Interligados#1 - Capítulo 17

Do Diário de casos do Dr. Morris Gray

23 de Janeiro

Sujeito A. O que posso dizer sobre ele? A primeira vez que o vi, recordei da minha filha. Não em aparência, claro, eles não são nada parecidos. Nem em conduta, tampouco. Onde minha filha é livre e despreocupada, sorrir é muito fácil para ela, A. é reservado e tímido, com medo de olhar as pessoas nos olhos. E nunca o vi sorrir. Minha filha é mais feliz quando está rodeada de pessoas. A. é mais feliz nas sombras, sozinho, despercebido. Mas eu posso ver a nostalgia em seu olhar. Ele quer ser parte da multidão. Ele quer ser aceito. E isso parte meu coração. E é aí onde os dois são muito parecidos. O amor que sinto por eles, neste caso compreensível, em outro... não.

No entanto, amor é exatamente o que A. precisa. Ninguém o amou desde que seus pais o deram, enquanto que minha filha tem sido mimada sua vida inteira. Por isso é que ela sorri e ele não. E, no entanto, apesar de seus passados diferentes e naturezas opostas, os dois possuem uma vulnerabilidade profunda que irradia deles. Algo que acerta o coração, como garras cravando-se que se negam a soltar. Algo que os imprime tanto em sua mente que você nunca pode esquecê-los.

Eu notei a maneira como os outros pacientes olham A. Eles também sentem essas garras. Eles também são atraídos a um jovem garoto sem saber o por quê.

Engraçado, no entanto, é que os únicos pacientes que se preocupam por ele são aqueles que estão aqui porque vêem coisas que não estão ali. Falam com pessoas que não estão aqui e pensam que são gerados do mesmo inferno.

Durante a sessão de terapia, perguntei a eles porque vigiam A. tão intensamente. As respostas foram as mesmas: ele me atrai.

Isso me surpreendeu cada vez que ouvi porque senti esta atração com a mesma intensidade que eles foram atraídos por esse garoto. Passei dirigindo por aqui e fui chamado por uma necessidade de trabalhar aqui, apesar de já ter um trabalho. Um trabalho bem remunerado em um consultório particular no qual não tinha nenhuma intenção de deixar. Eu podia ser promovido e eventualmente tornar-me um sócio. Mas nada disso tinha importância depois que passei dirigindo pelo Hospital Psiquiátrico Kingsgate.

Eu queria... entrar. Queria estar lá, ficar ali para sempre. O que mais me surpreendeu sobre minha determinação foi minha filha, que também estava no carro, estava chorando quando passamos. Ela estava completamente feliz no banco traseiro do meu Sedan, aplicando-se seu sabor favorito de protetor labial, quando de repente começou a chorar. Eu perguntei a ela qual era o problema, mas ela esfregou o peito como se doesse, incapaz de explicar.

Eu nunca a levei de volta, mas voltei. O sentimento de pertencer, e a necessidade de estar ali tinha aumentado. E quando eu vi A. pela primeira vez, fui preenchido com a urgência de abraçá-lo. Acolher um amado membro da família em casa. Eu estava ficando louco?

***

17 de Fevereiro

O sujeito A. foi espancado hoje. O paciente responsável afirmou que ele só queria que o desejo de estar próximo de A. desaparecesse, que ele não podia viver mais com a corda invisível que o amarrava ao garoto.

Finalmente fui capaz de dar um abraço em A. Ele não lembrará, claro, porque estava inconsciente e drogado pelos sedativos, e isso é o melhor para ambos. Não posso realmente dar o que ele quer, um lugar ao qual pertencer. No entanto, não queria deixá-lo ir. Lágrimas enchiam meus olhos.

Outra vez, tenho que perguntar o que há de errado comigo.

***

18 de Fevereiro

Sujeito A. esta se recuperando muito bem. Falei com ele brevemente, mas os medicamentos para a dor o colocaram grogue e com dificuldade de entender. Em um momento acredito ter me chamado de Julian, mas não tenho certeza.

Tem que haver uma maneira de ajudá-lo. Tem que haver algo que eu possa fazer. Ele é um bom garoto com um coração bom. Outro paciente o visitou e estava comendo com os olhos o seu pudim instantâneo. Sem duvidar, A. ofereceu seu pudim, embora fosse a única coisa que podia comer e não lhe dariam outro. Bem, não deveriam ter lhe dado outro. Eu lhe trouxe dois uma hora depois.

***

21 de Fevereiro

Minha primeira verdadeira sessão com o Sujeito A. ele foi diagnosticado com esquizofrenia por vários médicos e francamente, apesar de ser altamente fora do comum em garotos menores de dezesseis anos, eu entendo o por quê. Ele tem uma tendência a retirar-se em sua cabeça durante uma conversa, murmurando para pessoas que não estão ali.

Acredito nisso? Não tenho certeza. E não é só porque a doença é rara em crianças. Para ser sincero, minha dúvida me perturba. Só outra vez senti isso, e terminou em um desastre que ainda não superei. De fato, a tristeza ainda me consome. Mas essa é uma história para outro diário.

Antes do encontro com A., li cuidadosamente seu arquivo e encontrei algo interessante. Desde sua admissão há três meses, ele escapou de um quarto fechado duas vezes – simplesmente desapareceu, sem deixar rastro algum de como conseguiu isso. Em ambos os casos, reapareceu em salas em que não deveria ter sido capaz de entrar. Todos pensavam que ele simplesmente tinha aprendido como abrir fechaduras e que provavelmente pensa que isso é um jogo divertido e inofensivo. Mas estou perturbado com isso. Eu já tratei disso antes. Não com ele, mas com alguém que eu amei.

Acho que não vou esperar por outro diário para mudar até essa direção afinal de contas. A mãe de minha filha fazia a mesma coisa. Antes de ficar grávida. Ela caminhava até um quarto em um momento, indo em minha direção, e depois simplesmente desaparecia diante de meus olhos. Eu procurava pela casa, mas não encontrava nenhum sinal dela. Isso aconteceu seis vezes. Seis infernais vezes. Geralmente ela reaparecia uns minutos depois. Uma vez, no entanto, passaram-se dois dias antes dela voltar.

Cada vez que eu perguntava onde ela tinha ido, como ela tinha ido. Toda vez, me dava a mesma resposta: para uma versão passada dela. Viajem no tempo. Eu sabia que não era possível, mas ela insistia que era. Quando pedia por uma prova, ela não podia me dar nenhuma.

Ela é a razão pela qual entrei neste campo. Queria entendê-la, ajudá-la. Oh, eu a amava. Ainda a amo. Não posso esconder isso, embora devesse. O tanto que eu fracassei com ela. A única vez que ela afirmava sentir-se normal foi os nove meses que carregou minha preciosa garotinha. E depois disso, bem, não tive a chance de ajudar.

***

A mão de Mary Ann estava tremendo enquanto ela mudava para a página seguinte do diário de seu pai. Ela e Riley tinham roubado do escritório enquanto seu pai dormia, com a cabeça descansando em um teclado. Ele caiu no sono lendo suas anotações sobre Aden, ou melhor dizendo “Sujeito A.” então tiveram que tirá-lo debaixo de sua cabeça. Que estava mantendo-o ali, e por isso facilmente transportável, era surpreendente, mas isso provava o quanto significava para ele – e talvez com que freqüência o lia.

Ela vinha lendo atentamente desde então, as náuseas aumentando cada vez mais rápido em seu estômago. A princípio, a denominação Sujeito A. a tinha deixado chateada, mas então percebeu que essa tinha sido a maneira de seu pai manter a privacidade de Aden, mesmo em seus diários pessoais. Mas ela sabia que era Aden, e as coisas que ele suportou... a dor que seu pai sentia por alguma misteriosa dúvida sobre a doença do jovem garoto... a maneira como seu pai escreveu sobre sua mãe, como se ela já estivesse morta neste tempo, só falando dela no tempo passado deixou Mary Ann tremendo.

No momento em que ele escreveu estes diários, sua mãe estava viva e bem e cuidando de Mary Ann em casa. E porque ele não podia deixar que outros soubessem que a amava, sua própria esposa? Não era isso algo de que os maridos e esposas deveriam se orgulhar?

Tremendo, Mary Ann continuou lendo....

***

1 de Março

Minha segunda sessão com Sujeito A.

Uma briga tinha acontecido no dia anterior, todos os pacientes em frenesi. Parece que A. disse a um dos pacientes que ele ira morrer naquele dia com um garfo na garganta. Esse paciente se irritou e atacou A. Os pacientes ao redor deles entraram na briga. O pessoal do hospital correu para o grupo e começou a separá-los, injetando neles sedativos. Mas no fundo da pilha, encontraram o paciente que A. previu que morreria. Ele tinha um garfo enterrado profundamente em sua garganta, a acumulação de sangue ao seu redor.

A. não fez isso, isso nós sabíamos. Ele ficou afastado da multidão e se pressionou contra a parede, entortando-se, ao lado. Além do mais, outro paciente ainda estava com a mão no objeto, empurrando o metal mais profundamente. O paciente cometeu assassinato pelo o que Aden disse? No entanto, como A. sabia que o cara escondia um garfo em sua manga? Ele viu e esperou que o cara usasse da forma como ele tinha descrito? Uma profecia auto-realizada?

Quando perguntei a A. sobre isso, ele não me deu nenhuma resposta. Pobre garoto. Provavelmente pensou que estaria em problemas. Ou talvez fosse a culpa. Ou a dor. Tenho que alcançá-lo, tenho que ganhar sua confiança.

4 de Março

Depois de meu encontro anterior com o Sujeito A., eu ainda estava um pouco agitado. Talvez devesse esperar para vê-lo outra vez. Talvez assim esta terceira sessão não tivesse provado ser nossa última.

A. estava diferente hoje. Tinha algo sobre ele... seus olhos estavam muito velhos para sua idade, cheios de conhecimentos que nenhum garoto de onze anos deveria ter. Tive dificuldade para olhá-lo.

No começo, tudo progrediu como eu esperava. Ele começou a responder minhas perguntas, sem evitá-las como fazia freqüentemente, mas finalmente me permitindo uma olhada dentro de sua mente e porque faz as coisas que faz. Porque ele diz às coisas que diz. O que realmente acha que acontece em sua cabeça. Sua resposta – quatro almas humanas estão presas dentro dele.

Eu lidei com a declaração como a forma dele lidar com o que estava acontecendo. Até que ele mencionou Eve. Isso me intrigou. Eve era uma pessoa que supostamente podia viajar no tempo. Assim como minha esposa afirmava ser capaz de fazer.

Tudo o que A. disse combinava com o que ela dizia. Eles simplesmente não só se aventuravam no passado, mas em suas próprias vidas. Mudavam as coisas. Sabiam coisas. Acrescentando seus desaparecimentos similares e o fato de que os olhos de A. brilhavam com um marrom avelã quando geralmente eram negros... Por um momento era como se eu estivesse falando com a mãe de Mary Ann.

A sensação me perturbou, admito isso, me perturbou tanto que me deixou um pouco louco. Inclusive expulsei A. de meu escritório. A única maneira que ele poderia saber sobre minha esposa era invadindo meu escritório, abrindo meus arquivos e lendo meus diários particulares.

O isso, ou estava dizendo a verdade.

Uma parte de mim, a parte que sempre quis provar que minha esposa não era doente mental, queria acreditar nele. Mas como acreditar em A. quando não pude acreditar nela? Eu lhe tinha feito mal, cada vez que ela tentava me explicar suas experiências. Eu tinha destruído sua confiança, e lhe havia feito pensar que estava louca. Para acreditar em A., um relativo estranho, era admitir que ela estava certa e eu a tinha ferido sem razão.

Como poderia viver com a culpa de ferir a mulher que amava? Não podia, e eu sabia disso. Então expulsei A. e deixei a instituição. Inclusive abandonei meu trabalho. Quero dizer, o garoto mencionou minha filha. Falou dela com confiança absoluta – tinha falado de coisas que ele possivelmente não podia saber. Ou não deveria saber. Nunca estive tão aturdido e irritado em minha vida.

Acreditar que ele está certo... não posso. Simplesmente não posso. E mesmo se o que ele me disse seja verdade... não posso.

8 de Maio

É como se minha esposa estivesse morta de novo. Não posso tirar A. de minha cabeça. Me encontro pensando nele, me perguntando como ele está, o que ele está fazendo, quem o está tratando. Mas não me permitirei pegar o telefone e checá-lo. Não sou objetivo sobre aquele garoto. Não pude ajudar o amor da minha vida, então certamente não posso ajudá-lo. Um corte limpo é melhor. Ou não? Eu costumava pensar assim. Agora, duas poderosas palavras me assombravam.

E se...

Minha atual esposa vê minha preocupação e acredita que estou pensando em outra mulher. Uma que amo mais que a ela. Tento lhe dizer que não é verdade, mas ambos sabemos que é. Nunca a amei da forma que deveria. Eu sempre amei a outra.

Nunca deveria ter ido a essa instituição. Nunca deveria ter pego o caso de A.

***

Tantas perguntas, Mary Ann pensou confusa. E tantas coisas que não tinham nenhum sentido. Desta vez seu pai falou de ambas, uma esposa e uma “atual” esposa. Uma delas era uma doente mental que deu a luz a ela. A outra estava perfeitamente sã e a tinha criado. No entanto, elas eram a mesma, então duas esposas não podiam ser possíveis. A menos que...

A mulher que a criou não era sua mãe biológica? Outra vez, não fazia nenhum sentido. Mary Ann se parecia com a sua mãe. Elas compartilhavam o mesmo tipo de sanguíneo. Não cabiam dúvidas de que estavam ligadas.

E não havia dúvidas de que sua mãe a amava mais do que tudo no mundo, como uma verdadeira mãe amaria. A mulher cuidou dela quando estava doente, a sustentou quando tinha chorado. Cantado e dançado com ela quando estava feliz. Tiveram festas de chá juntas e corriam por uma Barbie Corvette. Se Mary Ann não sabia mais de nada, sabia que foi amada.

Era possível que seu pai tivesse casado com duas mulheres diferentes que se pareciam? A primeira deu a luz a ela, e a segunda a criou? Era uma possibilidade, ela supunha, forçando-se. Mas se era assim, por que nunca lhe disseram?

Apesar de não querer, ela deu o diário a Riley. Ficou olhando por um longo momento antes de focar-se nela. Não disse nada, só se inclinou e pressionou seus lábios nos dela. Suave, doce, oferecendo conforto.

As lágrimas queimaram seus olhos. “Devolva isso ao escritório, por favor. Não quero que ele saiba que eu peguei.”

Riley assentiu e foi, seu olhar fixo no seu até que desapareceu ao virar no canto. Não voltou ao seu quarto. O sol estava começando a sair, e ele tinha que voltar. Ela sabia, mas sentia sua falta mesmo assim. Ele a sustentou enquanto lia, oferecendo todo o conforto que podia.

Ela não podia ir à escola hoje. Estava em carne viva por dentro. Precisava ficar sozinha. Essa não era a única razão. Estar longe de seu pai, longe de Aden, mesmo longe de Riley, lhe daria o tempo que precisava para pensar. Outra vez, estava esquivando-se. Este mistério envolvendo sua mãe a perturbava. Precisava de tempo para processá-lo. Mentirosa.

Limpou as lágrimas que brotavam pelos cantos dos olhos. Tudo bem. Ela precisava de Riley. Queria seus braços ao redor dela outra vez. Queria falar com ele, expor suas perguntas e escutar os pensamentos dele. Por que ele tinha ido? Aonde tinha ido? Para pegar Victoria e escoltar até a escola? Não se supunha que deveria proteger Mary Ann agora? Para protegê-la, precisava estar com ela.

Pelo menos, ele devia se despedir.

Deus, quando se tornou tão necessitada?

Isso não importava neste momento. Só uma coisa importava, e isso era Aden. Ele estava certo, pensou. Seu pai realmente o tinha expulsado de seu escritório. Por que amava sua mãe – sua verdadeira mãe? Uma mulher que era um pouco louca? – e Aden tinha despertado recordações dela e o enviou em um mergulho de incertezas?

Panelas e frigideiras começaram a bater no piso de baixo e ela sabia que seu pai estava acordado. Levantou-se da cama, se banhou e vestiu como se planejasse ir à escola. Na cozinha, seu pai tinha o café-da-manhã preparado e esperando na mesa. Ovos mexidos e torradas. Ele estava em sua cadeira de sempre, escondido atrás de um jornal. Algo que demonstrava o quanto estava irritado, era a ausência de cor em seus dedos enquanto segurava a sessão de esportes.

Não havia nada que ela pudesse dizer para tranqüilizá-lo – não sem admitir o que sabia. E se começasse a falar, sabia que haveria perguntas que ele ainda não estava preparado para responder. Perguntas com respostas que seriam melhor para ela do que descobrir por se mesma. Ele estava escondendo algo, e ela não queria que ele tivesse a oportunidade de mentir pra ela.

Isso era estranho, saber que seu pai tinha segredos. Estranho, decepcionante, e sim, irritante. Ele prometeu sempre ser aberto e honesto com ela. Você prometeu o mesmo, pensou, mas olhe agora. Mentindo sobre grupos de estudos, escondendo-se, lendo arquivos de pacientes. Culpa estava de repente tragando-a.

“Não quero que saia com esse garoto, Mary Ann.”

A penetrante declaração em seu olhar azul, a surpreendeu, a severidade de sua voz a sacudiu deixando-a incapaz de falar.

“Aden Stone é perigoso.” Ele abaixou o jornal e a olhou por cima, seu olhos cheios de emoção. “Não sei o que ele está fazendo em Crossroads ou como o conheceu, mas sei que ele é alguém que você não deveria confiar. Está me escutando?”

Nada nos diários, tão perturbadoras como as descrições foram para ela, havia explicado uma reação como esta. Ela limpou a garganta. “Sim.” Escutou. Mas isso não significa que deveria obedecer. Aden era parte de sua vida que ela não abriria mão. Nunca.

“Se eu tiver que fazer, ligarei para a escola e...”

Ela bateu com as palmas de sua mão na mesa. “Não se atreva! Poderia metê-lo em problemas e o expulsariam, e ele voltaria para uma instituição mental. Um lugar ao que não pertence e você sabe disso! Me diga que não fará isso. Me diga que você não é tão cruel.”

Ela nunca falou com ele assim, e ele piscou para ela assombrado.

“Me diga!” Mais uma vez ela bateu suas mãos contra a mesa, fazendo tremer os pratos.

“Não farei isso,” ele disse suavemente, “mas preciso que me diga que não sairá com ele nunca mais.”

“Por quê?”

Ele pressionou seus lábios, negando-se a responder.

A campainha tocou.

Seu pai congelou. “Quem é?”

“Não sei.” Ela levantou da cadeira e se aproximou da porta, feliz pela interrupção. Quando abriu a porta e viu o visitante, os batimentos de seu coração tornaram-se maior. Riley. Ele parecia forte e despojado como sempre, usando como sempre camisa e jeans, seu cabelo escuro despenteado pelo vento.

“O que você está fazendo aqui?” ela sussurrou, olhando por cima de seu ombro para certificar-se que estavam a sós. Não estavam.

“Sim, o que você está fazendo aqui?” Seu pai perguntou rudemente por trás dela. “E quem é você?”

Imperturbável, Riley inclinou a cabeça em forma de saudação. “Oi, Dr. Gray. É bom finalmente conhecê-lo.”

“Pai este é Riley.” Deixar a alegria fora de sua voz era um esforço. “Ele é novo na escola. Tenho lhe mostrado os arredores e coisa assim.”

“Ele...”

“Não.” Ela interveio, sabendo que ele queria perguntar a Riley se ele saia com Aden. “Ele não.” Ele sai comigo.

“Então pergunto outra vez, o que você faz aqui?”

“Pai!”

“Está tudo bem Mary Ann.” ao seu pai, Riley disse, “estou aqui para pegar sua filha e levá-la a escola.”

“Ela gosta de caminhar.”

“Não hoje. Eu já volto. Comporte-se,” disse ao seu pai. Ela entrou no quarto, pegou a mochila e voltou a descer as escadas. Seu pai e Riley trocavam olhares em silêncio.

Beijou seu pai na bochecha, notando que ele parecia mais velho do que aparentava ser, com linhas de tensão bifurcando-se em seus olhos. “Tchau. Eu te amo.”

“Eu também de amo.” Ele não disse mais nada, não tentou detê-la. Ela estava contente. Não sabia como teria reagido ou o que teria dito. Precisava de Riley agora mesmo. Seu pai tinha respostas, mas Riley tinha esses braços reconfortantes. Dentro de seu brilhante carro esportivo vermelho, sacudiu-se.

Quando deram a volta na esquina e ficaram fora de vista, ele entrelaçou os dedos com os seus. Seu mundo de repente ficou bem outra vez.

“Onde você foi?” Ela perguntou.

“Tinha que ver Victoria, tomar banho e trocar de roupa.”

“Oh.”

“Contudo, odeio te deixar.” Ele levou a mão dela até seus lábios e a beijou.

Arrepio irrompeu sobre sua pele. Um pouco mais abaixo na estrada, as árvores diminuíam, percebeu que ele não a levava para a escola. Franziu o cenho. “Aonde vamos?”

Ele deu um sorriso triste. “Você precisa aprender a sobreviver neste novo mundo ao que entrou. Também precisa de uma distração.”

“O que isso significa? Sobre sobreviver.”

“Você verá.”

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