Interligados#1 - Capítulo 10
Aden sentou-se em sua mesa improvisada e olhou sua tarefa, um questionário de Inglês sobre por que os livros de William Shakespeare continuavam sendo pertinentes na sociedade moderna, perguntando-se por que ele brigou tanto para ir à escola pública. Ele não estava passando nenhuma hora adicional com Mary Ann, não estava mais perto de encontrar um modo de conseguir com que as almas de sua mente estivessem em seus próprios corpos, e estava mais confuso do que nunca sobre Shannon e o lobo, se eram um só ou entidades separadas por completo.
Desde aquela tarde na floresta, quando Aden mordeu a perna do lobo, Shannon estava evitando-o, nem sequer olhou e rosnou para ele apesar da trégua deles no primeiro dia de escola – prova que ele tinha deixado o metamorfo com raiva. No entanto Shannon não caminhava mancando – prova que ele possivelmente não poderia ser o metamorfo.
Sinceramente, Aden estava confuso e miserável. Seus professores não estavam exatamente apaixonados por ele, embora não tenha feito novos amigos e o único que tinha atualmente o estava evitando. Não teve muito tempo para falar na escola, e ela saiu correndo dele e entrou na floresta no momento em que a última campainha tocou.
Ele também sabia o por que. Ela o temia. Temia o que ele era, o que podia fazer. Como não temer? Ele era um monstro.
Não deveria ter confiado nela.
Talvez seguir Mary Ann naquele dia no cemitério tenha sido um erro. Elijah o advertiu sobre isso.
VVooccêê ddeevvee iiggnnoorráá--llaa, Caleb disse, sentindo a direção de seus pensamentos. TTrraattáá--llaa ccoommoo lliixxoo.. IIssssoo éé oo qquuee rreeaallmmeennttee cchhaammaa aa aatteennççããoo ddaass ggaarroottaass.
NNããoo eessccuuttee eellee.. EEllee eerraa uumm lliibbeerrttiinnoo nnaa oouuttrraa vviiddaa,, ssiimmpplleessmmeennttee sseeii ddiissssoo. O desgosto praticamente jorrava na voz de Eve. AAss ggaarroottaass rreessppeeiittaamm ooss ggaarroottooss qquuee aass ttrraattaamm bbeemm.
“Ainda acha que a conhece?” ele deixou cair a cabeça entre as mãos erguidas, esquecendo de Shakespeare.
EEssttoouu cceerrttaa ddiissssoo.. TTeennhhoo aallgguummaass iiddééiiaass ffiillttrraannddoo ssoobbrree qquuaannddoo nnóóss ppooddeerrííaammooss ttêê--llaa vviissttoo,, mmaass aaiinnddaa nnããoo eessttoouu pprroonnttaa ppaarraa ffaallaarr ssoobbrree eellaass.
Aden pegou o significado das palavras ocultas e gemeu. Eve estava planejando levá-lo para o passado, para viajar pela versão jovem dele mesmo – mente de hoje no corpo de ontem – para que ele pudesse revisitar o passado com este novo conhecimento. A única razão para ela não ter feito ainda, suspeitava, era que ela não tinha decidido um dia específico. Que era a razão do “filtrando”, tinha certeza.
“Eve,” ele começou, então parou. Teimosa como ela era, poderia levá-lo de volta no tempo esta noite se ele a irritasse bastante.
Ela não o forçava a viajar no tempo há anos, e eles todos estavam gratos. Ele só tem que resolver o mistério de Eve para ela. Antes que ela resolva usar seu “dom”.
“Apagar as luzes,” Dan gritou de repente.
Grunhidos e gemidos preencheram os corredores, seguido por arrastar de pés. Suspirando, Aden forçou-se para se levantar e desligar seu abajur. Escuridão inundou seu quarto. Ele estava cansado mais ainda inquieto. Como sempre. Parte dele esperando que Dan espreitasse pelo quarto e o checasse, e ele esperou várias horas, os lençóis cobrindo até o queixo para esconder suas roupas. Àquelas horas se arrastando, solitárias e ininterruptas.
Lado positivo: seus companheiros adormeceram de tédio.
Finalmente, quando estava confiante que os outros no celeiro estavam dormindo, pulou a janela e foi para fora. A noite estava fria, caía bem deste modo. Sofia e os outros cães dormiam lá dentro com Dan e Meg, por isso ele não terá que se preocupar com que seus latidos despertassem todos no celeiro.
Com tinha feito todas as noites durante a semana passada, manobrou através da floresta até onde Victoria o havia deixado. A falta de sono estava deixando-o de mau humor, mas preferia a chance de vê-la novamente ao invés da promessa de sono. Onde ela estava? Porque não tinha voltado para ele?
Apesar do fato dela beber sangue – e gostaria de beber dele – e apesar do fato de que ela poderia converter os seres humanos em escravos de sangue, não importava quem fosse, ele queria vê-la de novo. Precisava vê-la.
Gradualmente percebeu um murmúrio de vozes – e por uma vez não vinham de dentro de sua cabeça. Quando mais se aproximava do claro, mais forte se tornava. Excitação batendo – finalmente a encontrou?
Ele se posicionou atrás de um tronco grosso e escutou. Um dos oradores era um homem, outro era uma mulher, no entanto, suas palavras reais estavam muito abafadas para decifrá-las. Mas logo percebeu que a mulher não era Victoria. Esta voz se expressava muito alto.
A excitação deu espaço para a decepção. Ele teria deixado eles com os seus negócios, sejam quem fossem e o que quer que estejam fazendo, se não tivesse conhecido uma mulher vampiro que gostava de percorrer a área. Eles podiam ser caçadores de vampiros, por tudo o que sabia, podiam esta planejando matá-la.
Ele não sabia se as pessoas como estas realmente existiam, mas não correria nenhum risco. Ele se arrastou entre as sombras e se aproximou.
Um deles poderia ter dito, “mate.” Talvez, “pílula.” O outro poderia ter respondido, “eu posso.” Talvez, “estou bem.” De qualquer maneira, não estavam ali plantando rosas.
Só um pouco mais perto... Um ramo se quebrou debaixo de sua bota. Ele ficou paralisado. Esperou, nem sequer atreveu a respirar. As vozes ficaram em silêncio.
O que deveria fazer? Não podia sair até que eles saíssem, só no caso de Victoria aparecer. E não podia...
Alguém o abordou por trás, enviando-o de cara em uma cama de folhas secas. O impacto o assustou, mas foi capaz de virar de costas, e depois virar de novo, fixando seu atacante embaixo dele. Ele socou brutalmente no estômago.
Houve um grunhido de dor, uma lufada de ar. Aden se pôs de pé, com a intenção de pegar suas adagas, mas quando olhou pra baixo, viu quem o emboscou e congelou. “Ozzie?”
“Stone?” Ozzie parou, cuspindo um bocado de sujeira. “Você está me seguindo agora? O quê, você está tentando me colocar para fora do rancho? Bem, boa sorte com isso, porque eu sairei tranquilamente?” Sem nenhuma outra advertência, ele chutou Aden entre as pernas.
Dor absoluta irradiava através dele, fazendo-o se curva sobre ele, fazendo sua pele se sentir como fogo e seu sangue como gelo. Ele queria vomitar. Querido... Deus...
Enquanto ofegava, suava e combatia a náusea, a raiva ferveu em seu interior. Golpe baixo. Golpe muito baixo. Quando fosse capaz de respirar novamente, Ozzie iria se arrepender.
“Vamos ver como vai contar sobre mim sem os dentes.” Ozzie esmurrou o olho de Aden. Má pontaria? Então em seus lábios. Ok, não tão má.
Sua cabeça dava voltas. Sua ira se intensificou, transbordou, enchendo-o, lhe dando asas. Com um grunhido, lançou-se para frente e agarrou o garoto pela cintura, o que impulsionou os dois para o chão. Crack. O crânio de Ozzie bateu contra uma grande rocha, atordoando-o.
Aden se apoiou nos joelhos e apenas começou a se mover. Boom, um punho se chocou contra o rosto. “Isso é por minha primeira camiseta.” Boom, seu outro punho conectou com a órbita do olho. “Isso é por todas as outras.” Boom, conectou como o queixo de Ozzie. O sangue jorrava. Ele não se importava, estava perdido na raiva, decidido a causar tanta dor quanto fosse possível. “Isso é por me chamar de louco!”
Grunhindo, Ozzie tirou as pernas debaixo de Aden, dobrando-as e inclinando no peito de Aden. Uma forte pressão o fez voar para trás. Ele bateu em uma árvore e caiu no chão. Um monte de folhas suavizou o impacto.
OO qquuee eessttáá aaccoonntteecceennddoo?? Eve de repente perguntou, atordoada pelo choque.
Fazendo todo o possível para ignorá-la, ele se levantou e mais uma vez foi para cima. Levantou o punho na direção de sua cabeça, direto na garganta de Ozzie. Quando Ozzie estava curvado, ofegando, Aden lhe chutou o estômago sem pensar um segundo. Uma coisa que tinha aprendido ao longo dos anos era que não havia honra na luta. Tinha que fazer tudo o que fosse preciso para ganhar, inclusive bater em alguém quando ele estava embaixo – especialmente quando está embaixo – ou você sofreria.
Ele juntou suas mãos e bateu na têmpora de Ozzie. Ozzie virou para um lado, caído de joelhos. Uma bolsa plástica caiu de seu bolso. Sua cabeça se mantinha abaixada, uma mão segurando sua cintura, a outra cobrindo seu rosto para protegê-lo.
“Levante-se! Lute contra mim! Não é isso que você queria?” Isso já vinda de um longo tempo, e agora que eles estavam do lado de fora, Dan não estava aqui para interferi, Aden não podia se conter. Ele colocou seu peso em uma perna, se inclinou para frente e deu um golpe na mandíbula de Ozzie. “Vamos!”
Outra vez, o impacto o lançou. Ozzie rapidamente se endireitou e veio balançado. “Sim, isso é o que eu queria. O que eu farei.”
Aden se agachou, acertando o escória no estômago mais uma vez e forçando mais do que oxigênio necessário sair de sua boca. Ele levantou a perna para fazer de novo.
“Eu não faria isso se fosse você.”
A voz feminina foi seguida por um click de uma arma. Lentamente ele baixou a perna e voltou à metade do caminho, sem deixar Ozzie fora de seu campo de visão mais de olho na garota tanto quanto pudesse. Ela era mais baixa que ele por uns 30 centímetros, ligeira e trêmula. E ela estava apontando a arma direto pra ele.
Ele poderia pegá-la, mesmo ofegante e suado como estava. Já não havia mais dor, sua adrenalina simplesmente estava muito elevada. No entanto, ferir uma garota não era uma perspectiva que ele gostava.
PPoorrqquuee iissssoo éé eerrrraaddoo, Eve disse, como se estivesse lendo sua mente.
EEllee nnããoo tteemm qquuee mmaacchhuuccáá--llaa, disse Elijah. IIssttoo vvaaii aaccaabbaarr bbeemm.
CCoommoo éé qquuee uummaa ggaarroottaa ccoomm uumm ddeeddoo nnoo ggaattiillhhoo,, oobbvviiaammeennttee ttrreemmeennddoo,, ppooddee aaccaabbaarr bbeemm?? Caleb gritou.
CCoorrrraa AAddeenn, Julian ordenou. SSiimmpplleessmmeennttee ccoommeeccee aa ccoorrrreerr.
Aden deu um passo pra trás.
FFiiqquuee qquuiieettoo!! Elijah grunhiu, e ele ficou paralisado.
CCoorrrraa, Julian mandou outra vez, e ele deu outro passo.
PPaarree.
“Silêncio!” Ele gritou, tapando as orelhas.
“Você fique calado! E se der algum passo eu juro por Deus que vou fazê-lo comer cada uma dessas balas. Agora quem diabos é você?” A garota grunhiu. Ela era bonita, apesar da arma, com um curto cabelo loiro. Seu lábio inferior estava cortado, como se ela também estivesse recentemente em uma briga.
“Está tudo bem, Casey,” disse Ozzie, surpreendentemente tranqüilo enquanto se levantava. Suas palavras eram um pouco confusas, com a mandíbula já inchada. “Ele é do rancho.”
Ela não abaixou a arma. “Você sempre briga com os garotos com quem vive?”
“Sim, eu brigo.” Ozzie se inclinou para baixo e recolheu as bolsinhas de plástico que haviam caído. “Ele não é um policial, e tampouco da narcóticos. Ele sabe que eu poderia apunhalá-lo enquanto dorme, se ele tentasse.”
Aden conhecia uma trouxa de maconha quando via uma. Então Ozzie a portadora da arma, Casey, estavam aqui por drogas. “Para alguém que acaba de perder, você certamente soa confiante sobre o que pode fazer comigo.”
Ozzie ficou rígido. Casey endireitou sua pontaria.
Talvez devesse manter a boca fechada. Mas pelo canto do olho ele tinha visto um vislumbre de Victoria, deslizando-se até eles, silenciosamente como um fantasma, e as palavras escaparam.
Nem Ozzie nem Casey sequer olharam na direção dela.
Aden deveria saber que ela estava ali, mesmo se ele não a tivesse descoberto. O poder irradiava dela, envolvendo a área, carregando todo o ar tanto que estalava. À medida que ela diminuía a distancia, sua pele parecia mais branca do que nunca. Tão branca que resplandecia. Sua túnica negra balançava na brisa.
EEuu ddiissssee qquuee ttuuddoo aaccaabbaarriiaa bbeemm, disse Elijah, petulante.
Outro sentimento instintivo provando que era válido. E neste ritmo, Elijah logo seria capaz de prever tudo.
“Você não vai atirar nele,” a vampira disse com aquela voz rouca, repentinamente diante de Casey. Ela moveu uma mão perto do rosto da garota, o anel opala capturando raios da luz da lua e projetando fragmento de arco-íris em todas as direções.
Casey congelou, tão imóvel que Aden não podia nem mesmo ver sua respiração.
“Você vai soltar a arma e irá embora, sua memória ficará limpa deste evento.”
Não houve hesitação enquanto Casey obedecia. A arma caiu inofensivamente no chão; ela girou e foi embora, nenhuma vez olhou para trás. Aden estava chocado e envergonhado. Os poderes de Victoria eram maiores do que tinha percebido. E acabava de ser salvo por uma garota. Ele deveria ser aquele que salvava.
“O quê...” Ozzie começou.
“Você também, partirá, sua memória ficará limpa deste evento.”
Os olhos do escória se apagaram e ele também girou e se afastou.
“Eu preciso que ele se lembre,” Aden disse. De outra forma, quando eles acordassem com seus rostos roxos e machucados, Ozzie saberia que ele esteve em uma briga, mas não sabia que tinha perdido para Aden. Aden queria que ele tivesse esse conhecimento. Para que temesse vir atrás dele. Temesse represarias.
Relutantemente, Victoria assentiu. “Muito bem. Eu devo retornar sua memória amanhã pela manhã.”
“Obrigado. Por tudo.” O olhar de Aden se deslizou para ela. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo, e a longa, e volumosa calda caia sobre seu ombro. Seus lábios eram cor de rosa ao invés do habitual vermelho. “Como me encontrou?”
“Você está sangrando,” ela disse ao invés de responder. Ou talvez essa fosse a resposta. Enquanto ela falava, seus olhos começaram a escurecer, as pupilas negras encobriam as íris azuis. Mais e mais perto flutuou até ele. Mas parou pouco antes de alcançá-lo e recuou. Desviou o olhar. “Eu não deveria ter me revelado.”
“Me alegro de você ter feito.”
Seu olhar retornou pra ele. Ou melhor, para o sangue gotejando do sangramento de seus lábios. “Eu posso parar o sangramento, se você quiser.” Sua língua se moveu rapidamente por cima de seus afiados caninos. “Isso... isso não significa nada. É só uma coisa que eu posso fazer.”
Ele não estava certo de como ela planejava fazer isso, mas se encontrou assentindo.
“Eu não... eu tentarei não... machucá-lo. Serei delicada. Não serei um animal.”
Ele não estava certo de que as palavras eram para ele ou pra ela mesma, mas, uma vez mais ela se aproximou dele. E depois sua boca encontrou a dele, pressionando suavemente, delicadamente, totalmente quente, sua língua novamente serpenteando e limpando as gotas vermelhas.
Ele ficou muito quieto, saboreando a sensação dela, esse perfume de madressilva. Ele tinha que manter as mãos em punhos ao seu lado para evitar agarrá-la e prendê-la para sempre. Onde ela o lambeu, sentiu um formigamento... Dor... Mas era uma dor boa. Não pare, ele pensou. Nunca pare.
Mas ela parou. Ela levantou a cabeça, as pálpebras meio abertas, expressão de prazer. “Delicioso.”
“Pode ter mais se você quiser,” ele perguntou, inclinando a cabeça para mostrar mais de seu pescoço. Se for assim que sentiria quando ela o mordesse, ele estava preparado.
“Sim, eu... Não.” Ela balançou a cabeça e recuou novamente. “Não. Eu não posso. Por que você me deixou fazer isso? Por que me pediria pra fazer de novo? Não tem nenhuma consciência? Quer ser meu escravo de sangue? Viciado a minha mordida, incapaz de pensar em mais alguma coisa?”
“Não me tornarei um viciado,” ele disse, rezando para que isso fosse verdade.
“Como você sabe?”
Ele não tinha uma resposta, então ignorou a pergunta. “Dói ao ser mordido?”
Os ombros dela relaxaram um pouco. “Disseram-me que é uma sensação muito maravilhosa,” disse – e depois desapareceu.
Ele piscou, tentou não entrar
“Mas gostar disso seria o menor de seus problemas,” ela disse logo atrás dele.
Ele se virou.
Victoria tinha um ombro pressionado contra o tronco de uma árvore. “Você não deveria me tentar para fazer isso, sabe.”
Ele suspirou. “Me morder uma vez, me converteria em um escravo?”
“Não. Requer uma alimentação múltipla. Mas não morderei você.” Ao final, ela levantou a voz com determinação. “Nunca.”
“Tudo bem.” Ele a estudou, fazendo seu melhor para manter o ritmo cardíaco baixo e controlado. Ela parecia preparada para sair em disparada e nunca voltar. Abandonar o assunto parecia sábio. Por enquanto. Não havia razão para dizer a ela que de fato ela o morderia, mudasse de idéia ou não. “Como você se move tão rápido?”
“Todos aqueles da minha espécie são capazes de fazer isso.” Com mal uma respiração, ela acrescentou, “O que está fazendo aqui, Aden? Está floresta é perigosa para humanos.”
Por que era uma floresta perigosa para humanos? Quando ele se deu conta do que havia considerado, balançou a cabeça. Era raro ser referido como um humano. Embora isso fosse o que ele era. “Eu estava procurando você. Você foi embora tão rápido na outra noite e tenho tantas perguntas.”
“Perguntas que provavelmente não posso responder.” Ela arrancou uma folha da árvore, amassou em sua mão e deixou cair os pedaços. Elas flutuaram até o chão, retorcendo e girando.
Curioso como estava, não podia permitir a se dar por vencido. No entanto, no lugar de pressionar, decidiu perguntar algo inocente, algo fácil. Com sorte, responder a ele se tornaria a segunda natureza de Victoria, assim ele poderia abordar logo as perguntas mais duras. Seus médicos haviam usado esse método com ele uma ou duas vezes.
“Por que você usa túnicas? Pensei que quisesse usar algo mais moderno e misturar-se.”
“Misturar-se nunca foi nosso objetivo.” Ela deu de ombros. “Além do mais, as túnicas são o que meu pai prefere.”
“E você sempre faz o que ele diz?”
“Aqueles que o desobedecem acabam desejando estar morto.” Ela se virou. “Eu devo ir.”
“Não,” Ele saiu correndo, se aproximando dela. “Espere. Fique comigo. Só um pouco mais. Eu... senti sua falta.”
IIssssoo nnããoo éé ttrraattaarr uummaa ggaarroottaa ccoommoo ddeesspprreezzoo, Caleb subiu o tom.
NNóóss ffaallaammooss ssoobbrree iissssoo, Eve disse. AA ssuuaa tteeoorriiaa ddee ddeesspprreezzoo éé ddeesspprreezzíívveell.
Aden apertou a mandíbula. “Por favor, Victoria.”
Ela parou, o encarou. Mil diferentes emoções pareciam lutar pelo domínio de suas feições. Esperança, pesar, alegria, tristeza, medo. Finalmente, a esperança ganhou. “Venha,” ela disse. “Quero te mostrar algo.”
Ela pegou a sua mão. Ele se perguntou o que havia causado tanta confusão dentro dela, mas não hesitou em encurtar a distância entre eles e enrolar seus dedos. O calor da pele dela quase o chamuscou enquanto ela o conduzia pela floresta, mais e mais fundo, as árvores engrossando ao redor deles.
“Você é tão quente,” ele disse, logo, para seu horror, se sentiu ruborizado. “Eu não quis dizer que você é atraente. Espera. Você é. Atraente. Quero dizer. Bonita. Eu só queria dizer que sua temperatura é quente.” Ele poderia soar menos idiota?
“Oh, me desculpe.” Ela soltou de seu aperto.
“Não, eu gosto disso.” Aparentemente, ele podia. Ele enroscou seus dedos novamente. “Eu só estava perguntando por que você é tão... hum, quente.”
“Oh,” ela disse novamente, relaxando-se em seu aperto. “Os vampiros tem mais sangue que os humanos. Muito mais. E não só por que consumimos. Isso é porque nossos corações trabalham a uma velocidade maior.”
Eles dobraram em uma curva. Ele não reconhecia a área, as folhas que caíam dos ramos, eram de um vermelho tão brilhante que quase parecia que as árvores estavam sangrando. “Onde estamos indo?”
“Você vai ver.”
Ele odiava não saber a distância entre ele e o rancho, só no caso de Dan acordar e procurar por ele, mas não protestou. Estar com Victoria valia o risco. Qualquer risco.
Seus ouvidos se animaram quando ele escutou a proximidade de corredeiras. “Existe um rio aqui?”
“Você vai ver.” Ela repetiu.
Eles romperam através de um monte de folhagens e o que só podia ser uma piscina natural apareceu diante dele, rochas foram pilhadas em um lado, e a água fazendo cascata a partir delas, borbulhando e espumando nas bordas. A mandíbula dele caiu.
“Isto não era mais que uma lagoa insignificante quando cheguei,” Victoria disse. “Trabalhei a semana toda para empilhar as rochas. Riley, meu guarda-costas, desviou a água pra mim.”
Riley. Seu guarda-costas. Ele deve ser o garoto que Aden tinha visto com ela naquela manhã no rancho. O que significava que eles não eram irmãos. Pior, eles provavelmente passavam muito tempo juntos.
Ele estudou as pedras, usando o tempo para aprisionar uma súbita explosão de ciúmes. Havia tantas para contar, todas tão grandes que ninguém de seu tamanho deveria ter sido capaz de levantá-las.
“Vocês dois fizeram um trabalho incrível.” Foi tudo o que disse.
“Obrigada.”
ÉÉ ttããoo ccaallmmoo aaqquuii.. NNããoo qquueerroo iirr eemmbboorraa nnuunnccaa mmaaiiss, disse Eve.
TTaallvveezz eellaa ttrroouuxxee vvooccêê aaqquuii ppaarraa ttee ddaarr uunnss aammaassssooss, Caleb disse esperançoso. QQuueemm ssaabbiiaa qquuee sseerr aaggrraaddáávveell ppooddeerriiaa vvaalleerr aa ppeennaa??
UUhh,, eeuu ssaabbiiaa, Eve respondeu.
Argh! “Pessoal. Silêncio, por favor. Estou implorando.” Seus companheiros se queixaram, mas fizeram o que ele pediu.
A atenção Victoria foi para ele. Ela estava franzindo o cenho.
“Não você,” ele disse a ela. “No entanto, se quiser saber com quem estou falando, você vai ter que negociar comigo pela informação.” Aí. Assim seria como ele obteria as respostas dela. Se ela tivesse curiosidade a respeito dele.
Mas se ela estivesse e ele contasse a verdade, ela decidiria que ele era muito estranho para sair com ela, como aparentemente havia feito Mary Ann?
“Eu estou disposta a negociar,” ela disse, e ele quis tanto se alegrar quanto amaldiçoar. Ela ficou de frente para a água, de costas pra ele. “Podemos fazer isso enquanto nadamos.”
Espera. O quê? “Nadar, com você?”
Ela sorriu. “Com quem mais? Venho aqui toda noite. Você vai gostar da água, eu prometo.”
“Mas eu não tenho um calção de banho.”
“E daí?” Sem se virar para ele, ela tirou a túnica por seus ombros. O material se deslizou até o chão, e mais uma vez seu queixo caiu. Ele nunca tinha visto tão linda visão. Ela usava um maiô rendado rosa – a primeira vez que ele a tinha visto com alguma cor. Primeira vez que alguma vez tinha visto uma garota quase nua
Estou babando? Ele se perguntou.
QQuueerriiddoo DDeeuuss ddoo CCééuu, Caleb falou. EEuu sseeii,, eeuu sseeii.. DDeevveerriiaa eessttaarr qquuiieettoo.. MMaass aass ppaallaavvrraass ssaaíírraamm ppoorrqquuee –– ee eeuu ppoossssoo eessttaarr eerrrraaddoo aaqquuii –– eeuu aacchhoo qquuee mmiinnhhaa llíínngguuaa eessttáá pprraa ffoorraa.. NNããoo iimmppoorrttaa qquuee eeuu rreeaallmmeennttee nnããoo tteennhhaa uummaa.
Aden odiava que seus companheiros a visse como ela estava. Odiava o brilho vermelho do ciúme aparecendo atrás dos seus olhos, e isso era muito maior quando pensava nela e em seu musculoso guarda-costas, juntos. Todo o tempo. Ok. O vermelho se ampliou, engrossando-se. Ele queria ser o único para desfrutar dela. Agora e sempre.
Victoria mergulhou na piscina, gotas espirrando, jorrando água pra cima, não parou até chegou ao centro, submergida todo o caminho até os ombros. Lentamente se virou, sorrindo. “Você vem?”
Inferno, sim. Com o ciúme ele poderia lidar mais tarde. Aden se livrou de sua calça e mergulhou. A água estava fria causando arrepios em sua pele. No entanto, ele levou como um homem, e fingiu que amou isso. De nenhum modo queria que ela pensasse que ele era covarde. Bem, mais de um.
Seus pés tocaram o centro, a linha da água chegava até seus ombros, mas ele era mais alto que ela e percebeu que ela não poderia atingir o chão coberto de musgos. No entanto, parecia não se perturbar por estar movimentando seus pés, impossível ante sua pele brilhante, a água nem ao menos ondulava.
Eles se moviam em círculos, seus olhares nunca vacilaram.
“Pronta para a negociação?” ele perguntou. Estava disposto a fazer qualquer coisa, inclusive negociar sobre ele mesmo, para aprender sobre ela.
Ela hesitou por um momento antes de assentir.
“Primeiro, talvez devêssemos estabelecer as regras.”
“Tipo?”
“Tipo, regra número um. Você é uma garota, por isso vai primeiro. Regra número dois. Você me fará uma pergunta, nada mais do que isso, e eu vou respondê-la. Regra número três. Vou fazer uma pergunta a você, novamente nada mais que isso, e você terá que responder. Regra número quatro. Temos que responder com a verdade.”
“De acordo.” Sem hesitação. “Vou começar então. Então... com quem você estava falando antes, quando você disse ‘silêncio’?”
Claro que ela havia escolhido a pergunta mais embaraçosa para colocar as coisas pra fora. Mas então, sua sorte teria permitido nada mais. “Eu estava falando com as almas aprisionadas dentro da minha cabeça.” Esperando que ficasse nisso.
Os olhos dela se abriram. “Almas? Presas em sua cabeça? O que você faz...”
“Não,” ele disse como um movimento de cabeça. “É minha vez. De quem você bebe, e o mais importante, você tem muitos escravos de sangue?” Em sua cabeça, as perguntas continuavam. Eram escravos homens? E o que ele faria se fosse?
“Isso são duas perguntas, por isso você me deve. A resposta para a primeira é humanos. A resposta para a segunda é não. Não tenho nenhum. Prefiro beber de minha presa uma única vez.”
Graças a Deus. “Eu sei que você bebe dos humanos. Isso não é o que queria dizer.” Ele pensou nos poucos jornais que viu, as última notícias das nove que ele assistiu. “Não havia notícias sobre recentes ataques na área. Nenhum canal de notícias fazendo barulho sobre possíveis sinais de vampiros. Ninguém mais me parece ter nem mesmo o conhecimento que você existe. Eu não entendo como isso é possível se você e sua família devem, uh, se alimentar muito.”
“Existe uma razão para isso, mas você terá que negociar por ela.” A última frase disse com um tom de voz cantada. Parecia que a vampira estava usando sua própria estratégia contra ele. “Agora é minha vez. O que você quis dizer, com as almas estão presas dentro da sua cabeça?”
Sim. Sua sorte foi engolida. “Almas, Personalidades, outros humanos. Existe quatro e eles sempre estiveram comigo. Pelo menos, tanto quanto me lembro. Nós temos jogado com muitas teorias diferentes sobre como eles chegaram aqui, e o melhor que fomos capazes de chegar é que eu os atraí para dentro de mim. Do tipo como eu aparentemente atraí você, só que eu os absorvi dentro da minha cabeça. Eles falam todo o tempo.” Ele se apressou antes que eles pudessem protestar. “Cada um possui uma habilidade. Um pode viajar no tempo. Um pode levantar os mortos, um pode possuir outros corpos, um pode ver o futuro. Geralmente quando alguém está próximo de morrer.”
“Isso significa que você pode fazer essas coisas também?”
Ele assentiu. “E agora estamos empatados, pergunta inteligente.”
A cabeça dela inclinou-se para um lado, sua expressão pensativa. “Você é mais poderoso do que nós pensávamos.”
E isso não era uma boa coisa, ele ponderou, a julgar por seu tom endurecido. Mas ela não estava fugindo, não olhava pra ele como se ele fosse lixo nuclear. Isso eram quilômetros acima do que ele esperava. Mas então, ela era uma vampira.
“Me pergunto como meu pai vai reagir diante disso.”
Aden se perguntou também. O homem que queria matá-lo por uma mera rajada de vento que ele e Mary Ann criaram. Isso era mil vezes pior. “Talvez você devesse, eu não sei, não dizer a ele.”
“Você provavelmente tenha razão. Então, conte-me mais sobre eles, estas almas. Você disse que fala com eles o tempo todo. Eles falam alto?”
Ele deu de ombros, e a água ondulou. “A maioria dos dias sim. É por isso que a maioria das pessoas pensa que sou esquisito. Porque sempre estou dizendo que se calem, ou, pior ainda, conversando com eles. E agora, você me deve.”
Ela estendeu a mão e abriu os dedos, quase como se quisesse contato, tanto quanto ele queria. “As pessoas podem pensar que você é esquisito, Aden, mas pensam que sou má. Talvez eu seja. Eu sobrevivo de sangue. E no começo, quando aprendi a tirá-lo, estava muito ansiosa, incapaz de me conter, e machuquei inocentes.”
Ouvi a culpa em seu tom, a tristeza, e odiava que ela tivesse experimentado essa emoção. Ele só queria que ela fosse feliz. E se isso fez dele o covarde que não queria ser, bem, ele seria um covarde.
Que lhe trouxe de volta a Riley o guarda-costas. Aden era o único que queria que ela fosse feliz? Seguramente não. Depois de tudo, Victoria lhe disse uma vez que Riley estava com ciúme dele. Ele não entendeu na época. Mas talvez Riley estivesse com ciúme de Victoria passar tempo com ele. Céus, como um namorado teria.
Afinal de contas, por que ela precisa de um guarda-costas? Ele se perguntou obscuramente. “Falar sobre de como as pessoas nos vê é deprimente. Então vamos falar de Riley. Ele também é seu namorado?” Cada parte dele sentia-se como se Victoria fosse sua. Se ela dissesse que sim... “Você tem que responder com a verdade. Lembre-se, que você me deve.”
Ela sorriu. “Não. Ele é mais como um irmão. Ele me irrita, no qual é por isso que me escondo dele tantas vezes quanto possível. O que há entre você e a garota que eu vi contigo? Mary Ann?”
“Só amigos,” ele disse, embora não estivesse certo sobre a parte de que ser amigo fosse verdade por mais tempo.
O polegar de Victoria traçou a palma da mão dele. “Que tipo de pessoa ela é?”
Antes que pudesse conter-se – não que ele quisesse se conter – Aden levou a mão dela até a boca e beijou. “Doce. Boa. Honesta. Ela sabe de mim. Bem, sabe um pouco sobre mim. Ele me viu possuir o corpo de um lobisomem, então não havia como esconder isso dela.”
“Vampiros e lobisomens? No que você se meteu? Os lobisomens são criaturas perigosas,” Victoria disse com a voz rouca. “Ferozes assassinos.” O olhar dela pousou nos lábio dele. “Tenha cuidado com eles.”
“Eu vou ter.” Talvez ele vá caçar, encontrar o lobisomem e se livrar dele antes que ele possa machucar alguém. Ou seja, Mary Ann. Tanto faz se ela gostasse dele ou não, ela era uma boa pessoa.
Cada vez mais perto Victoria se aproximava dele, diminuindo a pequena distância entre eles. “Antes, você perguntou sobre os humanos que bebemos e porque não havia notícias de pessoas que foram mordidas. Você viu a forma como minha voz afetou seus amigos, sim? Assim como ela afetou você na primeira vez que falamos. Pois bem, quando mordemos um humano, nós liberamos um produto químico em seu sistema que o faz ainda mais suscetível a nossas sugestões. Uma droga, um alucinógeno, acho que poderia dizer assim. Uma vez que terminamos com eles, enviamos para seu caminho e fazemos com que esqueçam de que alguma vez foram reduzidos a comida.”
Se ele tinha que ter poderes estranhos, Aden desejava que eles pudessem ser mais como o dela. Aquela voz vudoo poderia ter feito sua vida muito mais fácil, ele poderia ter enviado certas pessoas (engula essa Ozzie) pra longe sem nenhuma lembrança dele.
“Você está morta, como as lendas dizem?” Ele havia perdido a noção de quem devia uma resposta. Mas então, informação através de negociação já não era seu objetivo. Agora era tocá-la. Ele envolveu sua mão livre em volta da cintura dela abrindo os dedos na parte baixa das costas. Ela não pareceu se importar. “Quero dizer, você morreu e alguém te converteu em um vampiro?”
“Não, não estou morta. Estou viva.” Ela levantou a mão dele no seu peito e pressionou. A pele dela era tão quente como antes, mas ao fundo, ele podia sentir o suave ritmo do coração, batia mais rápido que o dele, mais rápido do que qualquer um deveria ter sido capaz de sobreviver, correndo para uma linha de chegada que nunca chegaria. “Meu pai, foi o primeiro de nós. É possível que você possa ter ouvido falar dele. Vlad o Empalador, alguns o chamam assim. Durante sua primeira vida, sua vida humana, bebia sangue como um símbolo de seu poder. Tanto sangue... O mudou. Ou talvez ele simplesmente bebeu sangue infectado. Ele nunca teve certeza. Tudo que sabe é que ele começou a implorar por isso até que o sangue se tornou tudo o que seu estômago poderia tolerar.”
Falar sobre o último castigo por seus atos. “Quantos de sua espécie existem agora?”
“Alguns milhares, espalhados pelo mundo. Meu pai é o rei de todos eles.”
Rei. A palavra ressoou em sua cabeça, fazendo-o tremer. “Isso significa que você é uma...”
“Princesa. Sim.” Ela acrescentou de um modo tão simples, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo.
Uma princesa. De repente Aden se sentiu ainda mais inadequado. Ela era da realeza, e ele era pobre, preso em um rancho com garotos muito selvagens para a civilização. Ela era filha de um Rei. Ele era órfão e considerado mentalmente instável.
“Eu provavelmente deveria ir,” ele se encontrou dizendo. Por que Elijah não lhe mostrou isso? Sabendo que o teria poupado do problema de se importar com ela – só para perdê-la.
Confusão escureceu suas feições. “Por que você está indo embora?”
Ele realmente precisava falar isso? “Eu sou um nada, Victoria, um Zé Ninguém. Ou deveria dizer Princesa Victoria? Devo me curvar também?”
Seu tom sarcástico fez com que ela se afastasse nadando, longe de seu alcance. “Você não se importa que eu seja uma vampira, contudo meu status te incomoda. Por quê?”
“Só esqueça isso,” ele disse, virando-se. Suas mãos se sentiam como cubos de gelo sem o calor ardente dela.
Antes que ele pudesse piscar, ela estava diante dele. De novo em seus braços. “Você é mais do que irritante, Aden Stone.”
“E você também.” Ele sabia que tinha que soltá-la, mas não pôde obrigar suas mãos a obedecer-lhe desta vez.
“Porque sou uma princesa, devo passar a maior parte da minha vida isolada. Normas e regulamentos são minhas para seguir, mais que qualquer outra pessoa, porque sempre devo agir com decoro, como exige o título. Devo ser tudo o que as pessoas querem que eu seja: Cortez, refinada e irrepreensível. Então você nos convoca e nós viemos para observá-lo. Vi como você se mantêm longe daqueles que estão a sua volta. Vi a solidão em seus olhos e pensei que entenderia como me sinto. E então, quando você me viu pela primeira vez, toda vez que você olhou pra mim, realmente, senti sua emoção. Isso faz com que seu fluxo de sangue fique tão delicioso.” Seus olhos se fecham, como se ela estivesse saboreando as memórias.
“Esta noite,” ela continuou, “você me pediu para ficar contigo. Você foi a primeira pessoa que quis passar um tempo comigo, para falar e me conhecer. Sabe como isso é irresistível? Riley é meu amigo, mas seu trabalho é me vigiar. E com ele, nunca posso esquecer quem e o que sou. Mas com você... Sinto-me normal. Como qualquer outra garota.”
Ser normal. Era um desejo que ele conhecia bem. E que ele a fizesse se sentir dessa forma era surpreendente.
“Você faz o mesmo por mim.” Ele admitiu. “Mas eu sou...”
“Irresistível, como eu disse. Eu deveria permanecer longe de você, mas não consigo. Então agora serei eu a pedir para que você não vá embora.”
Ele não sabia se sorria ou suspirava. Enquanto ela não o visse como um nada, ele tentaria fazer o mesmo também. “Eu ficarei.”
Ela sorriu lentamente, e isso iluminou seu rosto inteiro. “Bem, agora. O que estava dizendo sobre mim? Sobre a forma que eu faço você sentir?”
“Só que me sinto normal quando estou com você.” E acho que você é a melhor coisa que já me aconteceu. Ele limpou a garganta. “Então o que mais aconteceu quando seu pai se tornou um vampiro?” ele perguntou, fingindo que nunca mudaram de assunto, claro. Fingindo, para os dois, que eles eram realmente normais. Apesar do tema da conversa.
Ela deve ter notado o que ele estava fazendo, porque sorriu de forma radiante. “Ele deixou de envelhecer, seu corpo se fortaleceu exponencialmente. Sua pele perdeu a cor, tornando-se um escudo impenetrável.”
Aden lembrou a forma de como ela riu quando ele mencionou cortá-la com suas adagas. “Não posso ser cortada,” ela disse. “Sua pele não pode ser danificada?”
Ela balançou a cabeça. “Não por um objeto afiado. Não.”
Isso seria ambas as coisas, uma benção e uma maldição. Uma faca não poderia feri-la, mas nenhum médico poderia operá-la se fosse necessário. Ela alguma vez precisou disso? “Alguma vez você ficou doente?”
“Uma vez” ela disse, de forma evasiva e então suspirou e soltou a mão dele para puxar os dedos. Algum contado era melhor do que nenhum. “Aden.”
Claramente, a última pergunta a fez se sentir incomodada. “Se seu pai não envelhece, significa que você é quase tão velha quanto ele?” ele perguntou, e ela relaxou. “Não espera, você não pode ser. Você me disse que os vampiros mais velhos não podem tolerar a luz do sol e você pode.”
“Sim, sou muito mais jovem do que ele. Tenho só 81 anos de idade.” Ela enrolou uma mão no cabelo dele, claramente gostou da sensação, e fez isso de novo. “Mas não pense que eu tenho que aparentar como pareço agora todo o tempo. Minhas irmãs e eu envelhecemos lentamente, muito lentamente. Nossas mães em desespero de jamais sairmos da fase de crianças terríveis.”
Ele recordou das poucas crianças nos vários lares adotivos. As birras, a mentalidade “tudo meu”, e a forma com que riscavam em tudo, inclusive nas paredes “Onde está sua mãe agora?”
“Na Romênia. A ela não é permitido viajar conosco.”
Ele quis perguntar por que, mas não queria ter que responder nada sobre seus próprios pais. Então instantaneamente disse, “Oitenta e um. Uau. Você é como minha avó. Se eu tivesse uma.”
“Que coisa horrível de se dizer,” ela disse, mas estava sorrindo de novo.
“Em todos esses oitenta e um anos, você deve ter tido muitos namorados, huh?”
Por alguma razão, isso borrou sua diversão. Ela desviou o olhar de culpa. “Só um.”
Só um? E por que a culpa? “Por que tão pouco?”
“Ele é o único rapaz que meu pai aprovou.”
O que significa que a aprovação de seu pai importava pra ela. Tristemente, aprovação não era algo que Aden provavelmente conseguiria. Então, quanto tempo tem antes que Victoria se cansasse dele? Quanto tempo antes que ela o deixasse, para nunca mais voltar? Quanto tempo até que comece a sair com alguém de quem seu pai goste?
Quando as perguntas martelavam através dele. Uma sensação de urgência o atingiu. Tinha que mostrar a ela o quão bom que podia ser entre eles. Tinha que conseguir uma visão da vida – antes que fosse muito tarde.
“Eu te disse que via o futuro, certo?”
Ela assentiu de má vontade, provavelmente confusa por sua repentina mudança de assunto.
Uma onda de nervosismo passou através dele. Só diga, conte a ela. “Nos vi juntos.” Bom. Agora o resto. “Eu sabia que viria até mim antes de você chegar.”
Ela franziu o cenho. “O que... O que fazemos? Quando estávamos juntos?”
Ele não mencionou que havia a viu beber de seu pescoço. Não queria assustá-la. Ela estava suficientemente assustava por estar com ele. “Nós... Nos beijamos.”
“Você e eu, nos... beijando.” A última palavra foi pronunciada com uma tênue aspiração de fôlego. “Eu quero, oh, Deus, eu quero. Mas não posso. Acabarei me alimentado de você, e me recuso a permitir que você me veja dessa forma.”
Isso era a única coisa que a impedia? “Já provou do meu sangue, e você foi capaz de se afastar.”
“Quase não consigo.” Ela admitiu.
“E se você não conseguir desta vez? Posso tirá-la.”
“Você pode, talvez, mas não posso suportar saber que você me verá me comportando como um animal.”
Victoria? Um animal? “Eu nunca pensaria isso de você.”
Os braços dela circularam seu pescoço, com os cotovelos descansando em seus ombros. Caninos brancos e afiados apareciam sob seu lábio inferior. “Aden,” ela disse, e depois suspirou. “O que vou fazer com você?”
“Você vai me beijar.”
Ela, porém resistiu – mas a determinação que havia demonstrado antes estava desaparecendo. “Eu poderia te assustar. Poderia te aterrorizar e causar nojo
As ondas molhavam seu queixo, e ele lutou com sua decepção. Logo, disse a si mesmo, eles se beijariam. Ela o morderia, e ele provaria a ela que isso não causaria nojo nele.
“Você não pode ir. É minha vez para pedir que você fique e sua vez de ceder.” Ele não queria que eles se afastassem infeliz. Quando ela pensasse de novo nesta noite, queria que ela desejasse outra como esta. “Além do mais tenho mais uma pergunta e você me deve uma resposta.” Verdade ou não, ele não se importava.
Ela não se virou, mas assentiu rigidamente. “Pergunte.”
Ele avançou lentamente até ela. “O que pensa sobre... Isso.” Ele recolheu um punhado de água e lançou até ela, molhando seu cabelo.
Ela estava cuspindo enquanto se virou. Gotas caíram dentro de seus olhos, pegando em seus cílios. “Por que você fez...”
Rindo, ele jogou outro punhado. Este foi no meio do rosto dela.
“Por que, seu pequeno... humano!”
Antes que ele pudesse piscar, ela o tinha empurrado para debaixo d’água. Quando ele chegou à superfície, ela estava rindo, e o som esquentou seu corpo e sua alma. Como crianças, felizes, crianças sem preocupações, eles brincaram até que o sol começou a nascer. Jogando água um no outro, mergulhando um ao outro. Ela ganhou, claro, porque era infinitamente mais forte que ele, mas ele nunca tinha se divertido tanto.
AAddeenn,, qquueerriiddoo, disse Eve, falando pela primeira vez em várias horas. Sua voz o surpreendeu. As almas tinham se comportado e ele não tinha notado até agora. PPrreecciissaa vvoollttaarr.. TTeerreemmooss ssoorrttee ssee DDaann ccoonnttiinnuuaarr ddoorrmmiinnddoo ee nnããoo ttee ppeeggaarr ssuubbiinnddoo ppoorr ssuuaa jjaanneellaa.
Ela tinha razão.
MMaass mmaallddiiççããoo,, eeuu ddeesseejjaarriiaa ppooddeerr sseennttiirr oo qquuee vvooccêê sseennttee, disse Caleb. NNeemm sseeqquueerr mmee iimmppoorrttaavvaa ccoomm oo ssiillêênncciioo ffoorrççaaddoo.. VVooccêê eessttaavvaa pprreessssiioonnaaddoo ccoonnttrraa ooss sseeiiooss.. VVáárriiaass vveezzeess!!
Ele mal se deteve de revirar os olhos. “Se eu não voltar, serei pego.” Ele estendeu a mão e alisou o cabelo molhado da têmpora de Victoria. “Eu quero vê-la de novo. Mais de uma vez por semana. Quero vê-la todos os dias.”
O sorriso dela apagou, mas ela assentiu. “Não posso prometer que poderei escapar amanhã, e como disse antes, você seria sábio se ficasse longe de mim. Mas... Eu tentarei. De qualquer forma, nos veremos de novo.”
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