Interligados#1 - Capítulo 11
Dentro do quarto, Aden não conseguia parar de bocejar. Ele olhou a cama com nostalgia. Tinha que dormir logo ou provavelmente desmaiaria em algum lugar
Pelo menos, seu lábio estava curado. O toque de Victoria havia feito maravilhas.
Ele sorriu, recordando. Queria sua boca sobre a dele outra vez. Só que desta vez queria que ela demorasse. Queria os braços dela ao redor de seu pescoço, para mudar a cabeça de modo que a língua dela se movesse para dentro e para fora.
OO qquuee vvooccêê eessttáá ppeennssaannddoo?? Eve perguntou. PPoossssoo sseennttiirr nnoossssaa pprreessssããoo aarrtteerriiaall aauummeennttaannddoo.
“Nada,” ele murmurou envergonhado.
Tomou banho e se vestiu mais uma vez. Felizmente, depois de algumas lavagens as inscrições em suas camisas tinham desaparecido. O que não diminuiu sua satisfação de punir Ozzie por isso.
Quando entrou no hall, Ozzie estava esperando pra ele. Um dos olhos inchados, o lábio cortado e uma bola do tamanho de golf sobressaltava do lado de sua mandíbula.
“Diga uma palavra do que aconteceu” ele disse entre os dentes. “Eu desafio você.”
Então Victoria cumpriu a promessa, e devolveu sua memória. Bem, provavelmente não sobre ela ou o que ela fez a Casey. “Eu não tenho medo de você,” sorriu e se inclinou como se tivesse um segredo para contar. “Você não pode ganhar uma luta contra um bebê dormindo.”
Ozzie abriu a boca e voltou a fechá-la.
“E de todo jeito teremos que falar para Dan que lutamos. Não existe modo de evitar isso.” Porque não havia jeito de Dan deixar passar seus machucados. “Simplesmente não diremos a ele o porquê, quando ou onde aconteceu.”
“E as... coisas?” Ozzie falou de um lado da boca, o olhar no corredor para certificar-se de que as portas dos quartos estavam fechadas e ninguém podia ouvir. “Sobre Casey?”
“Não penso em dizer nada.” Ozzie relaxou, até que, acrescentou. “A menos que você mexa comigo outra vez. Então tenho a sensação de que cada pequeno detalhe aparecerá. Entendeu?” Aden não se importava de chantagear o escória. Estava cansado de ser pressionado, maltratado, e não poder fazer nada a respeito por medo de ser expulso.
Ozzie amaldiçoou em voz baixa. “Se inclusive pensar em alertar a polícia eu juro por Deu, que você vai se arrepender disso.” Ele puxou uma faca do bolso de trás, uma que obviamente havia roubado da cozinha de Dan, e o agitou na frente do nariz de Aden. “Você entendeu?”
Aden revirou os olhos, Inclinou-se e retirou uma de suas adagas. Ela era maior e mais nítida, restos de sangue de cadáver manchando a prata. “O que eu entendo é que eu poderia cortá-lo
Calado outra vez, Ozzie recuou para seu quarto fechando a porta.
OOhh,, eessttoouu ttããoo oorrgguullhhoossaa, Eve soava como uma mãe radiante. VVooccêê ssee mmaanntteevvee ddee ppéé ppoorr ssii mmeessmmoo sseemm ccoollooccaarr eemm rriissccoo ssuuaa ssiittuuaaççããoo.
AAssssiimm qquuee ssee ffaazz AAdd!! Caleb disse. PPrreecciissaammooss cceelleebbrraarr.. CCoomm ggaarroottaass!!
EEuu ggoossttaarriiaa qquuee vvooccêê ppeelloo mmeennooss bbaatteessssee nneellee ddee nnoovvoo, disse Julian. OOddeeiioo eessssee ggaarroottoo.
NNããoo oo eennccoorraajjee, Elijah respondeu. NNããoo oo qquueerreemmooss nnaa ccaaddeeiiaa,, aaccrreeddiittee.
Elijah recordou que estava preso em uma vida passada ou havia visto Aden preso e sabia o quão terrível que seria para eles?
Não havia tempo para perguntar, Shannon passou a cabeça pela porta, provavelmente perguntando-se o que era o ruído ao redor. Surpreendendo Aden por entrar no corredor.
“A-aqui.” Ele entregou uma pilha de papéis. “Ozzie chegou a no-noite passada e me disse que ia pe-pegar isso. Eu entrei primeiro e peguei eles.”
Seu questionário de inglês, que devia entregar hoje. Aden nem sequer percebeu que tinham desaparecidos. Todo o trabalho que havia feito... Se Ozzie tivesse êxito sabia que receberia um F. Ele apertou a mandíbula, querendo bater no escória de novo.
“Obrigado.”
Shannon assentiu. “Estava te devendo, por...” seu olhar parou na camisa de Aden. “Vo-você sabe.”
Quando ele virou, tentando sair. Aden agarrou o braço dele. “Espere. Você mau falou comigo a semana toda, mas acabou de me salvar de ser expulso da escola. O que está acontecendo?”
O músculo da mandíbula de Shannon trincou. Ele se livrou das mãos de Aden, mas não se afastou.
“Você poderia me dizer agora. Eu irei te seguir até que você desista. Na floresta. Na escola. Depois da escola. Durante as tarefas...”
“Aque-aquele dia na floresta,” rosnou a resposta. “Você estava bem atrás de mim, homem. Então aqueles ga-garotos apareceram e você caiu fora, me deixando por minha conta. Sei que não fomos sempre um dos me-melhores amigos, mas tínhamos acertado uma tré-trégua.”
“Então você realmente esteve em uma briga?”
Outro aceno, este tenso.
Então Shannon não era o lobisomem. Então... quem? O guarda-costas de Victoria talvez? Não. Não poderia ser. Victoria pensa que os lobisomens são perigosos. Ela não iria querer ser protegida por um.
Aden pensou em cada um que ele conhecia com olhos verdes, um monte de nomes apareceram. E se, quando um humano muda para a forma de lobo, seus olhos mudassem de cor? Aden era a prova viva de que os olhos podiam mudar de cor em um piscar de olhos, bem, um olhar. Se isso fosse verdade, qualquer um poderia ser o lobisomem.
“Desculpe” ele disse a Shannon, ao perceber que o escória estava esperando sua resposta. “Eu não sabia que você foi emboscado. Eu não vi os caras. Se tivesse visto, teria ficado com você. Talvez. Quero dizer, eu ouvi o grito de Mary Ann e corri para ver o que estava errado.”
“Ela está bem?”
“Agora está.” Ele esperava. De alguma maneira, de algum jeito, ele a levaria para um canto hoje e a forçaria a falar com ele. “Então, o que fez você decidir me perdoa por abandonar você?”
“Difícil ficar com ra-raiva do cara que chutou o traseiro de Ozzie.”
Eles compartilharam uma risada, e continuaram sorrindo ao pegarem seus lanches do balcão do lado da porta da frente onde a Sra. Reeves sempre deixava para eles.
SShhaannnnoonn nnããoo ppooddee sseerr oo lloobbiissoommeemm, disse Julian. EEllee ttee ffeezz uumm ffaavvoorr.. OO lloobboo tteerriiaa mmaassttiiggaaddoo aa ffoollhhaa ddee ppaappeell,, ccuussppiiddoo eemm vvooccêê ee rriiddoo.
DDeeppooiiss ccoollooccaarriiaa ffooggoo eemm aammbbooss, Caleb acrescentou.
Desde que Aden não havia falado seus pensamentos em voz alta, eles não podiam saber que ele já havia considerado isso.
AA nnããoo sseerr qquuee iissssoo sseejjaa uumm ttrruuqquuee ppaarraa ddeessppiissttáá--lloo. Elijah disse pensativo.
Não é um truque, queria dizer, porque não queria acreditar nisso. Sua vida finalmente parecia estar no caminho correto. Arruinaria a si mesmo se permitisse que as suspeitas o envenenasse. Afinal, as suspeitas levariam a paranóia, e a paranóia era a clássica conduta de esquizofrênica. Ele seria embalado para presente no diagnóstico de seus médicos quando vinha lutando tão bravamente para contestar isso.
EEllee jjáá tteemm oo ssuuffiicciieennttee ppaarraa ppeennssaarr,, ggaarroottooss. Eve disse, provavelmente sentindo a intensidade de seus pensamentos. VVaammooss ddaarr aa eellee uumm ppoouuccoo ddee ppaazz eessttaa mmaannhhãã.
Sim, Eve. Todo mundo disse e ao mesmo tempo Shannon disse, “Você precisa de uma boa história para sua ca-cara ou vai ser expulso. E talvez não entregar Ozzie. Cara, el-ele tem outros planos de ataque furtivo.”
Aden tomou um momento para pensar através das vozes para escolher o que Shannon havia dito. Viu? O garoto não fugiu do gesto de amizade, ainda estava tentado fazer a coisa certa.
“Não posso deixar Ozzie fora disso porque Ozzie tem o mesmo rosto machucado que eu tenho. Nós negamos isso, e Dan sabe que estaremos mentindo. Estaremos em problemas maiores.”
“Talvez você consiga escapar. Talvez ele já tenha ido.” Há algumas manhãs Dan estava fazendo as tarefas, mas umas poucas manhãs de sorte, ele dormia ou estava fora do rancho.
Pela primeira vez desde o inicio da escola, eles saíram juntos. O ar estava fresco, o céu nublado. Dan estava na camionete, a ponto de abrir a porta quando viu Aden e congelou. Como se Aden estivesse amaldiçoado, o Sol apareceu através de uma parede de nuvens e reluziu nele, parecendo brilhar mais que nunca. Ele piscou, seu olho ferido ardeu e lacrimejou. Suponho que afinal, não podia tardar a conversa.
“De onde tirou esses machucados, Aden?” Dan só usava esse tom duro quando lutava contra sua ira.
Aqui vamos nós. Enquadrou os ombros, ao mesmo tempo em que seu estômago apertou dolorosamente. “Ozzie e eu tivemos um pequeno desentendimento. Nós superamos isso, e nos desculpamos.” Curto, suave e sincero.
Dan parou perto da camionete, encarando-o. “Você sabe que você é melhor do que recorrer à violência física, não importar o problema. Essa é uma das razões de você está aqui, para conseguir controlar sua tendência a violência.”
“Isso foi só uma vez o não voltará a acontecer.”
“Já ouvi isso antes.” O grande homem passou uma mão sobre seu rosto, algo da dureza o abandonando. “Não posso acreditar que você fez isso. Eu te coloquei na escola pública, eu te comprei roupas, certifico que você esteja alimentado. A única coisa que peço é que se dê bem.”
Seus companheiros começaram a gritar dentro de sua cabeça, tentando falar o que ele tinha que dizer. Falando alto como estavam no momento, ele ouviu só um amontoado indecifrável de palavras. “Nós cometemos um erro. Aprendemos com isso. Isso não é o que importa?” Esperançosamente, isso conforma.
Dan apertou a mandíbula. “Não importa se você aprendeu alguma coisa ou não. Ações têm conseqüências. Eu tenho que castigá-lo. Você sabe disso também, certo?”
“Me castigar?” Foi o que Aden escutou. Ele torceu seus braços, sua irritação fervendo com a mesma potência de sua ira na noite anterior. “Não é como se você fosse perfeito Dan. Não é como se você não tivesse cometido erros.”
Os olhos de seu tutor se estreitaram. “O que quer dizer com isso?”
Não faça isso, cada um de seus companheiros gritava ao mesmo tempo. Nenhuma desculpa deles o confundiria neste momento.
“Você sabe” ele disse mesmo assim. “Você e a Sra. Killerman.”
Agora seus companheiros se queixaram.
A boca de Dan ficou aberta. Ele olha Aden em silêncio durante alguns instantes, o tick-tack do tempo em sintonia com os chiados dos grilos. Finalmente, seu olhar se fixou em Shannon. “Entre na camionete. Eu te levarei para a escola.” seu tom de voz já não era duro ou chateado, era calmo. Sem emoção.
Shannon vacilou por um momento, com uma expressão simpática, antes de obedecer.
Dan cruzou os braços sobre o peito. “Eu não sei como você soube sobre a Sr. Killerman ou o que pensa que sabe, mas te asseguro, que não tenho nada do que me envergonhar. Porque é isso o que você quer, não é?”
Ele colocou as mãos em seus bolsos e assentiu, a tentativa de ação. Ele começou isso; deveria ver isso acontecendo.
“Bem, você está errado. Eu flerto com ela unicamente pelo bem de vocês garotos, e Meg é muito consciente disso. As vezes inclusive na mesma sala que ela porque é a única maneira que tenho estômago para o que tenho de dizer e ouvir. Eu faço isso, porque mantêm vocês aqui quando são puxados para a violência. Ou drogas. Ou roubos. Ou qualquer outro tipo de coisa.
Eu faço isso, porque as necessidades de vocês estão antes de qualquer outra pessoa. Como pensa que te coloquei na escola pública tão rápido?”
“Eu... Eu...”
Dan não esperou. “A princípio, eu não podia acreditar que liguei pra ela e fiz o pedido para que isso ocorresse. Mas então lembrei o seu desapontamento quando te disse que isso não ia acontecer. Então liguei de novo pra ela e pedi que acelerasse as coisas. E você sabe o quê? Ela fez. Pensa que ela faz isso pra todo mundo? Ela tinha que conseguir a aprovação do estado e da associação da escola. Ela teve que lutar contra os poderes estabelecidos. Eu tive que lutar.”
A culpa, branco-quente e ligado com ácido, varreu através dele. Havia julgado e condenado Dan sem conhecer os fatos. Algo que haviam feito com ele uma e outra vez. Algo que havia jurado não fazer com os outros. Tão honesto e direto quanto Dan era, ele deveria conhecê-lo melhor.
“Dan,” começou, torturado.
“As aparências enganam, Aden.” disse Dan suavemente, “Da próxima vez que pensar mal de mim, espero que me conceda o beneficio da dúvida. Venha até mim, e fale comigo.”
“Eu farei. E desculpe por esta vez.” Levantou o queixo e juntou o olhar com Dan “Espero que você faça o mesmo por mim. Me dê o benefício da dúvida.”
Dan cruzou os braços no peito, outro desses longos silêncios para considerar o que passava por sua cabeça. Aden não sabia. O que fosse, no entanto, a causa de sua expressão mudou de suspeitas a desgosto e finalmente a aceitação.
“Entre na camionete,” disse Dan.
Entre na... O quê? Isso significa... que ele...
“Estou fingindo que a luta nunca aconteceu? Sim. Estive onde você estar, e sei o que é ser julgado e condenado quando você é inocente. Então estou te dando o benefício da dúvida e acreditando que fez o que fez por uma razão. Mas é melhor que não aconteça de novo. Agora, não fique parado aí. Ande, ande, ande. Você não quer chegar atrasado ao primeiro período.”
Aden não pôde evitar. Lançou-se em Dan e lhe deu um rápido aperto. Dan grunhiu e despenteou seu cabelo, e Aden sorriu antes de saltar para dentro da camionete.
Quando eles chegaram ao estacionamento da escola, Aden viu que Mary Ann estava esperando nas portas duplas, observando as árvores com expectativa. Por ele? Ele queria acreditar nisso, mas muitas vezes ela havia fugido dele depois da escola...
No momento que a camionete diminuiu ao alcançar o estacionamento, parou facilmente, essa rápida sacudida de vento cortou através dele, direto no peito. As almas gemendo, desaparecendo dentro do buraco negro. Retornando a culpa de Aden, embora por uma razão diferente. Eles o haviam ajudado a entrar nesta escola e agüentado a dor da escuridão, então ele encontraria algum jeito deles saírem, para ter seus próprios corpos. Até agora, ele não havia feito nada para manter sua parte no acordo.
Isso teria que mudar. Hoje. Já havia decidido forçar Mary Ann a falar com ele, esperando aprender o que estava acontecendo dentro de sua cabeça, mas agora, tomava isso como mais um passo. Revelaria o resto de suas habilidades sem se importar com o medo de como ela iria reagir, e assim descobrir como ela afastava as almas.
Ele a estudou mais de perto. Ela parecia cansada, como se não tivesse dormido por dias, e havia sombras embaixo de seus olhos. Um franzido se colocou no canto de seus lábios. Geralmente ela estava borbulhando de energia, tinha um sorriso para todos.
Mary Ann franziu o cenho quando sua amiga Penny se aproximou. Penny parecia pior que Mary Ann, seu rosto estava inchado como se estivesse chorando. Mary Ann disse algo, moveu a cabeça violentamente. Penny agarrou sua mão. Marry Ann se afastou e desapareceu dentro do prédio.
O que tinha acontecido?
A camionete parou ao frear. “Comportem-se, garotos. E Aden não recorra à violência de novo. Estamos claro?”
“Absolutamente, e... Obrigado.”
Dan assentiu, oferecendo um meio sorriso. “Vejo vocês depois.”
Aden e Shannon se deslizaram para fora e mais uma vez caminharam juntos enquanto entravam no prédio. Aden não podia negar que gostava de ter alguém ao seu lado. Alguém que pudesse cuidar também de suas costas.
“Que-quer almoçar junto?” Shannon perguntou a ele.
“Uau, que adorável,” O comentário de uma voz próxima. A voz de Tucker. Aden a reconheceu, odiava ela. Cada vez que Mary Ann estava no intervalo, Tucker o tinha chamado de nomes, fazendo-o tropeçar ou jogava bolas de papel nele. “Soa como Gaginho e Louco estão namorando agora.”
Uma onda de risadas espalhou pelo corredor.
Aden rangeu os dentes. Ele ignorou o jogador – chega de violência, chega de violência, chega da merda de violência – e disse para Shannon, “Eu encontrarei com você na cafeteria.”
Shannon apenas deu um perceptível assentimento, seu olhar fixo no chão, suas bochechas ruborizadas, e se dirigiu a sua primeira classe.
Tucker fechou um golpe contra o ombro de Aden enquanto ele caminhava, golpeando sua mochila contra o piso.
“Olhe isso,” grunhiu o jogador, então se deteve e sibilou, perdendo todo o traço de raiva quando estudou o rosto machucado de Aden. “Bem, bem, bem. Alguém deve ter sido um garoto muito travesso para ter conseguido uma surra.”
Como podia Mary Ann sair com esse garoto? Ele era como um monte de estrume escondido em uma caixa brilhante.
Sem nenhuma palavra, Aden recolheu sua mochila e saiu.
“É isso mesmo. Fuja, covarde.” Chamou Tucker presunçosamente.
Ele podia sentir centenas de olhos nele, observando, julgando, talvez até mesmo compassivos. Pensavam que ele tinha medo de Tucker. Ele odiava isso, mas não podia colocá-los em seus lugares. Não só porque tinha que evitar a violência de todo tipo, e era isso aconteceria se desafiasse Tucker, sangue, espantosa violência, mas por causa de Mary Ann. Ela podia não gostar se ele atacasse e pulverizasse a cara de seu namorado.
No entanto, engarrafar sua ira custou a ele. Quase não conseguiu isso andando para sua primeira aula. Por alguma razão Mary Ann não estava lá. Ele desejava poder seguir o exemplo dela. Quase parou na sala um milhão de vezes, seus nervos muito vivos para lidar com a leitura e os estudantes. As almas estavam mais uma vez falando em sua mente, tentando confortá-lo, mas suas vozes só grunhiam com intensidade, mesclando-se com todos ao redor dele e finalmente culminaram em um rugido.
Claro, quando o Sr. Klein apontou para ele e fez uma pergunta. Ele não pôde decifrar as palavras, muito menos para uma resposta coerente, então o Sr. Klein decidiu fazer dele um exemplo, e de sua falta de atenção e ficou parado ao lado a sua mesa durante a aula inteira.
Se mais uma pessoa risse dele, ele iria estourar.
Suas segunda e terceira aulas não foram melhores. Na segunda, geometria, deveria ter sido agradável, já que estaria com Mary Ann. Mas outra vez ela não estava lá. Ela já teria ido? E tem mais, havia um novo garoto que tomou um assento vago ao lado de Aden e falou o tempo todo. Novato como ele. Aden simpatizava com a necessidade de um amigo – mas Deus, precisava de um momento de paz.
“Melhor você parar,” Aden sussurrou já na metade da aula. “Vai se meter em problemas, e você não quer vê o lado mau da Sra. Carrington. Escutei que ela morde, e não é no bom sentido.”
“Não se preocupe, irmão. Ninguém se importa com que eu faço.” O garoto novo sorriu. Ele tinha o brilhante cabelo loiro que caia sobre os olhos.
Sua pele parecia absorver a luz da sala, cintilando. Aden havia visto esse brilho antes, em alguém mais – mas quem? – A senhora no centro comercial. Isso era certo. E como a senhora, este garoto deixa os pêlos finos do corpo de Aden em estado de alerta.
“A propósito, sou John O’Conner. E sim, estou consciente que meu nome é igual ao cara do Exterminador do Futuro. Era o filme favorito da minha mãe.”
“Aden Stone.”
“Escuta, tem visto Chloe Howard pelos corredores? Uma morena com aparelho nos dentes, muitas sardas. Muito bonita.”
“Não.” ele estava muito preocupado com sua própria morena para notar outras. Tentou manter seu olhar focado na frente da aula. Isso não desencorajou John.
“Oh, cara. Você está perdendo. Mas tudo bem. Tem o resto do dia para procurá-la e...”
“Sr. Stone.” Uma palmada golpeou a mesa do professor, tremendo a caneca de café que descansava lá. “Gostaria de explicar você mesmo ou eu deveria continuar.”
Ele afundou em sua cadeira enquanto todos em suas cadeiras olhavam pra ele. “Deveria continuar.” Por que John não estava com problemas?
Ela manteve seu olhar por mais um momento antes de assentir com satisfação e lançando-se de volta a sua aula.
“Almoce comigo,” John disse a ele. “Não quero me sentar sozinho, e quero conversar com você sobre Chloe.”
“Tudo bem,” ele sussurrou só esperando que a conversa terminasse. E talvez falando com o garoto no almoço, teria uma revelação sobre o brilho de sua pele e essas descargas elétricas que pulsavam de seu corpo. “Estarei esperando por você na porta da cafeteria.”
“Adorável.”
Finalmente. Silêncio.
Embora durante todo o terceiro período se perguntou sobre Mary Ann, onde ela havia ido, o que estava fazendo. Quando soou a campainha, agarrou suas coisas e foi para a porta, inseguro do que fazer. Ele marcou com Shannon – e agora John – para o almoço, então não podia sair e caminhar até a casa dela para ver se estava lá.
Ele memorizou número dela. Talvez a recepcionista do escritório o deixasse usar o telefone para ligar pra ela. Exceto...
Que agora a familiar rajada de vento golpeou seu peito, e ele parou rapidamente.
Mary Ann tinha que estar por perto.
Ele olhou para o corredor – e lá estava ela, apressando-se até ele. A intensidade de seu alívio era impressionante.
“Aden,” ela chamou.
Ela parou diante dele, cambaleando um pouco, mudando de um pé a outro. “Aden,” repetiu mais silenciosamente. Ofereceu um sorriso vacilante, como se estivesse insegura de ser bem-vinda.
“Então agora está falando comigo de novo?” Aden não podia evitar perguntar. “Por que você esteve me evitando?”
Seu sorriso apagou. “O que você quer dizer? Não estava evitando você. No almoço, você me evitava.”
“Você estava fugindo depois da escola,” ele a recordo. “Me aproximava de você e você corria.”
“Desculpe. Eu não queria... não era isso que eu... oh, fiz disso um desastre. Mas te prometo que você interpretou mal minhas intenções. Você é meu amigo e, bem, eu preciso falar com você.” Ela lançou um olhar para os garotos ao redor deles. “No entanto, não é o momento para explicações.”
Um mal entendido. Graças a Deus. Ele era novo nessas coisas de amigo e claramente tinha muito que aprender. “O que você está fazendo aqui? Por que não estava no primeiro ou no segundo período?”
“Para responder a sua segunda pergunta, eu, bem, gazeei.” Ela mordeu o lábio inferior. “Para responder a primeira, estou parando você de correr para onde quer que você geralmente vai almoçar.”
Ele não disse a ela que já tinha mudado seus planos. “Me acompanha até meu armário,” ele disse e ela assentiu. Mantiveram o ritmo um ao lado do outro.
“Então, onde você vai almoçar?” Ela perguntou, ainda aparentemente nervosa.
“Eu fujo do campus e busco a floresta para o...” seu olhar circulou a multidão incisivamente. “Você sabe.”
O queixo dela caiu. “Você vai? Por quê? E Aden, isso não é bom para você. Você precisa comer.”
“Não se preocupe. A esposa de Dan me dá um pacote para almoçar todas as manhãs. Eu o levo comigo e como no bosque.”
“Oh.”
Os garotos ainda balbuciavam ao redor deles e os armários fechavam com um golpe.
“Você não precisa fazer isso,” ela disse. “Procurar o lobo, quero dizer. Ele e eu temos conversado.”
Primeiro veio a surpresa. Então raiva. Então medo. “Eu te disse para ficar longe dele, Mary Ann. Tem sorte de estar viva. Um... amigo meu me disse que os lobos são assassinos ferozes.”
O calor do rosto dela se foi, e sua mão levantou-se para sua garganta. “Que amigo? Alguém mais sabe sobre o que está acontecendo?”
“Não se preocupe. Ela não é uma... humana” ele sussurrou.
Os olhos de Mary Ann se ampliaram. “O que quer dizer com isso? Quem é ela?”
Deveria dizer ou não? Só uma breve luta precisou para chegar a essa conclusão. Ele precisava da ajuda dela. Por tanto, ela precisava de toda a informação que pudesse lhe dar, inclusive sobre Victoria.
Mantendo sua voz baixa, ele disse. “Minha amiga, ela é uma vampira. E uma princesa.” acrescentou. De fato não o irritava, não mais, mas isso ainda o atordoava. Ele estava saindo com uma princesa. Bem, esperava que estivessem saindo.
Mary Ann não riu dele. Não lhe disse que tinha uma imaginação hiperativa ou algo assim. Ela respirou e assentiu. “Você mencionou vampiros antes, mas eu não, quero dizer, não pensei que você conhecia um.” Ela esfregou o pescoço, como se já pudesse sentir as presas fundindo-se em suas veias. “Como você a conheceu?”
Um grupo de garotas rindo passou por ele, mais uma vez recordando-lhe de seu público em potencial. “Eu te direi tudo, só não enquanto tivermos ouvidos ao nosso redor. Justo agora, eu preciso que você prometa ficar longe daquele animal. Além de querer me matar, tem algo sobre ele. Eu não deveria ser capaz de... você sabe o que aconteceu naquele dia.”
Sua testa suava enquanto ela olhou para ele através da blindagem grossa de suas sobrancelhas. “Não. Desculpe.”
“Possuí-lo.”
“Oh. Por que não?”
“Quando estou com você minhas habilidades deixam de funcionar. Mas naquele dia na floresta, cada uma delas funcionou perfeitamente. Tinha que ser por causa dele. Ele era a única variação.”
“Primeiro, eu ainda quero saber que outras habilidades têm. Segundo, o lobo não é perigoso. Não para mim, pelo menos. Eu acho que ele é como eu. Ele caminha comigo até a escola todas as manhãs e de volta a minha casa todas as tardes.” Outra vez ela mordeu o lábio inferior, e ele percebeu que isso era um gesto de nervosismo da parte ela. Ela atirou os braços ao seu redor. “Ele está amansando com você, eu simplesmente sei disso.”
Assim disse a garota que tinha uma boa chance de estar nas notícias da manhã um dia, o corpo dela destroçado e cravado com marcas de dentes.
Ele não podia acreditar que tivesse gasto tanto tempo preocupando-se por ela, pensando que não queria nada com ele, e ela simplesmente estava brincando com o lobo como se fosse um animal de estimação.
“É por ele que você está fugindo de mim todos esses dias depois da escola?”
Suas bochechas coraram. “Sim, mas não fique irritado,” ela disse. “Eu não consigo evitar. Estou... atraída por ele.”
Isso, ele entendia, ao mesmo tempo em que isso o preocupava. Victoria o atraía também.
Chegaram ao armário de Aden e ele trabalhou a combinação. “Estou certo de que Tucker irá amar saber que você está atraída por outra pessoa. Especialmente um animal.”
“Ei!” Ela deu um tapa em seu ombro. “Ele não é um animal. Não todo o tempo. Não que ele me mostre sua forma humana,” ela murmurou. “E além do mais, não é um problema se Tucker gosta ou não. Nós terminamos.”
Aden parou com um único batimento cardíaco, os livros congelados em pleno ar, inseguro de ter escutado direito. “Sério? Vocês terminaram?”
Ela confirmou, o rosado de suas bochechas se intensificou. “Sem perguntas. Ele dormiu com Penny.”
“Ah.” Ele colocou os livros dentro e bateu a porta do armário.
“Isso foi o que te chateou tanto pela manhã.”
“Você não ficaria? Eles me traíram, depois agiram como e nada tivesse acontecido.”
“Sinto muito. No entanto, não estou surpreso que eles tivessem mantido segredo. Ninguém gosta de divulgar seus erros.”
“Agh. Você soa como o lo...” ela sacudiu a mão no ar, expressão cansada. “Esqueça.”
O lobo dela? Soar como um assassino perigoso não era um elogio. Talvez ele precisasse, tipo, colocar-se em contato com seus sentimentos ou algo assim. Ato sensível. “Você está melhor assim, sabe. Tucker é um...”
“Imbecil?” ela disse, e ambos sorriram.
“Sim, um imbecil.”
“Eu concordo.” Ela lançou um suspiro trêmulo enquanto seguia ele. “Vamos.” Eles caminharam vários passos antes dela retomar a conversa onde havia parado. “Se todos nós temos pela frente é deslealdade e traição, por que ainda fazemos amigos?”
Ele detestava que o usual otimismo dela tinha ido. “Outra vez, natureza humana. Esperando pelo melhor é o que nos impulsiona.”
“Agora você soa como meu pai.” Ela resmungou.
“Bem, então, ele é claramente um gênio.”
Mary Ann riu.
As portas do refeitório ficaram a vista. A qualquer minuto agora, eles se juntariam a Shannon e John O’Conner. Ele empurrou Mary para um lado e olhou pra ela, um sentido de urgência o alcançou. “Preciso falar com você.”
“Qual é o problema?” ela perguntou, rígida.
“Por favor, não saia depois da escola sem mim. Encontre uma maneira de se livrar do lobo. Há muitas coisas que preciso contar. Não só sobre vampiros, mas também sobre mim. Há algo que preciso de sua ajuda.”
Ela estendeu a mão e apertou seu antebraço. “Seja o que for, te ajudarei de todas as maneiras possíveis. Espero que saiba disso.”
Tão fácil, e tão rápido. Ele tinha que lutar contra o impulso de abraçá-la, e isso não tinha nada haver com suas habilidades ou as dela, mas tudo haver com ela. Com o quão grande ela era.
Com todas as pessoas que teve que perder nos últimos anos, uma parte dele havia esperado que ela resistisse. “Toda a semana passada eu pensei que você estava assustada comigo, que não queria nada comigo. Para ser honesto, não estava seguro de como você reagiria hoje.”
“Oh Aden, eu realmente sinto muito por isso. Eu deveria ter dito o que estava acontecendo, mas tinha medo de que você tentasse me proteger e acabasse ferido.” Aqueles dentes brancos emergiram a morder seu lábio inferior outra vez. “E se você tivesse sido ferido por minha causa, bem, a culpa teria me matado.”
Ele sorriu lentamente, aliviado, e ela retornou o sorriso que só ela tinha.
“Eu espero que não se importe, mas prometi a Shannon que comeria com ele.” ele disse. “Oh, e disse a este garoto novato realmente falador que podia juntar-se a nós. Eu suponho que esteja esperando na porta.”
“Um garoto novato?” seu cenho se franziu. “Eu não escutei que nós conseguimos outro.”
“Sim, justo hoje. Seu nome é John O’Conner e ele...”
“Espera. O quê?” seu nariz enrugou em confusão. “Você disse John O’ Conner?”
“Sim, por quê?”
Ao invés de responder, ela disse. “Descreva-o pra mim.”
Ok. “Cabelo loiro, olhos castanhos e sua pele parece como se tivesse banhado com brilho. É realmente estranho.”
Seu cenho se aprofundou. “Exceto pelo brilho, isso soa como o John que eu conhecia. Mas alguém está claramente fazendo uma piada com você, porque John morreu de overdose no ano passado.”
Aden massageou a parte de trás de seu pescoço, seus músculos fazendo nós de raiva. “Uma piada.”
“Sinto muito.”
Ele quase socou a parede enquanto imaginava as risadas que todos estavam tendo de sua expressão. “Shannon está em algum lugar ai dentro.” Ele disse tenso.
Mary Ann o considerou com simpatia antes de guiá-lo a cafeteria.
Uns minutos mais tarde, ele se encontrava parado em uma mesa com Mary Ann e Shannon. Embora estivessem só os três nessa seção particular, os garotos ocupavam as mesas ao redor deles, assim como ele tinha visto nos filmes.
Estava muito consciente de Penny, olhando melancolicamente para Mary Ann, e Tucker encarando de Mary Ann para Aden com repugnância. Shannon mantinha a cabeça inclinada, e Mary Ann mantinha uma conversa tensa, sem sentido. Aden procurou por John, mas nunca o viu. Ninguém parecia estar rindo dele tampouco, então ele foi capaz de relaxar. Um pouco.
No geral, foi um calvário desconfortável. Ele preferia mais o isolamento na floresta, e isso o surpreendia. Quantas horas teria que gastar diariamente com os amigos e a normalidade? Mas talvez, no bosque, poderia encontrar Victoria. Sozinho.
Finalmente a campainha tocou, sinalizando que o tempo para suas próximas aulas começou. As cadeiras estavam afastadas para trás, passos de pés começavam a marchar.
“Es-espera por mim depois da escola.” Disse Shannon a ele. “Nós podemos caminhar até em casa juntos.”
Aden se encontrou com o olhar de Mary Ann. Ela estava imobilizada, a metade sentada, a metade
Shannon deve ter captado a corrente de tensão porque ele disse. “De-ixa pra lá,” e tentou se afastar.
Sensível como ela obviamente era aos sentimentos dos outros, Mary Ann passou um sorriso por seu rosto e agarrou seu pulso, o parando. “Caminhar juntos pra casa parece ótimo. Eu só tenho que tentar lembrar se disse ao meu pai para vir me buscar ou não.”
“Ah, ok.” A postura de Shannon relaxou.
“Nos vemos depois,” Aden disse, tentando mascarar sua decepção, e se encaminhou para a próxima aula. Vendo como sua conversa com Mary Ann teria que ser adiada. De novo. Eles não podiam derramar segredos com público presente.
Seriam capazes de falar amanhã? Ou algo os deteria também? E amanhã depois da escola estava fora de questão; Shannon provavelmente queria caminhar com eles de novo. A esse ritmo, nunca poderiam ter um momento de privacidade. A menos... que ele pudesse contar a ela tudo sem ter que dizer uma palavra.
Determinado, foi para suas três aulas seguintes para escrever. Sobre ele, seu passado, as coisas que podia fazer, as coisas que tinha testemunhado e as coisas que precisa de Mary Ann. Não poupou os detalhes, não tentou pintá-lo na luz mais favorável. Queria que ela soubesse a verdade.
EEuu tteennhhoo uumm mmaauu pprreesssseennttiimmeennttoo ssoobbrree iissssoo, Elijah disse quando ele terminou.
Aden gemeu. Não outra vez. Mas isso na importava; não iria deixar que importasse. Ainda estava entregando o bilhete a Mary Ann. O que aconteceria depois caberia a ela.
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