Interligados#1 - Capítulo 18
Victoria faltou à escola. Assim como Mary Ann, e o mesmo passou-se com Riley. Que tipo de estudantes abandonavam a escola quando só era seu segundo dia? E sobre as supostas regras-fanáticas de Mary Ann? Ela estava abandonando-as muito ultimamente.
Os três saíram juntos? Aden se perguntou durante essa merda de dia. Um dia que começou com Ozzie ameaçando-o de morte de novo e ficou pior quando Shannon, tossindo e fraco, tinha insistido em vir à escola de qualquer o jeito e Aden praticamente teve que carregá-lo até o prédio. E logo descobrir que seus amigos não estavam...
Agora ele queria sair desesperadamente, caminhar para fora e procurá-los, mas não podia. Não se quisesse retornar. Uma só falta, e Dan o tiraria da escola. Victoria poderia arrumar isso pra ele, claro, só se ela ainda quisesse sair com ele. Depois da noite passada – “Te disse para ficar longe de mim, Aden, e é sério”, ela havia dito depois de espiar o vampiro pela janela – ele não podia ter certeza.
Quem era o cara? Por que a repentina mudança em Victoria? Ele não tinha respostas. E Victoria não queria protegê-lo das criaturas que estavam agora na cidade? Suponho que isso também mudou.
O que tornou o dia ainda mais estranho foi a forma como todos o saudavam e sorriam como se fossem seus melhores amigos. Os garotos davam tapinhas em seu ombro, as garotas mostravam seus dentes brancos e brilhantes e sorriam como se estivessem muito nervosas para falar com ele, mas queriam estar próximas dele mesmo assim. Por quê?
Como se estivesse lendo sua mente, um veterano passou e disse. “Era hora de colocar Tucker em seu lugar, homem.” com um aceno de aprovação.
Ahh. Agora ele entendia (a recepção de boas-vindas, pelo menos) ninguém gostava de Tucker, mas fingiam, simplesmente para impedir que o tirano virasse todo o mal sobre eles. Agora pensam que Aden era seu salvador, que ele destruiria Tucker, se fosse necessário.
Sem pressão, pensou com ironia.
Passando por Química, Geometria e Espanhol, escutou metade seus professores, metade seus companheiros, que estavam agora acordados e já não tão drogados em estupor pelos medicamentos – embora para dizer a verdade, ficou tentado a tomá-los pela manhã. Durante essa terceira aula, John O’Connor, mais uma vez, apareceu ao lado dele, sentando em sua mesa.
“Por que sempre me faz emboscada aqui?”
“Porque tive essa aula com Chloe. Falando nisso, você já falou com Chloe?”
Aden deu a mais breve olhada nele. Ele parecia tão real. Ou talvez porque ele estivesse recentemente morto. Talvez porque tivesse um poder próprio quando estava vivo.
Aden acenou para a exatidão do pensamento. Isso fazia sentido. Atraia os vampiros e lobisomens – e duendes, fadas e bruxas, aparentemente – então por que não fantasmas que tinham “habilidades” durante a vida? Ou atraia a todos os fantasmas, com habilidades ou não?
Seguramente não. Muitas pessoas morrem a cada minuto todo dia. Se todos os fantasmas viessem a ele, nunca mais veria ninguém ou qualquer outra coisa.
Queria perguntar a John, mas eles estavam em aula e rodeados. Só tinha que fazer escondido, decidiu, de maneira que o professor e os estudantes em volta dele não percebessem.
John balbuciava sobre Chloe enquanto Aden considerou suas opções. Não podia falar em voz alta, nem sequer em um sussurro. Não sabia linguagem dos sinais, e mesmo se soubesse, John podia não saber. Não podia deixar a sala, devido a seu passado, não era permitido a ele vagar pelos corredores durante a aula. Que opção restava a ele? Um bilhete?
Um bilhete! É claro. Ele levantou sua caneta e começou a escrever.
Quando você estava vivo, tinha – como seria a palavra? – super-poderes?
Ele virou o papel e deslizou até John.
John continuou falando, óbvio.
Aden bateu no papel, mantendo seu olhar fixo no professor.
“O quê? Oh. Quer que eu leia isso?”
Ele assentiu.
Passou um momento
Um empata. John tinha sido um empata. Aden sabia deles só porque se encontrou com outro garoto com uma capacidade similar em uma das instituições e esse garoto estudou a habilidade em um esforço de parar de sentir tanto, tão fortemente.
“O que tem haver meu fator homossexual com alguma coisa?” John perguntou. “Esqueça. Não responda isso. Isso não importa. Preciso que fale com Chloe por mim. Quero que lhe diga o que eu não posso.”
Ele poderia ter resistido. Porém não sabia o que aconteceria se falhasse, ou inclusive se conseguisse. Mas agora ele era o único vínculo de John na vida, e sabia o que era querer algo desesperadamente, mas não ser capaz de tê-lo.
Ok, ele escreveu.
John respirou fundo. “De verdade? Você vai falar com ela?”
Ele deu outro aceno.
“Você jura?”
Outro gesto.
“Hoje?”
Assentiu. O que você quer que eu diga a ela?
“Se você estiver mentindo...” John fechou os punhos e os lançou contra a mesa de Aden. A intensidade da emoção deve ter dado alguma solidez, porque a mesa de Aden tremeu. Assim como os estudantes ao redor dele, John disse, “Eu te seguirei. Eu juro que vou. Vou te perseguir até que você faça isso.”
Aden tocou seus dedos contra a pergunta.
A cólera de John derreteu, a depressão tomou seu lugar. “Diga a ela que sinto muito. Diga que não a usei, que eu.... a amava. Eu a amava.”
A testa de Aden estava franzida em confusão.
A vergonha passou pelo rosto do garoto. “Não andávamos com as mesmas pessoas, mas a chamei para sair como um desafio. Nunca esperava gostar dela. Mas eu gostei. Suas emoções eram tão puras, sabe? Não eram esmagadores. Então ela ouviu meus amigos me provocando sobre ela. Eles queriam que ela ouvisse. Armaram pra ela, eu acho.”
John afastou a vista de suas mãos apertando-as. “Deus, homem. Sua devastação... eu ainda posso sentir. É como se eu tivesse absorvido e isso se tornou uma parte de mim. Tentei falar com ela, me explicar, mas ela não queria mais nada comigo. Estava desesperado para esquecer, para não sentir nada, você sabe, e fiz algo estúpido. Agora, estou aqui.” Sua voz se apagou, talvez muito fraca para passar por sua garganta, e tossiu em vergonha renovada.
“...Sr. Stone?”
Aden se endireitou em sua cadeira. O professor estava segurando um pedaço de giz. “Desculpe, o quê?”
EEuu eessttaavvaa eessccuuttaannddoo, Eve disse, sempre aquela em seu resgate. EEllee ttee ppeeddiiuu qquuee ccoonnjjuurraassssee oo vveerrbboo ccoorrrreerr eemm EEssppaannhhooll.
“Não importa,” Aden murmurou, ficando de pé. Ele se aproximou da frente da turma com medo. “Sí, señor” era a única coisa em Espanhol que sabia.
BBooaa ssoorrttee, Caleb disse. EEuu ppooddiiaa ttee ddiizzeerr qquuee aa ccaallcciinnhhaa qquuee aa llooiirraa àà ssuuaa ddiirreeiittaa eessttáá uussaannddoo éé –– rroojjoo.. IIssssoo ssiiggnniiffiiccaa vveerrmmeellhhoo,, aa pprrooppóóssiittoo.. MMaass iissssoo éé ttuuddoo oo qquuee sseeii.
“Eu te ajudarei,” John disse, mantendo o ritmo ao lado dele.
Graças a Deus. Com John dizendo a ele o que escrever, Aden conseguiu impressionar o professor pela primeira vez. Não se sentia culpado pela fraude, tampouco. Como ele tinha escutado John e escrito o que ouvia, tinha aprendido.
Na metade do caminho de volta para sua cadeira, a campainha soou. Merda. Ele não tinha terminado de falar com John. Apressou o passo, pegou a mochila, e depois levantou o bloco de papel e a caneta e escreveu.
Já que eu estou te ajudando com a Chloe, você vai me ajudar? Preciso de um vidro de esmalte de unha.
John deu uma gargalhada. “Você está brincando? Eu não sabia que você era desse tipo.”
Ele sacudiu a cabeça, enquanto os garotos passavam por ele, a mandíbula junta, as bochechas vermelhas.
É para uma garota.
Na noite passada, depois que Victoria o tinha deixado tão bruscamente, ele começou a pensar. Ela tinha que pintar as unhas com o metal para se proteger de... não conseguia lembrar o nome do líquido no anel, mas podia pintar as unhas dos pés e ela gostava de cor, então...
Ainda rindo, John perguntou. “Alguma cor em particular?”
Não importa, ele escreveu. Contanto que não seja preto. Se você não puder, eu...
“Oh. Eu posso. Estive aprendendo alguns truques nesses meses. E fiquei sabendo que o Sr. White mantém todas as coisas confiscadas pelos professores dos estudantes.”
Tem que ser lacrado, nunca usado.
“Sr. Stone. A campainha soou,” o professor, o Señor Smith, disse com impaciência. “Você tem que ir.”
“Nunca usado, não será problema.” John disse.
Aden cruzou a sala até a porta. John permaneceu ao seu lado até que bateu na entrada, depois desapareceu.
Tempo para a caça de Chloe. Agora era hora do almoço, então ela deve está na cafeteria. Planejava dar um passeio fora do campus e no bosque durante uma hora – em busca de Victoria ao invés de Riley desta vez – mas isso teria que esperar. Ele deu a John sua palavra. E ele queria aquele esmalte de unha.
Algo bateu em seu ombro, e sua mochila saiu voando. Tucker de repente apareceu diante dele, franzindo o cenho, pura ameaça. Determinado. “Olha por onde anda, louco.”
Ele apertou os dentes. “Saia da minha frente Tucker.” Não precisava da ameaça de Tucker agora, além do mais a ameaça de Ozzie ainda estava presente. Por não falar de todas as criaturas recém-chegadas à cidade.
“O que você vai fazer a respeito, huh? Aqui não há ninguém para salvá-lo desta vez.”
O mundo ao seu redor desapareceu, outro tomando seu lugar. Neste estava em um beco vazio, paredes de tijolos vermelhos coloridos com grafite. Havia lata de lixo grande e ratos ao longo da margem. E no fundo, podia a sirene da polícia. Que diabos?
“É só você e eu agora,” disse o atleta, satisfeito.
Aden viu que os olhos de Tucker estavam girando, o cinza mesclava com prata crepitante. Isso tinha que ser uma ilusão, se deu conta da gravidade. Tucker tinha tentado antes, mas não funcionou. Desta vez, Mary Ann não estava ao lado dele. Desta vez, não havia nada para deter o poder de Tucker. Exceto...
Riley, de alguma maneira sempre apagava a neutralização de Mary Ann, permitindo aos companheiros de Aden falar e agir inclusive em sua presença. Tucker tentou o negócio da aranha quando ambos estavam perto dele, ainda assim falhou. Não deveria significar que Tucker simplesmente não podia usar sua habilidade contra Aden, não importa quem estivesse ou não com ele?
Perdido em seus pensamentos como estava, não estava preparado quando Tucker o empurrou e ele foi voando para atrás. Tropeçou em seus próprios pés e caiu no chão. Embora seus olhos lhe dissessem que ele tinha se chocado contra um muro de tijolos, o muro desapareceu com uma maldição. Ele realmente bateu em alguém?
Tucker sorriu, e houve algo maligno nisso. “Isto vai ser divertido.”
Enquanto Aden ficava de pé, Tucker se lançou para frente. Voltando para o chão em que ele estava, mas desta vez ele rolou, prendendo os ombros de Tucker. Ele preparou seus joelhos, sentando-se sobre a cintura de Tucker, mantendo-o no chão.
“Eu não quero brigar com você.” Ele rangeu.
“Medroso?” Tucker sacudiu os braços livres, agarrou seus ombros e o lançou para o lado.
Só decidido a ficar ali. Ficou de pé, os dedos dobrados em punhos. “Por que você não me deixa em paz? Nunca fiz nada que pudesse te ferir.”
“Vá
Aden rugiu, sua ira surgindo, transbordando. Tucker arregalou os olhos quando o punho de Aden chegou nele. Contato. A cartilagem rompeu e sangue derramou. Tucker gritava de dor.
PPaarree, Eve disse. VVooccêê tteemm qquuee ppaarraarr.. EEllee eessttáá ssóó ttee pprroovvooccaannddoo,, tteennttaannddoo ddee oobbrriiggaarr aa eennttrraarr nnaa lluuttaa ppaarraa qquuee sseejjaa eexxppuullssoo ddaa eessccoollaa.
Aden passou do ponto de escutar. Ninguém ameaçava seus amigos. Ele assegurou. Tinha lidado com ameaças sua vida inteira. Mas Mary Ann era muito delicada, Victoria também... sua. Ele levantou o punho para outro golpe, mas parou quando a imagem de Tucker mudou, se transformando
A próxima coisa que sabia, um punho conectando-se com seu nariz. Outra vez a cartilagem se rompeu e o sangue derramou. O seu. Sentiu uma pontada aguda, então nada a não ser a adrenalina atravessou sua corrente sanguínea.
DDeessttrruuaa eellee, Caleb disse.
NNããoo iimmppoorrttaa qquuaall rroossttoo eellee mmoossttrree,, aattaaqquuee, Julian acrescentou.
EEvvee eessttáá cceerrttaa, Elijah disse, tentando ser a voz da razão. EEllee eessttáá ttee pprroovvooccaannddoo ddee pprrooppóóssiittoo.. AA úúnniiccaa rraazzããoo pprraa eellee rreevviiddaarr éé ppoorrqquuee sseeuu tteemmppeerraammeennttoo éé mmuuiittoo vvoollááttiill ddee ccoonnttrroollaarr.
À distância, Aden pensou que ele ouviu os garotos aplaudindo. Só não podia ver ninguém. O quanto que ele queria sacar suas adagas, mas não fez. Não queria matar Tucker. Só queria pará-lo. Talvez humilhá-lo no processo.
Aden se agachou e saltou com os braços abertos em volta da cintura de Tucker e o impulsionou até a parede. O som de risada arrogante encheu seus ouvidos. Quando ele se endireitou, levando seu pulso para trás, viu que Tucker agora parecia com Victoria.
Ela não, ela não, ela não. Aden lançou seu punho, os olhos de Tucker se ampliaram enquanto se aproximava. Ele já não estava lutando justo. Golpeou Tucker em sua garganta, contando-lhe o ar. O garoto se curvou, tentando respirar. Aden então deu um soco na cara, acertando o queixo e enviando-o para trás, onde se retorcia no chão.
Aden saltou em cima dele. Uma e outra vez bateu os punhos na cara de Tucker. Os dentes cortavam a sua pele, mas ele não se importava. Depois de um tempo, Tucker parou de se retorcer. Então parou de se mover. “Nunca mais ameace Mary Ann. Nunca mais ameace Victoria. Você está me entendendo?”
“Aden,” Victoria disse suavemente por trás dele.
Uma ilusão, disse a si mesmo, continuando a bater e bater e bater. Victoria disse para deixá-la
Umas mãos suaves pousaram sobre seus ombros, inexoravelmente quentes. “Você tem que parar.”
Ele se virou, pronto para atacar esta nova ilusão quando notou que o beco tinha desaparecido e os corredores da escola mais uma vez apareceram. Os garotos que estavam ao seu redor, já não aplaudiam. Nem sequer sorriam. Estavam olhando com horror. Com medo.
Hoje era dia de jogo, então muitos dos rostos estavam pintados com Vamos Jaguares e Somos #1. Essa pintura estava destacada contra a palidez de suas peles. Seu olhar selvagem retornou para Victoria.
Ela realmente estava ali. Ela estava respirando com dificuldade, com suas presas sobre seus lábios em uma demonstração de fome absoluta. Não poderia ser uma ilusão. Tucker não sabia que ela era uma vampira. Aden empurrou suas cambaleantes pernas e se aproximou dela. Suas mãos estavam cobertas de sangue.
Ela se afastou dele. “Não posso... te tocar agora,” ela disse com voz rouca.
Ela tinha medo dele também? Ou simplesmente cheirava o sangue que o cobria?
“Oh Meu Deus!” o Diretor White empurrou através da multidão e olhou pra baixo, para a forma imóvel de Tucker. “O que você fez? O que diabos você fez? Alguém chame o 911.”
Victoria sacudiu a cabeça, parecendo arrastar-se para fora de seu estupor e gritou, “Ninguém se move,” naquela voz rouca dela. O poder zumbia dela. “Escutem-me e me obedeçam. Exceto você, Aden.”
Todo mundo congelou. Incluindo Shannon, que agora estava de pé na multidão, detendo-se no meio. Não. Shannon tinha sido legal com ele nestes dias, e eles se apoiaram mutuamente. Aden odiava que o antigo escória tivessem visto isso, sanguinário e perigoso, odiava que Victoria agora tivesse que usar seus poderes vampíricos nele.
“Um estranho alto, loiro chegou ao campus e lutou com Tucker,” ela disse e todos assentiram. “Todos vocês o viram. Então viram que esse loiro desconhecido saiu correndo. Vocês não o seguiram porque estavam muito preocupados com Tucker. Agora continuem seguindo seu dia. Diretor White assuma as coisas por aqui.”
Quando ela ficou calada, todos começaram a mover-se ao mesmo tempo, voltando para as sombras. Os garotos murmuravam com medo sobre “um loiro desconhecido,” Shannon se afastou, provavelmente esperando não ser parte do interrogatório que viria, e o Diretor White se inclinou e colocou a cabeça de Tucker em seu colo, sentindo o pulso.
“Ele está vivo,” ele disse com alívio.
Os ombros de Aden caíram. Não o tinha matado. Graças a Deus.
Victoria pegou seu rosto, forçando-o a fixar sua atenção nela. “Me encontre no estacionamento. Convencerei a seus últimos três professores que está na aula, no entanto você não estará.”
“Não,” John disse, repentinamente ao lado dele. “Coloquei o esmalte na tua mochila. Rosa, brilhante e marcante. Você tem que encontrar a Chloe agora.”
Aden olhou pra ele rapidamente, tomando sua expressão de pânico, antes de voltar-se para Victoria. Ela não agia como se visse o fantasma. “Estarei lá em alguns minutos. Tem uma coisa que eu preciso fazer primeiro.” Ele não lhe deu nenhuma oportunidade para perguntar o que era. Inclinou-se e a beijou fortemente – ela lambeu os lábios dele, olhos fechados entregando-se ao sabor do sangue que tocava sua língua – e correu para a cafeteria.
“Pare no banheiro e limpe-se primeiro,” John ordenou a seu lado. “Você vai assustá-la.”
Aden rapidamente obedeceu. Não podia eliminar seus machucados no nariz e mãos, então simplesmente limpou o sangue da melhor maneira que podia. Quando terminou, continuou com seu caminho. A história da briga estava espalhando-se rapidamente. Ele até mesmo ouviu uns garotos ao telefone com seus pais, lhes dizendo sobre um homem não-identificado. Esses pais provavelmente estariam a caminho agora, pretendendo levar seus preciosos filhos para casa a salvo. As estações de notícias viriam? Entrevistariam as testemunhas?
Aden engoliu em seco.
TTuuddoo ffiiccaarráá bbeemm. Elijah disse. VVooccêê nnããoo sseerráá pprrooccuurraaddoo ee DDaann nnããoo ffiiccaarráá pprreeooccuuppaaddoo.
VVooccêê ssóó eessttáá iinncceennttiivvaannddoo oo mmaauu ccoommppoorrttaammeennttoo ddeellee. Eve repreendeu.
“Onde ela está?” Aden perguntou a John. Ele escaneou na cafeteria, seu rosto e mãos vibrando. Desde que aprendeu que John era um fantasma, tentava descobrir quem era Chloe Howard. Ela andava com os garotos inteligentes, que estavam mais preocupados com as notas do que com a aparência. Uma coisinha bonitinha com óculos de lentes grossas, pele coberta de sardas, com suspensórios. Ela tinha uma caneta colocada nos cabelos castanhos e sempre usava o cabelo preso em um rabo de cavalo.
“Lá,” John disse, apontando para o canto mais afastado.
Aden se dirigiu até lá. Quando ela olhou pra ele, abaixou a cabeça até a bandeja. Havia três outros garotos perto dela, com os livros na frente deles enquanto falavam e estudavam. Um momento passou. Ela levantou o olhar, percebendo que ele ainda estava de frente pra ela. Ela olhou por trás dela, sem ver ninguém, e sua boca abriu.
“Posso falar com você?” Lhe perguntou quando a alcançou.
Seu olhar passou para seus amigos. Eles, também, olharam para ele confusos.
“Em particular,” acrescentou. “Por favor. Preciso falar com você sobre algo importante.”
John se moveu atrás dela, se inclinou e respirou sobre ela. Pressionou os lábios. Para silenciar um protesto? Uma lamúria?
Ela assentiu para seus amigos, que se retiraram de suas cadeiras e se afastaram, seus olhos nunca os deixando. Aden se sentou de frente para ela. John permaneceu atrás dela, sua mão acariciando sua bochecha com saudade. Ela não parecia notá-lo.
“Sou Aden,” ele disse.
“Eu sei.” Um rubor cobriu suas bochechas. Mais uma vez ela mudou sua atenção para a comida, pegando-a com o garfo. “O que aconteceu com você? E o que você quer?”
Ele ignorou a primeira pergunta. “Tenho uma mensagem para você.” Só tinha um jeito de apresentar o caso de John sem admitir suas próprias habilidades. “John O’Conner e eu éramos amigos. Ele me contou sobre você, como ele te amava.” Enquanto falava, a cor dela tornou-se pálida. “Ele tentou te dizer, mas...”
Ela pulou e se levantou. Suas mãos tremendo, recolheu sua bandeja. “Como você se atreve!” Ela sussurrou ferozmente. “Deixe-me adivinhar o que aconteceu. Você escutou o rumor sobre nossa... relação e decidiu zombar de mim. Eu pensava que ele era cruel, mas você...” Um grito aflito saiu dela.
“Não deixe que ela vá,” John ordenou em pânico. “Não até que ela entenda.”
Aden também ficou de pé. “Talvez tenha começado como um desafio, mas ele se apaixonou por você e queria estar contigo.”
Ela virou, pronta para afastar-se.
“Aden,” John disse, seus olhos suplicantes. “Por favor.”
Talvez os poderes empáticos de John tivessem se transferido para ele, porque Aden sentiu o desespero dele profundamente em seus ossos. Ele tinha que fazer isso direito. Tinha que fazer com que a garota entendesse. Mesmo as suas próprias custas. “Espera. Você está certa. Eu não o conhecia.” Admitiu, “Não quando estava vivo. Mas há algumas semanas tenho sido capaz de ver seu fantasma e ele veio a mim, querendo só uma coisa. Que eu falasse com você.”
Pelo menos ela não se afastou. Ele tinha sua atenção, mesmo ela acreditando ou não.
John deve ter tocado em seu coração, porque ele pulou em frente dela e disse, “Diga a ela o que eu disse na última vez que liguei pra ela. Deveria ter fugido com ela. Inclusive tentei lhe dar um anel, o anel de minha avó. O coloquei no porta-luvas de seu carro para surpreendê-la.”
Aden repetiu cada palavra.
Lentamente ela girou e o enfrentou cara a cara. Lágrimas corriam em seu rosto. “Eu não sei como você soube sobre o anel e não me interessa.” Ela fechou seus olhos, exalando um suspiro fraco, alcançando o cordão ao redor de seu pescoço, tirando ele por debaixo da blusa. Um anel de diamante pendurado no centro, as pedras pequenas piscando na luz. “Eu só quero que você me deixe... em paz.”
Aden seguiu seu olhar espantado. Um raio de luz filtrou-se pela janela, batendo em John esboçando o brilho de seu corpo. Com a boca aberta, Chloe se aproximou, estendeu seus dedos passando através dele. Ele se inclinou diante de seu contato mesmo assim.
“John?”
“Ei, Chloe. Deus, sinto sua falta.”
“Você pode ouvi-lo?” Aden perguntou a ela.
“Não,” ela sussurrou.
Ele transmitiu o que tinha sido dito. Passou um longo tempo
“O que acabei de ver... isso não é possível,” ela disse, sacudindo a cabeça.
“É mais que possível,” Aden lhe disse. “Depois, você pode dizer a si mesmo que era só sua mente jogando contigo, mas por agora... o que você diria a ele se pudesse?”
Ela engoliu em seco, lambeu seus lábios. “Diga a ele que o perdôo. Diga a ele que quando encontrei o anel, percebi que ele tinha me dito a verdade e que... eu... eu... eu o amava também.”
“Obrigado. Muito abrigado.” John pressionou um beijo fantasmagórico na testa dela, sua imagem vacilando, brilhando e depois desaparecendo completamente.
Ele veria John outra vez? Aden se perguntou. Ou o cumprimento de seu último desejo tinha terminado seu tormento fantasmagórico e o fez partir para sempre?
Chloe permaneceu ali, chorando e seus amigos, que não se afastaram tanto, se aproximaram dela, oferecendo suporte e conforto. Então Aden a deixou. Confuso mas estranhamente satisfeito, caminhou para o estacionamento. Victoria já estava ali, esperando em frente a um carro azul claro. Ele parou. Ela lhe deu um sorriso inseguro.
“Onde você estava?” Ele lhe perguntou, igualmente inseguro. “Onde estão Riley e Mary Ann?”
Ela se moveu para o carro. “Entre e eu irei te mostrar.”
Eles entraram no carro, Aden ao volante. Ela estendeu as chaves e sinalizou para o Norte. Aden tinha uma profunda suspeita de que seu dia estava prestes a se tornar pior. Tão terrível como já tinha sido, o que realmente lhe assustava.
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