunda pra dentro, respiração profunda pra fora. Alguns minutos se passaram antes que ele encontrasse o centro da gravidade. A dor diminuindo, mas só ligeiramente.

AAggoorraa vvooccêê vvaaii ee ffaaççaa iissssoo, Caleb rosnou.

“Ele não se lembrará disso.” Era estranho, sabendo que estava falando, mas ouvindo uma voz diferente saindo. “Nós vamos ficar bem.” Ele esperava.

BBeemm,, ffaaççaa oo qquuee vvooccêê tteemm ddee ffaazzeerr ee ddêê oo ffoorraa ddaaqquuii, Julian disse. DDeeuuss,, ààss vveezzeess eeuu nnããoo aaccrreeddiittoo eemm vvooccêê.

Elijah se queixou. SSee aallgguuéémm sseeqquueerr ddeessccoobbrriirr qquuee vvooccêê éé ccaappaazz ddee ffaazzeerr iissssoo......

“Eles não irão.” De novo, ele esperava. Aden forçou a mão de Dan a entrar em seu bolso e remover o celular, como se o corpo fosse dele mesmo. A mão estava tremendo, mas ele controlou para rolar através da agenda de endereços e encontrou Tamera Killerman. O número dela estava em discagem rápida.

Engolindo em seco, nervoso, Aden conectou os números.

“Alô?” sua assistente social atendeu depois de três toques.

VVooccêê aaiinnddaa ppooddee iirr eemmbboorraa,, qquueerriiddoo.. VVooccêê nnããoo tteemm qquuee ffaazzeerr iissssoo,, nnããoo tteemm qquuee ccoorrrreerr oo rriissccoo ddee sseerr ddeessccoobbeerrttoo.

“Oi, Sra. Killerman.” Experimentando mais do que tonturas, mais do que agitação em seu estômago. Concentre-se. “Aqui é Ad... Dan Reeves.”

Uma pausa. Uma risada.

Uma risada? Da calma e controlada Killerman? Ele a conhecia a mais de um ano, ainda que ela raramente sorria. Aden piscou em surpresa.

“Sra. Killerman, é?” Havia uma qualidade sem fôlego na voz dela que fez o estômago de Aden coagular. “Ontem você me chamou de coração.”

“Eu...uh...”

“Então como você está, baby, e quando vou conseguir vê-lo de novo?”

Baby? Porque ela iria... Compreensão estalou dentro dele, e ele franziu o cenho, quase superado com decepção e raiva. Dan era casado. Dan só deveria ser chamado de ‘baby’ por sua esposa. Uma esposa que Aden gostava. Meg Reeves cozinhava comidas maravilhosas, tinha um sorriso para todo mundo e nunca o repreendeu. Ela ainda cantarolava quando limpava a casa.

Só então, Aden queria entrar nas memórias de Dan; queria saber por que um homem trairia uma mulher maravilhosa. Mas leitura da mente parecia ser a única habilidade que ele não possuía. Não importa. Termine o que você começou antes de ficar muito doente. “Escute, Sra. Killerman. Eu quero inscrever Haden Stone na escola local. Crossroads High.”

“Haden?” Choque jorrava dela agora, e Aden imaginou seu rosto bonito apertar-se em confusão. “O esquizofrênico? Por quê?

Seus dentes rangeram em irritação. Eu não sou esquizofrênico!

“Interação com outros estudantes faria bem para mi... ele. Além do mais, no curto período de tempo em que esteve aqui, ele melhorou tanto que eu nem tenho certeza do porque ele está aqui.” Foi muito?

“Isso é ótimo, mas você tem certeza que ele está pronto? Quando nos falamos ontem você disse que ele estava progredindo lentamente.”

Ele disse, ele disse? “Ontem eu não estava falando sobre o Aden. Eu estava falando sobre Ozzie Harmon.” Toma essa, escória. “Aden está totalmente pronto.”

“Totalmente?” ela deu uma risada de novo. “Dan, está tudo bem com você? Você soa um pouco... Eu não sei, o oposto de você mesmo.”

Ele balançou, mal se segurando. “Estou bem. Só cansado. De todo o jeito, se você puder enviar a proposta pra mim, eu realmente apreciaria isso.” Certamente isso era algo que Dan diria. “Ok?”

“Ok. Eu acho. Mas você ainda quer que Shannon Ross ingresse em Crossroads também?”

Shannon? Por que Shannon? E por que ninguém havia dito? “Sim. Falo com você depois.” Ele adicionou antes que ela pudesse fazer mais perguntas. “Baby.”

Click.

Durando um longo tempo, Aden encarou o telefone, com dificuldade para respirar, os tremores intensificando-se. Felizmente, Sra. Killerman nunca ligou de volta.

Mais tarde, quando Dan estivesse sozinho, se lembraria da conversa com Aden, mas pensando que fez a chamada telefônica por sua própria vontade. Ele se perguntaria pelos seus motivos, mas não recordaria do modo como Aden passou para dentro dele. Eles nunca lembravam. Talvez porque suas mentes não processavam isso. Talvez porque Aden levava essa memória com ele.

De qualquer maneira, ele se perguntou se Dan ligaria de volta para Killerman e diria a ela que mudou de idéia. E poderia Killerman seguir adiante com sua promessa de enviar as coisas na proposta?

Só o tempo poderá dizer.

Agora tudo o que Aden podia fazer era esperar. Isso, e se curar, pensou, quando ele e Dan se curvaram e vomitaram. Ótimo. Sua batalha com o veneno estava finalmente começando.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Interligados#1 - Capítulo 23

Aden Stone e a Batalha Contra as Sombras

Harry Potter e o Cálice de Fogo - Capítulo 37