Interligados#1 - Capítulo 16

Mary Ann pegou seu jantar, comida chinesa para viajem que seu pai trouxe para casa. Ele só estava em casa à meia-hora e Riley tinha ficado com ela até o último segundo possível, tendo retornado depois de ter escoltado Victoria até em casa. Ela queria convidá-lo para jantar com eles, apresentá-lo ao seu pai, mas deixou que ele mudasse para sua forma de lobo e saltasse pela janela porque não tinha certeza de que seu pai estivesse preparado para ele. Seu pai poderia ter pensado que a sessão de estudos não foi mais que uma sessão de amassos.

Mas ela já sentia falta de Riley. Sua intensidade, sua proteção. Ela valorizava a opinião dele e precisava sondá-lo para o que estava considerando. Podia esperar e tentar pegar as escondidas os arquivos de seu pai como Aden sugeriu – algo que odiava fazer só porque isso envolvia roubar de seu pai, seu melhor amigo, o homem a quem amava mais do que qualquer coisa e nunca tinha feito coisas como essa com ela – ou poderia perguntar-lhe diretamente, algo que poderia levá-lo a esconder os arquivos que Aden queria, apenas para mantê-los longe deles.

Um era antiético, outro era claramente arriscado.

Que caminho deveria tomar?

Os outros a consideravam uma puxa-saco, ela suspeitava, mas o bem-estar de seu pai era tão importante para ela quanto Aden. Tinha que haver uma maneira de agradar a ambos.

“Sem fome?” Ele retirou uma pequena montanha de macarrão para seu prato. “Pensei que frango com laranja e bife lo mein poderiam te agradar mesmo que esteja cheia de porcaria.”

Suspirando, afastou seu prato. “Só estou... preocupada.”

Seu garfo parou no ar, macarrão pendurado na ponta dos dentes. “Há algo sobre o que você queira falar?”

“Sim. Não.” Outro suspiro. “Eu não sei.”

Ele riu e deixou cair seu garfo. “Bem, do que se trata?”

“Preciso falar com você, mas não quero fazer isso.”

Seu sorriso se apagou com um franzir de cenho. “Ok, isto soou sério.”

Ele não tinha nem idéia. Caso contrário, estaria olhando para ela, estudando-a, ou talvez dar a ela bases para a vida. “Eu...” Devagar e calmo. “Eu tenho uma pergunta.”

Ele se apoiou na mesa e acariciou a mão dela. “Você sabe que pode me perguntar qualquer coisa.”

Eles logo veriam.... “É sobre um de seus pacientes.”

Agora, sua expressão ficou rígida e ele balançou a cabeça. “Tudo, exceto isto. Os pacientes confiam em mim para guardar seus segredos, Mar. Não só isso, falar sobre eles pode ser ilegal.”

“Eu sei, eu sei.” Ela esperava que ele dissesse isso e não ia deixar que a detivesse. “A coisa é, há algumas semanas, conheci um garoto. Nos tornamos realmente bons amigos.”

Silêncio.

Seu pai recostou-se na cadeira e cruzou os braços sobre o peito. “Ok. Por que só agora escuto falar sobre ele, e o que Tucker pensa de sua amizade com outro garoto?”

“O que Tucker pensa não importa. Ele e eu terminamos oficialmente.”

Instantaneamente, ele se transformou do modo Pai ‘de Interrogação’ para o modo Pai ‘Eu estou aqui para você’. “Oh, querida. Você está bem com o rompimento? Sei que nem sempre apoiei seu relacionamento com ele. Quero dizer, não há um garoto por aí que seja bom o bastante para você. Mas parei de reclamar dele porque queria vê-la feliz.”

“Estou bem. Fui eu quem rompeu. Ele estava me enganando.” Admitir isso em voz alta era mais fácil do que tinha pensado. Ainda embaraçoso, mas não arrasador.

“Eu sinto muito.” Mais uma vez ele se inclinou e acariciou sua mão. “Aconselho casais que lidam com infidelidade o tempo todo, essa é a resposta mais comum da vítima, e é isso que você é, é um sentimento de incapacidade. De ser descartável.”

Mesmo que ela não queira mais Tucker, era exatamente assim que se sentia. Isso até mesmo nublou seu desejo de está com Riley, percebeu. Automaticamente assumiu que ele achava que ela era muito chata para ele.

“Às vezes, é só um lapso momentâneo e o culpado aprende uma valiosa lição,” seu pai continuou, “que ele ou ela que tem em casa é muito mais valioso do que um prazer momentâneo. A maioria não, apesar de que eles fingem que se arrependem para que possam ter o melhor dos dois mundos.”

“Tucker é um fingidor com certeza.” Ela não tinha dúvidas disso. Afinal de contas, ele era um demônio. Isto ainda a surpreendeu. Ela queria perguntar a Riley sobre o que exatamente implicava ser um demônio, mas então, Aden tinha desaparecido e eles passaram as horas seguintes procurando na casa dela e na floresta por ele. Riley ainda mudou para a forma de lobo e correu até o D e M. Com seu olfato apurado, rastrear era fácil pra ele, tinha dito, mas mesmo assim não encontrou nenhum rastro.

Então, quando eles estavam sozinhos, passaram o tempo conhecendo um ao outro. Ele perguntou sobre sua infância, sobre suas comidas favoritas, e escutou seu plano de quinze anos sem aversão. Pareceu ficar impressionado com suas metas.

“É importante conhecer todas as lutas de atrações das outras pessoas, mas é o que eles fazem com esses sentimentos que mostra seu verdadeiro caráter,” seu pai disse. “Você conhece a garota com quem ele estava te traindo?”

Mary Ann assentiu, mas não quis admitir quem era, então disse: “Obrigada pelo aviso.” Os pais de Penny podiam não saber de sua gravidez e Mary Ann ainda a amava o bastante para proteger sua privacidade. “Isto é na verdade, porque eu quero falar com você desse outro garoto. Ele tem um passado problemático e está lidando com algumas coisas que ninguém de sua idade deveria lidar.”

Seu pai bateu um dedo contra o queixo. “Vejo aonde você quer chegar com isso.”

Espera. O quê? “Você vê?”

“Você quer que eu fale com ele, ajudá-lo.”

“Não. Eu quero que você... me fale sobre ele.”

Sua testa franziu em confusão. “Eu não entendo. Ele é seu amigo. O que possivelmente eu posso saber sobre ele?”

“Eu acho que... eu acho que ele já foi um de seus pacientes.” Aqui vamos. Só faça isso, diga. “Seu nome é Aden Stone.”

Primeiro, a respiração de seu pai falhou. Então, a cor desapareceu de seu rosto. Logo, ficou rígido ligeiramente. Ela não teria notado isso se não estivesse estudando-o intensamente. Seu estômago se revirou afiado, nó irregular, os pontos cortando cada vez que respirava.

“Você o conhece,” Foi tudo o que ela disse.

Ele desviou seu olhar dela, um músculo marcando em seu queixo. “Uma vez.”

“Você o expulsou de seu escritório?”

Ao invés de responder, ele se levantou. A cadeira arrastou alto contra o azulejo da cozinha. “É tarde.” Não tinha nenhuma emoção em seu tom, só distância, como se seus pensamentos estivessem em qualquer outro lugar. “Você deveria tomar banho, ir dormir.”

“Eu prefiro conversar com você. Aden precisa de ajuda pai. Não do tipo que você está pensando, por isso não me diga para nunca mais voltar a vê-lo. Eu o amo como um irmão e quero vê-lo feliz. E a única maneira para ele ser verdadeiramente feliz é se encontrarmos uma maneira de liberar as pessoas...”

“É o bastante!” ele deu um golpe na mesa, fazendo vibrar os pratos. Fogo queimando em seus olhos. Não eram chamas de fúria ou exasperação, senão de desespero. Ela só tinha visto isso uma única vez. No dia em que sua mãe morreu e ele teve que dizer a ela. “É o bastante,” ele repetiu terminantemente, “Nós não vamos falar sobre isso.”

Assustada, ela congelou no lugar, incapaz até de respirar. O que ele estava pensando? O que tinha começado o fogo? “Mas ele disse a você que nós iríamos nos conhecer algum dia, que ele seria meu amigo. Mesmo você não pode negar que ele não era um garoto louco, mas um...”

“Eu disse que é o bastante. Você precisa ir para seu quarto. Isso não é uma sugestão, mas uma ordem.” Dito isto, girou sobre seus calcanhares e afastou-se. No final do corredor, uma porta bateu. A porta de seu escritório, ela sabia. Nunca antes ele fechou a porta deixando-a de fora.

Seu pai lembrava de Aden. Isso estava claro. Mas, o que ele lembrava? O que tinha transformado o seu pai normalmente amável naquela distante, besta rangente?

***

Aden despertou com uma sacudida, sentando-se, ofegando. O suor cobrindo seu corpo, empapando sua camisa e seu peito. Seu olhar vasculhado ao redor... estava em seu quarto, percebeu, franzindo o cenho. Que horas são? Através da janela, ele podia ver a lua crescente, então devia ser tarde da noite. O silêncio da casa zunia em seus ouvidos. Todos estavam dormindo.

Ele estava em casa, mesmo assim não recordava como tinha chegado até aqui. Não tinha feito suas tarefas, não falou com Dan. A última coisa que recordava era estar na floresta com Victoria, os dentes dela em seu pescoço.

Sacudiu a cabeça para a esquerda e para a direita. Onde é que...

“Shh.” Victoria de repente estava sentada ao lado dele, pressionando um dedo contra seus lábios. “Está tudo bem. Não há nada com que se preocupar. Tomei conta de tudo. Limpei o estábulo e alimentei os cavalos, embora os animais não fiquem felizes em me ver. Convenci Dan e os outros que você voltou para casa quando deveria voltar. Dan ainda pensa que os dois tiveram uma longa e agradável conversa sobre sua sessão de estudos.”

Lentamente seus músculos afrouxaram do aperto de seus ossos. Ele se recostou, agora notando a dor no pescoço. Levou a mão até lá, mas não tinha perfurações. Ela deve tê-lo curado. Lambendo seu pescoço como tinha feito com seus lábios?

“Obrigado.” Estava um pouco envergonhado por ela ter feito tanto por ele. Ele era o cara e ela era a garota. Ele deveria cuidar dela. “Você vai se meter em problemas com Riley?”

“Não. Retornei como o prometido e ele, por sua vez, me levou para casa. Ele voltou para Mary Ann e eu escapei para voltar pra você. Sinto muito por ter tomado muito de seu sangue, Aden.” Ela agarrou o pulso dele, com força suficiente para quebrá-lo. Ele não reclamou. Qualquer toque de Victoria era bem-vindo. “Eu deveria ter me afastado, teria que ter me afastado, mas seu gosto é tão doce, melhor que qualquer um, qualquer um, e tudo o que podia pensar era que eu queria, precisava de mais.”

Apesar da dor dentro dele, estremeceu ao recordar. A boca secou e os músculos esticaram.

“Eu disse a você que eu era um animal,” ela chorou.

“Não, você não é.” Não importava que ela esgotasse sua veia... Querido Deus. Ele queria mais. Ele tirou os dedos dela de seu braço e os entrelaçou entre os dele. “O que você fez... eu estaria mentindo se dissesse que não gostei.”

“Sim, mas...”

“Nada de mas. Você precisa de sangue para sobreviver, e quero ser quem dá isso a você. Enquanto eu viver, eu quero ser para quem você vem, aquele de quem você se alimenta.” Seu polegar traçando a pele suave do pulso dela. O pulso acelerou.

Ela sorriu. “Você fala como se não estará sempre por aqui, como se soubesse que vai morrer logo.”

Deveria falar sobre a visão de Elijah?

Ele passou a mão livre debaixo de sua cabeça e ficou olhando para o teto. Se lhe dissesse, ela poderia decidir deixá-lo – para sempre. Um adolescente condenado não era exatamente um bom partido para namorado. Ela poderia decidir tentar salvá-lo – o que pra ela não seria bom e só causaria sua angústia. Tentar mudar as visões de Elijah era como tentar deter uma onda gigante. Com as ferramentas adequadas, poderia construir uma represa, mas com o tempo essa represa se romperia e o dano seria mil vezes pior.

Apenas uma vez, Aden tentou salvar uma pessoa conhecida que ia morrer. Ele parou um de seus médicos de entrar em um carro que ele tinha visto bater em sua mente. Infelizmente, ela tinha escapado do acidente, só para morrer mais tarde neste mesmo dia. Um poste caiu do alto de um edifício e atravessou seu peito, ele foi informado. Ao invés de morrer instantaneamente como ela teria feito no carro, ela tinha morrido lentamente, dolorosamente. Ele estremeceu.

Se Victoria o deixaria ou não, ela merecia saber a verdade. Ela o tinha defendido de seu pai, lhe tinha dado os melhores dias de sua vida, rindo com ele na água, beijando-o, bebendo dele.

“Venha aqui,” ele disse. Soltou a mão dela e estendeu seu braço em um convite aberto. Ansiosamente ela deitou ao seu lado, sua cabeça repousou no pescoço dele. “Tenho algo para lhe dizer. Algo que você não vai gostar, algo que provavelmente vai te assustar.”

Ela enrijeceu contra ele. “Tudo bem.”

Não havia mais nada para fazer, só dizer. “Vi minha própria morte.”

“O que quer dizer?”

Ele ouviu o horror em sua voz e desejou poder retirar as palavras. No entanto, prosseguiu. “Às vezes sei quando a pessoa vai morrer. Às vezes sei como vai morrer. Algum tempo atrás vi minha própria morte, do mesmo jeito que vi muitas outras.”

Sua palma apoiou sobre o peito dele, exatamente sobre seu coração. Ela estava tremendo. “E você nunca esteve errado?”

“Nunca.”

“Quando se supõe que aconteça? Como?”

“Eu não sei quando, só que não pareço muito mais velho do que pareço agora. Eu estarei sem camisa e haverá três cicatrizes do meu lado direito.”

Ela se sentou, com seu cabelo sedoso caindo por seus ombros e costa, e olhou para o estômago dele. Sem pedir permissão, ela levantou sua camisa. Tinham cicatrizes, mas não como as três linhas paralelas que ele viu em sua visão. “Para ter cicatrizes, primeiro você deve ser ferido, e essa ferida deve ter tempo para curar.”

“Sim.”

Sua expressão se endureceu com determinação. “Uma vez que tiver descansado, você me dirá tudo o que sabe sobre esta visão e nós faremos tudo ao nosso alcance para evitá-la. Qual é o propósito de saber algo com antecedência se não pode mudá-lo?”

Aden se esticou e acariciou sua bochecha. Ela fechou os olhos e inclinou-se para o toque. Em outro momento, ele diria as conseqüências de tentar impedir a morte de alguém. Já deu a ela o suficiente para lidar está noite. Aqui, agora, tinham milhares de outras coisas para falar, milhares de outras coisas o que fazer.

“Você notou algo de diferente em meu quarto?” Ele perguntou. “Algo diferente sobre as pessoas aqui em D e M?” Talvez Ozzie estivesse tão bom como um anjo agora que o passado tinha sido alterado. Um garoto podia ter esperanças.

Ela recuou novamente e posicionou-se ao seu lado. Desta vez, ela envolveu seu braço ao redor da cintura dele e segurou-o firmemente, como se tivesse medo de deixá-lo ir. “A única diferença que notei é a coleção de comprimidos em sua mesa. Eu não recordo de tê-los visto antes.”

Comprimidos?

Em meio aos protestos dela, ele levantou da cama e cruzou o quarto até a mesa. À primeira vista, tudo parecia normal. Ali estava seu iPod. Há algumas semanas atrás, alguém havia deixado no banco em um parque e ele pegou. Percorreu o olhar através do resto da mesa. Não era estranho que seus companheiros tinham estado calados desde seu despertar. Eles estavam totalmente e completamente drogados.

“Pessoal?”

Nenhuma resposta.

“Pessoal!” Ele disse para sacudi-los. E se as drogas tinham feito um dano irreparável a eles? E se eles nunca voltassem? Ele pensou que tinha tomado todos os tipos de medicação que existia, mas ele – eles – nunca reagiram desta maneira. Olhou o rótulo. Não tinha ouvido falar dos nomes dessas drogas. Experimentais, talvez?

Ele os queria fora de sua cabeça, mas também os amava o suficiente para querer que tivessem vidas por eles mesmos, vidas plenas, vidas felizes. Ele preferia viver com eles a vê-los destruídos.

Elijah havia dito que um deles o deixaria nesta nova realidade alterada. Ele assumiu que isso queria dizer que um deles encontraria um corpo. E se isso significasse que um deles seria assassinado dentro dele? Aden quase vomitou ali mesmo. O que diabos tinha feito?

Ele olhou para o nome do médico impresso no frasco. Não era mais o Dr. Quine, mas Dr. Hennessy.

“Pessoal!”

Finalmente, Eve falou. TTããoo ccaannssaaddaa, Ela disse.

NNããoo ppoossssoo ppeennssaarr, Caleb disse.

SSóó qquueerroo ddoorrmmiirr, Elijah acrescentou.

Julian permaneceu calado.

“Julian,” ele exigiu em um sussurro feroz. Nada. “Julian!” Gritou.

Todavia calado.

“Julian, eu juro por Deus se não começar a falar eu vou...”

MMuuiittoo aallttoo, Julian disse arrastado. AAbbaaiixxee oo vvoolluummee.

Seus ombros cederam. Graças a Deus. Todos estavam aqui e todos estavam vivos e bem. Tão bem quanto poderiam estar, de todos os modos.

OO qquuee aaccoonntteecceeuu?? Perguntou Eve.

Ele explicou sobre as drogas. Como ele, eles mantinham as memórias de seus eu anteriores, não mudando nem mesmo quando o passado muda. Eles tampouco sabiam o que tinham acontecido a eles.

Aden voltou para cama, mas Victoria já não estava lá. Ele não tinha escutado mover-se, mas ela estava de repente ao lado dele, como os braços ao redor de sua cintura, segurando-o apertado.

“Tenho que voltar,” ela disse, com a cabeça contra seu pescoço. “Minha família está acordada a esta hora da noite e espera que eu esteja em casa. Há lobisomens ali fora, além de Riley, isto é, nos arredores da propriedade para mantê-lo a salvo. Também na casa de Mary Ann.”

Aden tomou seu rosto entre as mãos e pressionou um beijo suave contra seus lábios. “Verei você...” ele parou. Havia alguém na janela, olhando para dentro do quarto. Olhando para ele. Ele empurrou Victoria para trás dele. “Esconda-se,” disse a ela, com o olhar buscando suas adagas. Onde as tinha deixado?

“O que...” ela o rodeou, seu olhar seguindo o dele. A respiração sibilou entre seus dentes. “Não. Não, não, não,” disse ela com um gemido. “Não ele. Qualquer um menos ele.”

Por que os lobos tinham permitido que alguém a quem Victoria não gostava, se aproximasse tanto do rancho? “Você o conhece?” Aden não podia evitar que uma onda de ciúmes o banhasse por completo. O homem, quem quer que seja, era alto, de cabelo loiro e olhos dourados. Quem era ele? O que era ele? O olhar de Aden se afiou, indo fundo, e ele congelou. Um vampiro. Com a pele tão pálida como a de Victoria, suas presas espreitando de seus lábios, branco brilhante, era tudo o que podia ser.

Ela se moveu de trás de Aden. Ele a alcançou, planejando conduzi-la de volta.

“Não me toque,” ela disse, sua voz mais fria do que jamais tinha ouvido.

“Victoria?”

Ela se deslizou para a janela. “Te disse para ficar longe de mim, Aden, e é sério.” Com isso, ela desapareceu em um borrão de movimento.

***

Quando Riley saltou pela janela de Mary Ann a uma em ponto da manhã, ela estava sentada na borda da cama, na escuridão, com os braços abraçados em seu peito, balançando para frente e pra trás.

Ela não disse uma palavra enquanto ele caminhava até o banheiro. Não disse uma palavra quando ele saiu totalmente vestido e ficou diante dela.

“Mary Ann,” sussurrou. Ele passou um dedo por sua bochecha. “Você está bem?”

Sua pele era quente, as mãos calejadas. Reconfortantes. Ela não podia evitar inclinar sua cabeça no ombro dele. A princípio, ele ficou rígido. Por quê? Então envolveu seu braço livre ao redor da cintura dela, aproximando-a ainda mais, e ela esqueceu tudo sobre a rigidez momentânea.

Ele usava a mesma camisa e jeans que sempre usava quando passava por sua casa. E nenhuma roupa interior, registrou sua mente, fazendo-a corar.

Ele riu, o que fez seu rubor espalhar. “Olá, emoção.”

“O que você está fazendo aqui de volta?” ela perguntou, mudando de assunto. Não queria dizer-lhe o que tinha causado essa emoção.

“Levei Victoria para casa. Meu tempo agora é meu.”

“E se ela escapar outra vez?” Havia algo na expressão de Victoria mais cedo que dizia que isso era muito provável. Além do mais, para estar com Riley, Mary Ann teria feito exatamente o mesmo. No que estava se tornando? Ela não queria Riley em problemas.

Ele sorriu com ironia. “Há alguém mais responsável por ela esta noite.”

“Quem? Por quê?”

“Este segredo é de Victoria para compartilhá-lo. Não meu,” disse, seu tom de repente estável. “Agora. Diga-me o que estava pensando quando cheguei.”

Ela se recostou e olhou para suas mãos. “Meu pai conhecia Aden. Eu só mencionei seu nome e meu pai começou a agir estranho. Ele se trancou no escritório e não saiu até agora.”

“Bem, neste momento ele está dormindo.”

Ela levantou seu olhar. “Tem certeza?”

“Muita. Eu dei uma olhada nele e sua aura está branca, serena. Além do mais, está roncando.” Mais uma vez, Riley traçou um dedo pela bochecha dela.

Sua pele estremeceu.

“Mais emoção,” ele disse, seus lábios curvando-se em um sorriso.

Ela queria puxar seu cabelo – ou talvez o dele – em frustração. “Pare de ler-me.”

Aquele sorriso se desvaneceu. “Por quê?”

“Não é justo. Eu nunca sei como você está se sentindo.”

Ele arqueou uma sobrancelha. “Neste caso, permita-me compartilhar. Em qualquer determinado momento, é seguro dizer que estou pensando em você e igualmente emocionado.”

“Oh.” Uau. A frustração esvaiu-se. “Você... gosta de mim, então?”

“Por que mais eu ficaria por aqui deste jeito? Por que mais eu queira às vezes destruir seu bom amigo Aden? Muito bom amigo, se me pergunta. E quanto a teus sentimentos?”

Ela o observou, incrédula. “Você não pode adivinhar?”

“Só diga,” grunhiu ele.

“Tudo bem,” ela disse, de repente querendo sorrir. “Sim. Eu gosto de você.”

Sua dura expressão suavizou. “Bem. Isso é bom.” Ele acariciou o cabelo dela e suspirou enquanto olhava o relógio sobre a escrivaninha. “Por mais que eu gostasse de continuar esta conversa, temos que encontrar esses arquivos que Aden quer. Victoria insistiu que eu deveria fazer o que pudesse.”

“Tenho o pressentimento que estão com meu pai.”

Franzindo o cenho, Riley incorporou uma postura. “Existe só um jeito de descobrir.”

“Eu sei,” ela disse em um suspiro. Era o que esteve debatendo-se por horas e finalmente decidiu o que fazer. Esperar até que seu pai dormisse e então descer e procurar.

“Não se preocupe,” ele disse. “Posso pegá-los sozinho. Você não vai precisar estar envolvida.”

Era isso que ela queria? Ela prometeu ajudar Aden. E como seu professor de história gostava de dizer, “Um futuro de sucesso é impossível se você não conhecer seu passado.” Talvez seu pai tenha visto algo em Aden, alguma coisa que os apontasse na direção correta.

Suas certidões de nascimento ainda não chegaram, então eles não sabiam quem eram os pais dele e nem sequer podiam visitar o hospital onde tinham nascido para recuperar seu histórico médico. A única esperança neste momento estava nos arquivos de seu pai.

Não sou uma covarde. Não volto atrás em minhas promessas. Além do mais, seria melhor se ela pegasse os arquivos ao invés de outra pessoa. Ela os estaria mantendo na família, por assim dizer.

Ela ficou de pé, enquadrando os ombros. “Nós faremos isso. Juntos.” E então fez algo que surpreendeu aos dois. Ficou na ponta dos pés e deu um beijo rápido em seus lábios. “Obrigada por voltar para me ajudar.”

Quando tentou se afastar, ele segurou seus antebraços e a manteve em seu lugar. Seus olhos estavam brilhando. “A próxima vez que você decidir fazer isso...”

“O quê?” Ela disse, enrijecendo. “Te dou um pequeno aviso?”

“Não.” Ele sorriu. “Prolongue.”

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