Interligados#1 - Capítulo 24

Naquela noite, Riley ficou com Mary Ann. Mesmo sua janela estando trancada, podia ouvir os lobos uivando do lado de fora enquanto eles vigiavam. Apesar dos graves acontecimentos do dia, falavam e riam, inclusive se beijaram de novo. Só quando o sol apareceu os uivos acalmaram, e só então ela ficou a beira do sono.

Quando acordou, o sol ainda brilhava e Riley ainda estava ao seu lado. Seus pensamentos imediatamente voltaram para os lobos, como se sua mente estivesse simplesmente esperando que despertasse para continuar. Ela não tinha certeza que a presença deles era uma boa coisa. Ontem a noite, o noticiário deu destaque a história do Sr. E Sra. Applewood e como tinham sido assassinados por “animais selvagens.” Os irmãos dele – tanto por sangue, como por circunstâncias – poderiam ser caçados e baleados pelos moradores que quisessem proteger seus entes queridos.

“Vlad assegurou-se de que soubessem como se cuidar,” ele disse, como se lesse a mente dela. Talvez tenha lido. Não sabia que cor era sua aura neste momento. “Além do mais, eles uivaram para me avisar que pegaram um duende.”

Ok. Ela não sabia disso. “Quantos uivos houve?” Ela tinha perdido a conta.

“Vinte e oito.”

Uau. “E exatamente quantos duendes estão aí fora?”

“Como os lobos, eles correm em bandos o que torna difícil dizer.”

Ela se aconchegou mais perto dele, batimentos do coração dele batendo contra seu ouvido. “Talvez os duendes comam as bruxas.”

“Talvez.” Ele não parecia convencido de que isso pudesse acontecer.

Fez ela se perguntar quão realmente poderosas eram as bruxas. E se esse poder era de fato uma boa coisa. Se as bruxas morressem, mesmo assim seu feitiço não morreria com elas, Aden não seria capaz de assistir a reunião. Ela, Riley e Victoria iriam morrer assim mesmo.

Essa linha de pensamento a fez dar uma careta. Isso estava mais além da confusão e surrealismo. Ela não se sentia amaldiçoada. Não se sentia como se houvesse uma faca flutuando sobre sua cabeça, pronta para atacá-la.

“Neutralizo os poderes de Aden, então por que não neutralizei o feitiço das bruxas?”

“Eu neutralizo sua neutralização, lembra-se? Ou talvez aumento os poderes dele. Eu ainda não sei. De qualquer maneira, acho que isso significa que devemos permanecer juntos,” ele disse, obviamente tentando deixar mais leve o humor.

“Gosto como você pensa.” Porque ela queria estar com ele. Muito. “Realmente vamos morrer se Aden faltar à reunião das bruxas?”

Riley beijou sua testa. “Não se preocupe. Não deixarei que nada aconteça a você.”

Embora ele tenha deixado de lado a questão, sua evasiva respondeu suficientemente bem. Sim, eles morreriam. Ela traçou um X sobre o coração dele. “Alguma vez foi amaldiçoado antes?”

Ele assentiu relutantemente.

“Conte-me sobre isso. Por favor.”

A princípio, não respondeu e ela pensou que pretendia ignorá-la. Então ele suspirou. “Faz alguns anos eu... namorei uma bruxa. Quando tentei acabar, ela ficou furiosa e me amaldiçoou – assim como os meus irmãos também. Até o dia em que morrermos deveríamos parecer incrivelmente bonitos a todos a quem consideramos amigos.”

“Uh, isso não soa como uma maldição.”

“Isso porque é só o começo da maldição. Qualquer pessoa que consideramos mais que um amigo, alguém que nos sentimos atraídos ou queremos namorar, pareceríamos simples, até mesmo feios.”

“Eu não acho você feio.” Ou simples. Ele a fazia ficar sem fôlego. E sabia que ele a achava atraente. Ele a beijou, ele disse que a desejava. “A maldição deixou de funcionar.”

“Você é capaz de me ver como verdadeiramente sou, porque morri e a maldição foi quebrada.”

“Você mo-morreu? Como? Como está aqui comigo então?”

As mãos dele acariciavam subindo e descendo por suas costas. “Eu foi drenado por uma fada tentando chegar a Victoria. E exatamente como sua medicina moderna pode trazer as pessoas de volta dos mortos, então, também pode conosco. Fui trazido de volta. Mas porque morri, a maldição foi quebrada. O mesmo não aconteceu com meus irmãos, inocentes em tudo isso.” A culpa se apossou de sua voz. É evidente que ele se sentia responsável pela dor deles. “Eu gostaria que eles pudessem morrer e serem ressuscitados como eu fui, mas como a sua medicina, a nossa não é uma garantia. Existe a possibilidade de que eles não possam ser ressuscitados. Então estão presos, sem atrativos para todas as mulheres que eles desejam.”

Que terrível. Ela iria queria ficar com Riley se ele fosse sem atrativo para ela? Sim, pensou. Ela gostava dele, mesmo na forma de lobo. Gostava de sua força e sua intensidade. “Nada mais vai libertá-los?”

“Não. Uma maldição, uma vez pronunciada, é inquebrável. Mesmo pela bruxa que a pronunciou. Adquire vida própria, seu único propósito é fazer cumprir as palavras que a trouxe para a existência.”

Então não havia esperanças para eles. Qualquer garota que eles desejassem se afastaria em repulsa. E era verdade que não poderia quebrar o feitiço que a envolvia também. “Coitados.” Coitado de mim. Coitado de nós.

Ele riu com verdadeiro humor. “Não os deixe ouvir você dizer tal coisa. Eles depreciam piedade.”

Enquanto ele dizia, ela pensou. Ele era completamente capaz e não queria que ela ou qualquer um pudesse vê-lo de outra maneira. De fato, ele escondeu seus medos tão bem, que quase podia acreditar que não tinha nenhum. Quase. Mas ela tinha visto sua expressão quando as bruxas primeiramente se aproximaram deles. Percebeu seu tormento sobre o gélido futuro de seus irmãos.

“Ele encontrarão o amor algum dia. Eu sei disso.”

“Espero que você tenha razão.” Ele lhe deu outro beijo e sentou-se. “Quais são seu planos para hoje?”

No fim de semana esteve aqui e isso significava só uma coisa. “Tenho que ir trabalhar. Não fui nestas semanas.”

Ele deu-lhe um olhar duro sobre seu ombro. “Tampouco irá hoje. Ligue dizendo que está doente. Por favor,” ele acrescentou no último momento.

“Não posso. Não outra vez.” Ela colocou uma mão atrás do pescoço para sustentar-se e vê-lo melhor. “Já estou perto de ser despedida.”

“Melhor despedida do que morta. Você se lembra do número de bruxas e fadas na cidade? Era perigoso antes, mas agora isso é um suicídio. As bruxas sabem quem você é. Eu preferiria que ficasse em casa.”

Ele poderia forçá-la. No entanto, estava pedindo. “Tudo bem,” ela suspirou.

Ele sorriu. “Obrigado.”

“E aonde você vai estar?”

“Devo preparar o despertar de Vlad,” ele disse, se levantando. “Bem, a cerimônia do despertar. Voltarei em poucas horas para pegá-la para o baile.”

Ela sobressaltou. “Você quer que eu vá?”

“Claro. Eu não estaria presente sem você.”

Se ela suspirou sonhadoramente em voz alta ou simplesmente dentro de sua cabeça, não saiba. Quando ele dizia esse tipo de coisa, ela queria oferecer-lhe seu coração em uma bandeja de prata.

“Eu não tenho fantasia.”

“Mary Ann,” o pai dela chamou de repente através da porta. Desde sua viajem, elas não tinham falado de sua mãe ou das mentiras dele. Simplesmente acabaram caindo em um tipo de rotina, um pouco formal entre eles e ficando fora do caminho um do outro sempre que fosse possível. “Desça e venha almoçar. Você perdeu o café da manhã.”

Ela ficou na cama todo esse tempo? “Um minuto,” ela gritou de volta. Eles fariam as pazes, ela sabia que eles fariam. Como Anne-Eve tinha dito, ele era um bom homem. Mary Ann já o tinha perdoado. Só não esta pronta para falar com ele sobre o passado de novo. A perda de sua mãe – pela segunda vez – era ainda muito novo, muito recente. Mas logo, ela pensou. Logo teria que dizer a ele que o perdoou. Ela era tudo o que ele tinha e ele a amava.

Riley lhe deu um abraço apertado, sussurrando, “Victoria comprou um presente para você. Olhe debaixo de sua cama.” Com isso, desvencilhou-se dela e moveu-se em direção da janela.

Quando ele ficou fora de vista, ela levantou-se e olhou debaixo da cama. Havia uma caixa de tamanho médio com um laço vermelho amarrado no meio. Com mãos trêmulas, deslizou o papelão sobre o tapete e abriu a tampa. Quando viu o que estava dentro, não pôde deixar de rir.

Esperançosamente, a noite poderia terminar com um sorriso também.

***

Aden parou diante do espelho de seu quarto, estudando seu reflexo. Vestia o presente de Victoria. Uma fantasia. Ele era um cavaleiro de armadura brilhante. A cota de malha de ferro era fina e leve, então não pesava para ele. Cobria-lhe desde o pescoço até o tornozelo, só livre onde a peça não cobria: cotovelos, pulsos, estômago e joelhos.

“Como estou?” ele perguntou a Shannon, quando o garoto entrou no quarto.

“Incrível, mas Dan nunca vai de-deixá-lo ir à festa a fantasia. Temos con-convidado. Nesta manhã, o Sr. Sicamore inesperadamente decidiu arru-arrumar as malas e tirar férias prolongadas, mas ele recomendou alguém novo. Aparentemente Dan gostou do cara e o contratou imediatamente. A Sra. Reeves acaba de cozinhar um grande jantar para nós, para que todos possamos sentar e nos co-conhecer. Dan me disse para reunir todos e levá-los para a casa principal.”

Genial.

VViiccttoorriiaa vvaaii ttiirráá--lloo ddiissssoo, Elijah disse.

Ele relaxou. Esta noite não se preocuparia com a reunião das bruxas ou em perder Caleb. Esta noite era sobre prova-se ao pai de Victoria e livrá-la desse estúpido compromisso.

“Diga a Dan que estou doente, que peguei o que você teve,” ele implorou. “Diga a ele você teve que me ajudar a ficar na cama.”

“Se eu for pego mentindo...”

“Você não será. Eu juro.”

Shannon hesitou só por um momento antes de assentir e sair do quarto. No hall, Aden podia ouvir os outros garotos murmurando sobre o jantar, então eles arrastando os pés, depois o click da porta principal enquanto ela se fechava. Ele colocou algumas almofadas embaixo de seu cobertor para que parecesse como se ele estivesse na cama e apagou todas as luzes. Onde estava Victoria? Ela deveria estar aqui...

Um barulho de pedras batendo na janela. Os batimentos do coração aumentando a velocidade, ele caminhou até o vidro e levantou. Victoria parada a poucos metros, a lua brilhando ao seu redor. Ele conteve a respiração com a visão dela. Tinha mais mechas azuis em seu cabelo, a metade amontoada na parte superior da cabeça, o resto encaracolado nas costas. Ela usava um vestido de veludo azul que apertava seu peito e cintura e fluía livremente ao redor de seus tornozelos. As sandálias mostravam suas reluzentes unhas cor-de-rosa.

Uma donzela em apuros para seu cavaleiro de armadura brilhante, ele pensou com um sorriso.

Ele saltou pela janela, surpreendentemente ágil para alguém em uma cota de malha de ferro, e juntou-se a ela. Geralmente ela lhe daria um beijo de boas-vindas, ou ele a beijaria, mas ambos apenas se olharam, inseguros. Desde seu anúncio sobre Dmitri, tinham perdido parte de sua facilidade entre si, e ele não gostava disso.

Finalmente, disse, “Você está linda.”

“Obrigada. Você está... comestível.”

Alto elogio, vindo de uma vampira. “Você está com sede?”

Ela lambeu o lábio. “De você? Sempre.”

“Então beba.”

O olhar dela caiu sobre seu pescoço, e um profundo desejo penetrou seus olhos cristalinos. Ele havia alimentado-a muito na semana passada. “Não esta noite. Esta noite você precisa de sua força. E da minha,” ela disse, levantando a mão que carregava o anel de opala.

Ele levantou suas mãos. “Não se corte. Não posso suportar vê-la ferida.”

PPeegguuee aa ooffeerrttaa ddeellaa,, AAddeenn, Elijah disse. PPoorr ffaavvoorr.. TTeennhhoo oo pprreesssseennttiimmeennttoo ddee qquuee vvooccêê vvaaii pprreecciissaarr ddiissssoo.

“Aden...” Victoria começou.

“Não,” ele disse aos dois. Mesmo se ele precisasse da força dela para sobreviver esta noite, não podia permitir que ela se machucasse assim.

Lentamente ela abaixou seu braço, seus olhos estreitando-se. “Posso forçá-lo, você sabe.”

“Mas você não fará isso,” ele disse confiante.

Passou um momento. Ela deu um suspiro aflito, a raiva deixando-a. “Mas eu não farei isso. Nem sequer pelo seu próprio bem.”

“Tudo ficará bem.” esperava. Ele estendeu a mão e acariciou o cabelo dela, os fios de seda contra sua pele. “Você verá.”

“Oh, Aden,” ela disse com a respiração trêmula. Descansou a cabeça no ombro dele. “Tenho tanto medo. Por você, por nós.”

Ele deu-lhe a única certeza que podia. “Eu nunca irei parar de querer você. Encontraremos um modo de ficar juntos.”

Ela queria acreditar nele; ele sabia que ela queria, mas não lhe deu resposta. “Tantas coisas estão indo mal, todas de uma vez. Primeiro as bruxas. Agora uma fada está conversando com Dan,” ela disse, pegando sua mão e dirigindo-se a casa principal. “Venha. Deixe-me mostrar a você.”

Aproximaram-se da cozinha e ele espiou pela janela. Afortunadamente, estava escuro do lado de fora e bem iluminado do lado de dentro, permitindo-lhe ver tudo claramente sem ser visto. Dan estava introduzindo os garotos para um alto, musculoso homem de cabelo branco-prateado que deu as costas para Aden.

“Esse provavelmente é o novo tutor.”

“Deixe-me adivinhar, o velho tutor repentinamente decidiu transferir-se?”

“Sim. Como você sabia?”

“Procedimento operacional padrão para uma fada. E com ele aí dentro, eu não posso dizer a Dan que deixe você ir à festa. A fada poderia me atacar e eu poderia atacá-lo, nós não seríamos capazes de parar. Nossas espécies se odeiam muito. Nós poderíamos nos machucar.”

“O que você acha que ele quer com Dan?”

“Ele provavelmente seguiu sua energia até aqui. Embora o mais provável seja que não saiba qual de vocês garotos, convocou sua espécie, ou por que.”

“Isso é um desastre. Eu gostaria...” sua voz cortou-se abruptamente quando a fada se virou, olhando pela janela.

Aden e Victoria se agacharam, mas não antes que ele conseguisse uma visão de olhos verdes esmeralda, um rosto tão perfeito que anjos provavelmente estavam cantando para celebrar sua criação, e orelhas que eram só um pouco pontudas.

“Vamos,” Victoria disse.

“Não posso deixá-los com uma fada. Não esqueci o que me disse, que a fada oculta sua maldade com a beleza.

“As fadas são más. Para os vampiros. Como eu disse antes, eles consideram-se protetores da humanidade e os vampiros destroem a mesma. Por isso nos odeiam.”

“Então os garotos ficaram a salvo?”

“Sem dúvida. A única vez que um humano tem que se preocupar é quando uma fada pensa que está sendo usurpado. Eles valorizam o poder acima de tudo. E você, eles não irão entender. Você, eles irão considerar uma ameaça. Mas os outros? Não.”

Ok, então. Eles se foram, caminhando ao redor da casa e até a estrada. Aden iria ocupar-se de Dan mais tarde, se fosse necessário. “Há algo que devo saber sobre seu pai? Qualquer costume ou ritual que eu poderia possivelmente arruinar, trazendo assim uma sentença de morte sobre mim?” Como uma punhalada, pensou, recordando a visão de Elijah.

Ela enrolou um fio de cabelo em seu dedo. “Ele está acostumado a ser reverenciado, então se curve quando for apresentado a ele. Não fale com ele a menos que ele te faça uma pergunta, e não olhe diretamente nos olhos.

Que o faz sentir-se desafiado. Acredite, não quer desafiá-lo. Não há um modo de vida mais cruel na Terra.”

Por que ele estaria nesta festa de novo? “E os outros vampiros? O que irão fazer?”

“Fique ao meu lado. Nunca se afaste. Você será visto como minha propriedade e o deixaram em paz.”

Mais adiante, uns faróis brilharam, pondo fim a conversa.

Victoria aumentou seu ritmo. “Aqueles são Riley e Mary Ann.”

O carro que logo percebeu que não pertencia ao pai de Mary Ann. Era preto, insinuante e esportivo. Um modelo que nunca tinha visto antes. Roubado? Ele e Victoria foram para o pequenino banco traseiro. Enquanto entrava, olhou a fantasia de Mary Ann. Era um vestido vermelho e branco quadriculado que ia até a metade da coxa, completo com uma longa capa vermelha e salto alto branco.

Riley, ele notou, não usava fantasia.

“A Chapeuzinho Vermelho e o Grande Lobo Mau, entendi,” Ele disse com uma gargalhada. “Legal.”

No caminho para... qualquer lugar onde se dirigiam, perdeu seu divertimento em favor do nervosismo. A maldição de Elijah e os murmúrios de tristeza não ajudavam. Muito dependia desta noite. Sua vida, seu tempo com Victoria. O que aconteceria se ele arruinasse tudo?

“Os vampiros tentarão beber de nós?” Mary Ann perguntou.

“Eles não deveriam, não.” Riley disse a ela. “Eles terão suas próprias comidas.”

Escravos de sangue?

Muito cedo, eles pararam em uma alta monstruosa casa. Era a única à vista. Cinco andares, expandindo-se, consumindo hectares atrás de hectares, janelas pintadas de preto para que combinassem com os tijolos. Um portão de ferro se abriu, permitindo quem entrassem. Dois lobos parados em guarda enquanto o carro passava facilmente.

“Uau, sei que você disse que vivia fora da cidade, que sua casa estava escondida e que provavelmente eu nunca tinha visto, mas nunca esperei isto.” Mary Ann pressionou o nariz contra o vidro.

“Tivemos que reformá-la de acordo com as nossas necessidades.” Riley disse.

A lua parecia esconder-se da casa, lançando seus raios em outros lugares e deixando o local em total escuridão. Devido aos faróis do carro, ele podia ver que não havia outros carros presentes, e ninguém, exceto lobos permaneciam do lado de fora. Eram os primeiros a chegar?

“Você ia e vinha entre a escola e este lugar?” Aden perguntou. “Entre o rancho e este lugar? Todos os dias?”

“Algo assim,” Victoria respondeu. “Estive trabalhando em minhas... habilidades de teletransporte. Acho que é assim que os humanos chamam. Movendo-se de um lugar a outro com apenas um pensamento. Estou melhorando.”

Espere. O quê? Ela podia teletransportar-se?

Não havia tempo para perguntar-lhe sobre isso. O carro parou no final do caminho e eles saíram. O momento em que suas portas fecharam, as portas do hall de entrada se abriram e uma figura alta saiu. Aden reconheceu a figura de imediato e franziu o cenho, Dmitri. Uma neblina vermelha de fúria nublou a visão de Aden.

Ele deu um passo à frente de Victoria. Dmitri mostrou os dentes, o único sinal de seu descontentamento.

O vampiro diminuiu a distância entre eles. A mão de Victoria deslizou-se na mão de Aden, apertando, e depois ela se moveu para seu lado.

“Estive esperando por você.” Dmitri se inclinou para um beijo, mas ela virou o rosto. Ele desviou seu olhar irritado para Aden. “Vejo que não atendeu a minha advertência.”

“Papai ordenou a presença dele, lembra-se?”

E ela ansiava por isso. Ele não iria permitir-se acreditar em qualquer outra coisa. Ela queria Aden, não Dmitri.

“Eu lembro,” o vampiro disse. “Por isso pensei que estaria interessada no entretenimento desta noite. Venha.” Ele acenou com a mão e se afastou, esperando que eles o seguissem.

Eles seguiram, subiram as escadas e entraram na casa. Aden logo se encontrou de pé na sala de espera, rodeado de mais riqueza do que jamais tinha sonhado. Um brilhante banco branco que parecia como se fosse feito do colar de pérolas da Sra. Reeves, o papel de parede de decoração chinesa em ouro e prata, e os cofres de vidro cheios de vasos coloridos.

Victoria puxou-o, então ele só deu uma olhada básica. Mary Ann estava tão surpreendida quanto ele, dobrando seu pescoço para olhar a espaçosa entrada até o último segundo possível.

Eles não subiram as escadas em espiral, mas na verdade caminharam em linha reta através da casa aparentemente deserta trás da porta, as portas duplas francesas que abriram antes que Dmitri pudesse tocá-las. De repente, o cheiro de sangue fluiu no ar, abundante e metálico. Um tumulto de vozes chegou aos seus ouvidos, mas as palavras eram ditas com tanta rapidez que lhe recordou ao canto dos grilos.

Dmitri parou, não saindo do terraço. Luzes piscando foram suspensas nas árvores – árvores florescidas com rosas vermelho sangue. Havia um grande círculo de prata no centro do jardim, plano como a terra, mas cortado em uma espécie de labirinto. Ninguém estava nele.

As pessoas estavam espalhadas pelo gramado. A maioria das mulheres usava túnicas negras e a maioria dos homens usava camisas e calças negras. Bebiam de cálices, e se balançavam ao ritmo da música sensual movendo-se com a brisa. Aqueles que escassamente vestiam-se de branco eram claramente humanos. Ofereciam-lhe seus pescoços, braços, pernas, o que fosse, a qualquer hora que um vampiro fazia um gesto para eles.

Seus olhos vidrados, seus movimentos ansiosos, como se não pudessem esperar para serem mordidos. Oh, sim, escravos de sangue.

“Minhas desculpas, mas não há tempo para nossos dois casais felizes dançarem,” Dmitri disse, chamando a atenção de Aden. “Há muito que fazer, como podem ver.”

“Onde estão minhas irmãs?” Victoria exigiu.

“Tive que confiná-las em seus quartos.”

Ela enrijeceu-se. “Você não pode fazer isso.”

“Posso e fiz.” Ele não lhe deu tempo de responder. “Então... é isso? – Aden, o que você acha de uns aperitivos?” Ele apontou para duas mesas a cada lado do jardim.

Aden seguiu a direção de seus dedos e respirou fundo. Sobre a mesa estava Ozzie. Estava vestido com jeans, mas sem camisa. Também estava amarrado, imóvel, o olhar fixo para frente. Morto, Aden percebeu entorpecido. Na outra mesa estava Tucker, novamente sem camisa e com jeans e amarrado, mas ainda lutando e debatendo-se enquanto um vampiro bebia de seu pulso. Ele foi amordaçado, todavia claramente gritando por ajuda, seus olhos esbugalhados de tensão. Indiferente, o vampiro continuava sugando dele.

Mary Ann percebeu também, e soltou uma exclamação de horror. “O que estão fazendo com ele? Parem. Parem!” Ela tentou correr, mas Riley a sustentou firmemente, seu rosto sombrio.

Aden deu um passo para frente, mas Dmitri ficou de guarda, segurando seu braço, evitando-o de se movesse nem uma polegada. “A única forma de retirar a comida é se conceder outra. Gostaria de oferecer seus serviços humanos?”

“Como se atreve?” As presas de Victoria estavam descobertas e afiadas, seus olhos brilhantes piscinas de ódio. “Você irá pagar por isso. Irei me assegurar disso. Meu pai não ficará contente com isso.”

Dmitri sondava por perto, seus olhos brilhando. “Não, você irá me agradecer, minha pequena princesa, porque castiguei os inimigos de seu amigo humano. Isso não te faz feliz?”

Ela levantou o queixo. “E depois da festa? O que planeja fazer com os corpos? Chamar a polícia humana e culpar Aden por isso, ele será preso? Fora do meu alcance?”

“Isso é apenas um bônus adicional.”

“Seu pedaço asqueroso de...”

Com o cenho franzido, Dmitri deu um golpe na palma de sua mão levantada. “Não fale assim comigo. Sou seu marido e eu...”

“Você não é meu marido ainda,” ela gritou. As vozes por baixo deles tornaram-se quietas. As cabeças se viraram. A atenção centrada neles. “E se for por mim, nunca será.”

Ela não estava aceitando qualquer merda; Aden tampouco aceitaria. “Não tem idéia do que fez, Dmitri,” ele disse tranquilamente. Julian não podia controlar sua habilidade para ressuscitar os mortos, o que significava que Ozzie não estaria morto por muito tempo.

Mesmo quando o pensamento o preenchia, Ozzie se sentou, seus olhos embaçados piscaram, estalando a língua avidamente.

“Oh, graças a Deus. Aquele garoto ainda esta vivo,” Mary Ann, claramente aliviada. “Temos que salvá-lo.”

“É muito tarde,” Aden lhe disse, ainda sem emoção. Não podia permitir-se sentir. Não agora. Não com o que estava a ponto de fazer. “Ele está morto, mesmo que não aparente. E não há salvação para ele. Dmitri se assegurou disso.”

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