Interligados#1 - Capítulo 19
Aden não tinha muita prática ao volante, por isso não era tão bom motorista como gostaria. Freava um pouco bruscamente e pegava as curvas um pouco rápido demais. Pelo menos não tinha que se preocupar de ser parado pela polícia. Não com Victoria no carro. Ela poderia falar para eles se livrarem da multa. Literalmente.
Tinha a música baixa ao fundo. Seus dedos golpeavam contra o volante, mantendo o ritmo selvagem apesar da dor de seus nódulos. Tal como estiveram durante seu exame de motorista, as almas estavam experimentando um sentimento quase vertiginoso.
QQuuaannddoo ffooii aa úúllttiimmaa vveezz qquuee ttiivveemmooss eessssaa lliibbeerrddaaddee?? Caleb lhe perguntou como um sorriso.
NNaaddaa ddee mmééddiiccooss nneemm pprrooffeessssoorreess.. SSóó nnóóss ee ooss ccaavvaallooss. Julian suspirou com satisfação.
“Este carro é seu?” ele perguntou para romper o silêncio entre eles e afastar seus companheiros para que acidentalmente não comecem a falar com eles. “Porque nunca vi você nem perto de um.”
Ela deu de ombros, envergonhada. “Vamos dizer que pedi emprestado. Mas não se preocupe. Eu devolverei e ninguém jamais saberá que sumiu.”
Emprestado. Também conhecido como roubado. O mais provável é ela ter usado sua voz de comando e o proprietário simplesmente lhe entregou as chaves. Ele não podia evitar sorrir – até separar seus lábios e estremecer.
OOhh,, AAddeenn. Eve expressou desaprovação sob sua língua. PPaasssseeaannddoo eemm uumm ccaarrrroo rroouubbaaddoo?? SSee ppooddee ccoollooccáá--lloo eemm pprroobblleemmaass oouu nnããoo,, iissssoo nnããoo éé aa ccooiissaa cceerrttaa aa ffaazzeerr.. NNããoo tteennhhoo cceerrtteezzaa ddee qquuee eessttaa ggaarroottaa sseejjaa aa mmeellhhoorr iinnfflluuêênncciiaa ppaarraa vvooccêê.. MMaarryy AAnnnn éé......
NNããoo,, nnããoo,, nnããoo. Elijah golpeou sua cabeça contra a cabeça de Aden, sacudindo seu cérebro. MMaarryy AAnnnn éé ssóó uummaa aammiiggaa,, eennttããoo nnããoo tteennttee eemmppuurrrráá--lloo ppaarraa eellaa.. EE nnããoo eessttoouu ddiizzeennddoo iissssoo ssóó ppoorrqquuee eellaa nnooss mmaannddaa ppaarraa oo eessqquueecciimmeennttoo.. RRiilleeyy nnooss ccoommeerriiaa vviivvooss.
Eve bufou de raiva. TTuuddoo oo qquuee eeuu eessttaavvaa ddiizzeennddoo éé qquuee eellaa éé uummaa iinnfflluuêênncciiaa mmeellhhoorr..
Mais uma vez, Aden fez o seu melhor para deixá-los de fora. “Então... você sabe onde Riley e Mary Ann estão? Você estava com eles antes?”
“Sim. Eles estão
Tri City. Ele esteve ali algumas vezes e sabia que lá tinha Restaurantes, muitas Lojas de Roupas e um Teatro. “Por que eles estão lá?”
“Eu... Eles...” ela deixou escapar um suspiro de frustração. “É muito difícil de explicar. Será mais fácil mostrar a você.”
Bem, ela não era a única trabalhando com a frustração. Eles tinham outros dez minutos antes de chegar a Tri City, e a espera não seria fácil. “Vocês estão ali o dia todo?”
“Sim.”
Ainda assim eles, de bom grado, tinham deixado-o para trás. Ai. “Por que não me buscaram antes?”
“Você tem tanto poder que queríamos em primeiro lugar ter certeza de que podíamos protegê-lo em caso de alguma coisa sair errado.”
Isso, ele entendia. Com ele, sempre alguma coisa saía errado.
Passou um minuto. Dois. Saiu da estrada principal e entrou na estrada lateral, reduzindo o carro a uma velocidade aceitável. Ele quis falar com Victoria o dia todo. E agora, aqui estava ela. Ele podia fazer a pergunta que realmente queria que fosse respondida. Então fale. Coloque para fora.
“Então, quem era aquele cara? O que estava na minha janela ontem? O que te escutou dizer para eu te deixar
Ela se virou em seu assento, encarando-o, e apoiou a cabeça no encosto do banco. Seu cabelo está em queda hoje, as mechas azuis brilhando. “Odiei dizer a você que me deixasse em paz, quase tanto quanto odeio aquele homem, mas eu tive que dizer isso. Não podia deixá-lo saber o quanto eu... gosto de estar com você. Ele teria desafiado você, eu teria ficado do seu lado, e meu pai castigaria a todos nós.”
Era tanto um consolo – ela teria escolhido ele – e um horror – pela retribuição do pai dela. Aden faria qualquer coisa, inclusive ficar longe dela, para protegê-la deste destino. Ela fez a coisa certa, sua raiva tinha evaporado.
“Na próxima vez, me dê um pequeno aviso e eu jogarei junto. Então, quem é ele?”
“Um vampiro,” ela respondeu. “Por causa dele, agora estou proibida de sair de casa a noite.”
Sua amargura súbita correspondeu com a dele. “Ele é outro de seus guarda-costas?”
“Você poderia dizer isso, sim.”
Ele poderia dizer isso, mas ela não? “Qual é o nome dele? Ele machucou você?”
“Seu nome é Dmitri, e não, não me machucou fisicamente.”
Emocionalmente então? Estava começando a aprender suas nuanças, Aden percebeu. Ela não queria mentir pra ele, por isso rodeava a borda da verdade com a omissão. Esperta. Ele fazia o mesmo com Dan.
Aden queria que ela confiasse nele completamente, totalmente, sem segredos entre eles. Entretanto, isso levaria tempo, porque ele não ia tentar pressioná-la da forma que seus médicos freqüentemente tentavam pressioná-lo, usando promessas e garantias. As ações eram a verdadeira prova da integridade de um homem. Um dia ela irá perceber que não importa o que disser, não importa o que fizer, ele a amaria.
Amor?
Seu coração pulou uma batida, em seus ouvidos de repente soavam como sangue bombeado através de suas veias. Nunca pensou em sentir uma emoção como essa ele mesmo. Sempre tentou proteger-se contra isso, realmente. Tão rápido quanto algumas vezes foi tirado dos lares adotivos, ele tinha aprendido que as despedidas são menos dolorosas se não importar-se com a pessoa que ele está deixando.
No entanto, toda esta experiência em Crossroads era diferente, desde o princípio. Imaginando Dan como seu pai, ser amigo de Mary Ann, Shannon, e depois, Victoria (e talvez um pouco também Riley). Esperando mais de Victoria do que nunca tinha esperado de outra pessoa, meio apaixonado por ela antes mesmo de conhecê-la.
“Você está bem?” ela perguntou, claramente preocupada. Ela podia ouvir o fluxo de sangue em suas veias? Sentia a forma como seu coração pulava fora de controle?
“Sim,” ele conseguiu grasnar pra fora. “Estou bem.” Ele amava. Ele a amava.
Eve podia ser contra. Alguns dos outros também. Mas ele não podia evitar seus sentimentos. Eles estavam ali, e eram fortes. Ele queria Victoria segura, ele a queria com ele, durante a noite, durante o dia. Queria saber tudo sobre ela.
Ela era esperta, linda, quente. Ela lutou por ele quando ninguém mais lutou. Ela nunca olhou pra ele como se ele fosse estranho ou diferente. Não, ela sempre olhou para ele como se ele fosse perfeito, inclusive com direito de ser amado.
“Em que você está pensando?” ela perguntou.
Ele não podia dizer. Ainda não. Quão profundos eram os sentimentos dela por ele?
“Sobre sua morte?”
Ele ficou tenso ao recordar.
“É tudo no que tenho sido capaz de pensar desde que você me disse.” Seu queixo tremeu como se ela estivesse lutando com as lágrimas.
Essas lágrimas provocavam tanto satisfação quanto o deixou sóbrio. Para chorar por ele, ela devia ter sentimentos profundos por ele. Mas eles não tinham muito tempo juntos. Talvez houvesse uma maneira de salvar a si mesmo, pensou, embora soubesse a verdade. Só que não estava disposto a renunciar ainda. “Posso ser transformado em vampiro?”
“Oh, Eu desejaria. Mas diferente dos seus livros e filmes, isso nunca foi feito com êxito. Nosso sangue é diferente do sangue de vocês, e os seres humanos simplesmente não podem tolerar a quantidade necessária para fazer a transformação. Eles se tornam loucos.”
Então não existia melhor candidato para dar sangue do que Aden. Segundo os médicos, ele já estava na metade do caminho.
Victoria suspirou, e foi um som melancólico. “Os primeiros foram criados no tempo do meu pai. Quando ele percebeu o que era, em que se tinha convertido, obrigou seus soldados de elite e as mulheres de suas escolhas a beber como ele tinha feito, como seus mascotes fizeram. Alguns deles mudaram, alguns não. Nos anos seguintes, muitos outros tentaram transformar outros seres humanos, mas todos morreram.”
“Sério? Nem um só sobrevivente?”
“Correto. Os únicos novos vampiros são aqueles que nascem de uma mãe vampira.”
“Mas é lógico pensar, que se os vampiros foram criados uma vez, poderiam ser criados de novo.”
“Verdade. Mas ninguém sabe o que ficou faltando nas recentes tentativas. Ou o sangue contaminado de meu pai e seus homens não é mais consumido, ou o corpo humano evoluiu, se tornando resistente. Às vezes, por razões que ainda não descobrimos, o vampiro que participa inclusive morre com o humano.”
Então isso estava descartado. Ele não colocaria Victoria
“Vire à esquerda aqui.” Ela disse.
Ele virou, e logo se viu ao longo de uma sinuosa estrada de terra fora nos arredores da praça, às costas dos edifícios à frente de outra faixa de terra florestal. Cascalho rangia sob os pneus, e o carro saltava. Ninguém estava à vista. Só um corvette vermelho.
“Estacione aqui.”
Ele diminuiu até parar e desligou o carro. Eles desprenderam o cinto simultaneamente, e ele olhou para ela. Ela usava uma camisa preta, como de costume, e estava segurando a bainha. Ver suas unhas lhe recordou do esmalte em sua mochila.
Aden se esticou até o banco de trás, abriu seu bolso e procurou dentro. Quanto seus dedos envolveram um pequeno e frio frasco de vidro, ele o tirou, rezando para que fosse tão rosa e brilhante como John tinha prometido. Ele era. Graças a Deus.
“Antes de me mostrar o que quer que você planeje me mostrar, eu quero que você fique com isso.” Engolindo em seco, repentinamente nervoso, ele ofereceu o frasco a ela. “Pra você. Bom, para as unhas dos pés.”
Ela olhou para o frasco, então pra ele, e de novo para o frasco, sua boca abrindo e fechando várias vezes. “Pra mim?”
Isso significava que gostou? “Você comentou sobre as cores dentro da casa de Mary Ann, e eu pensei que talvez você...”
“Eu amei!” ela disse, jogando-se em seus braços, repartindo pequenos beijos por todo seu rosto. Quando um desses beijos chegou a sua boca, ela parou. Seu sorriso desapareceu. Ela pressionou outro beijo em seus lábios, desta vez suave e lento, a língua dela deslizando-se para dentro.
Ele estava cortado e machucado, e o beijo lhe machucava, mas não a teria parado por nada. Apenas envolveu-se ao redor dela e a segurou, saboreando o contato. Aspirou profundamente, bebendo o aroma floral do cabelo dela, desfrutando de seu sabor embriagador. Todo esse calor...
Houve um golpe na janela.
Eles saltaram ao se separar como se queimassem. Aden estava procurando suas adagas quando viu a expressão dura e nada amigável de Riley. Mary Ann estava atrás dele, mais pálida do que nunca.
Franzindo o cenho, ele abriu a porta e saiu. A temperatura fresca dentro do carro deu lugar ao calor do dia. Uma das coisas que odiava em Oklahoma era que um dia poderia ser extremamente frio, e no outro uma sauna.
Ele não escutou Victoria se mover, mas de repente ela estava ao lado dele. “Sim?” Ela perguntou.
“Isso só está piorando.” Riley disse.
Victoria ficou rígida, e Aden passou o braço ao redor da cintura dela.
“O quê?” ele perguntou. Já estava aqui. Alguém teria que dizer o que demônios estava acontecendo.
“Vamos. Eu mostrarei a você.”
Aden passou a língua pelos dentes. Ninguém lhe daria uma resposta direta?
Riley virou-se, pegou a mão de Mary Ann e caminhou através do beco entre dois edifícios, permanecendo nas sombras. “Não deveríamos tê-los trazido aqui, mas precisávamos que visse o que há aí fora e que seja capaz de identificar as diferentes espécies com uma olhada.”
Confuso, Aden o seguiu, sem soltar Victoria. Manteve-se em guarda, pronto para atacar qualquer coisa que se movesse. Para sua surpresa, nada saltou neles. Também para sua surpresa, só viu uma multidão de pessoas caminhando em todas as direções quando chegou à frente dos edifícios. Mais pessoas do que ele pensava que vivessem nesta pequena área de três cidades, sem dúvida. Mas onde estava o perigo nisso?
“Vê aquela mulher?” Victoria sinalizou uma mulher de tamanho médio, com cabelo castanho claro, feições comum, usava uma camisa de cor marrom e calças desbotadas. Ela poderia se misturar em qualquer multidão, sem ser notada, completamente esquecível.
“Sim.”
“Ela é uma bruxa, envolvida
Sua atenção se aguçou nela, e ele notou a vigilância em seu olhar enquanto ela escaneava aqueles a sua volta. Inclusive tinha um brilho que a envolvia, por mais leve que fosse, como se o sol refletisse nela mais do que em qualquer outro. Ela estudava cada um que se aproximava, inclusive tocava em alguns, como se esperasse ser sacudida. Quando nada acontecia, franzia o cenho com decepção e seguia adiante.
“Como sabe o que ela é?” ele perguntou. “Como você pode dizer?”
“Você tem que treinar seus olhos para olhar além da superfície,” disse Mary Ann, como se estivesse citando algo que lhe disseram. Provavelmente estava.
“As bruxas podem abençoar com uma mão e amaldiçoar com a outra,” Victoria explicou. “Algumas possuem mais magia que outras, mas todas são perigosas.”
“Tenho escutado algumas conversas,” Riley disse. “As bruxas querem capturar você, Aden, apesar de não saber ainda quem é você, para usá-lo e assim aumentar seus poderes. Pensam que quem as chamou é um mago poderoso. Meu conselho é evitar a captura.”
“Ah, sério? Porque eu nunca tinha pensado nisso por conta própria,” ele disse secamente.
Riley continuou como se ele não tivesse falado. “Se você for capturado, quando terminarem com você, será a sombra do que é. Elas irão drená-lo.”
“Então anotado.”
“O homem atrás dela é uma fada,” disse Victoria. O desgosto em sua voz era evidente.
Aden mudou rapidamente seu enfoque. O homem – ou adolescente, provavelmente de dezoito anos – era alto e musculoso, sua pele ostentando um pouco de brilho. Tinha o cabelo dourado e os olhos dourados. Todos que passavam por ele, da mesma forma homens e mulheres, olhavam fixamente, esticando seus pescoços para vê-lo o quanto fosse possível. Com exceção da bruxa, Aden percebeu. Ela correu em direção oposta.
“Igual aos vampiros, as fadas drenam,” Victoria continuou. “Só que ao invés de sangue, vivem de energia. Vampiro, bruxa, não importa. Bem, isso não é verdade. Eles não drenam seres humanos. Consideram-se protetores da humanidade, os deuses entre os homens.”
“Você mencionou que os duendes também estão aqui.” Comedores de carne. Ele estremeceu, sentimento os cadáveres fantasmas mordê-lo. “Onde estão?” Se ele aprendesse a identificá-los, poderia evitá-los.
“E os demônios,” Mary Ann disse com um estremecimento próprio. “Não se esqueça deles.”
“Os duendes só saem à noite, a visão deles é muito sensível ao sol.” Riley disse. “Diga a seus amigos que parem de sair depois de anoitecer. A lista de desaparecidos está como um foguete. Os números de mortes também.”
Por minha culpa, pensou Aden. Porque tinha visto Mary Ann. Porque ficou nesta cidade.
“Oh, Deus.” Mary Ann fechou a boca com a mão como se acabasse de perceber a magnitude do perigo que corriam, as lágrimas ameaçando sair de seus olhos. “Pessoas vão morrer?”
Riley beijou o topo da cabeça dela. “Não se preocupe. Nós faremos o que puder. Tal como os demônios, eles são mais difíceis de detectar. Alguns aprenderam a mascarar suas auras.”
“Como chegaram aqui?” Aden perguntou. “Na Terra, quero dizer. E há quanto tempo estão aqui?”
“Eles estão aqui a milhões de anos. Antes das paredes do inferno serem reforçadas, alguns escaparam de suas prisões de fogo. Eles não podiam fazer-se passar por humanos – as escamas, os chifres, e as línguas bifurcadas os deletavam – por isso fizeram-se passar por deuses. Eles acasalaram com humanos e meio-demônios, teve como resultado o nascimento de bebês meio-humanos. Estas crianças ainda não podiam passar como humanos, nem tampouco seus filhos ou filhos de seus filhos. Entretanto, eventualmente, os descendentes foram capazes de inserir-se na sociedade. Ladrões, assassinos, aqueles que são maus por natureza, muitas vezes podem traçar sua linhagem até os primeiros demônios.”
Maus por natureza. Como Tucker.
“Tucker,” Mary Ann disse. Claramente pensando o mesmo que ele.
Riley assentiu. “De certa forma, sim, embora não sabemos o que...”
“O que mais há lá fora?” Aden perguntou. Que outra coisa queria usá-lo?
“Qualquer coisa, tudo, embora os outros ainda não tenham chegado a Crossroads.” Victoria apoiou a cabeça sobre o ombro de Aden. “Dragões, Anjos, Valquíria, Transmorfos de todos os tipos. A maioria vive em harmonia com as demais criaturas, mas várias das raças estão
Mary Ann secou as lágrimas com a costa da mão. “O que devemos fazer?”
Aden levantou o queixo, percebendo o que tinha que fazer. Mary Ann estava preocupada com seu pai. Victoria com seu povo. Riley, bem, provavelmente preocupado com Mary Ann. O olhar que o lobisomem lhe deu recordou a Aden como certamente ele protegia a princesa vampiro.
“Eu vou fazer as malas e partir,” ele disse. “As criaturas irão me seguir, e todos estarão a salvo.”
“Não!” Victoria endireitou-se com uma sacudida. “Eles irão segui-lo aonde for, sim, mas isso colocaria mais e mais pessoas
“Mas quando ela está com Riley, todos os meus poderes permanecem. Inclusive agora, posso ouvir meus companheiros no fundo da minha mente. Ele tem algum tipo de efeito sobre a capacidade dela de neutralizar.”
A cabeça de Riley se inclinou para o lado. “Talvez eu não afete ela. Talvez eu afete você. Me pergunto se no fundo você sente que sou um predador, por isso suas defesas e adrenalina trabalham em tempo extra quando estou por perto, filtrando através de qualquer bloqueio que Mary Ann coloca sobre você.”
Eles tinham tanto o que aprender. Muito, ao que parece. Quando se supunha que iria encontrar as respostas?
“Vamos, devemos ir,” Victoria disse repentinamente, puxando-o mais para as sombras.
Por quê? Aden retornou sua atenção para a praça. A Fada mudando de direção e agora se dirigia até o edifício onde estavam. Isso não era bom. A fada tinha o poder de drenar Victoria, de machucá-la. E ficar junto dela só a colocaria mais em perigo do que já estava.
Aden a soltou e juntou-se a Mary Ann. “Riley, tire Victoria daqui. Nos encontraremos na casa de Mary Ann.”
“Não, eu...” Riley começou.
“Eu manterei Mary Ann a salvo,” Aden o assegurou. “Mas desta forma, com Mary Ann e eu juntos por nossa conta, as criaturas não terão rastros para seguir. Então vão!” A fada estava mais perto... muito perto.
Riley assentiu de má vontade e arrastou Victoria. Ou tentou. Ela conseguiu se libertar. Enquanto se aproximava dele, abriu o anel e colocou um dedo dentro. Antes que ele pudesse pará-la, ela pressionou o dedo contra o pulso, imediatamente a carne queimou e uma ferida se abriu.
No momento que chegou a ele, ela apertou a ferida contra sua boca. Pressionou muito forte, tão forte que ele não conseguiu se afastar dela. Tudo o que podia fazer era abrir a boca para protestar – depois engolir o sangue que fluía através de seus lábios. Era quente e doce, borbulhante como soda, praticamente vivo quando se apoderou de sua língua.
“Está pequena quantidade não te matará,” ela disse. “Dan não pode vê-lo cortado e machucado de novo. Desta forma, ele não verá. Você irá se curar antes de chegar em casa.”
O calor se propagou através dele. O calor se intensificou com cada segundo que passava, queimando, muito quente, queimando tudo o que tocava. Ele sentiu como se estivesse com febre ou como se estivesse pegando fogo, seu corpo inteiro em erupção antes de tornar-se cinzas.
“O efeito colateral...” ela disse. “Desculpe.”
Mais uma vez, Riley a arrastou. Ela manteve seu olhar em Aden o máximo que pôde. Ele tentou não pensar sobre o que ela quis dizer com “efeito colateral”. Quando ficaram fora de vista, as almas gemeram, foram jogados de volta ao reino de escuridão que tanto odiavam.
A fada, ele percebeu, parou, olhando ao redor em confusão e franzindo o cenho. Isso era boa coisa. Aden teve o pressentimento enquanto respirava e respirava. Finalmente, seu corpo esfriou.
Mary Ann lhe dava palmadas na costa para reconfortá-lo, percebeu enquanto se endireitava.
Decidindo checar o beco mesmo assim, a fada voltou a mover-se.
Aden conduziu Mary Ann na direção oposta a que seus amigos foram. Ele não podia se preocupar pelos efeitos colaterais de beber sangue de vampiro agora. De nenhuma maneira isso poderia ser pior do que veneno de cadáver. E a segurança de Mary Ann estava em primeiro lugar.
Ele aumentou seu ritmo. Se a fada conseguiu um reflexo dele, não sabia. Manteve-se em movimento, nunca olhando para trás, até que encontrou uma porta destrancada. Dentro do edifício – uma loja de roupa – topou com um empregado que disse que ninguém deveria estar ali atrás. Ele se desculpou e fez seu caminho para fora, onde diminuiu o passo. Mary Ann se manteve próxima, em silêncio, talvez muito assustada para falar.
Havia muita gente. Observando-os à distância não tinha feito justiça aos números. Estavam por toda a parte. À primeira vista, pareciam tão normais como originalmente assumiu, inclusive neste novo e perto alcance. Mas enquanto olhava furtivamente para eles, começou a ver mais além de suas máscaras. A maioria era tão bonita que o deixou boquiaberto. Alguns eram tão feios que ele queria vomitar. Boquiaberto e vomitar, no entanto, teria se mantido afastou.
Eu não sou nada, queria dizer a eles. Um Zé Ninguém. Não despedissem seu tempo me rastreando. Eles não teriam escutado. Eles queriam usá-lo. Matá-lo, talvez. Poderiam matar inocentes, se ele não encontrasse uma maneira de pará-los. O mais provável, era que nem todos fossem maus. Como Victoria e Riley, alguns deles poderiam ser honrosos e confiáveis. Mas ele não podia se arriscar. Não agora.
“Alguém está nos seguindo?” Mary Ann perguntou em um sussurro feroz.
Oh, sim. Ela estava com medo. Estava ali em sua voz, em cada palavra. Ele olhou pra trás. “Não. Não que eu possa ver.”
Juntos, eles eram como qualquer outro tipo de adolescentes. Mantendo seus passos lentos e normais provava ser difícil, mas conseguiram. Mas se sua expressão era algo como a de Mary Ann, congelada e temerosa, eles estavam em problemas.
“Sorria como se eu tivesse dito algo engraçado,” ele a comandou.
Ela conseguiu um sorriso inconveniente. “Talvez você devesse dizer algo divertido.”
“Não tenho nada.” Ele tinha que levar a mente dela pra fora dali. Se não com algo engraçado, ele iria com algo factual. “Você pediu nossas certidões de nascimento, certo?”
“Certo.”
“Quando irão chegar?”
“Hoje, eu acho. Eu paguei por uma entrega rápida. Na verdade, elas poderiam estar esperando por mim na frente da minha varanda.”
“Isso é bom.” Se as certidões estavam lá, eles teriam o endereço de seus pais. Poderiam ser capazes de ir até lá amanhã – Sábado – para ver se o casal ainda morava lá. E se não, ainda poderiam ter tempo de dirigir até o hospital onde ele nasceu e tentar entrar nos arquivos, descobrir um pouco mais de informação sobre ele e sua ‘família’.
“Então você nunca irá adivinhar o que eu fiz. Porque não quero uma conversa defasada, eu só direi a você. Eu entrei no escritório do meu pai e li algumas de suas anotações sobre você,” ela disse enquanto eles caminhavam. Abençoadamente, ela soava calma, controlada. “Ele se lembra de você, e realmente gosta de ti, mas o que você disse sobre minha mãe o assustou de verdade.”
Ela tinha feito. Ela realmente fez isso. Por ele. “Primeiro, obrigado. Segundo, eu não disse nada sobre sua mãe.”
“Sim, você disse. A coisa sobre viajar no tempo.”
Ele só mencionou sua própria viajem no tempo. Dr. Gray foi quem mencionou outra mulher. Poderia ser isso? “Sua mãe desaparecia às vezes?”
“Não, nunca. E eu saberia. A maior parte da minha infância estava colada ao lado dela.”
“Então não entendo.”
“Nem eu. Ele mencionou uma esposa e uma esposa atual, me fez pensar que a mulher que eu pensava ser minha mãe, não era. Mas não vejo como isso seja possível.”
Ele a levou de volta para o carro que Victoria tinha roubado – o corvette já tinha ido – e eles deslizaram para dentro. Ele trancou as portas. Ficaram sentados ali por alguns minutos, ofegando, esperando para ver se alguém – ou algo – cruzava a esquina. Nada cruzou. Ele deu um suspiro de alivio e ligou o motor.
“Obrigado.” Ele disse outra vez. “Por tudo.”
“Eu pretendo falar com ele. Só tenho que fazer isso em algum momento em que ele não possa me evitar ou me mandar para o quarto. De outra maneira, nunca conseguiremos respostas. Além do mais, preciso de um descanso disso, sabe?”
Esperemos que esse momento venha antes do Halloween e o baile ao que se supõe que ele vá. Conhecimento era poder e Aden tinha o pressentimento que precisaria de todo o poder que pudesse conseguir para encarar o pai de Victoria. Ele a amava, pretendia ser parte da vida dela por todo o tempo que lhe permitisse, e a permissão de seu pai ajudaria. Como era assim, ele não estava apto para ganhá-la. Ele era um problemático. Um ‘esquizo’.
“Nós aprenderemos sobre você, não se preocupe” Mary Ann disse, provavelmente sentindo a direção de seus pensamentos.
Eles conduziram até a casa dela, e desta vez Aden obedeceu às leis de velocidade. Não podia correr o risco de ser parado. Para sua decepção, nenhum pacote estava esperando na varanda de Mary Ann, e Riley e Victoria tampouco estavam lá. Onde eles estavam?
“Seu pai ainda está no trabalho, certo?” Ele perguntou antes de colocar um pé na casa.
“Sim. Ele ainda não estará em casa por algumas horas.”
“Então ficarei. Pelo menos por um tempo.”
“Só... me prometa que não falará sobre o que está acontecendo, o passado, o futuro. Só não posso lidar com isso agora.”
Ela estava pálida. “Eu prometo.” Ele disse.
Eles subiram as escadas e ligaram a TV, como se este fosse um dia normal e eles fossem normais. Pela primeira vez em sua vida. Ele foi capaz de desfrutar um programa sem distrações.
O pacote nunca chegou. Tampouco Riley ou Victoria. Não podia esperar pelo pacote, ou por eles. Se não voltasse a escola e caminhasse com Shannon com se estivesse ali o dia todo, arruinaria todo o trabalho duro de Victoria.
Ele olhou da janela do quarto de Mary Ann. O carro de Victoria ainda estava estacionado ali. Usaria mais uma vez. Ele decidiu, mas não deixaria no estacionamento da Escola Secundária Crossroads. Estacionaria a uma quadra e esconderia no bosque até que a vampira pudesse devolvê-lo.
“Feche a porta quando eu sair,” Ele disse, “Se souber de Riley ou Victoria, ligue para D e M. Não importo se isso me colocar
Ela assentiu e o abraçou. “Tenha cuidado.”
“Você também.”
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