Interligados#1 - Capítulo 21

Foi depois que Aden terminou suas tarefas noturnas que notou que seus olhos estavam fechando, estreitando seu campo de visão até que só sentiu fechos de luz. Inseguro do que estava acontecendo, se fechou em seu quarto. Ele não podia trancar a porta porque, a partir de hoje, Shannon era seu novo companheiro de quarto. Aparentemente Ozzie foi pego escondendo drogas no quarto de Aden mais cedo naquele dia (assim como Aden temia).

Por uma vez, a sorte esteve ao seu lado e Dan testemunhou o que estava acontecendo pela janela. Ou talvez tenha sido um efeito secundário da sua viajem no tempo. De qualquer forma, a polícia apareceu e levou Ozzie. Ele atualmente está preso no centro de detenção e não voltará ao rancho.

Isso eliminava uma das preocupações de Aden.

Dan notou a nova amizade entre Aden e Shannon e, em um aparente esforço para motivá-la, transferiu Shannon para o quarto de Aden. Isso era estranho, não estar mais sozinho no rancho. Inclusive, era ainda mais estranho, Brian, Terry, Ryder e Seth estavam sendo agradável com ele o dia todo. Sem a influência de Ozzie, agora eles pareciam considerá-lo parte do grupo.

Aden se sentia como se de alguma forma tinha acabado em uma nova dimensão, ou em um mundo alternativo.

Ele tropeçou até a cama, até o beliche inferior e se estendeu. O que havia de errado com ele? Estava ficando cego? Se fosse isso, por quê? Mesmo enquanto se perguntava, a pouca luz que podia ver estava desaparecendo, deixando só um véu negro.

“O que há de errado comigo?” Ele murmurou, entrando em pânico.

OO ssaanngguuee ddee VViiccttoorriiaa,, ttaallvveezz, Eve disse.

EEllaa ttee aaddvveerrttiiuu qquuee hhaavveerriiaa ccoommpplliiccaaççõõeess, Caleb disse. Então assobiou. DDeeuuss,, eellaa éé qquueennttee.. QQuuaannddoo vvaaii bbeeiijjáá--llaa ddee nnoovvoo??

O sangue de Victoria. Claro. Alívio faiscou dentro dele, só para ser rapidamente apagado. Uma dor maçante surgiu em sua cabeça. Quanto tempo vai durar pra passar a dor e a cegueira?

A porta rangeu ao abrir, depois fechou. Passos se arrastaram, roupas soavam.

“Você está bem, cara?” Shannon perguntou. Sua voz era rouca. Sua garganta claramente ainda inflamada. “Você parece horrível.”

Ele não gaguejou, nem sequer um pouco. Talvez a falta das constantes piadas de Ozzie e a confiança de que ele tinha verdadeiros amigos teve um impacto.

“Não estou passando bem.” Aden podia sentir o calor do corpo de seu amigo, e sabia que ele estava próximo. “Estamos sozinhos?”

“Sim.”

Se Victoria aparecer – onde ela estava? O que estava fazendo? – ele queria estar pronto. Bom, tão pronto quanto um cara em sua condição poderia estar.

“A janela... a garota...”

“Não diga mais nada. Deixarei destrancada.”

Um gemido lhe escapou enquanto a dor em sua cabeça mudava para um pulsar agudo, golpeando contra cada polegada de seu crânio como um canhão apontado, determinado a explodi-lo. Ele quase esperava por isso. Então poderia escapar da dor. A dor era tão intensa que mesmo seus companheiros a sentiam, gemendo com ele.

Justo quando pensou que não podia agüentar mais, picadas multicoloridas de luz reluziram de repente – de seu olhos. Uma cena começou a tomar forma: um beco escuro, ligeiramente iluminado pelos postes de luz. De vez em quando um carro passava pelo beco, mas escondido como estava, ele estava a salvo de ser observado. Estava satisfeito. Seu sentido do olfato lhe disse que ninguém além dele e de sua comida estavam presentes, ninguém poderia olhar o que ele estava fazendo, e isso era bom, pensou, muito bom. Só que, este não era seu pensamento. Não saía de sua mente. Este era um pouco desesperado, muita fome. Inclusive envergonhado.

Ele estava parado atrás de um homem, um homem que parecia ser de estatura mediana, apesar de Aden estar ao nível dos olhos ao invés de estar acima dele. Ele tinha uma mão delicada e pálida na cabeça do homem, inclinando-a para um lado, a outra em seu ombro, mantendo-o firme.

Pálida? Delicada? Essas não eram suas mãos, e ainda assim eram extensões de seu corpo. Ele olhou para baixo. Não. Não era seu corpo também. Este usava uma túnica negra e tinha suaves curvas.

Victoria, ele percebeu. Ele devia estar vivendo está cena através dos olhos de Victoria. Isso estava acontecendo agora? Ou tinha acontecido mais cedo? Era uma lembrança?

“Você é um garoto malcriado,” Aden disse, mas esta não era sua voz. Era de Victoria. Ele nunca tinha ouvido um tom tão frio e duro. Podia sentir a fúria dela, ainda podia saborear sua fome consumidora, no entanto, ela não se deixou levar.

Tenho que ficar forte, ela estava pensando. Tenho que proteger Aden, Riley e Mary Ann. Meus amigos. Meus únicos amigos. Oh, Deus. Quando Aden descobrir sobre Dmitri... não pense nisso agora. Coma.

Aden experimentou uma sacudida. Dmitri, o cara que veio pela janela de Aden, aquele que o tinha observado com Victoria, que a tinha assustado o suficiente para fazê-la fugir. Suas mãos amassaram o algodão embaixo dele.

“Você bateu em sua esposa e em seu filho, e se acha muito superior.” Ela zombou. “Quando a verdade é que você realmente é só um covarde chorão que merece morrer neste beco infestado de urina.”

O homem tremeu. Ela já lhe havia comandado que seus lábios permanecessem selados, suas cordas vocais pararam de funcionar, então ele não podia falar, não podia nem sequer sussurrar.

“Mas eu não irei matar você. Isso seria muito fácil. Agora você viverá com o conhecimento de que foi vencido por uma garotinha.” Ela riu cruelmente. “Uma garotinha que caçará você se alguma vez voltar a tocar em sua esposa e em seu filho com raiva outra vez. E se pensa que eu não saberei, pense de novo. Vi o que você fez a eles exatamente nesta manhã, não foi?”

Os tremores do homem aumentaram.

Tendo conseguido seu propósito, Victoria selvagemente mordeu o pescoço dele. Não havia nada lento e carinhoso nisso, como ela tinha feito com Aden. Ela enterrou suas presas profundamente, acertando o nervo. O corpo do homem saltou, seus músculos contraíram. Ela teve o cuidado para que sua saliva não entrasse em contato com a veia dele, que faria a experiência boa para ele. O deixaria drogado, exatamente Aden se sentiu.

O metálico odor de sangue no ar, e Aden inalou profundamente, exatamente como Victoria estava fazendo. Ela amava isso, sua fome desfrutando disso, e ele descobriu isso através dos sentimentos dela, ele também amava isso. Sua boca estava fazendo água, sua garganta enchendo com a necessidade.

Por que não posso mudar a natureza dele? Por que só posso jogar com suas memórias? Que bem faço? E ela continuou bebendo, até que as pernas do homem se dobraram. Ali foi quando a direção de seus pensamentos mudaram. Graças a Deus que Aden não está aqui. Sou um animal, um animal com sangue em todo o rosto.

Seus dentes o soltaram. E ela o libertou. Ele caiu no chão, sua cabeça batendo no contêiner de lixo em frente a ele.

Victoria se inclinou e pegou o queixo dele em sua mão. Os olhos dele estavam fechados, sua respiração superficial, agitada. Sangue desceu dos ferimentos da mordida de seu pescoço.

“Você não se recordará de mim ou do que fiz e disse a você. Só irá recordar o medo que sentiu com minhas palavras.” E talvez, só talvez, esse medo o estimulasse a mudar seus modos. Talvez não. De todas as formas, ela tinha feito tudo o que podia. Exceto matá-lo, e no qual estava proibida de fazer.

Isso ia contra as leis de seu pai. A primeira vez que matou acidentalmente, foi advertida. A próxima e última vez – para que ela aprendesse sua lição direito – tinha sido açoitada com um chicote envolvido com je la nune, a substância em seu anel.

Ela abriu esse anel agora, afundou seu dedo e pressionou sua unha contra a ponta do dedo. Instantaneamente sua pele chiou, criando uma ferida. A queimadura... percorreu cada parte dela, muito quente, deixando-a arfando e sem fôlego.

Aden gritou, sentindo em si mesmo.

Ela tinha feito isso por ele duas vezes, primeiro para mostrar a ele que ela podia e, depois, para alimentá-lo com seu sangue, no entanto, nunca traiu a brutalidade de sua dor. Porque ela não queria fazê-lo se sentir culpado, compreendeu. Não quando ele já se sentia tão indigno.

Ele sacudiu a cabeça em assombro.

Não querendo voltar a colocar sua boca sobre o homem novamente e chupar sua saúde, ela derramou gotas de seu sangue em cada queimadura. A carne voltou a juntar-se, rosa e sã quando as feridas desapareceram, sem deixar nenhum rastro de ferimento. Ela estava de pé, saciada, com o corpo forte – e fúria renovada. Odiava depender dos depravados para sua sobrevivência, mas, os preferia ao inocentes e propositalmente os procura.

Nunca mais, Aden pensou. Ele colocaria a si mesmo e seu sangue a disposição dela com prazer. Ela não beberia de mais ninguém, exceto dele. Esconderia as mordidas para que ninguém visse ou ela poderia curá-las. Mas, de qualquer maneira, ela não estava se ferindo como da outra vez.

“Melhor?” Perguntou uma voz profunda atrás dela.

Lentamente ela virou. Levantou seu olhar e Dmitri apareceu em seu campo de visão. Ele se apoiou contra a parede, os braços cruzados sobre seu sólido peito. Com no mínimo um metro e noventa e três de altura, ele se elevava sobre Victoria. O cabelo loiro estava penteado para trás de seu rosto perfeito. A pele pálida parecia brilhar. Mas Aden sabia que por trás dessa beleza se escondia um monstro.

Ela limpou o rosto com o dorso da mão e assentiu. “Você precisa voltar pra casa,” ela disse, dando a lua caída um olhar aguçado. “Você tem uma longa viajem e o amanhecer está se aproximando.”

Seus lábios curvados em um afetuoso sorriso, endireitou-se e encurtou a distância entre eles. Ele a alcançou e limpou uma mancha de sangue do queixo dela. Ela virou a cabeça, desfazendo-se do contato, e o sorriso dele tornou-se um franzir de cenho. “De agora em diante, você deve ir onde quer que eu vá. Isto significa que vai voltar para casa comigo.”

Controle sua raiva. Não o desafie. Ela sorriu docemente. “Cada vez que você me força, só me faz te odiar mais.”

Os olhos dele se estreitaram. “Resistir a mim é inútil, princesa.”

“Na verdade, não é. Qualquer coisa que mantenha você longe de mim serve a um propósito muito importante.”

Um brilho vermelho infiltrou-se na escuridão dos seus olhos. “Isto é por causa do garoto, não é?”

Ela levantou o queixo para ocultar o tremor de medo. “Isso é por causa de você e pelo fato de não querer ter nada haver com você.”

Mais rápido do que os olhos – mesmo os olhos dela – pudessem ver, ele se inclinou, colocando-os cara a cara. “Eu sou tudo o que você precisa. Forte, capaz.”

“Você é exatamente igual ao meu pai,” ela respondeu, negando-se a recuar. “Você vê a força de vontade dos outros como um insulto a sua valentia. Você governa com punhos de ferro, castiga indiscriminavelmente.”

Ele fez um gesto com a mão, descartando seu comentário. “Sem ordem, haveria caos.”

“E o que há de errado nisso?”

“Isso é o que o garoto te oferece? Caos? Não sou tão estúpido quanto pensa. Sei que você o quer.” Ele envolveu suas mãos ao redor dos braços dela e a sacudiu. “Você não voltará para aquela escola mortal, princesa. Eu a proíbo.”

Controle, controle, controle. “Isso não é você quem decidi.”

“Deveria ser.” lhe deu uma sacudida final, então a soltou, fazendo todo o possível para não parecer afetado. “Um dia, serei.”

“Mas, por agora, não é.” Ela não pôde conter um sorriso. Colocando a maldição de sua existência em seu devido lugar era como encontrar um cálice que nunca faltava sangue. “Você ainda responde a meu pai.”

Ele mostrou os afiados dentes com uma careta. Suas presas eram tão longas que cortavam seu lábio inferior. “Isso nem sempre será o caso.”

“Isso soa como uma ameaça. Você conhece a punição para isso, não é? Mesmo pra você, um príncipe em seu próprio direito.”

Dmitri a contemplou durante um longo tempo. Finalmente disse: “Vá. Divirta-se. Desfrute de seu caos. Isso irá terminar logo, você querendo ou não.”

Victoria permanecer no lugar enquanto ele se afastava, respirando na noite para se acalmar. Finalmente, quando ele desapareceu, ela se pôs em movimento, correndo, o vento em seu cabelo, livre para ser ela mesma, desfrutando. Os edifícios passavam zumbindo por ela, então as árvores. Adiante e adiante, ela viajava, preocupações abandonando-a como as folhas caídas de seus galhos. Os aromas da noite chegaram ao nariz de Aden, orvalho, sujeira e animal.

Só quando o D e M apareceu em seu campo de visão, diminuiu a velocidade. Ali, mais acima, estava a janela dele. Aberta para ela. Dois batimentos cardíacos estavam do outro lado. Reconheceu ambos: o de Aden, um pouco mais rápido que o normal, e o de Shannon, regular e estável. Um deles estava perdido em uma visão, ela poderia apostar nisso, o outro dormia tranquilamente.

Quase lá... ela se deslizou pelo vidro.

Mãos cálidas pousaram sobre os ombros de Aden e o sacudiu. Ele piscou, abrindo seus olhos, surpreendido e decepcionado ao encontrar o quarto entrando em foco. Embora devesse estar aliviado por ter acabado com sua cegueira, ainda não estava preparado para deixar a cabeça de Victoria. Ele se maravilhou de novo perante sua força. Ela tinha passado por isso, esteve cara a cara com Dmitri e não recuou.

Aden queria saltar entre eles, lançar o vampiro ao chão e carregar Victoria para longe.

Aden,” ela sussurrou.

Como na primeira vez que a viu, estava caída sobre ele, o cabelo caindo em cascata sobre seu rosto e os cobrindo com uma tela escura. Incapaz de se conter, estendeu a mão e traçou um dedo pela bochecha dela. Ela fechou os olhos, escuros cílios fazendo sombra sobre sua bochecha.

“Shannon está...”

“Dormindo,” ela disse a ele.

Sim, ele sabia disso. Por causa de Victoria, ele mesmo sentiu o batimento cardíaco de seu amigo por um momento. “Obrigado. Por tudo.”

Ela o observou, insegura, mas não se afastou do contato dele. “O que você viu?”

Ele não fingiu não entender. “Você, se alimentando. Você e Dmitri conversando.”

“Tudo então.” Ela suspirou. “Provavelmente está se perguntando como é possível.”

Ele assentiu.

“Uma vez que um vampiro ingere sangue humano, entra em nosso sistema e... se transforma, suponho que essa seja a palavra. Torna-se vivo com tudo o que somos. Nossos pensamentos, nossas emoções, cada uma de nossas essências. A pequena porção que eu dei a você curou suas feridas, mas também vinculou você a minha mente.”

“Eu serei capaz de ver coisas através de seus olhos outra vez?”

“Eu não sei.” Um toque de borboleta acariciou o lado de seu olho já curado. Ele sentiu o fogo da pele dela e amou isso. “Até soube de alguns outros fazendo isso, mas nunca compartilhei meu sangue com ninguém. Bem, eu compartilho pequenas gotas para fechar as feridas provocadas pelas mordidas, como já lhe disse, mas como isso não é ingerido, os humanos nunca se ligaram a mim.”

Então ela tinha dado a ele o que nunca deu a outro. Seu amor por ela cresceu, expandiu. “O que Dmitri é para você?” O cara falava como se fosse dono dela, e isso fez com que Aden queimasse por dentro.

Seu olhar abaixou para o peito dele, e seus dedos logo seguiram, brincando sobre ele. “Ele é alguém a quem desprezo muito. Alguém a quem...” Seus ouvidos captaram algo e ela se endireitou. “Riley está aqui. O coração dele está acelerado.” Sua testa franzida, sua cabeça inclinada e o cenho franzido. “Ele precisa de nós imediatamente.”

Aden se incorporou sem hesitação e olhou para si mesmo. Estava vestido com as roupas que passou o dia inteiro, amassada e suja por seu trabalho no estábulo. “Preciso de cinco minutos.”

“Muito bem. Ele disse que nós podemos ir durante todo o fim de semana e inclusive assegurou que ninguém sentirá nossa falta,” Victoria disse. “Prepare uma mochila e eu cuidarei de Dan e dos garotos. Eles nunca saberão que você saiu. Encontrarei com você lá fora.” Com isso, ela saiu.

Ele lavou-se rapidamente, se vestiu e preparou a mochila, tal como ela tinha sugerido, lançando um par de calças jeans, umas poucas camisas, sua escova de dente e creme dental. Mau hálito não era algo que gostaria de ter enquanto estivesse por perto de Victoria. Já que seus sentidos eram melhores que a maioria.

Como o prometido, ela estava esperando por ele lá fora. Molhado como seus cabelos estavam, o frio ar da noite lhe deu um calafrio e ele teve que envolver um braço ao redor dela para se aquecer.

Riley e Mary Ann tinham um novo sedan, provavelmente roubado próximo de uma milha e meia do rancho. Riley estava parado do lado de fora do carro, puxando uma camisa sobre a cabeça ao sair das sombras.

“Entrem,” o metamorfo disse. “Temos muito caminho para percorrer.” Ele deslizou para o banco do motorista, e Mary Ann se inclinou para ele, a cabeça enterrada em um diário.

Aden e Victoria foram para o banco de trás. Victoria apoiou a cabeça sobre seu ombro. Não porque tinha sono – Aden não percebeu a fadiga nela e não tinha certeza de que ela sequer precisasse descansar – mas simplesmente queria estar próxima a ele. Ele estava contente. Uma parte dele temia que pudesse perdê-la a qualquer momento, que alguém – Dmitri talvez – pudesse levá-la para longe dele e nunca mais voltaria a vê-la. Ela temia a mesma coisa?

“Não iremos ser separados,” ele assegurou a ambos e ela assentiu.

NNóóss nnuunnccaa ddeeiixxaarrííaammooss qquuee iissssoo aaccoonntteecceessssee, Julian disse.

Elijah bufou. CCoommoo ssee ppuuddéésssseemmooss eevviittaarr iissssoo.. DDeessddee oo pprriinnccííppiioo,, eeuu aaddvveerrttii qquuee ccooiissaass rruuiinnss ppooddeerriiaamm aaccoonntteecceerr ssee vvooccêê sseegguuiissssee MMaarryy AAnnnn.

Sim, ele advertiu. De qualquer jeito, Aden tinha corrido a toda velocidade à frente e ainda assim não podia se arrepender disso.

“Onde estamos indo?” ele perguntou.

“Deixarei que Mary Ann diga a você,” Riley disse.

Mary Ann só murmurou algo ininteligível entre dentes e continuou lendo.

Aden deixou passar, não queria interromper o que fosse que mantinha a garota tão interessada. No entanto, logo se arrependeu da decisão. Um longo tempo passou em silêncio, Mary Ann nunca levantou a vista do diário, Riley concentrado na estrada e Victoria perdida em seus pensamentos. A curiosidade o golpeou.

Aden fechou os olhos. Com tão pouco descanso como teve ultimamente, seu corpo constantemente em alerta e pronto para lutar, um descanso podia lhe fazer bem. Ele respirou, forçando a tensão a deixá-lo com cada exalação.

Depois de um tempo, pareceu ouvir Riley dizer em voz baixa, “Você tem que contar a ele, Vic.”

“Eu contarei,” Victoria respondeu tão suavemente, sua voz mal audível. “E não me chame assim.”

Contar a ele o quê? Esperou que a conversa deles continuasse, mas isso nunca aconteceu. “Então, o que está acontecendo?” ele perguntou, endireitando-se. Victoria saltou, mão flutuando sobre seu coração.

“Oh, Meu Deus,” Mary Ann disse, impedindo os demais de responder.

“O quê?” Perguntaram todos ao mesmo tempo.

Mary Ann virou-se e o encarou, com os olhos mareados bordados de vermelho. “Você não vai acreditar nisso. Nossas mães, – espera.” Ela esfregou as têmporas. “Acho que tenho que começar desde o princípio. Do contrário, você nunca acreditará em mim. Em primeiro lugar, nossas certidões de nascimento chegaram, e acontece que eu tenho duas mães. A que morreu ao me dar a luz e a que me criou. Em segundo lugar...” Ela mostrou a Aden as duas certidões de nascimento. Seus olhos se abriram quando ele olhou seus aniversários no mesmo dia e o lugar exato de seus nascimentos.

“O que significa isso?” ele perguntou. “Sobre você e eu?”

Seu olhar era sério. “Eu não sei, mas vou descobrir. Tudo o que sei agora é que minha mãe, minha mãe verdadeira, podia viajar como você, até que ficou grávida de mim, e ela morava próximo da sua. Olha aqui.” Ela levantou as certidões de novo e sinalizou seus endereços. “Eu deixei de olhar isso primeiro porque estava centrada em nossa data de nascimento e no hospital. Na verdade, não acho que teria percebido isso se não fosse o diário de minha mãe.”

“Em uma passagem, ela falou de sua vizinha Paula, que estava grávida também, só duas semanas antes dela. Falou de como se sentiu mais tranqüila quando tinha Paula por perto, depois de um incômodo inicial – suas palavras, não minha – ela falou com meu pai para desistir do apartamento deles e alugar uma casa ao lado de Paula. Mas quanto mais avançada ficava a gravidez dela e de Paula. Mais o sentimento de incômodo voltava, até que elas pararam de sair juntas. Ela disse que se tornou doloroso para ela ficar próximo da mulher. Aden, o nome de sua mãe é Paula. Elas estavam grávidas de nós dois.”

O que queria dizer com que suas mães moravam próximas uma ao lado da outra, se sentiram atraídas uma pela outra? O suficiente para ter seus filhos no mesmo dia? O que queria dizer com que isso se tornou doloroso para elas estarem perto uma da outra?

EEnnttããoo sseeuuss ppaaiiss mmoorraavvaamm pprróóxxiimmooss uumm aaoo llaaddoo ddoo oouuttrroo,, ee nnaasscceerraamm nnoo mmeessmmoo ddiiaa, Elijah disse, ee nnoo mmeessmmoo lluuggaarr. Havia algo em seu tom, algo duro e suave ao mesmo tempo, que Aden não podia identificar. EElleess eessttaavvaamm nnaa mmeessmmaa ssiinnttoonniiaa?? EE aaggoorraa vvooccêê ppooddee ffaazzeerr oo qquuee aa mmããee ddeellaa ffaazziiaa,, oo qquuee MMaarryy AAnnnn ddeetteevvee ssuuaa mmããee ddee ffaazzeerr.. OO qquuee eellaa ddeetteevvee vvooccêê ddee sseerr ccaappaazz ddee ffaazzeerr.

Talvez não. “O que você está dizendo?” ele exigiu.

Todo mundo no carro olhou para ele estranhamente.

“Me dê um minuto,” ele disse. Suas testas permaneceram enrugadas, mas eles assentiram. Ele fechou os olhos, concentrando-se só nas pessoas dentro de sua cabeça. “Elijah?”

PPeennssee ssoobbrree iissssoo,, nnaass sseemmeellhhaannççaass.

Semelhanças. A mãe de Aden tinha acalmado a de Mary Ann. Mary Ann agora neutralizava Aden. Mas o fato de Aden poder fazer, o fato de possuir a mesma habilidade... Querido Deus.

Eve ficou seu fôlego. EEuu lliigguueeii ooss ppoonnttooss.. NNããoo ppooddee sseerr......

Sim pode, Elijah respondeu sem rodeios.

Um tremor atravessou Aden. A idéia era surrealista e louca. No entanto, poderia ser verdade?

“Você se sentiu ligada a ela desde o princípio, Eve,” ele disse.

SSiimm eeuu sseennttii,, mmaass iissssoo nnããoo ssiiggnniiffiiccaa oo qquuee vvooccêê eessttáá ppeennssaannddoo.

“E se, eu realmente suguei você para dentro da minha cabeça no dia do meu nascimento? Nós concordamos que vocês são almas humanas sem seus próprios corpos. E se forem realmente fantasmas? E se vocês morreram no dia do meu nascimento, no hospital onde eu estava? E se você, Eve, realmente for a...”

EEuu nnããoo ppoossssoo sseerr aa mmããee ddeellaa!! SSiimmpplleessmmeennttee nnããoo ppoossssoo.. EEuu mmee lleemmbbrraarriiaa ddee mmiinnhhaa pprróópprriiaa ffiillhhaa.

E lá estava. Em aberto. Eve poderia muito bem ser a mãe de Mary Ann.

“Você esteve fora do meu corpo, sim, você poderia ser. Mas não permaneceu. Você foi absorvida por mim, ou talvez até mesmo forçou-se a entrar em mim por qualquer que fosse a razão, suas lembranças foram limpas. Provavelmente porque eu era só um bebê e minha mente não era capaz de conter ou processar quatro cursos de vida plena.”

NNããoo, ela disse em uma respiração trêmula. NNããoo.. SSiimmpplleessmmeennttee nnããoo hháá ppoossssiibbiilliiddaaddee.

Ele não se deu por vencido. Agora que a idéia foi plantada, não podia desistir. “Isso explicaria por que eu queria abraçá-la, porque ela queria me abraçar. Acho que você sentiu entre ambas um nível profundo da alma.”

“O que você está dizendo Aden?” A voz de Mary Ann o alcançou através da escuridão, tremendo e insegura.

Simplesmente assim, outra concretização chocou-se contra Aden. Se as almas eram realmente fantasmas confusos, então ele só tinha que ajudá-los a se libertarem. Só tinha que ajudá-los a fazer a única coisa que eles se arrependeram de não poder fazer. Como John, eles poderiam seguir adiante, presumivelmente para o além. Eles não conseguiriam seus próprios corpos, mas pelo menos teriam paz.

Elijah já tinha previsto isso. Um de seus companheiros logo ficaria livre. O que significava que um de seus companheiros estava a ponto de ter seu último desejo concedido. Sendo maternal como ela era, o último arrependimento de Eve seria não ver sua filha? Não falar com ela, não abraçá-la? Seria isso o que ela desejava acima de tudo?

Só tinha um jeito de descobrir.

“Pare o carro, Riley. Acho que é hora de Mary Ann conhecer sua mãe.”

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