Interligados#1 - Capítulo 13
Na manhã seguinte, Aden prendeu o fôlego quando chegou à escola. Victoria estava exatamente do lado de fora das portas principais. O que ela estava fazendo em público? Todos podiam vê-la – e cada garoto que passou por ela não podia deixar de olhá-la.
O choque passou por ele, uma urgência de escondê-la, rapidamente em seus calcanhares fez com que apertasse o passo. Mary Ann tinha que correr para alcançá-lo. Eles se encontraram no bosque, a meio caminho de suas casas, e caminharam o resto do caminho juntos em uma raro momento de privacidade. Shannon ficou em casa doente. O lobo também estava ausente. Ela tinha se queixado o caminho todo, perguntando-se onde ele estava, o que estava fazendo e porque não estava com ela. Não havia tido a oportunidade de agradecê-la pela decisão de ajudá-lo.
“O que você está... oh!” Mary Ann ofegou. O que era esse entusiasmo em sua voz?
Ele seguiu a linha de seu olhar. O garoto que Aden viu com Victoria naquele dia na floresta – Riley, o guarda-costas – parado ao lado da vampira, claramente irritado por esta ali.
Mas Aden estava mais interessado
Ela percebeu sua observação e mudou de um pé para o outro. “Estas roupas são desconfortáveis, mas desta vez, estávamos preocupados em nos misturar. Você gosta delas?”
“Você está linda.” E ela estava.
Seus lábios ergueram-se lentamente em um sorriso. “Obrigada.”
“Oi, Riley” Mary Ann disse ao guarda-costas.
Riley assentiu em sinal de saudação. “Mary Ann.” Foi um carinho ríspido em sua voz?”
Aden franziu o cenho, sua atenção passando para ela. “Você o conhece?”
Ela assentiu, não deixando o olhar do garoto. Homem. O que quer que ele fosse. Ele parecia mais velho, e mais forte do que todos os garotos dentro do prédio. “Você o conhece, também. Ele é aquele que você avisou para me afastar. No entanto, não se preocupe,” ela se apressou a acrescentar. “Ele não nos machucará.”
A única pessoa – coisa – que ele avisou para ela se afastar foi do lobisomem. Com esse pensamento, Aden conteve um suspiro. O lobisomem. Riley o guarda-costas era o lobisomem?
Ele se moveu para frente das duas garotas, estendeu seus braços e estudou o garoto, esta versão humana do animal grande e negro.
“Como Mary Ann acabou de dizer, eu não vou machucá-los,” Riley disse, revirando os olhos.
Aden se manteve no lugar. Seu olhar desceu e permanecer nas pernas de Riley. Não havia uma área inchada para indicar ataduras.
“Eu me curo rapidamente.” Riley explicou com um indício de raiva. “Só manquei por um dia.” Ele deu de ombros. “Ou dois.”
Isso foi tão inesperado. Surreal, inacreditável.
“Eve?” Aden disse em voz alta, e Riley franziu o cenho.
SSiimm, Eve respondeu.
A única vez que Mary Ann falhou em banir as almas foi quando ela estava com o lobisomem. O que significa que o lobo de alguma forma neutralizava sua habilidade, da mesma maneira que Mary Ann geralmente neutralizava as habilidades de Aden.
Quando ele tinha considerado Shannon como o lobo, pensou que Shannon, na forma humana, simplesmente não poderia afetar Mary Ann – e portanto Aden – de qualquer maneira. Mas Riley afetava, inclusive na forma humana.
O que significava que Aden estava diante da “perigosa e sanguinária” criatura que o odiava. A perigosa e sanguinária criatura que o tinha ajudado na noite passada.
AAddeenn?? Eve chamou. VVooccêê pprreecciissaa ddee aallggoo??
“Oh. Desculpe. Estava checando para ver se você estava comigo ou se foi enviada para o buraco negro.” Ele murmurou.
“Com quem você está falando?” Riley exigiu enquanto Eve disse, eeuu qquueerroo ffaallaarr ccoomm MMaarryy AAnnnn.. HHáá ttaannttaass ccooiissaass qquuee eeuu......
Quem falou primeiro? “Um amigo,” ele disse a Riley, “e Eve, você sabe que não posso falar com você
Ela grunhiu para ele, não diferente do lobo em seus encontros anteriores, mas ficou em silêncio.
“Na verdade, eu não deveria falar com nenhum de vocês. Não aqui.” Aden escaneou a área, e disse. “Por aqui,” e pegou Victoria e Mary Ann pela mão, levando-os para baixo de um alto carvalho que fazia sombra ao lado do prédio.
Um Riley com o cenho franzido o seguiu. Seu olhar sempre passando de Aden e Mary Ann que tinham os dedos entrelaçados, até que Aden a soltou.
“O que está acontecendo aqui?” Mary Ann chutou uma pedra com a ponta de seu sapato, olhando nervosa, insegura. Se Aden não estivesse errado, ela estava observando Riley através de seus cílios.
Pobre Mary Ann. Obviamente gostava do garoto, no entanto, Aden sabia que não terminaria bem para ela. Um dia, logo ela se encontraria correndo através das árvores, as lágrimas rolando por suas bochechas, Riley o lobo a perseguindo, para machucá-la?
Ou talvez para consolá-la, pensou repentinamente. Coisas estranhas tinham acontecido. Obviamente.
“Eu explicarei em um momento. Apresentações estão em primeiro lugar, acho,” Victoria disse, rompendo o incômodo silêncio.
Como ele pôde ter esquecido? “Victoria, está é Mary Ann,” ele disse. “Mary Ann, está é Victoria. Todos, exceto eu, parecem conhecer Riley, aparentemente.”
“É um prazer conhecer você,” disse Mary Ann.
Victoria assentiu com a cabeça, seu olhar lançando entre Mary Ann e Aden. “Digo o mesmo. Tenho ouvido muito sobre você.” Seu tom estava longe de boas-vindas.
Ela estava com... Ciúmes?
“Eu não vejo nenhuma... quero dizer...” as bochechas de Mary Ann floresceram em cor. “Esqueça.”
“Elas se retraem,” Victoria explicou. “Elas se alongam quando a fome aparece.”
Mary Ann cobriu seu pescoço com a mão. “Oh.”
“Ela não vai morder você.” Aden disse.
Victoria não ofereceu nenhuma garantia de sua parte. Talvez estivesse com ciúmes. Ele queria sorrir.
Ele estudou cada uma das pessoas que se encontravam ao seu redor, maravilhado. Como eram diferentes. Uma vampira linda, um misterioso metamorfo, e uma adolescente aparentemente normal. Eles não se conheciam há muito tempo, não realmente. Estranho como ele já se sentia próximo deles. Bem, dois deles, pelo menos.
“Você me disse que os lobisomens eram perigosos,” ele disse a Victoria. “Se esse é o caso, por que tem um protegendo você?”
Sua boca se levantou no canto “Ele é perigoso. Para todos menos para mim, é isso. E é exatamente por isso que ele é meu guardião.”
Excelente argumento. Isso não significava que ele gostava disso. “E sobre Mary Ann?”
“Eu te disse. Eu nunca a machucaria,” Riley disse, ofendido.
“É bom saber disso. Mas se você alguma vez mudar de idéia, eu farei com que se arrependa disso.” Ele afirmou de fato. Porque isso o que era: um fato: Ele não tinha muitos amigos, e aqueles que tinha protegeria com a vida.
Riley passou a língua pelos dentes brancos e afiados. “Você está me ameaçando, garotinho?”
“Ei, agora,” Mary Ann, disse. “Nada disso. Vocês dois precisam se comportar. Riley, Aden está apenas cuidando de mim. Aden, você recorda de como Riley te ajudou ontem à noite, certo?”
“Sim,” ele disse entre dentes. Entre suas perguntas sobre o lobo, Mary Ann lhe havia dito que quando chegasse sua certidão de nascimento, eles iriam procurar seus pais. Tão agradecido como estava com o entusiasmo dela e tão brilhante quando descobriu o plano dela, ele desejava estar mais excitado sobre isso. Mas na verdade, qualquer emoção além de terror teria sido bem-vinda. Mas simplesmente não podia trabalhar em só uma onda de entusiasmo diante da perspectiva de uma reunião com as pessoas que o haviam abandonado.
“Desde que estamos no assunto de “machucar a garota e pagar”, você deveria saber que eu levo a sério meu trabalho,” Riley disse, a clara advertência. “Um só dano a Victoria e não só farei com que se arrependa. Vou comer seus intestinos enquanto você ainda está vivo.”
Os olhos de Mary Ann arregalaram, tão grandes quanto pratos. O lobo a assustou? Parte dele esperava isso. Ela precisava saber que tipo de pessoa – coisa – que pensava chamar de amigo.
Riley se deu conta da expressão dela e lhe ofereceu um meio sorriso. “Desculpa. Farei rápido e sem dor, está bem?”
“Você não deveria ameaçar,” ela disse. Ao invés de medo, ele escutou raiva em sua voz. Muita raiva. Então porque ela olhava para Victoria agora ao invés de Riley?
Aden repetiu a conversa em sua mente e percebeu que ela não tinha gostado da maneira que Riley havia se precipitado em defesa da vampira. Ciúme deve ser contagioso, porque pareciam ter capturado a todos.
“Eu nunca faria dano a Victoria,” Aden assegurou a ele. “Você, por outro lado...” não dará marcha ré e Riley precisava saber disso. Ele tinha suas adagas, e não tinha medo de usá-las. Mesmo aqui.
Victoria se aproximou e colocou sua mão sobre o ombro de Aden. Ele sentiu a queimadura da mesma, o doce crepitar, e sua atenção voltou-se para ela, o lobisomem momentaneamente esquecido.
Seus oceânicos olhos brilhavam. Ele não poderia virar-se para se salvar de uma bala na cabeça. Neste exato momento eles eram as únicas duas pessoas vivas, transportado de volta para a lagoa deles, nadando e rindo e roçando um contra o outro. Ele a abraçou, quase a beijou.
“Ele não atacará você aqui.” Ela disse. “Você tem minha palavra.”
Uma rajada de vento passou entre eles, levantamento o cabelo dela e lançando vários fios em sua direção. Eles bailaram em sua bochecha e provocaram cócegas.
“Agora. Falaremos de outra coisa que não seja suas intenções uns contra os outros,” ela sugeriu.
“Eu estou nisso.” Mary Ann disse. Sua cólera parecia ter evaporado. “O que vocês estão fazendo aqui? Não me interpretem mal. Estou feliz de estarem aqui.” Ela deu uma olhada para Riley. “É só que não entendo o por quê.”
Um tremor atravessou pelo corpo de Victoria e ela deixou cair o braço, o foco oscilando entre o rosto e o pescoço de Aden. “Você sabe o que eu disse sobre o que meu povo sentiu de você?”
Ele assentiu. Ela estava pensando em beber dele?
“Bem... não fomos os únicos a sentir. Outros chegaram.” Preocupação irradiava dela enquanto ela se inclinou para ele, com cuidado de não fazer contato. “Duendes, Bruxas, Fadas,” sussurrou. “Eles estão procurando a fonte da atração.”
Querido Deus. Mais criaturas? E estavam procurando por ele? Aden sacudiu a cabeça, desejando que a bomba que Victoria acabava de soltar pudesse ser descartada e perdida. Desejando poder esquecer o problema que certamente estava por vir. Quanto mais ele poderia lidar?
“Fomos criados entre eles e sabemos como agem,” ela continuou. “Eles querem capturar você. Estudá-lo.”
“Por isso,” Riley disse, intrometendo-se, “estamos aqui para protegê-los de serem raptados ou feridos por essas criaturas.”
Isso o fez rir até compreender que o lobisomem falava a sério. “Eu posso cuidar de mim mesmo.” Ele tinha feito isso sua vida inteira.
“Descuidadamente.” Riley deu de ombros. “Ordens são ordens. Vlad não quer que você seja ferido antes que ele tenha a oportunidade de encontrá-lo.”
Aden cruzou os braços. “Por que ele não pode me encontrar agora?”
Riley o ignorou. “E você,” ele disse a Mary Ann, “é amiga mais próxima de Aden, o que significa que poderiam usá-la para chegar a ele. Por isso também será protegida.”
Ela assentiu e parecia que lutava contra um sorriso.
Assim como Riley. “A boa notícia é que Victoria e eu somos os novos estudantes daqui. Você vai nos ver muito mais.”
Victoria, com ele todo dia? Ok. Talvez ser caçado por duendes, fadas e bruxas não seja uma coisa ruim. Ainda... “Eu não vejo ninguém suspeito.” Ou diferente, para o que importa. Espera. Não é verdade. A senhora no centro comercial, a garota no primeiro dia na escola e o garoto fingindo ser John O’Conner. Que brilhava e pulsava com energia.
E se eles fossem duendes, fadas ou bruxas? Mas não tentaram machucá-lo ou a Mary Ann.
De novo, Riley deu de ombros. “Você pode não ter notado eles, mas isso não significa que eles não tenham visto você.”
Ele passou a mão pelo rosto. “O que essas criaturas querem comigo?”
“A mesma coisa que nós, tenho certeza.” Victoria girava o dedo em volta de seu rabo de cavalo. “Para descobrir como você explodiu aquela energia, como você os machucou com isso. E como você ainda está vibrando com um estranho tipo de poder. Exceto,” ela acrescentou, indicando com a cabeça, “quando você está com Mary Ann. Só então ele para. Bem, exceto quando Riley está com você. Por que isso?”
“Não sei.” Mas ele queria descobrir. “O que você pode dizer sobre aqueles com quem luto?”
“Com as bruxas, você deve ter cuidado.” Victoria brevemente apertou a mãos dele em advertência. “Elas podem sorrir enquanto amaldiçoam você. Os duendes gostam de comer carne humana. Diferente dos vampiros, que só tomam um pouco de sangue e vão embora. Eles comem o corpo inteiro. As fadas são igualmente poderosas, sua beleza é uma máscara para seus corações traiçoeiros.” Ela cuspiu a palavra fadas.
“Você não gosta muito de fadas, certo?” Mary Ann disse, levantando uma sobrancelha.
Riley assentiu. “São nossos maiores inimigos.”
Apesar de Aden ter lidado com estranhezas toda a sua vida, percebeu novamente que era um mundo de que não sabia nada. Talvez não quisesse aprender tudo, mas tinha que fazer, até o menor detalhe.
“Falei com meu pai ontem,” Victoria começou.
“Victoria,” Riley reprovou.
“O quê? Ele precisa saber.”
“Seu pai não gostará que um forasteiro saiba de sua debilidade.”
“Aden não usará a informação contra ele.” Outra vez ela estendeu a mão e apertou a mão de Aden. “De qualquer modo, durante o Samhain – o Halloween, como os humanos chamam – meu pai oficialmente se levantará. Em honra disso, ele estará dando um baile e é lá que quer encontrar com você.”
Havia um problema, ele sabia. Havia muita culpa em seu tom. Então suas palavras fizeram sentido e ele ficou boquiaberto para ela. “Seu pai, Vlad o Empalador, quer se encontrar comigo na noite de Halloween? E o que você quis dizer, oficialmente se levantará? Pensei que ele estava vivo e bem.”
“Sim, ele realmente quer se encontrar com você, e por se levantar, eu quis dizer exatamente isso. Durante a década passada, ele tem estado em hibernação para acalmar sua mente, para prevenir sua longa vida de memórias que podem conduzi-lo a loucura. Sua energia o despertou cedo, embora seu corpo esteja – e continuará sendo – debilitado até a cerimônia.”
Por Deus! Ele despertou uma besta. Literalmente. Não era espantoso que Vlad estava querendo matá-lo no começo.
“Estou te pedindo que, por favor, venha,” Victoria disse. “Não tente contrariá-lo. Você não vai gostar das conseqüências.”
Alguma vez ela tinha tentado contrariar o homem? Ele se perguntou quando olhou determinado em seus olhos agora atormentados. O que tinha sido o seu castigo? Talvez fosse melhor que não soubesse. Se Vlad a machucou, Aden queria matá-lo. E se ele tentar matar o Rei dos vampiros, embora na condição debilitada do homem, provavelmente seria cortado em pequenos pedaços de Aden e espalhado por toda a estrada.
Componha-se. Seja um homem, ele disse a si mesmo. Enfrentou cadáveres antes. Sim, eles o tinham mordido e sim, este era possivelmente mil vezes mais perigoso, tinha dentes mais afiados, não estava realmente morto e ainda desfrutava do gosto de sangue, mas ele gostava de Victoria. Por ela, encarava qualquer coisa, qualquer um.
“Por favor,” ela disse, tomando seu silêncio como resistência.
“Estarei lá,” ele disse. Ele tinha um mês para se preparar, corpo e mente.
Ela deu um sorriso aberto. “Obrigada.”
Dentro, uma campainha soou, sinalizando que eles tinham cinco minutos para alcançar sua primeira aula. “Você são estudantes, certo?”
Victoria e Riley assentiram em harmonia.
“Vamos, então. Não podemos chegar tarde.”
De má vontade, os quatro se encaminharam até a escola. Seu indulto havia acabado, e eles não conseguiriam outro por um tempo.
“Vocês têm um horário e nós deveríamos dar a vocês um passeio pela escola?” Mary Ann perguntou, timidamente olhando para Riley.
“Sim e não,” o lobo transmofo respondeu. “Sim, temos horário e não, não precisamos de um passeio pela escola. Nós já olhamos por aí.”
Eles olharam? “Quando?”
“A noite passada,” Victoria disse com outro sorriso aberto. Este foi tímido. Deus, ele amava quando ela sorria assim.
Seu pulso deve ter acelerado porque o olhar fixo dela se cravou em seu pescoço; ela lambeu seus lábios. Pensando em mordê-lo?
Isso não o assustava mais, percebeu. Nem um pouco. Boa coisa, também. Logo, ela faria isso, incapaz de resistir, tal como Elijah lhe havia mostrado. Finalmente Aden poderia descartar dois de seus medos: ele não estaria horrorizado por suas ações e não se tornaria um escravo de sangue.
E se tornasse? Sussurrou sua mente. Ele ignorou o pensamento. Como se isso não importasse. Ele não vai estar vivo muito mais tempo, de qualquer jeito.
“Você está vendo ele?” Uma garota sussurrou para sua amiga enquanto elas passavam pela árvore e entravam no prédio.
“Ah, sim. Quem é ele?” A outra perguntou. “Ele é sexy.”
“Eu sei!”
Justo quando suas vozes sumiram, um grupo de garotos passou. “O Natal deve ter vindo mais cedo. Alguma vez você viu uma garota tão boa?”
“Acha que o novato já atacou?”
“E isso importa? Existe o suficiente para todos.”
Eles riram, então as portas se fecharam atrás deles, cortando o resto de seus comentários.
As mãos de Aden estavam apertadas ao seu lado.
“Humanos,” Victoria disse revirando os olhos.
“Devo castigá-los por você?” Riley lhe perguntou.
Isso deveria ser meu trabalho, ele pensou sombriamente.
Ela riu, mesmo quando Mary Ann se colocou rígida. “Não. Obrigada, mesmo assim.”
Justo antes que eles alcançarem as portas, algo golpeou Aden no ombro por trás, impulsionando-o para frente. Riley o pegou com uma mão em seu peito e o empurrou para estabilizá-lo, impedindo-o de bater na porta. Ele se virou, olhos estreitados – e se viu cara a cara com Tucker.
“Você está no meu caminho,” o atleta grunhiu.
Ele levantou seu queixo, a fúria que sentiu há um minuto não era nada comparada com o que sentia agora. Desde que Mary Ann não namorava mais com ele, Aden não tinha que tratá-lo bem. “Então dá a volta.”
VVooccêê nnããoo ppooddee bbrriiggaarr ccoomm eellee, Eve disse, não se contendo de permanecer quieta.
SSiimm,, mmaass eellee ttaammbbéémm nnããoo ppooddee rreeccuuaarr. Caleb disse a ela. EEllee vvaaii ppaarreecceerr uumm ccoovvaarrddee.
EE ssee eellee ffoorr eexxppuullssoo ddaa eessccoollaa...... Julian suspirou.
Elijah permaneceu estranhamente em silêncio.
“Sai. Do. Meu. Caminho.” Tucker o empurrou outra vez.
Os garotos parados no estacionamento se aproximaram, esperando uma briga. Querendo isso mesmo. Eles começaram a gritar. “Luta, Luta, Luta.”
“Tucker,” Mary Ann disse, se encaminhando para agarrar o pulso dele. “Não faça isso.”
Riley pegou o pulso dela antes que pudesse tocar o atleta e a levou para trás dele. “Oh, você não vai.”
Victoria se aproximou ao lado de Aden. Quando ela abriu a boca para falar, ele levantou a mão para pará-la. Ela podia salvá-lo desta luta, sim, mas Tucker voltaria. Os valentões sempre voltavam – até que alguém lhes desse uma razão para não voltar, exatamente como ele tinha feito com Ozzie.
“Se você não sair de minha vista, atleta, vou cravar seus dentes no chão e cada pessoa daqui verá que você não é o cara durão que finge ser. Que é só um bebê crescido que corre para a melhor amiga de sua namorada para chorar.”
BBooaa!! Caleb disse com excitação.
Tucker respirou com dificuldade. “Vai morrer por isso.”
“Oh. Que inteligente,” Ele disse e aplaudiu. “Uma ameaça de morte. Sabe o que é engraçado? Essa não é a primeira do dia.”
Durante muito tempo, Tucker só olhou fixamente pra ele. Então o olhar fixo se converteu em um cenho de confusão, e o cenho de confusão em um cenho de irritação. Finalmente, ele girou sobre seus calcanhares e pisou fortemente para dentro da escola.
Ok. O que acabou de acontecer? Por que Tucker tinha se afastado sem Aden ter lhe dado um simples soco?
Os garotos ao redor de Aden gemeram em decepção, mas seguiram o exemplo de Tucker.
“Muito estranho,” Riley disse. “Eu podia ver as aranhas projetando-se da escuridão de sua aura. Era quase como se ele estivesse projetando-as até você, como se ele esperasse que as visse e sentisse por toda parte de seu corpo.”
“Do que você está falando?” Dentro daquela entrada de vidro, Aden observou quando a atenção de Tucker virou-se para o garoto ao lado dele. Um segundo depois, aquele garoto gritou tão forte que sacudiu o vidro, batendo em seu corpo, rasgando suas roupas.
“Sim, do que você está falando?” Mary Ann perguntou. “O que você quis dizer com, projetando aranhas?”
“Demônio” Victoria disse sombriamente.
Riley assentiu. “Tem razão. Claro. Eu deveria ter adivinhado. Claramente Tucker é parte demônio. Uma pequena parte, mas isso concede a ele o poder da ilusão.”
“O quê?” Aden e Mary Ann exclamaram simultaneamente.
“Você disse demônio?” Mary Ann acrescentou, abrindo e fechando a boca. “Isso não pode está certo. Ele era meu namorado. Namoramos por meses. Poderia ter estado distraída a maior parte do tempo, mas vamos lá. Eu saberia se ele não fosse humano. Certo? Digo, estou estudando para ser uma psicóloga. Um observador treinado. E certo, sim. Ontem me perguntava se demônios talvez pudessem andar entre nós e já que Aden tinha almas presas em sua cabeça, mas realmente não acreditava nisso.”
Aden não queria acreditar também. “Um demônio, como, o possuiu?”
Riley deu de ombros. “Isto, ou existe um demônio em sua árvore genealógica.”
“O bebê de Penny,” Mary Ann disse entrecortadamente. “Ele será um demônio?”
Outra vez, Riley deu de ombros, embora sua expressão fosse compreensiva. E aliviado, se Aden não estivesse errado. “Só o tempo dirá.”
“Shane Weston sabe sobre Tucker, eu acho, e não parece se preocupar. Me pergunto se isso o faz um deles também.” Ela passou a mão na nuca. “Muito em breve você vai me dizer como esse tipo de coisa é possível. Quero dizer, ainda não acredito em tudo isso sobre a coisa do demônio, mas acho que isso explica as tendências cruéis de Tucker, o modo como ele certa vez produziu uma serpente do ar e porque ele era tão inflexível sobre o namoro e depois, quando nós rompemos, sobre permanecermos amigos.”
“Ele queria ficar com você porque você é bonita,” Riley disse.
“Você acha que eu sou bonita? Não que isso importe.” Ela corou, então sacudiu a cabeça como se quisesse limpar seus pensamentos. “O que eu dizia era que Aden uma vez me disse que eu podia acalmá-lo, então Tucker depois me disse a mesma coisa. Talvez eu seja, não sei, como um tranqüilizante para qualquer um que não seja humano.”
“Não um tranqüilizante,” Aden disse. “Um neutralizador.”
“Bem, se neutralizo poderes, como Tucker foi capaz de produzir aquela serpente? Eu estava do outro lado da porta onde ele estava, mas nós ainda estávamos próximos.”
“Talvez para fazer alguma neutralização, você precise de espaços abertos entre você e a pessoa que tem o poder.” Aden sugeriu.
“Vamos deixar de falar disso aqui.” Riley olhou muitos carros no estacionamento, as portas à frente deles e os estudantes que ainda estavam no hall de entrada. Qualquer um poderia se aproximar deles a qualquer momento. Qualquer um poderia esconder-se nos arbustos próximos.
Eles entraram no prédio, deixando a fria manhã para trás. Os estudantes correndo pelos corredores. Aden se inclinou para Victoria e sussurrou.
“Você vai ficar bem?” Ele esfregou seu pescoço para deixá-la saber o que ele quis dizer.
“Sim,” ela sussurrou de volta, sua respiração quente sobre a pele dele. Ela não soava segura.
“Se você tiver fome...”
“Não terei,” ela disse. Outra vez, ela não soava convencida.
“Bem, estou aqui para você, de qualquer modo.”
A campainha soou e cada um deles congelou.
“Melhor irmos para a classe,” Aden disse com um suspiro. “Nós já estamos atrasados.” Como ia explicar isso para Dan? Eh, Dan. Você não pode me expulsar porque eu estava falando de negócios com uma vampira e um lobisomem.
“Eu cuidarei disso,” Victoria disse com um sorriso. “Ninguém irá saber.”
“Como – oh.” Sua voz vuudoo. Ele sorriu abertamente também. Sair com uma princesa vampira certamente tinha suas vantagens. “Obrigado.”
“O prazer é meu.”
Ele esperou que todos tomassem caminhos separados, mas resultou que Riley e Victoria havia feito mais que se mover às escondidas pela escola; eles se asseguraram de que Victoria tivesse o mesmo horário que Aden e Riley o mesmo que Mary Ann.
Victoria. Na escola com ele o tempo todo. Ele conseguiria passar mais tempo com ela, a veria abertamente, conversaria com ela, aprenderia mais sobre ela e seu povo. Poderia conseguir algo melhor que isto?
Na realidade, sim. Mary Ann o estava ajudando e Riley não estava ameaçando matá-lo.
No entanto, seu otimismo não durou muito tempo. Alguma coisa iria dar errado e logo. Sempre dava. Isso não era paranóia. Este era simplesmente o ponto crucial da vida de Aden.
“Elijah,” ele sussurrou quando entrou no primeiro período ao lado de Victoria.
O vidente sabia o que ele queria. MMaall éé ddee ffaattoo eessssee ccaammiinnhhoo,, mmeeuu aammiiggoo.. EEuu ttee ddiissssee aanntteess ddee vvooccêê ccoommeeççaarr eessttaa jjoorrnnaaddaa.
No entanto, ele embarcou de qualquer maneira, então independente do que acontecesse seria sua culpa.
***
No terceiro período, o garoto que finge ser John O’Conner estava esperando por Aden, praticamente pulando pra cima e pra baixo na entrada. Aden ainda estava furioso com ele, mas agora suspeitando de suas origens, e fingindo não ouvir suas perguntas impacientes.
“Você falou com a Chloe, huh, huh? Não posso entrar na cafeteria por alguma razão, mas eu tentei.”
Victoria reclamou o assento de “John”, forçando o garoto a ficar de pé ao lado de Aden. Os outros estavam dentro, olhando fixamente boquiabertos
“Saia daqui.” Aden grunhiu.
“Quem? Eu?” Victoria perguntou.
Ele fez um sinal para John com uma inclinação de sua cabeça. “Não, o peste.”
Ela franziu o cenho quando deu uma olhada
“Ele está... você acha que ele pode ser...”
“Vamos, cara.” John disse antes que Victoria pudesse respondesse. “Não é como se eu estivesse pedido para você solucionar a fome mundial ou algo assim. Só quero falar com a Chloe, ver o que ela está fazendo.”
Aden pôs sua palma sobre o peito de John e o empurrou – ou tentou fazer. Sua mão o transpassou como se só tivesse tocado o ar. Ar carregado de eletricidade que o eletrocutou como se ele tivesse metido seus dedos em uma tomada.
Por um longo tempo, só ficou olhando para sua mão formigando. O professou começou a falar, depois forçou Victoria a ficar na frente da sala e falar um pouco sobre ela – Oi, meu nome é Victoria e sou de Nova York. Eu sou mais feliz quando estou sozinha e meu sabor de sorvete favorito é de nozes. Obrigada.
Ele levantou seu olhar para John, estudando-o através de novos olhos. A pele brilhante, agora tão claramente envolvendo-o. Não é um duende, uma fada ou bruxo, apesar de tudo. Como ele não havia percebido? Como não tinha pensado?
“O quê? Você não sabia?” John perguntou a ele. O real John, depois de tudo. Morto por uma overdose de drogas e agora, aparentemente, um fantasma.
Figurado, Aden pensou. Os espíritos também estavam atrás dele agora? Se fosse assim, como se supunha que ele se protegesse deles?
***
Durante todo o dia, as fofocas sobre Victoria e Riley se intensificaram. Um grupo dizia que eles eram modelos tentando se esconder da mídia. Outros diziam que eram filhos de modelos tentando se esconder. Todos pensavam que eles eram ricos e uns inclusive especulavam que estavam aqui para filmar um reality show.
Mary Ann revirou seus olhos a tudo isso, sem saber como o dinheiro e o estrelato entraram na equação. Ela dificilmente podia acreditar que Riley estava aqui. E em forma humana!
Ele ficou ao seu lado, observando a todos ao redor dela e assegurando-se que se comportavam. Parte dela ainda temia que ele só queria sair com ela porque ela o acalmava como acalmava Aden e Tucker. Que era um demônio. Uma aberração demônio. E ela o tinha beijado. Ela tinha germes de demônio agora?
Não que estivesse se queixando da atenção de Riley, mas esperava e rezava que a tranqüilização – neutralização – não fosse seu único atrativo. Ele a achava atraente? Ele a tinha chamado de bonita, mas se só tivesse dito isso para ser amável?
Ele poderia ter qualquer uma que quisesse, estava certa disso. Como Penny, se ela estivesse aqui. Mary Ann não a tinha visto o dia todo. Ele inclusive poderia ter a Christy Hayes, a capitão das líderes de torcida, que estava atualmente atirando beijos enquanto desfilava para ele.
“Pode ir falar com ela se quiser,” Mary Ann disse a ele. Esse tom duro era realmente dela? “Há tempo. A campainha do terceiro período não irá tocar agora, ela olhou o relógio da parede. “Quatro minutos e nossa classe é só no fim do corredor.”
Seu cenho se franziu, seu passo nunca vacilando. Ele mudou os livros que segurava – os dele e os dela – para o outro braço. “Falar com quem?”
Ok. Ele não havia notado a alegre e bonita Christy. Prazer zumbiu através dela. “Não importa. Então como está lidando com o dia até agora?”
“Bem. Nós estivemos em escolas antes. Claro, os estudantes e os professores eram como nós, mas escola é escola. Você vai, aprende, e mata qualquer um que se meta no seu caminho.”
Todo o calor foi drenado de seu rosto. “Você não pode ir matando as pessoas. Existem regras, leis que devem ser obedecidas ou...”
Sua risada rouca a silenciou. “Eu só estava brincando, Mary Ann. Não iria machucar seus amigos.”
“Oh.” Seu medo se desvaneceu, e ela grunhiu. “Não me assuste assim!”
“Seus inimigos, no entanto...” Ele murmurou.
Ela sacudiu a cabeça, insegura de acreditar nele desta vez.
Eles entraram na classe juntos. Mary Ann tomou o assento na fila da direita, o mais próximo da mesa do professor. Kyle Matthews tinha o que estava próximo dela e já estava sentado. Como Riley havia feito em suas duas primeiras aulas, ele parou em frente de seu lugar desejado e olhou. Olhou até que Kyle estava movendo-se incomodado. Olhou até que Kyle recolheu suas coisas e encontrou outro assento.
Havia uma intensidade sobre Riley, uma intensidade que nenhum outro garoto possuía. O brilho perverso em seus olhos tampouco ajudava. Eu farei todo o necessário para conseguir do meu jeito, é o que esse brilho dizia. Exceto, que ele nunca tinha esse brilho com ela. Com ela, ele era amável e protetor.
Ele a olhou enquanto colocava os livros dela na carteira. “Outra vez sua aura esta mesclada de cores. O que você está pensando?”
Sua expressão se suavizou. “Não. Não há ninguém. Na verdade, Victoria é minha única amiga.”
A maravilhosa Victoria. Fabuloso. Mary Ann se odiava por desejar que embaixo desse exterior perfeito a princesa vampira tivesse defeitos. Algo para o campo de jogo. Não que Mary Ann fosse tentar algo com Riley. Certo?
“Sou sua amiga, não sou?” ela perguntou. Ele havia dito isso antes, mas podia ter mudado de idéia.
Um momento passou, seu olhar procurando o dela, antes que ele assentisse. “Sim, e eu sou seu amigo. Protegerei você, Mary Ann. Você tem minha palavra.”
A campainha soou e o professor, que já estava em frente à classe, começou a leitura. Ela não escutou nenhuma palavra. Oh, ela olhou para frente e fingiu estudar o quadro e tomar nota, mas sua mente estava focada só em Riley.
Tristemente, assim foi como o resto do dia progrediu também. Ela se encontrou perguntando-se o que ele pensaria da escola, dos garotos. Se ele estava aborrecido e queria estar em outro lugar. Se ele gostava de estar com ela tanto quanto ela gostava de estar com ele.
No almoço, se sentaram juntos na parte de trás da lanchonete, e Aden e Victoria se juntaram a eles. Todos ficaram observando. Inclusive se posicionaram mais próximos para poder ouvir o que diziam. Riley comia em sua própria bandeja, assim como Mary Ann e Victoria. Victoria, como notou Mary Ann, nem sequer fingia comer.
“Bem, não discutiremos nada aqui,” Aden murmurou. “Embora te direi que John, o verdadeiro John,” seu olhar se tornou penetrante. “falou comigo de novo.”
Ele... queria dizer... um fantasma? Ela gesticulou.
Ele assentiu.
Primeiro um demônio, depois um fantasma. O que viria a seguir? Sua mão tremia enquanto pegava com a colher um pedaço de pudim de chocolate. “O que ele queria?”
“Que eu o ajudasse a se encontrar com Chloe Howard.”
Mary Ann imaginou a tímida garota que raramente falava e que gostava de usar capuz. “O que você vai fazer?” Como exatamente alguém pode arranjar um encontro de uma pessoa morta com uma viva?
Ele tomou um gole de soda. “Eu não sei. E se eu estrago tudo e ele ficar irritado? E se faço isso e ele envia outros no meu caminho. E eu sei que há outros. Tenho visto alguns. Não sabia o que eram a princípio, mas recordando isso é tudo o que eles podem ser. De qualquer forma, novo assunto.”
“Nós podemos ir a minha casa depois do colégio,” ela disse, empurrando sua bandeja para o lado. Nenhum modo de que fosse capaz de esperar até amanhã para falar com ele de novo. E talvez, só talvez, sua mãe ainda estivesse naquela casa. Talvez Aden pudesse vê-la. Talvez eles pudessem falar com ela.
Victoria e Riley assentiram, embora suas expressões estivessem confusas. Eles não tinham seguido a direção da conversa. “Eu irei explicar depois,” ela disse a Riley, e ele assentiu de novo.
“Não posso.” Aden puxou um sanduiche de sua mochila e tirou o plástico. “Tenho toque de recolher as quatro em ponto no rancho.”
“Que tal um grupo de estudos?” Ela apoiou os cotovelos na mesa. “Dan te deixaria vir a minha casa se tratar de um grupo de estudos?”
Primeiro ele pareceu esperançado, depois duvidoso, e ao final, resignado. “Perguntarei, mas suponho que a resposta não seja um sim.”
“Só há uma maneira de descobrir.” Ela tirou seu telefone do bolso e ligou. Este era um grande não-não, totalmente contra a política da escola, mas ela não se importava. Digitou o número de seu pai. “Pai,” ela disse quando ele respondeu. “Está tudo bem se eu levar alguns amigos para casa depois da escola pra estudar?”
“Espera, é minha garotinha?” Sua voz rouca falou na linha. “Não pode ser. Ela nunca convida ninguém para casa, mesmo quando seu querido e velho pai implorava que ela fizesse isso.”
“Papai. É sério.”
“Claro, os convide. Mas é realmente por isso que você ligou? Quase me provoca um ataque cardíaco, usando esta linha. Está tudo bem?”
“Está tudo bem.” Ela era a única que ligava para sua linha privada, aquela que interrompia suas sessões, para emergências. Nunca tinha ligado antes. “Eu juro. É só que é muito importante que estudemos.” Não era uma mentira. Eles precisavam estudar um ao outro, as outras criaturas, descobrir o que estava acontecendo e o que precisava ser feito.
Ela só podia imaginá-lo sorrindo, acenando com satisfação. “Quer que eu trabalhe até tarde? Não iria querer um chato no caminho.”
Ele realmente queria que ela se socializasse mais, percebeu, inclusive se fizesse isso estudando. Talvez ela estivesse trabalhando muito. “Isso seria ótimo.”
“Então te verei lá pelas... nove?”
“Perfeito. Obrigada!”
“Eu Te amo, querida.”
“Também te amo.” Mary Ann desligou e estendeu o telefone para Aden. Ela sorriu. “Sua vez.”
***
“Não posso acreditar que eu esteja aqui,” Aden disse, olhando ao redor da casa de Mary Ann. Dan havia dito sim. Concordado, Victoria entrou na linha e disse a ele para concordar, mas ainda assim. Aden estava aqui.
Ele e Victoria caminharam pela sala; Riley, que já tinha estado aqui, se manteve ao lado de Mary Ann na entrada. Era espaçosa, com suaves sofás vermelhos, um tapete azul e verde, e várias mesas com tons de cor alaranjado e rosa. Juntando tudo era uma decoração multicolorida que seguiam dos abajures.
“Minha mãe decorou o lugar e meu pai não teve coragem para mudar nada depois da morte dela.” Mary Ann disse, e ele pôde ouvir a afeição que ela ainda mantinha pela mulher.
“Eu gostei.” Tinha personalidade e hospitalidade. Qualidade de vida.
Uma das famílias adotivas com quem ficou tinha móveis de couro e mesas de vidro. Uma mínima mancha enviava a esposa em um frenesi de limpeza. Outra família adotiva decorou sua casa com móveis de cor branca e bege, exatamente como qualquer instituição que tinha estado, e embora nunca agissem como se lhes importasse, ele tinha medo até mesmo de pisar no carpete. Sua família favorita não foi capaz de comprar mais que móveis remendados e gastos e ele tinha se sentido mais confortável ali.
Teria vivido com eles para sempre, se fosse possível, mas Eve o tinha levado no tempo e mudou o futuro. Quando retornou ao presente, foi como se nunca tivesse ficado com a maravilhosa família.
“Riley tentou me descrever esse lugar,” Victoria disse, “mas não acreditei nele. Quem poderia ter adivinhado?” Ela respirou profundamente e se juntou a Aden até a lareira apagada. Seu olhar deslizou pelo pescoço dele, então voltou e ficou parada. Mais e mais, enquanto o dia passava, sua atenção estava ligeiramente no pulso dele. “Nossa casa é bastante escura. Sem cor.” Agora sua voz era densa, quase torpe.
Ela estava com fome? Sua pele parecia mais pálida do que o normal, não havia cor em suas bochechas. “Onde fica sua casa, a propósito?” Se ele tivesse que fazer, a arrastaria para fora e mandaria que bebesse dele. “Sei que você é da Romênia, mas onde você está morando?”
“Um grande grupo de nosso povo viajou para cá, então tivemos que comprar a maior casa que encontramos. Ela está bastante longe para nos dar a ilusão de privacidade, mas o suficientemente perto para correr até a cidade a qualquer momento.” Seu olhar nunca se afastou do pescoço dele.
Ele inclinou sua cabeça para um lado, ampliando o espaço da pele para que ela pudesse ver. Ela respirou ofegante. Oh, sim. Estava com fome.
“Você pode beber de mim, sabe?” Pelo canto do olho, ele viu uma fotografia emoldurada e a pegou.
“Não.” Ela disse com voz estrangulada.
“Você tem certeza?” A foto era de um homem, uma mulher, e uma garotinha. Obviamente Mary Ann era a garotinha e os dois adultos eram seus pais. Ela parecia justamente como sua mãe. Os mesmos olhos e cabelos escuros. O mesmo rosto.
“Então, Aden... vê algum fantasma aqui?” Mary Ann perguntou hesitante.
Antes que ele pudesse lhe responder, seus companheiros começaram a falar freneticamente.
EEssssee hhoommeemm, disse Eve em um fôlego. EEuu oo ccoonnhheeççoo.
ÉÉ ffaammiilliiaarr,, nnããoo éé?? Disse Julian.
Aden pôs a foto mais perto. O homem tinha uma limpa e afeiçoada face, olho azuis, e algo juvenil, como várias pessoas que ele tinha visto ao longo dos anos. “Este é o pai de Mary Ann,” Aden disse, franzindo o cenho. “Não podemos conhecê-lo.”
SSiimm,, ssiimm,, ppooddeemmooss, Eve respondeu com excitação. NNóóss oo vviimmooss aanntteess.. EEmm ppeessssooaa.. RReeccoorrddaa?? SSóó aaccrreesscceennttee uummaa bbaarrbbaa ee óóccuullooss ee vvooccêê iirráá...... EEssqquueeççaa.. EEuu ttee lleevvaarreeii aattéé eellee..
NNããoo, todos gritaram em sua cabeça ao mesmo tempo.
“Aden?” Victoria perguntou. A mão dela sobre seu ombro, quente, uma marca de ferro quente. “Qual é o problema?”
“Não, Eve, não!” Aden rugiu, concentrado só em uma coisa: sobreviver. “Por favor, não faça isto...”
Mas era tarde demais. Seu mundo inteiro se converteu
Seu corpo começou a derreter-se, a pele saindo, o músculo desintegrando-se, ossos desmoronando até que ele soltou-se da realidade, perdendo-se, completamente.
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