Interligados#1 - Capítulo 22

Em vez de fazer o que Aden disse, Riley continuou dirigindo até que chegou a um motel. Victoria conseguiu um quarto (sem reserva), e os quatro se fecharam dentro do quarto. Suficientemente estranho, nenhum deles falou durante vinte minutos que isso levou. Mary Ann está satisfeita; ela era uma confusão de nervos.

De todas as coisas que aceitou nestas últimas semanas – lobisomens, vampiros, bruxas e fadas, duendes que comem carne fresca e demônios direto do inferno – isto seria maior que tudo isso. Sua mãe, uma mulher que ela nunca conheceu, estava presa dentro de Aden todo esse tempo? Tão perto dela, ainda assim inalcançável? Impossível. Mas isso é o que Aden estava insinuando. Isso é o que ele queria que ela acreditasse.

Tremendo, ela estava parada na entrada do quarto e olhou para dentro. Lá tinha uma penteadeira, um rack com uma TV e duas camas idênticas. Aden cruzou o quarto e se sentou na borda de uma delas, de frente para ela, mas sem olhá-la. Ele estava tão pálido quando Victoria, que estava sentada ao lado dele.

Riley estava sentado na outra cama e fez sinal a Mary Ann com os dedos. Seu corpo não queria se mover; seus pés se sentiam enraizados no lugar. Eu posso fazer isso. Eu posso. Ainda no outro dia tinha esperanças de falar com o fantasma de sua mãe. Uma mãe diferente, sim, mais até então não tinha todos os fatos.

Ela de alguma maneira seguiu adiante, forçando suas pernas muito pesadas a entrarem em ação. Mas quando alcançou a cama, seus joelhos não suportaram. Riley a segurou e a colocou junto a ele. Ela alisou as palmas de suas mãos suadas para prevenir de se esticar e bater em alguém. Tinha que manter seus lábios juntos para impedir de gritar. Isto era demais, não o suficiente, tudo e nada, esperança e derrota tudo em um pacote belamente espantoso.

“Isso não pode está certo,” Riley finalmente disse, rompendo o silêncio. “Uma das almas presas dentro de você simplesmente não pode ser a mãe de Mary Ann.”

“Seu nome é Eve,” Aden respondeu, “e isso é o que ela diz também.”

Mary Ann exalou rapidamente. “Bem, então, está resolvido. Ela não é minha mãe. Além do mais, o nome da minha mãe era Anne e não Eve.” Ela forçou as palavras através do grito que ainda estava em sua garganta. Não que não quisesse que a Eve de Aden fosse sua mãe. Ter sua mãe por perto seria maravilhoso. Era só que, esperar o melhor e depois descobrir que estava errada... era como perder sua mãe outra vez e ela não tinha certeza de sobreviver a isso.

Aden puxou a gola de sua camisa. “As almas dentro de mim não tem recordação de suas outras vidas. Claro que seus nomes são diferentes. Além do mais, eu ajudei a escolhê-los.”

“O que te faz pensar que são fantasmas? Quero dizer, eles teriam que ser para que um deles fosse minha mãe. E eu pensei que os fantasmas eram uma possibilidade por um tempo também, mas, por que você não absorveu outros fantasmas dentro de sua cabeça? Vamos pensar sobre isso.” Ela soava tão desesperada para eles como parecia pra ela? “Minha habilidade para neutralizar outros poderes aparentemente funcionou quando eu estava dentro do útero, sem permitir que minha mãe... viajasse no tempo.” Dizer isso era difícil, fazia real. “Isso quer dizer que sua habilidade teria aparecido antes do seu nascimento também.”

“Verdade. Mas e se minha mãe era uma neutralizadora como você? Eu não absorvi ninguém até o meu nascimento. Até que fui afastado dela. Nós não sabemos até falarmos com ela, se a encontrarmos. E o porquê de não atrair outras pessoas – ou fantasmas, ou o que quer que seja – dentro da minha cabeça, talvez eu só fosse vulnerável quando nasci. Talvez mesmo quando bebê, aprendi a me proteger. Talvez não houvesse lugar para mais ninguém. Isso é algo que poderíamos jamais descobrir.”

Ela não tinha resposta. Tudo o que ele disse fazia sentido e superava sua resolução.

“Agora, você e Eve tem a oportunidade de descobrir a verdade. Quer realmente perder essa chance?”

Ela queria? Se continuasse se agarrando na descrença, permaneceria guardada emocionalmente. Se ela se abrisse para as possibilidades, arriscaria cada pedaço de sua recém-descoberta felicidade.

A mão quente de Riley envolveu a parte de trás de seu pescoço e ele começou a massagear os nódulos dos músculos de lá. Com um toque, sua força passou para ela e mudou a direção de seus pensamentos. Ela não era nenhuma covarde para ser assustada tão facilmente por um sonho tornando-se realidade. Depois de tudo, ela enfrentou um lobo, se tornou amiga de uma vampira e exigiu respostas de seu pai. Ela também podia fazer isso.

E se, depois, tivesse que recolher os pedaços de sua vida destroçada, ela recolheria.

“Não,” ela disse, enquadrando seus ombros. “Não quero perder nada.”

Aden assentiu com estivesse esperando esta resposta. “Eu vou fazer algo que não tenho feito há anos. Algo que odeio fazer porque me converto em uma alma, preso em um corpo que não é o meu, o controle já não é meu.” Seus olhos estavam brilhando, todas as cores mudando. “Vou permitir que Eve tome o controle do corpo. Isso quer dizer que a próxima vez que falar comigo, não serei eu. Será Eve, ok?”

Seu nervosismo se intensificou, mas ela assentiu.

Suas pálpebras caíram, fazendo sombra as íris. Ele respirou e expirou, cada inalação audível, cada exalação como uma calma antes da tormenta. “Eve,” Ele disse. “Você sabe o que fazer.”

Uma eternidade se passou. Nada aconteceu, nada mudou. Depois ele ficou rígido e um gemido separou seus lábios. Então, seus olhos abriram. O brilho das cores foi embora. Agora seus olhos eram de uma cor marrom avelã. Como os dela. Ela só podia estar boquiaberta de assombro, o mundo ao redor dela desapareceu. Aden era a única âncora que tinha no momento, a única coisa que a impedia de se afastar flutuando.

“Oi, Mary Ann,” ele disse. Não, Eve disse. Era a voz de Aden, no entanto, tinha uma gentileza ali que nunca esteve presente antes.

Ela estremeceu, a urgência de abraçá-lo era mais forte do que antes. “Oi.”

“Devíamos ir?” Victoria perguntou.

“Não podem,” Aden–Eve disse. “Sem Riley, Mary Ann bloqueia as habilidade de Aden. Eu não seria capaz de me manter no corpo.”

Eles sumiram em um silêncio constrangedor.

“Isso é loucura,” Mary Ann disse. “Não há maneira de descobrirmos isso. Eu não sei nada sobre minha mãe, e você não sabe nada sobre ela também. Você não sabe nada sobre mim.” Ela se surpreendeu com a amargura em seu tom. Não por Eve, mas pelas coisas que tinha perdido.

Você sabe algo sobre ela, ela recordou. O diário. Uma passagem já estava gravada em sua memória.

“Meus amigos pensam que sou estúpida. Tendo um bebê na minha idade quando existem formas de “resolver” a situação. Como se eu pudesse afastar este milagre. Eu já posso senti-la. Já a amo. Eu morreria por ela.”

Posso senti-la. Já a amo. Morreria por ela.

Tristemente, ela provavelmente, o fez.

“Recorda algo de sua vida?” Mary Ann perguntou. “Antes de Aden, quero dizer.”

Um movimento dessa escura cabeça. “Não. Eu tentei. Todos nós tentamos. Acho que existem memórias só esperando para serem libertadas. Quero dizer, sou capaz de sentir algo girando em minha consciência, só não sou capaz de pegá-lo.” Um suspiro. “Todos nós temos pensamentos e sentimentos, medos e desejos que não podemos explicar de nenhuma outra forma.”

“Quais são os seus?” Ela se atreveu a perguntar.

Um sorriso afetuoso.

“Sempre tenho sido a mãe coruja, como Aden me chama. A protetora, a repreendedora.” Aquele escuro olhar abaixou-se e seu sorriso desapareceu. “Sempre gostei de crianças e temia estar sozinha. Talvez por isso nunca ajudei Aden a encontrar uma forma de nos libertar tão intensamente como deveria ter feito. Mas essa é minha cruz.”

As nuanças da personalidade de Eve a fascinava e se encontrou comparando-a com um pouco que sabia de sua mãe. Até agora, elas combinavam. “Você conheceu meu pai durante uma sessão de terapia. Recorda disso?”

“Sim.”

“Você sentiu alguma coisa por ele? Como uma necessidade inexplicável de abraçá-lo, da forma como Aden disse que se sentiu por mim?” A necessidade de Mary Ann continuava lutando com ela.

“Sentia carinho por ele, sentia gratidão. Naquele momento, presumi que aqueles sentimentos eram por causa do tratamento com Aden. Ele sentou com o garoto, o escutou e não julgou.”

“Agora?”

Um encolhimento de ombros. “Não tenho certeza. Como Aden, eu era uma garotinha quando conheci seu pai. Não sabia interpretar algo mais profundo, como o que um marido e uma mulher sentem um pelo outro.”

Mary Ann levantou os braços no ar. “Como podemos resolver isso?”

“Agora tenho controle do corpo. Posso viajar no tempo, talvez ir para uma versão mais jovem de mim. Isso é incrível!” A cabeça de Aden–Eve se inclinou para um lado, seus lábios se curvaram em outro sorriso. “Todas as vozes.Uau. Tinha esquecido como é difícil está de acordo com todo mundo. Aden me lembrou que teria que ter um pedaço específico da minha vida em minha mente para pode voltar no tempo e como não lembro nada sobre quem eu era, ou se até mesmo for outra pessoa, não há lugar para ir além do seu passado.”

Mary Ann mordeu o lábio inferior, pensando. “Pode haver uma maneira.” Com a mão tremendo, muito mais agora, procurou na mochila e tirou o diário. O prendeu a seu peito, ainda sem querer soltá-lo, mas depois de um momento de hesitação, forçou-se a renunciar a ele. “Isto pertenceu a minha mãe. Ela escreveu sobre sua vida. Talvez, se você realmente for ela, te provoque alguma lembrança.”

Queria que fizesse isso? Não queria que fizesse isso?

“Uma idéia maravilhosa.” As mãos de Aden–Eve tremiam tão violentamente enquanto aqueles dedos fortes batiam na coluna do diário, estabelecendo-se em uma página. “Hoje estou cansada.” Ele leu. “Hoje não tem nada na TV, mas isso está tudo bem. Tenho companhia. Meu precioso anjo, aconchegada perto do meu coração. Seus chutes estão fortes hoje.” Ele esfregou seu estômago, como se estivesse checando sinais vitais.

“Estava desejando torta de maçã. Talvez eu asse uma. Quase posso cheirar a canela, quase posso provar o sabor do sorvete derretido.”

Aden virou a página, sua mão tremendo, e continuou lendo.

“Estava muito cansada para cozinhar, por isso Morris trouxe uma torta caseira. A loja só tinha de cereja, então isso tem que servir. Só espero que meu anjo não comece outra confusão de chutes. Ela é... ela é – Oh, Meu Deus!” Os lábios estalaram juntos. “Quase posso saboreá-la.” Uma respiração profunda. “Cheirá-la também. Até mesmo posso ver. Realmente posso ver! As cerejas são muito vermelhas.” Houve um emocionado grito de assombro e depois de repente, Aden tinha desaparecido, o único sinal que indicava que ele esteve lá era a marca no colchão.

Victoria e Riley saltaram sobre seus pés, ambos observando o quarto com preocupação. Mary Ann só abraçou seu estômago, lágrimas de medo e boba esperança que tentou negar correndo por seu rosto, e esperou que Aden–Eve voltasse, dizendo que só tinha voltado para uma versão anterior de Aden.

Não teve que esperar muito tempo. Passado três minutos, Aden estava de novo na cama, como se nunca tivesse partido. Seus olhos continuavam de cor avelã. Como Mary Ann, ele estava chorando. Ou, bem, Eve estava chorando.

“Eu me lembro. Eu me lembro.” Eve lançou-se sobre Mary Ann, seus braços envolvidos ao redor dela. “Oh, querido bebê. Meu querido bebê. Como esperei por esse dia. Sonhei com isso, todos os dias que estive carregando você.”

Primeiro, Mary Ann tentou permanecer imóvel. Isto não provava nada, não para ela. Ninguém podia recordar sua vida toda com tanta rapidez. Certo?

“Voltei. Estive lá, na pequena casa que compartilhava com seu pai. Eu estava grávida de oito meses e descansando no sofá, acariciando meu ventre e cantando uma canção de ninar, aquela tigela com torta de cereja colocada sobre mim. Eu me lembro agora. Eu me lembro. As paredes com o mais horrível papel floral e os móveis estavam gastos, mas limpos, e eu amava cada costura. O sofá laranja, a namoradeira amarela. Trabalhei de garçonete para ajudar a pagar tudo. E já que minha primeira recordação com Aden não é como seu vizinho do lado, acho que os pais dele se mudaram.” Forçou seu aperto. “Durante todo este tempo... se eles tivessem ficado, poderia ter visto meu anjo crescer. Meu lindo anjo.”

Mary Ann recordou daquele papel floral, do sofá cenoura, como ela o chamava, e a iluminada sala. Ela passou os primeiros dez anos de sua vida naquela casa, subindo nos móveis, enquanto seu pai ia para escola, depois trabalhava como um animal para pagar as dívidas.

Carolyn podia ter mudado a decoração, mas não fez isso. Deixou tal como estava. Em homenagem a irmã que tanto invejava e lamentava a perda?

Não tinha jeito de Eve conhecer esses detalhes. A menos... Mary Ann parou de respirar. Era verdade, então. Eve realmente era sua mãe. Eve realmente era sua mãe. Por um momento, estava muito abalada para reagir, suas emoções estavam dormentes. Então a alegria explodiu por ela, alegria em seu mais puro estado, não diluída, emocionante, sem deixar nenhuma só parte dela intocada.

Eve acariciou o cabelo dela. “Me diga que sua tia Carolyn te tratou bem. Me diga que sua vida tem sido feliz.”

Seus braços moveram-se por conta própria, envolvendo os ombros de Eve. Elas se abraçaram tão forte como desejavam desde o princípio. Só então Mary Ann se sentiu como se finalmente estivesse em casa, envolvida em calor, luz e amor.

“Fui feliz,” ela desfez o nó de sua garganta. “Ela me tratou como sua própria filha. E acho... acho que sentia sua falta. Ela não mudou nada em casa, inclusive colocou o mesmo esquema de cores brilhantes quando nos mudamos, provavelmente porque assim nos sentíamos perto de você.”

“Então ela me perdoou. Obrigada por me dizer isso.” Eve se afastou e apoiou entre as mãos seu trêmulo queixo, olhando fixamente seus olhos chorosos. “Oh, minha querida filha. Te adoro desde o primeiro momento que soube de sua existência, imaginando nós duas cuidando do jardim juntas, indo às compras, você arrumando meu cabelo, pintando minhas unhas e me maquiando, como eu fazia com minha mãe. Teu pai lhe deu o meu nome, e o nome do hospital em que nasceu, suponho.”

Ela assentiu. Com um gemido, se jogou novamente nos braços de Eve. As lágrimas estavam fluindo livremente agora, queimando sua pele. Ela tinha o que a maioria das pessoas apenas podia sonhar: uma segunda chance. Uma segunda chance para amar, para se desculpar. “Lamento tanto tê-la matado. Foi minha culpa. Te enfraqueci, eu neutralizei suas habilidades.”

“Oh, doce bebê, não. Nunca pense isso.” Eve passou suas mãos pelas costas de Mary Ann, suave, gentil. “Você pode ter neutralizado minha habilidade de voltar para refazer, como eu chamava, mas estava feliz por isso. Não posso lhe dizer a quantidade de vezes em que estraguei o meu presente por mexer em alguma coisa no passado. Pela primeira vez em minha vida, não podia acidentalmente ou ainda intencionalmente voltar, então o maravilhoso futuro que via para mim mesma estava seguro. Os nove meses que carreguei você foram os mais felizes da minha vida. O que você me deu... nunca poderei lhe agradecer o suficiente. E minha querida, foi melhor para você que eu não estivesse lá. Conhecendo-me da forma que conheço, eu poderia ter tentado voltar e consertar tudo o que saiu de errado na sua vida. Poderia ter arruinado você. Matado você. E eu não poderia ter vivido com isso. Seu pai não poderia ter vivido com isso.”

“Ele sempre foi um homem bom. Não seja muito dura com ele por me manter em segredo. Fui uma parte difícil de sua vida. E uma parte boa.” Um sorriso. “Nós ficávamos fora por horas, olhando as estrelas, agarrados um ao outro.”

Mary Ann descansou seu queixo no ombro de sua mãe, o novo centro de seu mundo. “Aden foi bom com você?” Ela queria saber tudo, cada pequeno detalhe, sobre a segunda vida de sua mãe.

“O melhor. Ele é um tesouro. Qualquer outro teria desmoronado graças ao que fizemos passar, mas ele conseguiu prosperar. Agora, já chega de mim e do garoto por agora. Quero falar de você. Quero saber tudo.”

Elas falaram por horas, rindo, chorando um pouco mais, nunca soltando uma da outra. Finalmente o sol emitiu brilhantes raios dentro do quarto. Nem Riley nem Victoria tinha se movido de seus lugares sobre as camas. Tampouco tinham falado, e Mary Ann presumiu que estavam descansando suas mentes.

Ela nunca esteve tão feliz como estava neste momento, escutando sobre a infância de sua mãe e falando sobre a sua. Sentadas sobre a cama, nos braços uma da outra, respirando uma na outra. Não queria que seu tempo juntas acabasse. Na verdade, ela já não via Aden quando olhava “o corpo”. Ela via Eve, com o longo cabelo preto, ângulos afiados, um nariz e uma boca em forma de coração. Uma ilusão de sua própria criação, mais provável, mas ela não se importava.

Eve afastou uma mecha do cabelo da bochecha de Mary Ann e o encaixou atrás da orelha. “Depois que dei a luz, eles a envolveram e colocaram você em meus braços. Lembro de olhar pra você e pensar em quão bonita que você era. Podia sentir-me desmaiando, mas então me esforcei para encontrar a força para me inclinar e beijar sua testa. Minha mente então se fechou em um único pensamento. Um dia. Só me dê um dia com ela. Isso era tudo o que eu precisava para ter uma vida plena.”

“E agora nós temos,” Mary Ann disse com um sorriso.

Eve devolveu o sorriso com outro abraço. “Agora nós temos.”

“E o maravilhoso é que, podemos ter muito mais! Tanto quanto pudermos. Claro, Aden ficará engraçado quando lhe maquiar e amarrar seu cabelo, mas ele... Eve? Anne? Mãe?”

Eve tinha perdido seu sorriso, tinha até fechado os olhos. “O que está acontecendo?” perguntou, e a princípio Mary Ann pensou que estava falando com ela. “Aden? Você sabe?” Silêncio, então, “Ahh.”

A expressão dela/dele se enrugou, tornou-se resignada. “Entendo agora. E isso é o melhor. Para você, para Aden.”

“O que está acontecendo?” Mary Ann observou sua mãe com preocupação. Aqueles olhos estavam acinzentando-se, o azul filtrando-se dentro do marrom. Riley de repente estava atrás dela, seu consolo, seu apoio. “Aden, não tire o corpo dela ainda. Por favor.”

“Eu te amo, Mary Ann,” Eve disse suavemente, tristemente, olhando-a com esses amorosos olhos avelã. “Aden não está fazendo isso. Sou eu. É meu tempo de ir embora. Foi concedido meu desejo final, e agora é a vez de outro, para que Aden possa ter a paz que sempre quis. A paz que merece.”

“Pretende voltar para dentro da cabeça dele, certo?” Ela perguntou desesperada. “Você ainda estará lá. Ainda podemos conversar.”

“Lamento tanto, anjo. Estou... abandonando o corpo. Já posso sentir me separando dele. Aden, querido,” ela disse, fechando os olhos, “Você tem que me soltar. Eu te amo, mas esta é a coisa certa a fazer. Isto é o que deve acontecer. Agora percebo isso. Você me devolveu minha filha, concedeu meu último desejo, e agora estou te dando o que sempre te pertenceu. Você.”

Outra daquelas pausas.

“Aden, meu doce garoto. Você ficará bem sem mim. Sei que ficará. Você é muito forte e inteligente e tudo o que uma mãe poderia querer de seu filho. Sentirei sua falta mais do que posso dizer. Tudo o que peço é que cuide do meu anjo.”

“Eve. Mãe!” Mary Ann agarrou os ombros dele e os sacudiu até que Riley se meter e soltou suas mãos. “Não faça isso. Por favor, não faça isso. Fique. Eu preciso de você. Não posso perdê-la de novo.”

Aquelas pálpebras se abriram mais uma vez, e Eve se esticou, tocando seu rosto, sorrindo suavemente. “Eu te amo tanto. Você é a melhor coisa que eu já fiz, minha maior alegria, e minha única razão para viver. Sempre vou amar você. Por favor não esqueça disso.” Ela puxou Mary Ann até seu rosto e beijou sua testa, exatamente como tinha feito quando era uma recém-nascida. Dizendo adeus.

“Não. Não!” Gritou Mary Ann, libertando-se de Riley e se atirando para sua mãe.

Victoria estava de repente ali, movendo-se tão rápido que não conseguiu vê-la, afastando-a. “Você não irá machucá-lo.” a vampira disse, pairando protetoramente sobre o corpo de Aden.

Seu olhar voltou-se para Aden. Aden... não mais Eve.

Ele se sentou rapidamente, com o olhar tão espantado quanto o dela, um atormentado “Não” clamou de seus lábios. “Eve! Você pode me escutar? Eve! Você tem que voltar. Pensei que queria ser livre, mas me enganei. Eu estava errado. Preciso de você.”

Mary Ann esperou, em silêncio, esperando que ele sorrisse para ela e lhe dissesse que Eve ainda estava ali, ainda falando com ele. Mas os minutos passavam, o tempo parecendo vivo, uma presença junto a ela, um sussurro constante em sua mente: só mais alguns segundos. A realidade nunca mudou.

Finalmente, os ombros dele caíram, e ele deixou cair a cabeça nas mãos.

“Ela se foi. Ela realmente foi embora.”

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