Interligados#1 - Capítulo 12

Mais tarde nesse dia, Mary Ann leu parte de baixo do bilhete de Aden pela milionésima vez.

“Tenho que encontrar uma forma de libertá-los. Para eles. Para mim. Não estou louco. São pessoas, não só vozes. Mas não sei o que fazer. Conseguir para eles seus próprios corpos é tudo o que eu posso pensar, mas isso parece impossível, não é? E se eu conseguir encontrar corpos – alguém que morreu recentemente talvez? – como poderia tirá-los de mim e colocá-los dentro? Diabos, enquanto escrevo isso fico me perguntando se estou louco. Você é a única pessoa que conheci que pode anular o que posso fazer. Imagino que você sabe coisas que eu não sei, mesmo que você ainda não perceba isso. Você percebe? Mas entenderei se não quiser me ajudar.”

O braço de Mary Ann caiu ao seu lado, o papel se agarrou entre seus dedos. Sua cabeça girando com perguntas. Outras quatro pessoas vivem dentro da cabeça de Aden, suas vozes constantes, sempre o distraindo. Exceto quando ele estava com ela. De alguma forma, ela os calava.

Ela acreditava em tudo isso? Ela não queria, e honestamente não tinha feito nas primeiras mil vezes que leu a carta. Depois suas dúvidas haviam dado espaço para a curiosidade. A curiosidade havia dado espaço para a incerteza, e a incerteza havia dado espaço para a aceitação.

Uma semana atrás, não sabia que lobisomens e vampiros existiam. Agora, não podia negar. Por que não podia existir um garoto com pessoas presas dentro dele também? Pessoas que podiam viajar no tempo e levantar os mortos. Prever o futuro e possuir outros corpos – o último no qual ela tinha visto em primeira mão.

Como ela era capaz de pará-los? Por que ela? Não era especial.

Ela mordeu o lábio inferior, nenhuma resposta moveu no lugar, e olhou para o teto do quarto. Era liso e branco, uma tela em branco esperando para ser colorida. Eu posso encontrar uma explicação para isso, refletiu, se animando.

Ok, então. Aden pensava que a melhor forma de liberar as almas era encontrar seus corpos. Ela pensou drástico como era e impossível como parecia, que esse deveria ser o último recurso. Até que eles não chegassem a esse ponto, faz sentido descobrir exatamente quem são as pessoas que vivem na cabeça dele. Ou talvez quem teriam sido. Ele havia mencionado que embora eles não recordassem nenhuma vida além da que compartilhavam com Aden, tinham momentos de déjà vu e reconhecimento. Isso tinha que significar algo.

Talvez eles fossem fantasmas e Aden sem querer os havia absorvido. Com esse pensamento, ela se encontrou observando seu quarto por qualquer sinal de algum espectro, mãos segurando seu cachecol, respiração saía superficial e pesada. Lobisomens e vampiros eram reais, então por que não fantasmas, também? Haveria algum ao seu redor? Pessoas que ela conhecia talvez? Gente que alguma vez viveu aqui?

Sua mãe?

Os batimentos cardíacos de Mary Ann estavam fora de controle, e lágrimas de esperança queimavam seus olhos. Ela piscou para afastá-las. Sua mãe poderia estar aqui, a observando, pensou aturdida. Protegendo-a. Seu maior desejo era voltar a vê-la novamente, tocá-la, abraçá-la e dizer-lhe Adeus. O acidente de carro a tinha levado tão rápido, não teve tempo de se preparar.

“Te amo, mãe.” Ela sussurrou.

Não houve resposta.

Concentre-se Gray. Você tem um trabalho a fazer. Limpou a garganta e anulou sua decepção. Onde eu estava? Oh, sim. Se as almas presas dentro da cabeça de Aden fossem na verdade fantasmas, não lembraria de suas vidas passadas plenamente?

Boa pergunta. Ou suas memórias haviam sido apagada quando eles entraram no corpo dele ou eram outra coisa. Anjos? Demônios? Existiam essas coisas? Provavelmente. Mas eles provavelmente não eram almas presas dentro de Aden. Outra vez, eles recordariam suas próprias identidades. Mas de novo, suas memórias poderiam ter sido apagadas.

Ugh. Isto não estava chegando a lugar nenhum. Poderiam estar os quatro falando com ele como o lobo falava com ela? Talvez eles não estivessem de verdade dentro da cabeça dele, mas estavam presos a ele e simplesmente projetando suas vozes.

Ela imediatamente descartou essa idéia também, Aden os escutava – e se eles não estavam de verdade dentro dele, ele não os veria também?

Mary Ann tocou seu queixo. A primeira coisa que precisava fazer, como inicialmente havia pensado, era descobrir quem eram os quatro para que pudesse descobrir o que eles tinham sido. Aden disse que eles estavam juntos desde o nascimento dele.

“O que significa que eu preciso voltar ao princípio,” ela disse, sua voz cortando através do silêncio do quarto. Para fazer isso, precisava reunir informações. Ela fez uma lista mental:

Descobrir quem foram os pais dele. Ou melhor, são.

Descobrir onde ele nasceu.

Descobrir quem esteve por perto nos primeiros dias de sua vida.

AAoo pprriinnccííppiioo ddee qquuêê??

Ao som de uma voz masculina dentro de sua cabeça, ela se acomodou para ficar sentada, sua mão mais uma vez elevou-se sobre seu coração acelerado. O lobo apareceu na porta de seu quarto, enorme, negro e belo. Seu pêlo brilhava à luz do sol. Sua orelha levantada, pontiaguda como as de um elfo. Roupas penduradas em sua boca.

“Como entrou?” Ela perguntou.

EEuu ccaammiinnhheeii.

“Engraçadinho.”

Seus lábios pareceram crispar-se o redor do material. DDaa úúllttiimmaa vveezz qquuee eessttiivvee aaqquuii,, ddeeiixxeeii uummaa ddaass jjaanneellaass ddee bbaaiixxoo aabbeerrttaa,, eennttããoo sseerriiaa ccaappaazz ddee ppaassssaarr aattrraavvééss ddeellaass qquuaannddoo qquuiisseessssee.

“Eu devia saber.” Ela olhou as roupas. Calça jeans, uma camisa. “São para mim?”

NNããoo.. PPaarraa mmiimm.. QQuuaannddoo eeuu mmuuddaarr ddee ffoorrmmaa.

Ela escutou direito? “Você vai...”

MMoossttrraarr aa vvooccêê mmiinnhhaa ffoorrmmaa hhuummaannaa,, ssiimm.

Excitação se propagou por suas veias, preenchendo seu corpo inteiro em segundos e fazendo-a tremer. “De verdade? Por que agora?”

Ignorando-a, ele passou para o banheiro. A porta de fechou com um ruído. Mary Ann pôs o bilhete de Aden na mesinha de cabeceira e levantou. Depois voltou a sentar. Seus joelhos estavam um pouco fracos. Como o lobo pareceria? Ele era alguém conhecido? Cada vez que ela tentava imaginá-lo, tudo o que podia ver era um duro e musculoso corpo. Seu rosto sempre estava entre as sombras.

O telefone soou, assustando-a, e ela pulou.

Mary Ann olhou o identificador de chamadas, e se estremeceu intensamente. Penny. Cruzou seus braços sobre a cintura, cavando suas mãos abaixo das axilas para não poder tocar o telefone.

Outro toque.

Enquanto estava sentava ali, Mary Ann se surpreendeu ao sentir-se ferida, pura e diluída, ao invés da raiva. Ela amava Penny, amava. E o Lobo e Aden estavam certos. Cometer erros e escondê-los era parte da natureza humana. Mas ela não podia agir como se nada tivesse acontecido, nem podia confiar que Penny não faria isso outra vez. Com mais alguém. Alguém que Mary Ann realmente gostasse. Por alguma razão o Lobo veio a sua mente.

Ao quarto toque, a secretária eletrônica respondeu.

“Eu sei que você está ai, Mar. Fale comigo, Por favor. Há tanta coisa que eu quero te dizer.” Uma pausa, Penny suspirou. “Tudo bem. Faremos isso por telefone. Eu queria te dizer o que aconteceu. O que eu fiz. Lembra-se na cafeteria, quando mencionei que Tucker te trairia? Eu estava tentando conseguir coragem para dizer, mas não consegui. Estava com tanto medo disso. De te perder. Não queria que isso acontecesse.” Houve outra pausa, um chiado de estática. “Nós dois tínhamos bebido e nenhum dos dois estava pensando claramente. Em minha mente, justifico isso porque eu sabia que você não o amava. Eu disse a mim mesma que só te machucaria se eu te contasse, que estaria me tirando um peso sendo egoísta. Eu estava errada. Vejo isso agora. Mary Ann... Por favor.”

Bip.

Silêncio.

A mandíbula de Mary Ann começou a tremer, juntamente com seu corpo.

O telefone voltou a tocar, e ela olhou o identificador de chamadas, esperando ver o número de Penny. Atenderia desta vez? O que diria? Ao invés disso veio o número de Tucker e seus dentes se juntaram de irritação. Havia algo no ar? Uma intuição de Mary Ann para a ligação?

Ele, ela não amava. Ele, ela não queria nada. Nem sequer estava tentada a pegar o telefone.

Sua mensagem foi mais curta que a de Penny.

“Desculpe, Mary Ann. Se você apenas falasse comigo. Eu poderia te explicar, fazer você entender. Poderíamos ser amigos, como você disse. Só... me ligue ou juro por Deus...” as palavras terminaram com um grunhido.

Click. Silêncio.

Ela sacudiu a cabeça. Eles já tinham terminado, e falar não mudaria isso.

“Você está pronta?”

A voz do lobo. Sua verdadeira voz. Profunda e rouca... Insegura. Ele estava tão nervoso quanto ela?

“Estou pronta.” Ela chamou, sua voz trêmula agora também.

A porta do banheiro se abriu. Fez-se um som de passos, e depois um garoto estava recostado contra a parede diante dela, olhando-a fixamente.

Inicialmente o primeiro pensamento que cruzou por sua cabeça: ela nunca o viu antes. O segundo: Oh Meu Deus! Ele não era exatamente bonito, seus traços eram muito agudos, mas isso só servia para aumentar sua atração. Ele parecia malvado e cruel e capaz de qualquer coisa.

Tinha o cabelo preto, tão sedoso e brilhante como seu pêlo era, e seus olhos ainda eram verdes. No entanto, ali era onde as similaridades com o lobo terminavam. Ele era mais alto do que ela tinha imaginado, empilhado com músculos e tendões, e tinha os ombros largos e as pernas longas. Sua pele era de um marrom ouro, tentadora. Levava uma simples camisa branca e calça jeans desbotada que apertava em sua cintura. Nada de sapatos ou meias.

Seu estômago ainda não tinha parado de pular. Ela deitou na cama com essa magnífica criatura. Ela tinha sustentado-o em seus braços e o acariciado. Ela, que passava seu tempo livre lendo, que tinha estudado sem importar o quanto odiava isso e não sabia o significado de diversão, sentiu como se tivesse levado um tapa. Ela, cuja característica mais definitiva era um planejamento de 15 anos no qual nem sequer mais pensava.

Engraçado. Se pensasse alguma vez em abandonar o plano de sua vida seria um motivo para chorar. Nesse momento, só queria comemorar.

Até que as dúvidas se apoderaram dela.

Ela tinha entediado o Lobo? Ele corria selvagemente pela floresta. Ele podia mudar entre animal e humano. Ela era simplesmente Mary Ann.

Que você está fazendo? Limpe seus pensamentos. Ele podia ler auras. Ele sabia o que ela estava sentindo agora mesmo? Como ela estava babando por ele? Oh, genial. Iria vomitar.

“Bem?” ele disse. “Não tem nada a dizer? Está rosa brilhante, verde e ouro. Emocionada, nervosa e com náusea.”

Suas bochechas coraram. Sua pele estava provavelmente da mesma cor de sua aura.

“Então, em que você está pensando?”

“Você não pode descobrir?” De nenhuma maneira ela queria dizer isso em voz alta.

“Mary Ann,” ele disse exasperado.

Ela tomaria isso como um não. “Estou pensando que você é... normal.” Não é verdade, não é verdade, oh, não é verdade.

Ele deixou seu queixo cair. “Normal.” Seu tom áspero sugeriu que isso era uma coisa ruim.

Não sabendo o que fazer, ela assentiu.

O silêncio se estendeu entre eles. Nenhum dos dois se moveu.

Diga algo. Qualquer coisa. “Aden pensa que sou uma espécie de neutralizadora de super-habilidade. Se isso é verdade, porque não pude te deter de mudar de lobo para humano? Ou talvez uma pergunta melhor seja, porque não mudou de volta para humano quando você se aproximou de mim da primeira vez? Claro, ambas as perguntas dependem do fato de que sou uma neutralizadora, no qual posso não ser.” Querido Deus. Ela estava balbuciando. Pare! “Sabe, você poderia para de me encarar. Isso poderia ajudar.”

Ele passou a mãos pelo rosto e riu sem humor. “Todo esse tempo me angustiava pela decisão de me mostrar a você, meu eu verdadeiro, tinha medo de sua reação, e isso é o que consigo,” ele disse e riu de novo. “Você age como se eu não tivesse feito isso. Quanto a sua capacidade de neutralizar, talvez você possa, talvez não. A mudança de forma não é algo sobrenatural ou mágico ou o que quer que seja que esteja pensando. É uma parte de quem eu sou, de como sobrevivo. Você não pode fazer com que os humanos deixem de respirar, pode?”

“Não.”

Ele assentiu como se tivesse provado seu ponto. “Meu nome é Riley, a propósito. Não que você tenha perguntado.”

“Meu nome é Mary Ann,” ela respondeu automaticamente, e depois sorriu outra vez. “Desculpe. Você já sabia disso.” Deus, isso foi estranho. Parte dela desejava que ele voltasse a sua forma de lobo. Isso, ela conhecia. Isso, ela se sentia cômoda. Isso, ela não iria continuar babando – e então posteriormente matar-se em embaraço devido a isso.

Talvez o melhor seja mudar de assunto. “Então por que você estava tão nervoso de me mostrar seu eu verdadeiro?”

“Eu sabia que suas expectativas eram altas. Queria cumpri-las – ou superá-las.” Ele não esperou pela resposta dela, mas cruzou os braços sobre seu peito, puxando o material da camisa apertada contra seus bíceps.

“De todo jeito, você nunca respondeu a minha pergunta. Quando entrei pela primeira vez, você estava falando sobre começar desde o princípio. O princípio de quê?”

Não. Ela não ia cair nessa. “Desculpe, mas tampouco posso responder agora.”

Ele se endireitou, parecendo um pouco ofendido. “Por quê?”

“Isso envolve Aden e você quer matá-lo.”

“Sim,” ele disse, sem negar isso, “mas não vou matar. Meus amigos gostam dele.”

“Amigos?”

“Você. E a minha protegida, Victoria. Princesa vampira e em geral a dor no meu... Bem, só uma dor.”

Victoria. A Princesa vampira sobre a quem Aden tinha falado com nostalgia? A Princesa vampira que tinha colocado estrelas nos olhos de Aden? Deveria ser. Amigos, Lob...Riley havia dito. “Aden me contou um pouco sobre ela.”

Riley assentiu com rigidez. “Você não deveria saber sobre ela. Ninguém deveria. Meu trabalho é mantê-la a salvo e quanto mais pessoas souberem sobre ela, mais desprotegida estará e mais furioso seu pai ficará comigo.”

“Aden e eu guardaremos seus segredos, acredite. Falar deles é pintar um alvo em nossas costas.”

“Ninguém te fará de alvo,” ele disse, e havia fúria em seu tom que a deixou momentaneamente sem fala. Ele se aproximou dela, e sentou ao seu lado. Seus ombros se roçaram, e ela estremeceu.

Fez-se um momento de silêncio, de tensão total.

Ela não estava segura do que queria que ele fizesse nesse momento; só estava segura que queria que ele fizesse algo. Qualquer coisa menos afastar-se dela.

“Só quis dizer,” ela disse em voz baixa. “Que vão pensar que estamos loucos e fofocar sobre nós.” Outra coisa para babar: sua natureza protetora. Mas, a natureza protetora para Victoria significava que ele e ela eram mais que guarda-costas e princesa? Mais que amigos? Suas mãos se apertaram em punhos. Ela estava com... Ciúmes? Não. Certamente que não. “Pensei que vampiros e lobisomens fossem inimigos. Quero dizer, Aden disse que a vampira disse a ele para manter-se afastado de você.”

“Ela é tal baderna, essa garota.”

“Então vocês não são inimigos?” E por que de repente ela queria que fossem? O que tinha de errado com ela? Estavam namorando? Seus dentes rangeram.

“Não. Vlad, o primeiro dos vampiros, deu o mesmo sangue que ele tinha tomado, o mesmo sangue que o mudou, a seus queridos mascotes. Eles, também, começaram a mudar. Logo foram capazes de adotar a forma humana, embora conservam seus instintos animais. Nesses primeiros dias, eram furiosos, ferozes, e tentavam comer qualquer coisa que encontravam. Essas pessoas que foram atacadas, as que sobreviveram, começaram a mudar também, embora conservassem os instintos humanos. Esses são meu povo. Vlad os ajudou, cuidou deles. Em troca, meu povo se comprometeu a proteger os seus.”

Toda essa historia era fascinante. Dava medo, mas fascinante. E, no entanto, sua mente não podia centrar-se nisso. “Então por que decidiu se revelar para mim agora?”

“Porque,” foi tudo o que ele disse, os olhos entrecerrando.

“Por que?” Ela insistiu. Então ele podia finalmente tocá-la com suas mãos? Uma garota podia sonhar. Seus olhos se abriram. De onde estão vindo estes pensamentos?

“Porque. Agora, eu acredito que ia me dizer do que você estava falando antes.”

Frustrante. Mas ela deveria estar acostumada com a falta de respostas. É evidente que Riley se considerava com direito de conhecer toda a informação que ela possuía, mas não pensava que fosse necessário devolver o favor.

Ele tinha dito que não faria dano a Aden, mas ele a ajudaria a ajudá-lo? Ela poderia utilizar toda ajuda que pudesse conseguir, e ela confiava nele. Com um suspiro, disse a ele algo do que estava acontecendo com Aden. “Acho que temos que descobrir, se isso é possível, exatamente quem são as pessoas que estão dentro dele. O melhor lugar para começar era com os pais de Aden. A partir daí, podemos descobrir onde ele nasceu e quem estava por perto. O único problema é que não sei quem são os pais dele.”

“Ligue e pergunte a ele”. Ele a empurrou com seu ombro.

Por um momento, ela permaneceu imóvel. Ele tinha tocado de propósito nela. E a pele dele, mesmo através da roupa, estava quente. Maravilhosamente quente. “Não posso. Ele vive em um rancho para garotos que estão com problemas com a lei e essas coisas. Uma chamada telefônica de uma garota poderia talvez conseguir que fosse expulso, já que não se supõem que pensem sobre namoro, mas sobre melhorar seu futuro.”

“Você me disse que não estava namorando ele.” Riley disse isso em voz baixa, mas as palavras não foram menos intensas.

“E não estou. Só estava explicando o que o homem responsável por ele poderia pensar.” Por que preocupava a Riley se ela estava namorando Aden? Pela mesma razão que importava a ela se ele estava namorando Victoria? Não pense sobre isso agora. Ponderou suas opções com Aden e quase aplaudiu quando uma idéia criou raiz. “Você poderia visitá-lo sem causar nenhum problema. Poderia perguntar a ele sobre seus pais por mim.”

Riley estava sacudindo a cabeça antes que ela terminasse a frase. “Diabos, não.”

“Por favor! Você pode ir até ele e correr de volta em menos tempo. Vi o quão rápido você é. Por favor,” ela repetiu. “Ajudando Aden será benéfico pra mim, então, você sabe. Quanto mais aprendemos sobre suas capacidades, mais aprendemos sobre as minhas.”

Ele franziu o cenho. “Deixa de bater esses cílios pra mim. Sou imune aos encantos femininos.”

Ela estava batendo seus cílios? E ela conhecia esse tipo de artimanha? Queria sorrir. “Eu poderia descobrir amanhã na escola, suponho. Provavelmente não poderei dormir esta noite, minha mente está tão agitada. E, claro, a falta de sono afetará meu teste de inglês, que é certo que reduzirá meu histórico perfeito. Mas estou certa de que superarei isso. Eventualmente.”

Durante um longo tempo, só houve silêncio.

“Me sinto como um idiota.” Riley franziu o cenho e se levantou, caminhando para o banheiro para tirar sua roupa. “Você vai ficar me devendo por isto,” ele chamou.

Então ela realmente tinha suas artimanhas femininas. Desta vez, tinha vontade de rir.

***

Aden tinha os papéis que havia imprimido na escola, à pesquisa sobre Vlad o Empalador, escondido em seu livro de geometria enquanto descansava em sua cama. Este era seu primeiro momento de paz desde seu retorno para casa. Tinha deveres de casa para completar e tarefas para fazer. Durante as tarefas, Ozzie o havia ameaçado de novo – desta vez com a decapitação – se Aden o delatasse sobre como ele conseguia suas drogas.

O garoto tinha soado desesperado, e Aden imaginava que era só uma questão de tempo antes de Ozzie tentar se desfazer dele. Não matando-o, claro. Ozzie não era um assassino. Pelo menos, não acreditava nisso. No entanto, um mentiroso? Sim. Talvez Ozzie escondesse as drogas no quarto de Aden e enviaria Dan para procurá-las. Talvez dissesse que tinha visto Aden fazer algo desprezível.

Ele teria que estar de guarda.

Por agora, neste momento, estava decidido a relaxar. Com um suspiro, enterrou o nariz em um livro. No entanto relaxar, logo percebeu, não era nada mais que um sonho. Quanto mais lia, mais se dava conta de que Victoria tinha razão para temer o que seu pai faria a ele se provasse ser menos que útil. Uma faca em seu coração, talvez fosse o que o levaria a morte. Ou o Rei vampiro simplesmente o torturaria, como era de seu costume?

Vlad Tepes, Vlad III, Príncipe de Valáquia, Vlad o Empalador, Drácula, havia sido conhecido – quando ele era humano – por seus castigos cruéis. Ele tinha amado empalar seus inimigos e deixá-los ao ar livre para morrer lenta e dolorosamente. Ao que parece, fez isso a mais de quarenta mil homens e mulheres.

Nada que Aden realmente pudesse dizer algo. Ele cortava a cabeça dos cadáveres. Mesmo assim.

Algumas pessoas acreditavam que o guerreiro tinha sido morto em uma batalha contra o Império Otomano; alguns acreditavam que tinha sido assassinado. Bram Stoker tinha sido o primeiro a imortalizá-lo como um vampiro, e Aden se perguntava por que. Seus caminhos realmente tinham se cruzado?

Um arranhão na janela o fez ficar em posição vertical. Olhou o relógio, 9:00 PM. Poderia ser Victoria? Ela nunca vinha tão cedo, mas seu pai poderia ter decidido que era hora de eliminá-lo. Ela teria vindo para avisá-lo?

OO qquuee ttee ddeeiixxaa ttããoo aassssuussttaaddoo?? Perguntou Eve.

“Minha imaginação hiperativa” ele respondeu, forçando a se acalmar.

Uma pata se aproximou do vidro e o arranhão começou de novo. Franzindo o cenho, ele levantou e se aproximou mais. Um animal perdido?

Quando viu o lobo de Mary Ann, deu um salto para trás.

Mais arranhão.

Então. O lobo tinha vindo finalmente por ele. A noite se tornaria muito melhor se Vlad decidisse unir-se a festa. Aden tirou suas adagas de dentro das botas que havia metido embaixo de sua cama.

Como Aden não travou a fechadura, o lobo foi capaz de abrir a janela com sua pata. Aden se manteve onde estava, armado, pronto. Isto não era como Elijah previu sua morte, então talvez só fosse mutilado. Mas isso não diminuía sua determinação para defender-se, se fosse necessário.

Ao invés de aproximar-se dele, o lobo ficou do lado de fora e olhou para dentro do quarto. Um tenso momento passou em silêncio. EEnnttããoo:: VVooccêê ssaabbee oo nnoommee ddee sseeuuss ppaaiiss??

A voz fluía de dentro de sua cabeça, mas isso não foi o que o deixou imóvel com choque e descrença. Seus pais? Sério? “Escuta, lamento por sua perna. Voltei para enfaixá-la, mas você já tinha ido. Não queria feri-lo naquele dia, mas não me deixou outra opção.

Você ia me matar. Eu tinha que fazer algo. Da mesma maneira que farei algo se me atacar esta noite.”

VVooccêê ee eeuu rreessoollvveerreemmooss iissssoo llooggoo,, mmaass nnããoo aaggoorraa.. AAggoorraa pprreecciissoo ssaabbeerr ssee vvooccêê ssee lleemmbbrraa ddooss nnoommeess ddee sseeuuss ppaaiiss.

A confusão deu lugar a choque e incredulidade. O que estava acontecendo aqui? “Não. Eu não sei. Só eram Mamãe e Papai, e eu tinha três anos da última vez que os vi.” Poderia ter perguntado a uns dos assistentes sociais por seus nomes, mas não havia se permitido fazer isso. Eles não tinham se preocupado com ele, então não deveria se preocupar com eles. “Agora, se quiser lutar, você não sairá ileso.”

VVooccêê ppooddeerriiaa sseerr mmaaiiss ccooooppeerraattiivvoo?? EEssttoouu tteennttaannddoo aajjuuddáá--lloo.

“Sim. Certo.”

Com um grunhido, o lobo se virou e afastou-se correndo.

***

Mary Ann estava em sua mesa procurando no Google sobre a melhor maneira de localizar uma certidão de nascimento, quando Riley voltou a aparecer.

EEllee nnããoo ssaabbee.

Ela franziu o cenho. “Eu temia isso. Ele sabe onde nasceu pelo menos?”

Riley estava procurando suas roupas descartadas, mas parou. NNããoo ppeerrgguunntteeii aa eellee.

“Oh. Bem, perguntarei amanhã, suponho. Se ele também não souber isso, não importa, tudo ficará bem. Pediremos sua certidão de nascimento. Ela nos dará a localização de seus pais, e também o hospital em que nasceu. Só preciso da licença de motorista dele. Acha que ele tem uma? Se não, posso conseguir uma amanhã também. Se ele não tiver... não sei o que farei.” Ela soltou um suspiro de frustração. “Esperava ser difícil. Pergunto-me se vou dormir depois de tudo isso.”

Riley passou a língua pelos dentes e depois se lançou pela janela.

***

Os arranhões começaram outra vez.

Aden saltou, pronto desta vez. Ele tinha uma adaga escondida ao seu lado. “Decidiu que queria um pedaço de mim afinal de contas?”

SSaabbee oo nnoommee ddoo hhoossppiittaall oonnddee nnaasscceeuu??

Isso se tornava mais confuso a cada momento. “Não. Porque isso importa a você?”

VVooccêê tteemm uummaa lliicceennççaa ddee mmoottoorriissttaa?? O lobo soava irritado e sem fôlego.

“Sim. Mas não me permitem dirigir. Só é para identificação.” Ele havia obtido uns dias antes de vir para o rancho. Tinha estado a uma pergunta de falhar no exame escrito, as almas ajudaram com as respostas, mas havia superado a direção ele mesmo. Todos amaram a ilusão de liberdade e tinham ficado quietos, perdidos no momento.

AAddeenn, o lobo interrompeu. Concentre-se. PPrreecciissoo qquuee mmee ddêê ssuuaa lliicceennççaa ddee mmoottoorriissttaa.

“Por que?”

MMaarryy AAnnnn qquueerr ppeeddiirr uummaa ccóóppiiaa ddaa cceerrttiiddããoo ddee nnaasscciimmeennttoo.. DDeessddee qquuee vvooccêê nnããoo ssaabbee qquueemm ssããoo sseeuuss ppaaiiss.. EEssttoouu aaddiivviinnhhaannddoo qquuee nnããoo tteemm uummaa aa mmããoo.

Espera. Mary Ann queria sua certidão de nascimento? Isso queria dizer que ela acreditava nele. Isso tinha que significar que ela ia ajudá-lo. Ele queria rir – embora tenha dito a ela para se afastar da besta, não recrutá-lo para sua causa. “Não, eu não tenho. Mas não vou te dar a licença até que ouça isso dela. Não confio em você.”

BBeemm,, mmeellhhoorr ccoommeeççaarr,, ppoorrqquuee eellaa eessttáá tteennttaannddoo aajjuuddaarr vvooccêê ee aa sseeuuss aammiiggooss ee nnããoo sseerráá ccaappaazz ddee ddoorrmmiirr aattéé qquuee tteennhhaa eessssaa lliicceennççaa.. NNããoo mmee aaggrraaddaa aa iiddééiiaa ddeellaa rreevviirraannddoo--ssee ee aaggiittaaddaa.

Ela disse ao lobo sobre as almas; ela confiou seus segredos obscuros a seu inimigo. Aden esperou para que o sentimento de traição o tomasse, mas nunca o fez. Ela estava tentando ajudá-lo. Nada mais importava.

“O que importa o nome do hospital onde nasci? O que importa meus pais?”

TTeerráá ddee ppeerrgguunnttaarr iissssoo aa eellaa.

“Eu irei.” Aden cruzou seu quarto até a mesa e procurou na gaveta superior pelo objeto requerido. “Aqui.” Ele o manteve e o lobo rangeu entre seus dentes. “Também não me agrada a idéia dela revirando-se e agitada. Se você a machucar...”

EEllaa nnããoo tteemm nnaaddaa aa tteemmeerr ddee mmiimm,, hhuummaannoo.. DDeesseejjaarriiaa ddiizzeerr oo mmeessmmoo ssoobbrree vvooccêê.

***

AAqquuii. Riley deixou cair a licença em seu colo.

Mary Ann se inclinou até embaixo e o abraçou. “Obrigada.”

OO pprraazzeerr ffooii mmeeuu, ele disse, rosnando contra seu cabelo.

Agora que ela tinha visto sua forma humana, a ação a fez querer coisas que não deveria. Coisas que não queria falar, não para Riley e certamente não para ela mesma. Mas não podia evitar perguntar-se se Riley queria essas coisas tão imensamente também.

Por que outro motivo ele sairia tanto com ela? A menos...

Ela se afastou, com um sorriso congelado em seu rosto. Ela o fazia sentir calmo, como ela fazia Aden sentir e aparentemente Tucker? Isso era parte do trabalho dele? Algo que ajudava a proteger Victoria?

Isso não era o que ela queria.

O sorriso falso desapareceu. Ela enfrentou seu computador para esconder sua agora apertada expressão. “Tudo o que tenho que fazer é mandar um email com o meu pedido, uma cópia de uma foto de identificação e dez dólares, então boom, a certidão de nascimento dele é minha. Pode acreditar nisso? Vou pedir a minha também, desde que aparentemente meu pai perdeu.”

Do canto de seu olho, ela viu Riley afastando-se dela, sacudindo sua cabeça. TTeennhhoo qquuee iirr.. EEuu ddeeiixxaarreeii aass rroouuppaass.. EEssccoonnddaa--aass ddee sseeuu ppaaii.

“Ele enlouqueceria se as encontrasse, isso é certo. Ele mal se acostumou com a idéia do meu namoro com Tucker. Se souber que um garoto realmente estava passeando dentro do meu quarto....” Ela se estremeceu. “Seria posta em um castigo total.”

AA rreeaaççããoo ddee sseeuu ppaaii aa aappaarriiççããoo ddee TTuucckkeerr nnããoo cchheeggaarriiaa nneemm ppeerrttoo ddaa mmiinnhhaa.. MMaass ccoommoo eeuu ddiissssee,, eessccoonnddaa aass rroouuppaass.. PPrreecciissaarreeii ddeellaass ddaa pprróóxxiimmaa vveezz qquuee vviieerr.

Da próxima vez. Ele iria voltar; ela o veria outra vez. Talvez tivesse seus novos e tontos sentimentos sob controle. “Eu guardarei.”

OOhh,, nnããoo ssee pprreeooccuuppee ppeellaa ffaallttaa ddaa rroouuppaa ddee bbaaiixxoo.. NNããoo uussoo nneennhhuummaa.. TTee vveejjoo aammaannhhãã,, MMaarryy AAnnnn.

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