Interligados#1 - Capítulo 2

Mary Ann Gray localizou a sua amiga e vizinha, Penny Parks, e correu até ela no café ao ar livre. “Estou aqui, Estou aqui,” ela disse, puxando os fones dos ouvidos, diminuindo Evanescence. Ela guardou o iPod em seu bolso, deu uma rápida checada em seu celular Sidekick – apenas um email de seu pai perguntando o que ela queria para o jantar. A resposta podia esperar.

Penny manifestou desaprovação estalando a língua quando ela passou a Mary Ann um café moca coberto “Bem a tempo. Você perdeu a furiosa queda de energia. Eu estava aqui dentro quando todas as luzes apagaram. Ninguém conseguia rede no celular, e eu ouvi uma senhora dizer que todos os carros morreram.”

“O apagão foi a causa dos carros morrerem?” estranho. Então novamente, tinha sido um dia de estranhezas. Como aquele garoto que ela viu no cemitério no caminho até aqui. Que de alguma forma a fez cair – sem tocá-la!

“Você esta me ouvindo?” Penny perguntou. “Seu rosto está totalmente pálido. De qualquer forma, como eu estava dizendo. O apagão aconteceu há quinze minutos.”

O tempo exato que ela esteve no cemitério, o iPod momentaneamente silenciou, um inesperado vento soprou. Huh.

“Então porque você demorou tanto?” Penny perguntou. “Eu tive que pedir por mim mesma, e você sabe que isso não é bom para minha co-dependência.”

Elas se jogaram nas cadeiras que Penny tinha guardado para elas, o sol brilhava sobre a mesa. Mary Ann inalou profundamente, o aroma de seu café, com creme de chantilly e baunilha. Deus, ela amava o Holy Grounds. Pessoas poderia se aproximar do suporte de proteção franzindo o cenho, mas sempre saíam com um sorriso.

Como para provar seu argumento, um casal de idosos caminhou afastando-se da caixa registradora, sorrindo um para o outro sobre as bordas do copo. Mary Ann tinha desviado o olhar. Uma vez, seus pais tinham sido assim, felizes só por estar um com o outro. Então sua mãe morreu.

“Beba, beba,” Penny disse. “E enquanto você está saboreando, me diga o que te segurou.”

Com água na boca, ela bebeu seu grande café com chocolate. Ah, excentricamente delicioso. “Como eu disse, me desculpe pelo atraso. Eu realmente sinto. Mas, tristemente, meu atraso não é o pior de tudo.”

“Oh, não.” Expressão comprimida, Penny voltou a cair em sua cadeira. “O que está acontecendo? Não me diga gentilmente. Só tire o Band-Aid.”

“Ok. Vamos lá.” Respirou fundo. “Não acabei realmente por hoje. Isso é só trinta minutos de intervalo. Eu tenho que retornar ao trabalho.” Ela se encolheu, esperando pelo grito...

“O quê!”

E aí estava ele. Uma pequena infração, realmente, mas Penny poderia ver isso como uma grave ofensa. Ela sempre fazia isso. Ela era uma amiga de alta-manutenção que esperava que seu tempo juntas fosse ininterrupto. Mary Ann não se importava. De verdade. Ela realmente admirava o caráter dela. Penny sabia o que queria das pessoas em sua vida e esperava que fosse dado a ela. E geralmente davam. Sem queixas. Hoje, no entanto, não poderia evitar.

“A Watering Pot é provavelmente a única floricultura a disposição para o casamento de Tolbert-Floyd amanhã, e todos os funcionários tem que fazer hora-extra.”

“Ugh.” Penny balançou a cabeça em decepção. Ou seria desaprovação? “Quando você vai deixar esse seu trabalho de perdedora naquela floricultura? É Sábado, e você é jovem. Você deveria está fazendo compras comigo como o planejado ao invés de trabalhar duro com espinhos e colocando terra em vasos.”

Mary Ann estudou sua amiga sobre a borda do copo. Penny era um ano mais velha que ela, com o cabelo platino, brilhantes olhos azuis e pele pálida e sardenta. Ela gostava de juntar vestidos baby-doll rendado com sandálias sapatilha não importando o clima. Ela era despreocupada, experiente, não tinha idéias para o futuro, namorava quem ela queira, quando ela queria, e fugia da escola tão freqüentemente quanto estava presente.

Mary Ann, por outro lado, poderia vomitar sangue se até mesmo considerasse quebrar uma regra.

Ela sabia porque era do jeito que era, mas que somente fez de sua determinação para ser a ‘boa garota’ de uma forma mais doentia. Ela e seu pai só tinham um ao outro, e ela odiava desapontá-lo. No qual sua amizade com Penny era toda estranha, desde que seu pai (silenciosamente) se opôs. Mas ela e Penny eram vizinhas por anos, tinham entrado na mesma pré-escola quando elas moravam a quilômetros de distância uma da outra. Apesar de suas diferenças, elas nunca pararam de sair juntas. Nunca parariam.

Penny era viciante. Você não se afastaria dela sem querer estar com ela. Talvez alguma coisa no seu sorriso. Quando ela sorria, você sentia todas as estrelas se alinharem e nada de mal poderia acontecer. Bem, garotas se sentiam desse jeito. Garotos conseguiam um olhar e tinham que limpar sua baba.

“Você poderia, por favor, por favor, por favor, ligar dizendo que está doente?” Penny implorou. “Uma pequena dose de Mary não vai ser o bastante.”

Quando ela mostrou aquele sorriso desta vez, Mary Ann se armou contra ele. “Você sabe que eu estou guardando dinheiro para a Universidade. Eu tenho que trabalhar.” Só nos fins de semana, pensei. Era tudo o que seu pai permitia. Dias da semana eram dedicados aos deveres de casa.

Penny traçou um dedo perfeitamente cuidado sobre a borda de seu café. “Seu pai deveria pagar por sua educação. Ele pode prover isso.”

Mas isso não me ensinaria a responsabilidade ou o valor de um dólar obtido com trabalho duro.”

“Deus, você está citando ele agora.” Um tremor sacudiu a pequena forma de Penny quando ela sorriu. “Que forma de arruinar meu estado de humor.”

Um sorriso escapou de Mary Ann. “Se ele pagasse, estaria arruinando meu plano de quinze anos. E ninguém arruína meu plano de quinze anos e vive para contar. Nem mesmo meu pai.”

“Oh, Sim. O plano de quinze anos, eu não consigo fazer você refazê-lo não importa qual seja a tentação que eu jogue em seu caminho.” Penny colocou um fio de cabelo atrás da orelha, revelando três argolas de prata. “Graduação no colégio, dois anos. Licenciatura, quatro. Mestrado e Ph.D., sete. Estagiário, um ano. Abrir seu próprio consultório, um ano. Eu não sei o que vou fazer hoje a noite, muito menos em quinze anos.”

“Eu posso adivinhar o que você vai fazer hoje a noite. Mais precisamente, com quem. Grant Harrison.” O casal está terminando e voltando por seis meses. Atualmente eles terminaram, mas isso não os detém de ficar. “Além do mais, não a nada de errado com um pouco de preparação.”

“Um pouco. Há! Eu suspeito que você tem sua vida mapeada a cada segundo. Você provavelmente até mesmo sabe que roupa íntima vai usar em três anos, cinco horas, dois minutos e oito segundos.”

“Um fio dental de renda preta,” Mary Ann respondeu sem hesitação.

Isso deu a Penny um momento de pausa. Então ela riu. “Quase me pegou, mas o fio dental te entregou. Você usa calcinhas de algodão, baby, de qualquer jeito.”

E cobrir-se toda é uma coisa ruim? “Honestamente, eu não tenho tudo planejado. Nem mesmo sou essa obsessiva.”

“Você disse obsessiva.” Penny soltou uma risada. “Olhe, eu te conheço a maior parte da sua vida, e perguntar para as pessoas sobre os seus sentimentos não é sempre o que Mary do Contra queria fazer quando ela crescesse. Ele queria dançar ballet em um teatro cheio, beijar qualquer celebridade arrasadora e tatuar seu corpo inteiro com flores iguais a que ela viu no jardim. Você decidiu se tornar uma psicóloga depois que sua mãe...” percebendo que tinha tomado o caminho errado falando mais do que devia, ela terminou com, “Você só não era assim!”

Lentamente o sorriso de Mary Ann desapareceu. Lá no fundo, ela não tinha certeza se poderia contradizer a reclamação de sua amiga. Ela tinha sido uma garota indisciplinada uma vez, dando a seus pais ataques, falando e rindo tão alto, sempre desesperada por ser o centro das atenções e fazendo birras quando não conseguia do seu jeito. Então sua mãe morreu em um acidente de carro. Um acidente de carro que Mary Ann tinha sido parte também. Passou três semanas recuperando-se em um hospital. Seu corpo tinha se curado, sim, mas não sua alma.

Após receber alta do hospital, a família Gray tinha caído em uma espiral de tristeza, Mary Ann e seu pai girando mais e mais se afastando do amor que sua combativa família teve uma vez. Com o tempo, aquela tristeza uniu-a com seu pai. Ele se tornou seu melhor amigo, deixá-lo orgulhoso era seu maior objetivo.

Quando ela lhe disse que pensava que talvez gostasse de ser uma psicóloga clínica, como ele, ele sorriu como se acabasse de ganhar na loteria. Ele lhe deu um abraço. A vez girar, e sorriu pela primeira vez em meses. De nenhuma maneira ela poderia escolher um caminho diferente depois disso. Não importava o quanto odiava os estudos. Ainda. Agora ela não podia se imaginar ser qualquer outra coisa que não uma médica da mente. E com Penny dando sua opinião sobre isso, bem...

“Vamos falar de outra coisa,” ela disse secamente.

“Ótimo. Eu te deixei chateada, não foi?”

“Não.” Sim. Talvez. Geralmente, elas se mantinham afastadas do assunto de sua mãe. Embora tenha passado vários anos, as memórias eram às vezes muito frescas, muito cruas. “Eu só prefiro que você olhe para o seu futuro, não para o meu.”

Penny suspirou alto e forte. “Eu não deveria ter ido por aí, e me desculpe. É só que, todo trabalho e nenhuma diversão faz a Mary uma garota tediosa, e eu quero minha garota faísca de volta.” Quando Mary Ann não ofereceu resposta, Penny alcançou e apertou sua mão. “Vamos, Mary Ann do Contra. Ainda posso ver o dano. Me perdoe. Por favor. Nós só temos, o quê? Quinze minutos, e eu não quero gastá-lo brigando com você. Amo você mais do que qualquer coisa ou qualquer um e você sabe que eu cortaria minha perna e chutaria meu traseiro se pudesse. Talvez eu corte fora minha língua e pendure na parede do seu quarto. E quando eu...”

“Ok, ok.” Ela riu, as imagens bobas das palavras de sua amiga ecoaram tranqüilizando-a. “Você está perdoada.”

“Graças a Deus. Mas sério, garota. Você realmente me fez trabalhar por este, e você sabe como eu odeio trabalhar por qualquer coisa.” Sorrindo daquele modo irresistível dela, Penny procurou uma maço de cigarros e um isqueiro na bolsa. Ela acendeu, e inalou profundamente. Logo uma neblina espessa de fumaça as rodeou e Penny inclinou-se em sua cadeira com as pernas estendidas. “Então o que você quer falar? Garotas que odiamos? Garotos que amamos?”

Mary Ann embalou seu café contra o peito, apoiando-se para trás o mais distante que podia. “Por que não discutimos o fato de que fumar mata?”

“Não precisa. Sou indestrutível.”

“Você gostaria.” Ela disse com um sorriso. Mas sua diversão apagou quando uma rajada curta, mas energética do vento cravou em seu peito. Ela massageou justo no ponto acima de seu coração e olhou em volta.

Esse vento perdido não pareceu afetar mais ninguém.

Só outra vez ela tinha sentido um baque forte semelhante. Seu estômago começou a revirar.

“Se você não vai apagar o cigarro por você, então apague por mim,” ela disse. “Eu não quero voltar ao trabalho cheirando como um cinzeiro.”

“Eu tenho a impressão que suas rosas te amarão de qualquer jeito,” sua amiga disse lentamente e deu mais uma tragada. “Tenha piedade de mim. Tenho estado estressada e preciso disso.” Enquanto ela falava, ela lançou as cinzas no chão, atenção distraída.

“Por que você tem estado estressada...”

“Oh, oh, oh. Garoto. Às três horas. Ele acaba de se sentar em uma mesa na nossa diagonal. Cabelos escuros, rosto de estrela de cinema e músculos. Querido Deus, os músculos. Melhor parte, ele está totalmente escaneando você. Isso é, melhor parte pra você. Porque ele não está me escaneando também?”

O coração de Mary Ann imediatamente bateu com hipervelocidade. Primeiro aquele vento estranho, e então um garoto com um cabelo escuro se aproximou? Por favor, que seja uma coincidência. Inclinando-se para frente e colocando a mão na boca, ela sussurrou, “Ele é sujo?”

“Quer dizer pervertido? Eu não sei, mas estou disposta a verificar. Ele é sexy!”

“Não. Eu quero dizer sujo, como lama e alguma espécie de gosma preta em cima dele? Como óleo de motor? As roupas dele estão rasgadas?”

“O rosto dele está sujo sim. Bem, de alguma maneira. Está borrado, como se ele tivesse tentado limpar. Mas sua camisa está limpa e oh, tão perfeito. Deus, seu cabelo tem um tom de preto, mas as raízes são loiras. Me pergunto se ele tem uma tattoo? Isso é sexy. Quantos anos você acha que ele tem? Dezoito? Ele é bastante alto para ser apto legalmente. E oh, Meu Deus, ele acabou de olhar pra mim! Acho que vou desmaiar.”

Apesar da camisa, a descrição combina. Talvez ele tenha trocado.

Uma emoção que não podia ser nomeada deslizou através dela. O que ele poderia estar fazendo aqui...

Ela pretendia parar no túmulo de sua mãe antes de se encontrar com Penny. Depois de tudo, não era longe do caminho. Mas ela deu uma olhada no garoto, experimentou aquela estranha rajada de vento, e só queria escapar.

“Eu o vi mais cedo,” ela disse. “Eu acho... Você acha que ele está me seguindo?”

Olhos abertos, Penny se moveu em sua cadeira e descaradamente espreitou um olhar para ele. “Provavelmente. Um perseguidor, você acha? Deus, isso mesmo que é sexy!”

“Não encare!” ela ofegou, batendo no braço de sua amiga.

Sem pressa ou arrependimento, Penny olhou para ela. “Bem, não me importo se ele é o Carniceiro de Tri-City e guarda corações humanos em seu armário. Quanto mais eu olho pra ele, mas eu gosto dele. Muito...” ela estremeceu. “... Bad-Boy sofisticado. Eu ofereceria meu coração a ele.”

Bad-Boy. Sim, isso combinava também. Mary Ann não tinha que se virar para lembrar de como ele parecia. Sua imagem estava gravada na mente dela. Como Penny disse, ele tinha cabelos pretos com a raiz loira. O que ela não tinha dito era que seu rosto era tão perfeito como as estátuas gregas que ela tinha visto no livro de história mundial, mesmo com lama. Por um mais breve momento, quando um raio de luz o alcançou, Mary Ann tinha jurado que seus olhos estavam com listras verde, marrom, azul e dourado. Mas então o raio de luz desapareceu através das nuvens e as cores dissolveram uma a uma, deixando apenas um intenso preto.

De qualquer forma, a cor não importava. Aqueles olhos eram indomáveis, selvagens, e ela ainda o inegável choque do vento – bizarro vento que tinham terminado tão rápido quanto tinham começado. Por um momento, ela tinha se sentindo ligada a um gerador, o contato visual sacudindo-a, debilitando-a. até mesmo machucando-a. foi quando a náusea começou.

Por que ela experimentou tudo aquilo logo agora, embora de uma forma sem som? Antes mesmo de vê-lo? Por que ela tinha sentido alguma coisa disso tudo? Isso não fazia sentido. Quem era ele?

“Vamos buscá-lo,” Penny disse, excitada.

“Não vamos,” ele respondeu. “Eu tenho um namorado.”

“Não, você um atleta com tesão que fica ao redor, porque ele está desesperado para entrar em suas calças apesar de você continuar dizendo não. Que, por sinal, é uma garantia de que ele está se batendo com alguém toda vez que você dá as costas.”

Havia algo no tom da sua voz... Mary Ann afastou o garoto do cemitério de sua mente – melhor desse jeito – e franziu o cenho para sua amiga. “Espere. Você ouviu alguma coisa?”

Pausa pesada. Outra tragada. Então uma risada nervosa. “Não. Não, claro que não.” Penny agitou uma mão desconsiderada no ar. “e de todo jeito, não quero falar de Tucker. Eu quero falar do fato de você e o Cara Misterioso deveriam totalmente ficar. Você gosta dele, eu posso dizer. Suas bochechas estão vermelhas e suas mãos estão tremendo.”

“Provavelmente estou ficando resfriada.” Era ruim que ela esperasse que suas palavras fossem verdadeiras? Quando uma garota não consegue tirar um garoto da sua mente, ela, bem, não conseguia tirá-lo do pensamento. Deveres de casa foram esquecidos. Objetivos foram abandonados. O cérebro se tornou uma pasta. Ela viu acontecer, uma e outra vez. Ela não deixaria acontecer com ela.

Está era uma das razões porque ela namorava Tucker. Ele era seguro. Bonito e popular, mas seguro. Ele estava ocupado com o Football e não se importava quantas vezes ela fugia dela para trabalhar ou estudar.

“Não seja hipócrita. Me dê permissão, e eu irei trazê-lo aqui. Eu terei os dígitos dele em 5 segundos, e vocês podem sair. Eu não direi ao Tucker, eu juro.”

“Não. Não, não, não!” ela balançou a cabeça dando ênfase, o rabo de cavalo golpeando suas bochechas. “Um, eu nunca trairia o Tucker.”

Penny revirou os olhos. “Então termine com ele.”

“E dois,” ela disse, ignorando a observação de sua amiga, “Eu não tenho tempo para me divertir com outro garoto. Mesmo como amigo. As notas nunca foram tão importantes. SATs está chegando.”

“Você tira A direto. E você nunca vai passar no SATs, garantido.”

“Quero manter os As, e o único jeito de passar no SATs é se eu continuar em curso. Você sabe essas coisas não vem fácil pra mim.”

“Tudo bem. Mas quando você morrer de estress e desapontamento, você vai pensar nesse momento e desejar para Deus que tivesse aceitado minha oferta.” Penny estendeu seus braços e olhou para o céu. “Quem teria pensado que eu seria a única esperta neste relacionamento?”

Agora foi Mary Ann quem revirou os olhos. “Se você é a mais esperta, o que isso faz de mim?”

“A estúpida, aquela bonita.” Penny sorriu, mas pela primeira vez a expressão era sem o seu habitual deslumbre. “Eu não posso evitar isso, suponho. Que a psicotagarelice de seu pai está sempre te alimenta. É bom pra todo mundo, blá, blá, blá. Eu estou te dizendo, Mar, algumas pessoas são tão inúteis quanto uma garrafa vazia de cerveja e Tucker é um... deles.” Este último foi dito com uma agitada bufada de ar. “Adorável! Eu não tive de fazer nada e está vindo! Sim, você me ouviu bem. Seu perseguidor está vindo pra cá!”

Mary Ann se virou antes que ela pudesse se conter. Era o garoto do cemitério. Ela mal pôde esconder sua careta quando outra daquelas sacudidas varreu através dela, queimando como ácido.

Pelo menos o mundo não pareceu implodiu dentro de si desta vez, deixando-a com o sentimento estranho de nada.

Estabilizada agora, ela estudou ele. Seus jeans estavam rasgados, mas ele de fato trocou a camisa. Está estava limpa e livre de furos. Seu rosto estava tão perfeito quanto ela lembrava, impecável para ser real.

Ele tinha grossos cílios pretos que perfeitamente enquadravam seus olhos. A maçã do rosto perfeitamente esculpida que rodeava um nariz perfeitamente inclinado. Lábios perfeitamente formados, agora afundados em um olhar carrancudo.

De perto, ela percebeu que ele era mais alto do que ela havia assumido. Se eles estivessem em pé um do lado do outro, ele poderia ser uma torre sobre ela. Suas feições eram firmes de preocupação.

Um passo, dois, ele hesitantemente se aproximava. Quando chegou até nós ele parou e deixou cair à mochila em seus pés.

Mary Ann ficou tensa e sua boca secou. O que ela faria se ele a chamasse para sair? Tucker era seu primeiro e único namorado. O primeiro e único cara que ela saiu, sério, então ela nunca teve que dispensar ninguém antes. Não que aquele garoto fosse chamá-la para sair.

Por favor, não me chame para sair.

“Ele não era um daqueles egoístas? A maioria dos garotos queria suas anotações, não seu corpo. Oh, sim.

“Esse dia não poderia conseguir nada melhor,” Penny disse, aplaudindo.

Ele acenou com timidez. “Oi,” ele disse. Então franziu o cenho e esfregou o peito, justamente como ela fez alguns poucos minutos atrás. Estreitou seu olhar, e olhou ao seu redor.

“Oi,” Mary Ann disse, deixando cair sua atenção na mesa de ferro. Sua língua de repente pareceu enorme e colou no céu da boca. Pior, seu cérebro parecia ter tirado férias e ela não podia pensar em nada mais para dizer.

Um embaraçoso silêncio floresceu entre eles.

Penny liberou um profundo suspiro. “Tudo bem. Permita-me. O nome dela é Mary Ann Gray, e ela é cursa o penúltimo ano da Crossroads High School. Eu te darei o número dela se você me pedir gentilmente.”

“Penny.” Mary Ann golpeou o ombro de sua amiga.

Penny a ignorou. “Qual é o seu nome? E qual escola freqüenta?” ela perguntou ao garoto. “Wild Horse? Desgosto jorrou em seu tom.

“Eu sou Aden. Aden Stone. Acabei de me mudar pra cá. E eu não vou a escola pública.” Pausa. “Ainda. Mas o que há de errado com Wild Horse?”

Sua voz era profunda e estranhamente induz arrepios. Ela se forçou em se concentrar nas palavras dele, apesar, do seu tom de voz. Ele disse que não freqüentava escola pública. Isso significa que ele freqüenta escola particular? Ou que ele estuda em casa?

“Olá, são simplesmente nossos maiores rivais e o lar dos piores humanos na Terra.” Penny chutando a cadeira. “Mas desde que você não é de lá, gostaria de se juntar a nós, Aden Stone?”

“Oh, Se... Se.. Se você não se importar?” A questão foi direcionada a Mary Ann.

Antes que ela pudesse responder – não que ela soubesse o que dizer – Penny alisou-se e respondeu, “Claro que ela não se importaria. Ela estava justamente falando que gostaria que você se juntasse a nós. Sente-se. Sente-se. Nos fale sobre você.”

Lentamente Aden avançou até a cadeira, como se temesse que ela lhe jogasse pra fora. O sol o acariciou com amor, praticamente adorando seu belo rosto. E por um momento, apenas um momento, Mary Ann viu aquelas diferentes cores em seus olhos novamente. Verde, azul, dourado e marrom. Incrível. Mas como tão rapidamente elas apareceram, elas desapareceram, deixando aquele ônix ardente.

O aroma de pinho e bebê recém-nascido fluíam dele. Por que um bebê? De lenços umedecidos Wet Wipe, talvez? De todo modo, sujo como ele estava, ela podia esperar um odor mais desagradável. Em vez disso, o cheiro doce a fez lembrar algo... De alguém. Quem, ela não podia se situar. Ela só sabia que tinha um impulso repentino de abraçá-lo.

Abraçá-lo?

De atração para curiosidade, para aversão, para afeição? Sério, o que havia de errado com ela? E o que Tucker diria? Ela nunca flertou com outro garoto – não que ela estivesse flertando agora – então ela não tinha idéia de como Tucker reagiria se ela fizesse. Ele poderia ser uma piranha no campo de futebol, mas ele sempre foi legal com ela.

“Eu estava me perguntando... Eu vi você do lado de fora do cemitério,” Aden disse a Mary Ann. “Você, uh... Você... Notou alguma coisa que perturbou você?”

Então hesitante, ele estava. E do tipo fofo. Adorável também. A urgência de abraçá-lo aumentou. Mas ela apenas piscou, sem ter certeza de ter ouvido corretamente. Ele sentiu aquele vento bizarro também? “Como o quê?”

“Deixa pra lá.” Lentamente ele sorriu, e foi um sorriso que não só rivalizada como o de Penny, mas o superou.

Acho que ele não deixou, ela pensou. “Estava visitando algum parente lá?”

“Uh, não. Ei, um, trabalho lá. Você sabe, as estações de noticias provavelmente falarão sobre a profanação de vários túmulos logo. E eu estava... limpando as coisas.”

O túmulo de sua mãe estava bem? É melhor que esteja!

“Que morbidez maravilhosa.” Penny soprou uma nuvem de fumaça em sua direção. “Você alguma vez tentou fazer uma pequena escavação e roubar um pouco de jóias?”

Para seu crédito, ele não tossiu ou se estremeceu. “Nunca,” ele disse, virando para proteger seu rosto de um homem rechonchudo que passou pela mesa.

Se escondendo? Talvez aquele fosse seu chefe e ele não deveria estar no intervalo.

Ela o estudou, perguntando-se o que ele – seu olhar se prendeu no machucado que ele tinha no pescoço e ela engasgou. “Oh, ai! O que aconteceu com você?” havia duas perfurações, ambas misturadas de azul e preto. Marcas de dentes, ela então percebeu, e avermelhados. Ele poderia ter conseguido eles de uma garota. Provavelmente tinha. “Deixa pra lá. É pessoal. Você não tem que responder isso.”

Ele não respondeu. Cobriu as feridas com suas mãos, suas próprias bochechas coradas.

“Ótimo, dois puritanos em uma mesa.” Penny lançou um suspiro de paciência. “Então o que você faz para se divertir, Aden? Aonde você estuda se não é na escola pública? E você tem uma namorada? E presumindo que a resposta seja sim, já que você está mordido, mas estou com esperanças que nos diga sobre o término.”

Sua atenção voltou para Mary Ann. “Estou mais curioso sobre Mary Ann. Porque não falamos sobre ela?”

Modo de se esquivar das perguntas, ela pensou.

“Sim, Mary Ann.” Penny apoiou os cotovelos sobre a mesa, expressão zombeteira extasiada. “Conte-nos sobre seu excitante plano de quinze anos.”

Mary Ann sabia o que sua amiga estava fazendo: tentando forçar a voz de sua suposta estupidez para que ela percebesse que precisava de emoção. Quantas vezes Mary Ann havia lhe dito que admitir um problema era o primeiro passo para consertá-lo? Penny deve tê-la ouvido porque, por uma vez, ela estava agindo como a psicóloga. “Outra palavra sua e eu pegarei aquela sua oferta de mais cedo. Sua língua ira parecer legal em cima da minha cama.”

Com as mãos levantadas, Penny projetou sua inocência. “Só tentando aliviar o clima, docinho.” Sorrindo, ela deixou cair seu cigarro no concreto e apagou com o pé. “talvez o único jeito de fazer isso, é indo embora. Vocês dois podem conhecem um ao outro.”

“Não,” Mary Ann se apressou quando sua amiga ficou de pé. “Fique.”

“Nada. Eu só causarei mais problemas.”

Aden observava a troca, a cabeça indo e voltando entre elas, expressão confusa.

“Não vá.” Mary Ann agarrou o pulso de Penny e puxou de volta para cadeira. “Você vai...” um pensamento lhe ocorreu e ela engasgou. “Oh, não. Que horas são? Ela colocou seu café na mesa, tirou seu celular de sua bolsa e olhou as horas. Tal como ela havia temido. “Eu tenho que ir.” Se ela se apressasse, poderia voltar a tempo para A Watering Pot.

“Eu irei aonde quer que você for. Não me importo.” Aden se levantou tão rápido, que sua cadeira escorregou atrás dele e bateu em um homem que estava passando. “Desculpa,” ele murmurou.

“Eu estou com uma presa louca, então eu... Eu acho que deveria ir sozinha. Desculpe.” Melhor desse jeito, ela falou para se mesmo. Seu sangue ainda queimava nas suas veias, seu estomago ainda apertado. Ela se inclinou e beijou Penny na bochecha antes de ficar de pé. “De qualquer forma, foi legal conhecer você, Aden.” Algo assim.

“Você também.” Ele soou desanimado.

Ela voltou um passo, parou. Impeliu outro passo, um obscuro canto de sua mente gritando para que ela ficasse, apesar de tudo.

Aden se moveu até ela, dizendo, “Posso te ligar? Eu adoraria te ligar.”

“Eu...” ela abriu a boca para dizer sim. Aquele obscuro canto querendo vê-lo de novo e descobrir porque ela sente tanto dor quanto afeição em sua presença. O restante dela, o lado racional de sua natureza, listou todas as razões para se manter afastada dele: Escola. Notas. Tucker. Plano de quinze anos. Ainda assim ela teve que lutar para dizer, “Não, me desculpe,” pra fora de sua garganta.

Virando, ela se dirigiu para A Watering Pot, se perguntando se ela apenas tinha cometido um enorme erro. Um erro que ela se arrependeria pelo resto de sua vida, justo como Penny profetizado.

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